{"id":482,"date":"2017-04-15T00:00:00","date_gmt":"2017-04-15T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/ausencia-e-presenca-de-deus-na-oracao-do-sabado-santo\/"},"modified":"2017-04-15T00:00:00","modified_gmt":"2017-04-15T00:00:00","slug":"ausencia-e-presenca-de-deus-na-oracao-do-sabado-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/ausencia-e-presenca-de-deus-na-oracao-do-sabado-santo\/","title":{"rendered":"AUS\u00caNCIA e PRESEN\u00c7A de Deus na ora\u00e7\u00e3o do S\u00e1bado Santo"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O <b>S&aacute;bado Santo<\/b> &eacute; um dia &ldquo;n&atilde;o-normal&rdquo;, porque a morte de Jesus na Cruzdeixa o sil&ecirc;ncio, o vazio e a obscuridade. &Eacute; preciso considerar o S&aacute;bado Santocomo um tempo de luto e pranto: depois da dor intensa da Sexta-feira Santad&aacute;-se lugar a uma dor silenciosa, contida, como a terra que vai se empapandoat&eacute; suas entranhas com a &aacute;gua ca&iacute;da torrencialmente sobre a superf&iacute;cie.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; preciso saber acolher estesil&ecirc;ncio surdo, que marca a passagem entre duas experi&ecirc;ncias intensas: aSexta-feira de dor e o Domingo de Ressurrei&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A pedra do sepulcro imp&ocirc;ssil&ecirc;ncio no Calv&aacute;rio. Tamb&eacute;m imp&ocirc;s sil&ecirc;ncio nos cora&ccedil;&otilde;es doloridos. &Eacute; umsil&ecirc;ncio de dor e solid&atilde;o. &Eacute; um sil&ecirc;ncio do vazio provocado pela morte. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A pedra que fecha o sepulcro &eacute;como o &uacute;ltimo gesto do morrer. Enquanto o morto est&aacute; sendo velado, d&aacute; aimpress&atilde;o de que, de alguma maneira, ainda est&aacute; presente. Quando se fecha osepulcro tudo parece que terminou. O S&aacute;bado Santo parece um s&aacute;bado vazio. Calaa Liturgia. Cala a Igreja. Calam os cora&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O desconcerto diante daSexta-feira Santa pode ser t&atilde;o intenso que j&aacute; n&atilde;o resta mais esperan&ccedil;a, nemraz&atilde;o para a miss&atilde;o. Nesse sentido, o S&aacute;bado n&atilde;o teria nada de &ldquo;santo&rdquo;, mas s&oacute;s&aacute;bado de sepultura. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sabemos que a vida da Igreja,como tamb&eacute;m a nossa vida pessoal, &eacute; feita de longos s&aacute;bados santos, nos quaisnem a dor da Paix&atilde;o nem o consolo da festa Pascal marcam significativamentenossos dias e nossas noites, mas simplesmente a dura e paciente espera, na f&eacute;mais despojada, de um Senhor, que se faz esperar tanto que parece que j&aacute; n&atilde;ovai chegar mais.&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como seguidores(as) de Jesustivemos nosso advento, natal, quaresma, p&aacute;scoa, pentecostes&#8230;; tamb&eacute;m nossasexta-feira santa. Hoje nos encontramos no S&aacute;bado Santo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O S&aacute;bado Santo &eacute; um dia semliturgia, em sil&ecirc;ncio, n&atilde;o passa nada, n&atilde;o sucede nada, recorda a solid&atilde;o dosepulcro, a tristeza das mulheres e dos disc&iacute;pulos, a desilus&atilde;o diante dofracasso. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;O Rei dorme&rdquo;, comenta uma antigahomilia sobre o S&aacute;bado Santo. O povo recita o &ldquo;Shabat mater&rdquo;, acompanha aVirgem dolorosa, espera com ela, em sil&ecirc;ncio, a aurora pascal.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este &eacute; o dia das mulheresdisc&iacute;pulas, que cuidam do corpo morto e o ungem com aromas; dia do desconcertodos disc&iacute;pulos masculinos que, com o gosto amargo do fracasso, retornam &agrave;Galileia ou a Ema&uacute;s. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">E, no entanto, segundo o credocrist&atilde;o mais primitivo, conservado fielmente sobretudo na Igreja Oriental, oS&aacute;bado Santo recorda a &ldquo;descida de Jesus aos infernos&rdquo;, o que equivale dizer:experimentar at&eacute; o fundo o poder da morte e, portanto, a for&ccedil;a do sil&ecirc;ncio, daobscuridade e do vazio. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus desce ao lugar da morte edas sombras, a uma dimens&atilde;o fechada e murada, da qual n&atilde;o havia sa&iacute;da. E, aoentrar no lugar da morte, Jesus rompe os ferrolhos, libera da pris&atilde;o osencarcerados, ilumina aqueles que viviam nas sombras da morte, vence o poder domal. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na &ldquo;descida&rdquo; de Jesus somosmovidos a viver esta jornada como um tempo no qual &eacute; poss&iacute;vel experimentar aaus&ecirc;ncia, o sil&ecirc;ncio ou o vazio (quando, por exemplo, &eacute; provocado pela perda deum ente querido). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; muito duro viver em um S&aacute;badoSanto t&atilde;o prolongado, &eacute; duro o inverno social e eclesial. Mas, &agrave;s vezes, emmeio ao sil&ecirc;ncio do S&aacute;bado de nossa hist&oacute;ria, ouvem-se algumas vozes demulheres que falam de anjos que anunciam que o Senhor ressuscitou. Certamentepodemos fechar-nos em nosso pessimismo e pensar que estas mulheres s&atilde;o umasinsensatas, exageradas e aloucadas. Mas, e se estas mulheres tiverem raz&atilde;o?Ent&atilde;o, n&atilde;o ter&iacute;amos tamb&eacute;m que &ldquo;descer aos infernos&rdquo; de nosso mundo de hojepara libertar os que est&atilde;o nas sombras da morte e anunciar-lhes que o Senhorvenceu a morte? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ent&atilde;o, talvez, o S&aacute;bado Santopoderia converter-se em um tempo de esperan&ccedil;a germinal. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">S&aacute;bado Santo &eacute; tempo n&atilde;o s&oacute; deespera, mas de esperan&ccedil;a, &eacute; deixar que o gr&atilde;o de trigo morto comece a germinar,&eacute; tempo de um inverno que tornar&aacute; poss&iacute;vel as flores da primavera, &eacute; tempo deimaginar, de criar, de abrir-se a algo novo e inesperado, de sonhar um mundomelhor e uma Igreja mais nazarena. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O vazio da morte de Jesus nosdeixa sem alento. Sua aus&ecirc;ncia nos deixa sem palavras. Que podemos dizer se Elen&atilde;o est&aacute; presente? Quando j&aacute; n&atilde;o est&aacute; presente a Palavra, que podem dizer aspalavras? Por isso, o S&aacute;bado Santo, &eacute; o s&aacute;bado das aus&ecirc;ncias. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em nosso mundo violento, onde adestrui&ccedil;&atilde;o da vida &eacute; t&atilde;o forte e as feridas da humanidade e da cria&ccedil;&atilde;o s&atilde;oexibidas, &eacute; dif&iacute;cil tolerar a experi&ecirc;ncia de Deus como uma aus&ecirc;nciapurificadora e manter abertos nossos cora&ccedil;&otilde;es para preparar o novo caminho devida, de forma reverente e paciente. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No entanto, em todo caminhoespiritual &eacute; preciso passar pela &ldquo;noite&rdquo;, pela &ldquo;aus&ecirc;ncia&rdquo;, pelo &ldquo;sil&ecirc;ncio&rdquo;,para amadurecer. &Eacute; inevit&aacute;vel experimentar, durante algum tempo, alguma formadesconcertante de sentir a presen&ccedil;a-aus&ecirc;ncia de Deus. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Deus est&aacute; &ldquo;al&eacute;m&rdquo; de nosso cora&ccedil;&atilde;oe de nossa mente, &ldquo;al&eacute;m&rdquo; de nossos sentimentos e de nossos pensamentos, &ldquo;al&eacute;m&rdquo;de nossas expectativas e de nossos desejos, &ldquo;al&eacute;m&rdquo; de todas as experi&ecirc;ncias quefazem parte da vida. E, ao mesmo tempo, est&aacute; no &ldquo;centro&rdquo;&nbsp; de tudo isso. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sua aus&ecirc;ncia, por outro lado,muitas vezes &eacute; sentida t&atilde;o profundamente, que leva a um novo sentido de suapresen&ccedil;a. Isto est&aacute; expresso no Sl. 22,1-5. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este espa&ccedil;o de sil&ecirc;ncio n&atilde;o &eacute; demorte sen&atilde;o de vida germinal, &eacute; noite que aponta &agrave; aurora, s&atilde;o as noitesescuras da vida que desembocam na alegria da alvorada; &eacute; tempo de f&eacute; e deesperan&ccedil;a, &eacute; momento de semear, mesmo que n&atilde;o vejamos os resultados, &eacute; tempo decrer que o Esp&iacute;rito do Senhor, criador e doa-dor de vida, est&aacute; fecundando ahist&oacute;ria e a terra para seu amadurecimento pascal e escatol&oacute;gico, para achegada da &ldquo;nova terra nova e do novo c&eacute;u&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Vivemos no &ldquo;s&aacute;bado santo&rdquo; danossa sociedade dividida, preconceituosa, violenta&#8230;; somos terra de penumbra.Mas nela se antecipa a esperan&ccedil;a do dia de P&aacute;scoa. Como as mulheres, vamos aosepulcro, levando aromas. As ora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o aromas que o Esp&iacute;rito recolhe em suata&ccedil;a. A esperan&ccedil;a &eacute; aroma que faz esquecer o mau-cheiro do cad&aacute;ver. Na noite dos&aacute;bado santo nos mobilizamos a levantar bem cedo porque &ldquo;algo novo&rdquo; vaiacontecer. O Abb&aacute; ausente vai revelar sua nova presen&ccedil;a; o Esp&iacute;rito ficou semPalavra, mas j&aacute; sussurra; a voz do sil&ecirc;ncio d&aacute; seus primeiros gemidos. Algogrande j&aacute; se prepara. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As disc&iacute;pulas e os disc&iacute;pulos deJesus est&atilde;o &agrave; espera, reunidos em torno a Maria, orando com ela, a transpar&ecirc;nciafeminina do Esp&iacute;rito. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Esta terr&iacute;vel Noite Escura doS&aacute;bado Santo corresponde a um incontest&aacute;vel est&aacute;gio espiritual, como dura masinevit&aacute;vel &ldquo;passagem&rdquo; (P&aacute;scoa) para a Luz do Domingo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">S&oacute; atravessando a prova, a NoiteAmarga se transforma em Noite Am&aacute;vel. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Textos b&iacute;blicos:&nbsp; Mc.15,42-47&nbsp;&nbsp; Jo. 19,38-42 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> recordar os grandes sil&ecirc;ncios da vida (perdas,fracassos, crises&#8230;) onde n&atilde;o h&aacute; raz&otilde;es, n&atilde;o h&aacute; uma l&oacute;gica&#8230;, mas no sil&ecirc;ncioprofundo, algo novo come&ccedil;a a germinar&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O S&aacute;bado Santo &eacute; um dia &ldquo;n&atilde;o-normal&rdquo;, porque a morte de Jesus na Cruzdeixa o sil&ecirc;ncio, o vazio e a obscuridade. &Eacute; preciso considerar o S&aacute;bado Santocomo um tempo de luto e pranto:&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1040,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}