{"id":371,"date":"2017-07-08T00:00:00","date_gmt":"2017-07-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/14-domingo-do-tempo-comum-divino-coracao-humano\/"},"modified":"2017-07-08T00:00:00","modified_gmt":"2017-07-08T00:00:00","slug":"14-domingo-do-tempo-comum-divino-coracao-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/14-domingo-do-tempo-comum-divino-coracao-humano\/","title":{"rendered":"14\u00ba Domingo do Tempo Comum &#8211; Divino cora\u00e7\u00e3o humano"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;&#8230;porque sou manso e humilde decora&ccedil;&atilde;o, e encontrareis descanso para v&oacute;s&rdquo; <\/i>(Mt 11,29)<i><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em toda vis&atilde;o antropol&oacute;gica, ocora&ccedil;&atilde;o ocupa o centro profundo de nosso ser, o nosso cerne mais &iacute;ntimo, ocora&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o consiste no mero sentimento, mas trata-se do centroexistencial que nos permite orientar-nos como um todo e plenamente em dire&ccedil;&atilde;oao bem, &agrave; verdade, &agrave; justi&ccedil;a&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O cora&ccedil;&atilde;o &eacute; uma dessas palavrassobre a qual toda a multiplicidade se torna uno.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ele simboliza, para a grandemaioria das culturas, o centro da pessoa, onde se unificam todas suasdimens&otilde;es. Uma pessoa com cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a dominada pelo sentimentalismo, sen&atilde;oaquela que alcan&ccedil;ou uma unidade e coer&ecirc;ncia, um equil&iacute;brio de maturidade que lhepermite ser objetiva e cordial, l&uacute;cida e apaixonada, intuitiva e racional;nunca fria, mas sempre acolhedora; nunca cega, mas realista.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ter cora&ccedil;&atilde;o equivale a ser umapersonalidade integrada. O cora&ccedil;&atilde;o &eacute; o s&iacute;mbolo da profundidade e dainterioridade. S&oacute; quem chegou a uma harmonia consciente com o profundo de seuser consegue alcan&ccedil;ar a unidade e a maturidade pessoais. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O cora&ccedil;&atilde;o do ser humano &eacute; apr&oacute;pria fonte de sua personalidade consciente, inteligente e livre. &Eacute; o lugarde suas escolhas decisivas, fonte das bem-aventuran&ccedil;as, santu&aacute;rio da a&ccedil;&atilde;omisteriosa de Deus e do encontro com Ele. Recorda&ccedil;&otilde;es, pensamentos, projetos edecis&otilde;es s&atilde;o alguns dos componentes essenciais do &oacute;rg&atilde;o vital por excel&ecirc;ncia. Oque acontece nele tem car&aacute;ter decisivo. &ldquo;O mist&eacute;rio interior do ser humano,tanto na l&iacute;nguagem b&iacute;blica como na n&atilde;o b&iacute;blica, se expressa com a palavracora&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Xavier Le&oacute;n-Dufour).&nbsp; Por isso&eacute; importante permanecer atento aos seus movimentos. &Eacute; a &uacute;nica forma de nos conhecere de conhecer verdadeiramente uma pessoa. O cora&ccedil;&atilde;o pode palpitar ao ritmo dasoberba ou da humildade, do amor ou do &oacute;dio, do ego&iacute;smo ou da generosidade. Eest&aacute; cheio de mesclas: de trigo e de joio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Vivemos imersos em umamultiplicidade de realidades, imagens, ofertas, caminhos, ideias diferentes&#8230;No entanto, quando procuramos reunir e estruturar nossa busca e orient&aacute;-la paraa realidade &uacute;ltima de nossa exist&ecirc;ncia, recorreremos a express&otilde;es, palavras,imagens que brotam do mais profundo de n&oacute;s mesmos, do nosso cora&ccedil;&atilde;o. Trata-se,pois, de chegar &agrave; unifica&ccedil;&atilde;o de nossa pessoa, integrando a afetividade, asensibilidade, a raz&atilde;o, os desejos&#8230;, para al&eacute;m da bela express&atilde;o de Pascal:&ldquo;O cora&ccedil;&atilde;o tem raz&otilde;es que a raz&atilde;o n&atilde;o conhece&rdquo;. O fato &eacute; que h&aacute; &ldquo;olhos nocora&ccedil;&atilde;o&rdquo; que permitem compreender o que nem os olhos do corpo, nem a raz&atilde;o s&atilde;ocapazes de perceber: &ldquo;Rogo a Deus que ilumine os olhos dos vossos cora&ccedil;&otilde;es,para que conhe&ccedil;ais qual &eacute; a esperan&ccedil;a &agrave; qual fostes chamados&rdquo; (Ef. 1,18). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A antropologia b&iacute;blica considerao cora&ccedil;&atilde;o como o interior do ser humano, num sentido muito mais amplo que o dasl&iacute;nguas latinas; n&atilde;o o cora&ccedil;&atilde;o entendido como o &oacute;rg&atilde;o da afetividade (uma zonamuito inconsistente e inst&aacute;vel), mas uma dimens&atilde;o mais interna e transparente,que se converte em &ldquo;sede&rdquo; do esp&iacute;rito. J&aacute; no AT, o cora&ccedil;&atilde;o designava o complexomundo interior do ser humano. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Fechamento, insensibilidade,indiferen&ccedil;a, impassibilidade, surdez, falsidade, murmura&ccedil;&otilde;es&#8230; eram raz&otilde;esmais que suficientes para exortar a uma mudan&ccedil;a de atitude. &ldquo;Eu lhes darei ums&oacute; cora&ccedil;&atilde;o e infundirei neles um esp&iacute;rito novo: tirarei de seu peito o cora&ccedil;&atilde;ode pedra e lhes darei um cora&ccedil;&atilde;o de carne&rdquo; (Ez 11,19). A convers&atilde;o deviaempapar todo o ser, especialmente o cora&ccedil;&atilde;o petrificado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Segundo a tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica, o quemais nos desumaniza &eacute; viver com um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o fechado&rdquo; e endurecido, um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;ode pedra&rdquo;, incapaz de amar e de crer. Quem vive &ldquo;fechado em si mesmo&rdquo;, n&atilde;o podeacolher o Esp&iacute;rito de Deus, n&atilde;o pode deixar-se guiar pelo Esp&iacute;rito de Jesus. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quando nosso cora&ccedil;&atilde;o est&aacute;&ldquo;fechado&rdquo;, nossos olhos n&atilde;o v&ecirc;em, nossos ouvidos n&atilde;o ouvem, nossos bra&ccedil;os e p&eacute;sse atrofiam e n&atilde;o se movimentam em dire&ccedil;&atilde;o ao outro; vivemos voltados sobre n&oacute;smesmos, insens&iacute;veis &agrave; admira&ccedil;&atilde;o e &agrave; a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as. Quando nosso cora&ccedil;&atilde;o est&aacute;&ldquo;fechado&rdquo;, em nossa vida n&atilde;o h&aacute; mais compaix&atilde;o e passamos a viver indiferentes&agrave; viol&ecirc;ncia e injusti&ccedil;a que destroem a felicidade de tantas pessoas. Vivemosseparados da vida, desconectados. Uma fronteira invis&iacute;vel nos separa doEsp&iacute;rito de Deus que tudo dinamiza e inspira; &eacute; imposs&iacute;vel sentir a vida comoJesus sentia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quando vivemos a partir docora&ccedil;&atilde;o, escutamos com mais paci&ecirc;ncia, olhamos com cumplicidade, tocamos comternura, sofremos com fortaleza, assumimos o risco com naturalidade, misturamosnossa vida com a dos outros e avan&ccedil;amos em comunidade realizando projetossolid&aacute;rios. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus dava decisiva import&acirc;nciaao cora&ccedil;&atilde;o: &ldquo;a boca fala daquilo que est&aacute; cheio o cora&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Lc. 6,45);&ldquo;Bem-aventurados os puros de cora&ccedil;&atilde;o, porque ver&atilde;o a Deus&rdquo; (Mt. 5,8). &ldquo;Ondeest&aacute; teu tesouro, ali est&aacute; teu cora&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Mt. 6,21). Jesus vivia a partir de seucora&ccedil;&atilde;o e contagiava com a for&ccedil;a poderosa de seu amor e de sua entrega. Nele serealizou definitivamente sua promessa. Ele nasceu com um cora&ccedil;&atilde;o de carne, ouseja, humano, absolutamente divino. Estava chamado a ser o cora&ccedil;&atilde;o de todos, ocentro nevr&aacute;lgico da humanidade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus &eacute; o homem para os outros,que tem cora&ccedil;&atilde;o, um cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o de pedra, mas de carne. Sua vida, um sinal dobem amar, do saber amar. Mas, sobretudo, Jesus, em seu Cora&ccedil;&atilde;o, &eacute; a profundidademesma do ser humano e de Deus. Nele est&aacute; a fonte do Esp&iacute;rito que brota como&aacute;gua fecunda at&eacute; a vida eterna. Gra&ccedil;as &agrave; Encarna&ccedil;&atilde;o, o Filho de Deus trabalhoucom m&atilde;os humanas, pensou com intelig&ecirc;ncia humana, sentiu com vontade humana,amou com cora&ccedil;&atilde;o humano. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O cora&ccedil;&atilde;o de Jesus nos fala deiniciativa, de liberdade, de entrega absoluta e amor profundo. O cora&ccedil;&atilde;o deJesus revela que sua vida implica um movimento de sa&iacute;da, que provoca encontrospessoais, que transforma a vida daqueles(as) que o seguem, abrindo-lhes novoshorizontes, ampliando a vis&atilde;o e descentrando-os de sua pr&oacute;pria l&oacute;gica. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O Evangelho deste domingo mostraum dos mais vivos exemplos de cora&ccedil;&atilde;o agradecido que podemos encontrar. Jesus,que acaba de passar por uma profunda experi&ecirc;ncia de rejei&ccedil;&atilde;o por parte dascidades da Galileia, explode no canto que come&ccedil;a: &ldquo;Eu te louvo, Pai, porqueescondeste estas coisas aos s&aacute;bios e entendidos&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O cora&ccedil;&atilde;o de Jesus &eacute; sustentado,alimentado, irrigado pelo amor cuidadoso e providente do Pai. &Eacute; no cora&ccedil;&atilde;o quetamb&eacute;m n&oacute;s, seus(suas) seguidores(as), poderemos estar em seguran&ccedil;a,profundamente repousados. &Eacute; no cora&ccedil;&atilde;o, &ldquo;&uacute;ltima solid&atilde;o do ser&rdquo;, que decidimospor Deus e a Ele aderimos. Aqui Deus marca &ldquo;encontro&rdquo; com cada um de n&oacute;s. &ldquo;Deus&eacute; mais &iacute;ntimo a cada um de n&oacute;s do que n&oacute;s mesmos&rdquo; (S.Agostinho). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Mt 11,25-30 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na ora&ccedil;&atilde;o: Todos estamos nocora&ccedil;&atilde;o de Cristo. Todos estamos no Amor de Deus. Todos fomos introduzidos naSagrada Humanidade d&rsquo;Aquele que, sendo Deus, se fez semelhante a n&oacute;s para quepossamos todos nos sentir n&rsquo;Ele.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O cora&ccedil;&atilde;o se revela como imagemde amor, de humanidade, de entranhas compassivas. Identificamos as pessoas porseu bom cora&ccedil;&atilde;o, por terem entranhas de miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Voc&ecirc; deixa transparecer seucora&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o com as pessoas? As atividades que voc&ecirc; realiza tem cora&ccedil;&atilde;o? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;&#8230;porque sou manso e humilde decora&ccedil;&atilde;o, e encontrareis descanso para v&oacute;s&rdquo; (Mt 11,29) Em toda vis&atilde;o antropol&oacute;gica, ocora&ccedil;&atilde;o ocupa o centro profundo de nosso ser, o nosso cerne mais &iacute;ntimo, ocora&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":580,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=371"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/580"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}