{"id":457,"date":"2017-05-11T00:00:00","date_gmt":"2017-05-11T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/o-mes-de-maria\/"},"modified":"2017-05-11T00:00:00","modified_gmt":"2017-05-11T00:00:00","slug":"o-mes-de-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/o-mes-de-maria\/","title":{"rendered":"O m\u00eas de Maria"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.a12.com\/files\/media\/originals\/shutterstock_164252486.jpg\" alt=\"Maria_Shutterstock\"><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Maio &eacute; um m&ecirc;s intenso: dasnoivas, das m&atilde;es, das temperaturas amenas e dos jardins floridos. &Eacute; o m&ecirc;s emque o ar &eacute; fresco e convive com o sol em perfeita harmonia. O sol n&atilde;o &eacute;sufocante e apenas esquenta a pele e acaricia o rosto mostrando sua presen&ccedil;a reconfortante.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por&eacute;m, mais que tudo e antes detudo, maio &eacute; o m&ecirc;s de Maria. A judia fiel Maria de Nazar&eacute;, m&atilde;e de Jesus,preside esses trinta e um dias e, ao longo deles, &eacute; celebrada, venerada ecantada em todos os tons por seus filhos que n&atilde;o esmorecem no amor e carinho quepor ela experimentam.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Maria &eacute;, sem d&uacute;vida, a rainha demaio. No col&eacute;gio em que estudei, as irm&atilde;s colocavam em cada uma de n&oacute;s uma fitabranca larga com uma medalha. Era a fita de Nossa Senhora. E cada uma de n&oacute;s iarecebendo a fita ao longo dos dias do m&ecirc;s de Maria junto com uma granderesponsabilidade: a de ser dignas filhas desta que era m&atilde;e de Deus e nossa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pom.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/imagephp-300x200.jpg\" alt=\"image.php\"><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Qual a crian&ccedil;a cat&oacute;lica que j&aacute;n&atilde;o sonhou em ser anjinho de prociss&atilde;o? &Eacute; lindo ver o carinho na prepara&ccedil;&atilde;o daprociss&atilde;o solene do dia 31 de maio e como as crian&ccedil;as, felizes, cantam e rezamao redor da grande homenageada: Maria. Nossos pa&iacute;ses latinos s&atilde;o inegavelmenteimpregnados pelo culto a essa que super todos os santos porque de seu ventrenasceu aquele que seria o Salvador do mundo e da humanidade, Jesus, o filho deDeus, o Cristo Redentor.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na hist&oacute;ria do Ocidente crist&atilde;o emuito especialmente na hist&oacute;ria do &ldquo;continente crist&atilde;o&rdquo; que seria a Am&eacute;ricaLatina, Maria sempre teve um lugar protag&ocirc;nico. Sua figura foi eminentementeativa em toda a hist&oacute;ria latino-americana ap&oacute;s a coloniza&ccedil;&atilde;o e desde o in&iacute;ciodesta. E mesmo se criticamos o procedimento dos colonizadores espanh&oacute;is eportugueses por seus m&eacute;todos desrespeitosos e truculentos para com os povosorigin&aacute;rios do sul da Am&eacute;rica &eacute; imperativo igualmente reconhecer sua f&eacute;profunda e fervorosa devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Virgem Maria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Trazida ao novo mundo pelosportugueses e espanh&oacute;is, Maria foi chamada &ldquo;A Conquistadora&rdquo;. Este t&iacute;tulo &eacute;significativo, porque com ele, Maria se incorpora &agrave; totalidade da empreitada deconquista espiritual ou reconquista que os mission&aacute;rios pretendiam realizar noNovo Mundo. Esta invoca&ccedil;&atilde;o est&aacute; carregada de ambiguidades, gerando uma vis&atilde;o deMaria igualmente amb&iacute;gua sobretudo frente aos ind&iacute;genas, que se sentiramagredidos e explorados pelos colonizadores, e frente aos africanos que aquichegaram como escravos e foram cruelmente oprimidos pela heran&ccedil;a colonialpersonalizada nos novos organizadores da economia e do trabalho.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Juntamente com isso, essa vis&atilde;ode Maria como Conquistadora e intercessora do projeto colonial teve grandeimpacto na vida das mulheres ind&iacute;genas e africanas, que tiveram de sofrer acoloniza&ccedil;&atilde;o e a &ldquo;mesti&ccedil;agem&rdquo; em seus pr&oacute;prios corpos e descend&ecirc;ncia. E adevo&ccedil;&atilde;o a Maria, como &uacute;nica mulher poderosa e conquistadora, a quem se prestavaculto, confirmava a opress&atilde;o das outras mulheres que jamais conseguiriamimit&aacute;-la em sua virgindade maternal ou sua maternidade virginal.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pom.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/maria-257x300.jpg\" alt=\"maria\"><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O Conc&iacute;lio Vaticano II inaugurouuma nova vis&atilde;o de Maria, libertadora e n&atilde;o mais conquistadora. Na leitura daB&iacute;blia, pode-se encontrar uma Maria enraizada na hist&oacute;ria e tamb&eacute;m modelo def&eacute;. Tal como &eacute; encontrada nos Evangelhos, como membro ativo e construtora doReino, distante e diferente da Maria que legitimou a viol&ecirc;ncia e a guerra contraos povos origin&aacute;rios do continente e que protegeu os conquistadores em seuintento de &ldquo;evangelizar&rdquo; a Am&eacute;rica, mesmo pagando o pre&ccedil;o do sangue de muitasgera&ccedil;&otilde;es de ind&iacute;genas e afrodescendentes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Maria &eacute; aquela que tem maiorintimidade com o povo. &Eacute; aquela para quem os pobres podem fazer confid&ecirc;ncias econtar segredos. &Eacute; capaz de escutar e guardar tudo em seu cora&ccedil;&atilde;o. Caminha comos pobres atrav&eacute;s das duras sendas da vida nas &aacute;reas pobres do continente.Compreende os problemas das mulheres, mesmo os mais &iacute;ntimos, e n&atilde;o seescandaliza com coisa alguma.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em Maria est&aacute; presente a dimens&atilde;omaternal muito valorizada pelo povo e tamb&eacute;m pela Igreja cat&oacute;lica. Amaternidade a torna mais pr&oacute;xima do povo. Para os pobres na Am&eacute;rica Latina, avida &eacute; uma luta t&atilde;o dura que a rela&ccedil;&atilde;o com Maria &ndash; que &eacute; terna emisericordiosa, mas ao mesmo tempo poderosa e gloriosa &ndash; desenvolve-se no n&iacute;velde suas necessidades b&aacute;sicas. Eles creem firmemente que Maria os compreende epode ajud&aacute;-los quando sofrem fome, quando n&atilde;o t&ecirc;m como cuidar e curar seusfilhos doentes e vulner&aacute;veis. Ela est&aacute; ao lado de todas as mulheres no momentodo parto e do alumbramento. Ajuda quando o trabalho falta, quando os camposn&atilde;o&nbsp; produzem, quando o marido foi emboracom outra mulher ou &eacute; alco&oacute;latra e violento, quando as crian&ccedil;as se tornam presada droga e do tr&aacute;fico, quando a doen&ccedil;a amea&ccedil;a a vida e tantas outrasdificuldades acontecem na vida cotidiana. Ela &eacute; al&iacute;vio, compreende, ajuda eeles creem nela e a invocam.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Tem um rosto coletivo essa Mariae n&atilde;o apenas individual. Seu rosto &eacute; o rosto do povo. Nesses momentos duros eimportantes, ela &eacute; presen&ccedil;a compassiva e materna. E para ela o povo clama egrita seus desejos insatisfeitos, suas ora&ccedil;&otilde;es, seus medos, suas inseguran&ccedil;as.E a presen&ccedil;a da M&atilde;e se faz sentir ao seu lado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na rela&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e est&aacute;presente a busca pela prote&ccedil;&atilde;o das origens. Neste sentido, o nascimento, anutri&ccedil;&atilde;o e os primeiros anos de vida s&atilde;o momentos da mais completa intimidadeentre os fr&aacute;geis e indefesos seres humanos, que se sentem seguros sob suaprote&ccedil;&atilde;o. Este retorno &agrave;s origens &eacute; repetido in&uacute;meras vezes na exist&ecirc;nciahumana e especialmente dentro da estrutura religiosa. A religi&atilde;o reconstr&oacute;iidealmente a vida, partindo de novas figuras e rela&ccedil;&otilde;es familiares, afetivas esociais com figuras protot&iacute;picas &ndash; como Maria e os santos &ndash; que s&atilde;o mais quehumanos e cheios de extraordin&aacute;rias qualidades e virtudes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Maria &eacute; vista como a M&atilde;e idealtamb&eacute;m porque o povo a sente ao seu lado, incluindo em seu cuidado maternal seudesejo de ser salvo e liberto, sob o aspecto individual, coletivo e cultural.Em Maria encontram acolhida e abertura maternal para sua liberta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Neste m&ecirc;s de maio que come&ccedil;a, &agrave;vossa prote&ccedil;&atilde;o recorremos, M&atilde;e de Deus. Abriga-nos sob teu manto que os temposs&atilde;o dif&iacute;ceis e sombrios. Consola-nos das afli&ccedil;&otilde;es e ilumina nosso caminho. Evela por nossas crian&ccedil;as que tamb&eacute;m s&atilde;o tuas. Am&eacute;m.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Maria Clara LucchettiBingemer, te&oacute;loga e professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio, autorade &ldquo;Simone Weil &ndash; A for&ccedil;a e a fraqueza do amor&rdquo; (Ed. Rocco).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maio &eacute; um m&ecirc;s intenso: dasnoivas, das m&atilde;es, das temperaturas amenas e dos jardins floridos. &Eacute; o m&ecirc;s emque o ar &eacute; fresco e convive com o sol em perfeita harmonia. 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