{"id":469,"date":"2017-04-29T00:00:00","date_gmt":"2017-04-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/3-domingo-da-pascoa-caminho-de-emaus-conversacao-que-transforma\/"},"modified":"2017-04-29T00:00:00","modified_gmt":"2017-04-29T00:00:00","slug":"3-domingo-da-pascoa-caminho-de-emaus-conversacao-que-transforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/3-domingo-da-pascoa-caminho-de-emaus-conversacao-que-transforma\/","title":{"rendered":"3\u00ba Domingo da P\u00e1scoa &#8211; CAMINHO DE EMA\u00daS: conversa\u00e7\u00e3o que transforma!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catequesehoje.org.br\/images\/raizes\/Espiritualidade2016\/m_CaravaggioCeiaEmaus-560x450.jpg\" alt=\"m_CaravaggioCeiaEmaus-560x450.jpg\"><\/p>\n<p><p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Enquanto conversavam ediscutiam, o pr&oacute;prio Jesus se aproximou e come&ccedil;ou a caminhar com eles&rdquo;<\/i><\/b>(Lc 24,15)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O relato dos disc&iacute;pulos de Ema&uacute;srevela-nos que o conhecimento de Jesus Cristo, a amizade com Ele, a inser&ccedil;&atilde;o nacomunidade dos seus seguidores(as) e o testemunho de sua ressurrei&ccedil;&atilde;o s&atilde;oprogressivos. Para conhecer o Senhor, &eacute; necess&aacute;rio caminhar com Ele, escutarlonga e atentamente sua Palavra, deixar-se cativar por Ele, sentar-se &agrave; mesacom Ele e deixar que Ele parta e reparta o p&atilde;o da vida. E, depois dereconhec&ecirc;-lo, &eacute; necess&aacute;rio realizar imediatamente o &ldquo;caminho de volta&rdquo; para acomunidade, para partilhar com os outros a experi&ecirc;ncia do encontro com oSenhor, professar juntos a f&eacute; comum e realizar as obras do Reino.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Lucas gosta de apresentar Jesus acaminho. No relato do Evangelho deste domingo, os termos &ldquo;caminhar, caminho&rdquo;aparecem no in&iacute;cio, no meio e no fim. No livro dos Atos, a palavra &ldquo;caminho&rdquo;designar&aacute; a identidade e o modo de vida das comunidades crist&atilde;s.&nbsp; &Eacute; essa experi&ecirc;ncia que, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia,muda nosso modo de pensar, de sentir e de agir. &Eacute; essa experi&ecirc;ncia que nosconverte em seus (suas) disc&iacute;pulos(as) e seguidores(as). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A gra&ccedil;a de Deus pode nos atingirnos caminhos mais variados e inesperados: passando pelas fendas de nossaexist&ecirc;ncia, pelas brechas abertas em n&oacute;s pelas grandes decep&ccedil;&otilde;es, ou soprandoas &uacute;ltimas brasas que, sob as cinzas da desilus&atilde;o, ainda permanecem acesas. Oscaminhos que levam ao encontro com Jesus podem ser os mais diversos e mais oumenos longos, mas a experi&ecirc;ncia do encontro pessoal com Ele &eacute; imprescind&iacute;velpara conhec&ecirc;-Lo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Fazer o caminho com os disc&iacute;pulosde Ema&uacute;s &eacute; uma privilegiada oportunidade para recuperar o lugar e o sentido daconversa&ccedil;&atilde;o nas nossas diferentes rela&ccedil;&otilde;es pessoais. De fato, vivemos num mundohiperconectado; o uso dos aplicativos de mensagens cresceu assustadoramente. Omundo, nossa vida, se converteu num &ldquo;chat&rdquo; cont&iacute;nuo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na verdade, n&atilde;o &eacute; coerentetraduzir a express&atilde;o &ldquo;chat&rdquo; por conversa&ccedil;&atilde;o, porque estamos assistindo a umpreocupante paradoxo: em meio a este &ldquo;chat universal&rdquo;, a conversa&ccedil;&atilde;o emudeceu;nem &eacute; tumulto nem &eacute; sussurro. Grande parte de nossas &ldquo;conversa&ccedil;&otilde;es&rdquo; ficaprisioneira das telas (celulares, tablets, computadores, smarths&#8230;). Corremoso risco de reduzir a comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; conex&atilde;o. Banalizam-se os conte&uacute;dos, mastamb&eacute;m s&atilde;o amputadas dimens&otilde;es fundamentais da experi&ecirc;ncia humana dacomunica&ccedil;&atilde;o, sobretudo a presen&ccedil;a f&iacute;sica. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sem essa presen&ccedil;a, sem o encontropessoal, h&aacute; um empobrecimento da verdadeira comunica&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica cara a cara,diante do olhar do outro; fora desta comunica&ccedil;&atilde;o vivente com o outro, j&aacute; n&atilde;o &eacute;poss&iacute;vel autentificar a experi&ecirc;ncia do nosso pr&oacute;prio eu pois nos falta a rela&ccedil;&atilde;oprimordial com um tu. O processo mesmo da conversa&ccedil;&atilde;o produz mudan&ccedil;as em n&oacute;s:uma determinada frase, dita ou escutada, uma experi&ecirc;ncia de vida que tocounosso cora&ccedil;&atilde;o, uma pergunta que nos tirou de nossa maneira habitual de pensar&hellip;s&atilde;o sementes para transforma&ccedil;&otilde;es posteriores. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No caminho de Ema&uacute;s, Jesus, comomestre s&aacute;bio na arte da convers&atilde;o, parte da situa&ccedil;&atilde;o existencial em que os doisdisc&iacute;pulos se encontravam naquele momento: provoca-os para que falem &agrave; vontadedas causas de sua tristeza. No fundo do cora&ccedil;&atilde;o dos disc&iacute;pulos h&aacute; um grandevazio que, inconscientemente, querem preencher &ldquo;conversando e discutindo entresi&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A pergunta de Jesus sobre oproblema que causava tamanho sofrimento neles foi o ponto de partida paraencontrar a resposta que, no fim do itiner&aacute;rio, iria esclarec&ecirc;-los, ilumin&aacute;-lose devolver-lhes a alegria e a esperan&ccedil;a perdidas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A pergunta de Jesus (&ldquo;o que idesconversando pelo caminho?&rdquo;) faz com que os disc&iacute;pulos levantem os olhos do ch&atilde;oe olhem para o rosto do peregrino desconhecido. Sem perceber come&ccedil;am a sair deseu fechamento e a alegrar-se porque algu&eacute;m est&aacute; interessado em saber quais s&atilde;oas causas de sua tristeza e quer escut&aacute;-los. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A pedagogia amorosa de Jesus deucerto: eles abrem o cora&ccedil;&atilde;o e contam &ldquo;o que aconteceu a Jesus de Nazar&eacute;&rdquo;. Noentanto, o que aconteceu com Jesus n&atilde;o &eacute; contado por um cora&ccedil;&atilde;o ardente eexultante, mas por um cora&ccedil;&atilde;o ferido, desiludido e triste. A resposta dosdisc&iacute;pulos &eacute; um resumo do querigma crist&atilde;o; mas esse conte&uacute;do &eacute; relatado comouma trag&eacute;dia irrepar&aacute;vel. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Depois de um longo di&aacute;logo com operegrino, os disc&iacute;pulos n&atilde;o discutem mais entre si, mas un&acirc;nimes, insistempara que ele permane&ccedil;a com eles naquela noite. O pedido &ldquo;permanece conosco&rdquo;, emLucas, expressa o desejo de ser disc&iacute;pulo de Jesus. Depois que Jesus aceitou oconvite, a casa de Ema&uacute;s, em vez de tornar-se um lugar de fuga e fechamento,como os disc&iacute;pulos pretendiam, tornou-se um lugar de acolhida e de partilha, deilumina&ccedil;&atilde;o e ponto de partida para a retomada da comunh&atilde;o com a comunidade dosdemais companheiros. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Foi durante a &ldquo;fra&ccedil;&atilde;o do p&atilde;o&rdquo;,que os olhos dos disc&iacute;pulos se abriram e reconheceram Jesus. A fra&ccedil;&atilde;o do p&atilde;ocontinua a ser para os disc&iacute;pulos de Jesus de todos os tempos o &ldquo;sinal porexcel&ecirc;ncia da presen&ccedil;a do Ressuscitado, o lugar onde eles podem e devemdescobrir essa presen&ccedil;a e a partir do qual poder&atilde;o dar testemunho daRessurrei&ccedil;&atilde;o&rdquo; (J. Dupont). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O di&aacute;logo &eacute; consubstancial aocristianismo. Deus &eacute; Palavra criadora e geradora de vida, mas em Jesus ela semanifesta como uma grande conversa&ccedil;&atilde;o. Sua presen&ccedil;a junto aos disc&iacute;pulos deEma&uacute;s, &eacute; que possibilita a passagem de uma &ldquo;conversa e discuss&atilde;o&rdquo; marcada pelatristeza, dor e fuga a uma nova conversa&ccedil;&atilde;o, cheia de sentido e alegria. Osdois disc&iacute;pulos viveram uma verdadeira &ldquo;p&aacute;scoa&rdquo;, isto &eacute;, passaram da discuss&atilde;oao reconhecimento, do fechamento &agrave; abertura, do lamento ao agradecimento, dodes&acirc;nimo ao entusiasmo. Em resumo, a &ldquo;passagem&rdquo; do cora&ccedil;&atilde;o vazio e duro para ocora&ccedil;&atilde;o transbordante e abrasado. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A nova conversa&ccedil;&atilde;o os arranca dasolid&atilde;o e os faz retornar &agrave; comunidade para relatar a boa nova da experi&ecirc;nciaque fizeram. Conversa&ccedil;&atilde;o expansiva, desencadeadora de outros relatos vitais. Eassim, os la&ccedil;os s&atilde;o reatados. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sabemos que, a partir de umaposi&ccedil;&atilde;o conservadora, est&aacute;tica, r&iacute;gida, &eacute; muito dif&iacute;cil que haja uma verdadeiraconversa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso sair de si mesmo, colocar-se em marcha. S&oacute; nessedeslocamento &eacute; onde podemos nos abrir &agrave;s novas experi&ecirc;ncias e reconhecer apresen&ccedil;a do outro. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O modo eminente de conversa&ccedil;&atilde;oentre as pessoas &eacute; aquele no qual se d&aacute; uma m&uacute;tua atualidade da presen&ccedil;a, e,portanto, um modo de comunica&ccedil;&atilde;o no qual toda a pessoa se expressa, com gestose palavras, e tem um car&aacute;ter pascal, ou seja, a passagem para a comunh&atilde;o, apaz, a ilumina&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 24,13-35 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> em um mundo permanentemente conectado, com um medo cadavez mais difuso de perder\/esquecer seu celular, ou de &ldquo;ficar sem bateria&rdquo;, oaprender a &ldquo;desconectar&rdquo;, a gerir a solid&atilde;o, o encontro consigo mesmo, &eacute; um dosgrandes desafios, sobretudo para os chamados &ldquo;nomof&oacute;bicos digitais&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Reservar tempos de deserto paraviver a experi&ecirc;ncia de uma conex&atilde;o interior &eacute; altamente humanizador; somenteesta conex&atilde;o profunda possibilita ter acesso &agrave; reservas interiores decompaix&atilde;o, bondade, amor.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; O &ldquo;of&iacute;cio da palavra&rdquo;, paraal&eacute;m de designar isto ou aquilo, &eacute; um ato de amor: criar presen&ccedil;a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Suas conversas cotidianas: s&atilde;ocarregadas de calor humano ou marcadas pela frieza das telas digitais? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Enquanto conversavam ediscutiam, o pr&oacute;prio Jesus se aproximou e come&ccedil;ou a caminhar com eles&rdquo;(Lc 24,15) O relato dos disc&iacute;pulos de Ema&uacute;srevela-nos que o conhecimento de Jesus Cristo, a amizade com Ele, a inser&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":722,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/469"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=469"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/469\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/722"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}