{"id":356,"date":"2017-07-23T00:00:00","date_gmt":"2017-07-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/16-domingo-do-tempo-comum-o-lado-mau-amado-de-nossa-vida\/"},"modified":"2017-07-23T00:00:00","modified_gmt":"2017-07-23T00:00:00","slug":"16-domingo-do-tempo-comum-o-lado-mau-amado-de-nossa-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/16-domingo-do-tempo-comum-o-lado-mau-amado-de-nossa-vida\/","title":{"rendered":"16\u00ba Domingo do Tempo Comum &#8211; O &#8220;lado mau amado&#8221; de nossa vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catequesehoje.org.br\/images\/raizes\/Espiritualidade2016\/bigstock-happy-young-man-rest-on-wheat--12754511.jpg\" alt=\"bigstock-happy-young-man-rest-on-wheat--12754511.jpg\"><\/p>\n<p><p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Pode acontecer que, arrancando ojoio, arranqueis tamb&eacute;m o trigo. Deixai crescer um e outro at&eacute; a colheita&rdquo; <\/i><\/b>(Mt13,29-30)<b><i><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A B&iacute;blia fala sempre da vidahumana. Nela encontramos in&uacute;meras refer&ecirc;ncias &agrave; quest&atilde;o da sombra ou do ladoobscuro em nossa vida. Textos emblem&aacute;ticos s&atilde;o as par&aacute;bolas de Jesus quedesvelam o que somos, o que est&aacute; acontecendo em nosso interior; em certo sentido,assemelham-se a uma descri&ccedil;&atilde;o de nossa realidade interior. N&atilde;o s&atilde;o contosmoralizadores; todos os personagens que aparecem somos n&oacute;s. Por isso, aspar&aacute;bolas s&atilde;o tremendamente iluminadoras. Com efeito, cada um de n&oacute;s &eacute; um tipodiferente de terreno; cada um, o trigo e o joio; cada um, os dois filhos; cadaum, o fariseu e o publicano&#8230;, e assim por diante, em todas as par&aacute;bolas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O primeiro e o mais claro que serevela na par&aacute;bola que a liturgia nos prop&otilde;e para este domingo, &eacute; que arealidade da vida humana &eacute; de tal condi&ccedil;&atilde;o, que nela sempre v&atilde;o estar mescladoso bem e o mal, o trigo e o joio, a boa e a m&aacute; erva. Este &eacute; o fato. Todosgostar&iacute;amos que as coisas acontecessem de outra maneira. E que, portanto, n&atilde;oter&iacute;amos que ver cada dia tanto joio sufocando o bom trigo que cresce e d&aacute;vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em nosso interior tamb&eacute;m sentimoscruamente o trigo e joio, e gostar&iacute;amos ser um bom campo de trigo, dessesmovidos pelo vento, que antecipam um p&atilde;o abundante; e todo joio que aparecejunto a esse trigo nos molesta, desejar&iacute;amos arranc&aacute;-la e como, depois de muitoesfor&ccedil;o, n&atilde;o conseguimos, ent&atilde;o empreendemos a tarefa de ir buscar joios emcampos alheios com um fervor que impressiona. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A par&aacute;bola do joio e dotrigo&nbsp; revela a tend&ecirc;ncia humana emrealizar os ideais de perfei&ccedil;&atilde;o e distanciar-se cada vez mais de sua condi&ccedil;&atilde;ode criatura. O ideal &eacute; o ser humano &ldquo;puro&rdquo; e &ldquo;justo&rdquo;, sem qualquer imperfei&ccedil;&atilde;oou fraqueza. Tal tend&ecirc;ncia nos leva ao rigorismo contra n&oacute;s mesmos, ou seja,nos leva a proceder com viol&ecirc;ncia contra nossas pr&oacute;prias limita&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Aquele que, a qualquer pre&ccedil;o,deseja ser &ldquo;perfeito&rdquo;, em seu campo n&atilde;o ir&aacute; crescer sen&atilde;o um trigo raqu&iacute;tico.Nas nossas ra&iacute;zes o joio est&aacute; intimamente misturado com o trigo. Quando algu&eacute;mn&atilde;o admite em si nenhuma falha, com suas paix&otilde;es ele arranca tamb&eacute;m a pr&oacute;priavitalidade, com a fraqueza ele destr&oacute;i tamb&eacute;m a pr&oacute;pria for&ccedil;a. Muitosperfeccionistas e idealistas se fixam de tal maneira sobre o joio em seuinterior que s&oacute; pensam em eliminar as falhas, de tal modo que a vida mesma ficaprejudicada.&nbsp; De t&atilde;o perfeitos, elesficam sem for&ccedil;a, sem paix&atilde;o, sem cora&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Numa espiritualidade&ldquo;perfeccionista&rdquo;, o ideal &eacute; o homem-mulher puro(a) e santo(a), sem defeitos nemfraquezas. Mas isso leva a um rigorismo moral, contra o qual parece dirigir-sea par&aacute;bola deste domingo. A arte da humaniza&ccedil;&atilde;o consiste na reconcilia&ccedil;&atilde;o com apr&oacute;pria sombra. O ser humano comporta em si amor e &oacute;dio, raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o,gentileza e dureza&#8230; Muitas vezes vivemos apenas um polo e recalcamos o outro.Enquanto este permanecer nas sombras ter&aacute; um efeito destrutivo. Muitos ficamchocados quando, apesar de todo esfor&ccedil;o para serem pessoas am&aacute;veis e gentis,descobrem em si lados insens&iacute;veis, antip&aacute;ticos e ofensivos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Um outro aspecto que aparece napar&aacute;bola &eacute; que os &ldquo;trabalhadores do Senhor&rdquo;, ou seja, os que se veem a simesmos como os vigilantes da ortodoxia e da moralidade, tem a tend&ecirc;ncia dequerer logo arrancar o joio. Ou seja, n&atilde;o toleram que o bem e o mal estejammisturados. E querem um campo limpo de tudo o que eles veem como joio.Normalmente, esta tend&ecirc;ncia daqueles que se consideram como &ldquo;vigilantes do bem&rdquo;costuma desembocar na intoler&acirc;ncia e inclusive na intransig&ecirc;ncia e nofanatismo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na &ldquo;par&aacute;bola do trigo e do joio&rdquo;,o impaciente &eacute; nosso orgulho, que gostaria de chegar de imediato aos resultadospara ficar &ldquo;satisfeito&rdquo;. Enquanto vivermos, o joio crescer&aacute; no campo do nossointerior. Conviver com isso nos faz mais humildes e nos protege de uma durezafalsa em rela&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s mesmos e aos outros. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A sabedoria de Jesus convida-nosa reconhecer em n&oacute;s, misturados, o trigo e o joio. Este &uacute;ltimo, que &eacute; semeado&ldquo;durante a noite&rdquo;, isto &eacute;, na obscuridade do inconsciente, podem ser nossaspr&oacute;prias sombras, aquilo que tentamos eliminar porque se mostra inc&ocirc;modo paran&oacute;s e n&atilde;o combina com nossos ideais pr&eacute;-fixados&#8230; E Jesus n&atilde;o nos pede quesejamos s&oacute; trigo &ndash; essa &eacute; a armadilha de toda espiritualidade farisaica, masque aceitemos nossa verdade completa e reconciliemos tamb&eacute;m com o &ldquo;nosso ladoobscuro&rdquo; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Numa leitura moralista e dualistada vida, n&oacute;s gostamos de separar o bom do mau, os que pensam como n&oacute;s e os quen&atilde;o pensam como n&oacute;s, os que s&atilde;o dos nossos e aqueles aos quais n&atilde;o os levamosem conta. H&aacute; muitas pessoas que, n&atilde;o s&oacute; se sentem capacitadas, sen&atilde;o que al&eacute;mdisso est&atilde;o empenhadas em arrancar o quanto antes o que elas pensam que &eacute; aerva m&aacute;. S&atilde;o os intolerantes, os que n&atilde;o suportam aqueles que fazem ou dizem oque eles creem que n&atilde;o se deve fazer nem dizer. Por isso n&atilde;o respeitam opluralismo, nem a diversidade. Exigem que todos lhes respeite, mas eles seconsideram com direito a n&atilde;o respeitar o dissidente, o diferente ousimplesmente o outro. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No entanto, o Senhor (dono dogrande campo da vida) n&atilde;o quer que ningu&eacute;m se veja no direito de discernir oque &eacute; trigo e o que &eacute; joio. Mas, sobretudo, o Senhor n&atilde;o tolera que ningu&eacute;m seconstitua em juiz que, como consequ&ecirc;ncia, vai pela vida arrancando tudo o que aele lhe parece que &eacute; joio. Porque pode equivocar-se. A religi&atilde;o n&atilde;o tem nemautoridade nem compet&ecirc;ncia para decidir o que &eacute; joio na sociedade. E menosainda tem compet&ecirc;ncia para arrancar essa presum&iacute;vel joio. Somente o Senhor podesaber quem &eacute; trigo e quem &eacute; joio. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O ensinamento do evangelho dehoje &eacute; claro: sejamos tolerantes e respeitosos. N&atilde;o julguemos, n&atilde;o condenemos edeixemos a Deus ser Deus. N&oacute;s n&atilde;o somos &ldquo;deuses&rdquo;. A fertilidade da nossa vidanunca &eacute; express&atilde;o de uma impecabilidade absoluta, mas resulta da confian&ccedil;a nofato de que o trigo &eacute; mais forte do que o joio e de que o joio poder&aacute; serseparado na colheita. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em tudo que fazemos devemos serperme&aacute;veis ao Esp&iacute;rito de Deus. Mas sempre devemos permanecer humildes e contarcom a possibilidade de que nossas atividades cotidianas se misturem comsegundas inten&ccedil;&otilde;es. Essas s&atilde;o o joio. Mas isso n&atilde;o significa que devemos deixaro joio determinar a nossa vida, atrav&eacute;s do seu crescimento irrefreado. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A quest&atilde;o de fundo &eacute; esta: qualdos dois alimentamos em nossa vida: o joio ou o trigo? Aqui se trata de p&ocirc;rambos, o trigo que cresce em n&oacute;s e o joio que espreita, sob o olhar e o cuidadodo Semeador; porque s&oacute; Ele &eacute; que pode fazer a colheita. O decisivo &eacute; colocar oSenhor no centro de nossa vida; e onde Ele encontra espa&ccedil;o de atua&ccedil;&atilde;o, ali otrigo cresce vi&ccedil;oso e produz frutos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O caminho do seguimento de Jesusn&atilde;o visa nos transformar em pessoas perfeitas e impec&aacute;veis. Antes, desejaencorajar-nos a conviver com nossos lados sombrios. O seguimento de Jesus,portanto, n&atilde;o &eacute; combate interno que desgasta, visando eliminar o joio, masabrir espa&ccedil;o para que o Semeador atue com sua Gra&ccedil;a. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp;&nbsp; Mt 13,24-43 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na ora&ccedil;&atilde;o: A vida crist&atilde; nos fazespecialistas em interioridade precisamente porque somos levados a percorrer,mil e uma vezes, todos os meandros de nosso interior para encontrar,transcendendo luzes e sombras, a Presen&ccedil;a criadora que tudo sustenta evivifica. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">E &eacute; simplesmente dessa maneiraque nos tornamos mais humanos e, portanto, mais divinos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; qu&ecirc; lucidez voc&ecirc; tem de suapr&oacute;pria sombra (joio) e qual a sua atitude com rela&ccedil;&atilde;o a ela? Qu&ecirc; atitudes voc&ecirc;assume para que o trigo determine sua vida? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Pode acontecer que, arrancando ojoio, arranqueis tamb&eacute;m o trigo. Deixai crescer um e outro at&eacute; a colheita&rdquo; (Mt13,29-30) A B&iacute;blia fala sempre da vidahumana. 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