{"id":301,"date":"2017-09-03T00:00:00","date_gmt":"2017-09-03T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/22-domingo-do-tempo-comum-caminho-da-cruz-caminho-do-esvaziamento-do-ego\/"},"modified":"2017-09-03T00:00:00","modified_gmt":"2017-09-03T00:00:00","slug":"22-domingo-do-tempo-comum-caminho-da-cruz-caminho-do-esvaziamento-do-ego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/22-domingo-do-tempo-comum-caminho-da-cruz-caminho-do-esvaziamento-do-ego\/","title":{"rendered":"22\u00ba Domingo do Tempo Comum &#8211; Caminho da Cruz, caminho do esvaziamento do &#8220;ego&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>[imagem2]<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Quem quiser vir comigo, renunciea si mesmo, tome sua cruz e me siga&rdquo;.<\/i><\/b> (Mt 16,24)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O seguimento de Jesus implica umdescentramento, um esvaziamento do &ldquo;nosso pr&oacute;prio amor, querer e interesse&rdquo; (S.In&aacute;cio). Para poder viver o Evangelho de uma maneira inspirada, dever&iacute;amosdeixar ressoar profundamente em n&oacute;s essa express&atilde;o t&atilde;o forte de Jesus:&ldquo;renunciar a si mesmo&rdquo; para poder viver com mais plenitude e transpar&ecirc;ncia. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Isto n&atilde;o significa que Jesustenha tomado um caminho dolorista, no qual se valoriza a dor por si mesma. Pelocontr&aacute;rio, Jesus vive a sabedoria da vida de onde brota a felicidade. N&atilde;o vivepara o &ldquo;ego&rdquo;, pois este busca sempre seu interesse e comodidade, mas viveancorado naquela identidade profunda, na qual permite que a Vida flua atrav&eacute;sde si mesmo, numa atitude de aceita&ccedil;&atilde;o ou de sintonia s&aacute;bia com o Pai. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A &ldquo;ren&uacute;ncia a si mesmo&rdquo; n&atilde;o &eacute; umexerc&iacute;cio de masoquismo, n&atilde;o &eacute; mutilar-se, nem buscar sacrif&iacute;cios, nemanular-se&#8230;, Mas &eacute; descer at&eacute; &ldquo;o dinamismo de vida&rdquo; (a for&ccedil;a germinadora) quepulsa no pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o, ansioso de plenitude, de vida e de amor; &eacute; a maneiramais profunda de realiza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&ldquo;Renunciar a si mesmo&rdquo;<\/b> &eacute; deixar de se identificar com a tirania dasmensagens de nossos pequenos &ldquo;egos&rdquo;, que se refletem em nossa pr&oacute;pria linguageme autoimagem. A imagem tornou-se uma esp&eacute;cie de absoluto em nossa sociedade. Aela servimos e por ela somos determinados. &ldquo;Renunciar a si mesmo&rdquo; &eacute; um conselhos&aacute;bio: significa despertar-se da ilus&atilde;o e do engano, deixar de girar em tornode um suposto &ldquo;eu&rdquo; que n&atilde;o existe, para viver a comunh&atilde;o com todos e com tudo eagir assim de um modo mais coerente. Aqui o &ldquo;si mesmo&rdquo; faz refer&ecirc;ncia ao nossofalso &ldquo;eu&rdquo;, aquilo que, iludidos, acreditamos ser: o &ldquo;eu&rdquo; que busca poder,prest&iacute;gio, riqueza&#8230; O desapego do falso eu &eacute; imprescind&iacute;vel para poder entrarno caminho que Jesus prop&otilde;e. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Aquele que n&atilde;o &eacute; capaz de superaro &ldquo;ego&rdquo; e n&atilde;o deixar de se preocupar com seu individualismo (centralidade em simesmo), frustra toda sua exist&ecirc;ncia; mas, aquele que, superando o egocentrismo,descobre seu verdadeiro ser &ldquo;des-centrado&rdquo; e atua em conseq&uuml;&ecirc;ncia, vivendo umaentrega aos outros, alcan&ccedil;ar&aacute; sua verdadeira plenitude humana. Trata-se de umponto chave do ensinamento de Jesus, ou seja, o convite a entrar na l&oacute;gica dodom, do descentramento do eu, da entrega gratuita, da supera&ccedil;&atilde;o da merareciprocidade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; a l&oacute;gica aberta pelo Reinado deDeus, que alarga o horizonte da vida humana, enriquece as possibilidades deatua&ccedil;&atilde;o e aumenta a criatividade no servi&ccedil;o. A l&oacute;gica do dom implica deixar-seconduzir por Deus, conhecido atrav&eacute;s de Jesus, que &eacute; entrega de vida,miseric&oacute;rdia, perd&atilde;o, amor infinito. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nossa verdadeira identidade n&atilde;o &eacute;constitu&iacute;da pelos pequenos &ldquo;egos&rdquo; que acreditamos ser. Precisamos despertardessa ilus&atilde;o e entrar em contato com nosso verdadeiro Eu, nosso Ser e, a partirdele, olhar a vida, olhar nossa atividade e olhar os outros, a fim de viver emsintonia com quem somos em profundidade. &Eacute; esse o modo de &ldquo;ganhar a vida&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Precisamos des-velar (tirar ov&eacute;u) de nossos &ldquo;pequenos eus&rdquo;, detectar e reconhecer seus dinamismos sombrios eatrofiadores, para podermos caminhar, com mais naturalidade e leveza, para al&eacute;mde n&oacute;s mesmos. Do contr&aacute;rio, eles travar&atilde;o nossa vida de uma maneira tir&acirc;nica. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; saud&aacute;vel reconhecer esses &ldquo;eus&rdquo;e dialogar com eles, pois de outra forma eles se fixar&atilde;o em n&oacute;s como rigidez ounos transformar&atilde;o em fan&aacute;ticos. Rigidez e fanatismo, dureza e intoler&acirc;ncia,legalismo e moralismo&#8230; indicam a exist&ecirc;ncia de &ldquo;eus&rdquo; inflados que atrofiamnossa exist&ecirc;ncia. A afirma&ccedil;&atilde;o de Jesus, portanto, nos faz descobrir que pordetr&aacute;s do &ldquo;renunciar-se a si mesmo&rdquo; pulsa o desejo de desprender-se do &ldquo;egodesumano&rdquo; para poder expandir a vida em dire&ccedil;&atilde;o a uma ousada criatividade. Ocaminho da fidelidade at&eacute; a Cruz vai quebrando toda falsa pretens&atilde;o do &ldquo;ego&rdquo;,expandindo nossa vida na dire&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o e da entrega radical. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Morrer &ldquo;com Jesus&rdquo; na Cruz &eacute; morrer ao pr&oacute;prio &ldquo;ego&rdquo;, para que o &ldquo;euoblativo&rdquo; possa ressuscitar para uma vida nova. <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Todos os caminhos aut&ecirc;nticos deespiritualidade come&ccedil;am por um esvaziamento do ego, uma ren&uacute;ncia a si mesmo,n&atilde;o para negar-se como pessoa, mas, pelo, contr&aacute;rio, para crescer ao recuperara verdadeira identidade na totalidade. Quando &ldquo;eu me perco&rdquo;, me encontro,quando &ldquo;meu eu diminui&rdquo;, descubro que fa&ccedil;o parte de algo maior, que perten&ccedil;o aDeus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A vida n&atilde;o deve ser corro&iacute;da pelatirania do ego&iacute;smo mesquinho: vida &eacute; encontro, intera&ccedil;&atilde;o, comunh&atilde;o&#8230; Aqueleque quer salvar seu &ldquo;ego&rdquo;, perde a Vida, porque se isola numa estreita jaula ouse perde em um labirinto de inevit&aacute;vel sofrimento e, em &uacute;ltimo termo, de vazioe sem-sentido. Uma exist&ecirc;ncia egocentrada, embora aparentemente satisfat&oacute;riapara o &ldquo;ego&rdquo; (inclusive at&eacute; &ldquo;ganhar o mundo inteiro&rdquo;), n&atilde;o pode evitar umasensa&ccedil;&atilde;o de profunda insatisfa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A morte do falso eu &eacute; a condi&ccedil;&atilde;opara que a verdadeira Vida se liberte. &Eacute; preciso passar pela morte do que &eacute;terreno, caduco, transit&oacute;rio (paix&otilde;es, apegos desordenados&#8230;) para deixaremergir a vida interior, a vida divina, a vida de Deus em n&oacute;s. Ao descobrir aarmadilha desse &ldquo;ego&rdquo; atrofiador, ao deixar de nos identificar com ele, aprimeira coisa que experimentamos &eacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o de amplitude, onde sentimosque nosso cora&ccedil;&atilde;o se expande e descobrimos que o horizonte &eacute;, na realidade,infinito. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Uma das manifesta&ccedil;&otilde;es dasociedade narcisista na qual o &ldquo;eu&rdquo; tornou-se a institui&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima e o eixo douniverso &eacute; a chamada cultura do &ldquo;selfie&rdquo;. Sociologicamente isso pode revelar aobsess&atilde;o pelo protagonismo e pela sacraliza&ccedil;&atilde;o do eu. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O que vale na cultura do&#8221;self&#8221; &eacute; o modo como nos apresentamos. Na imagem nos recriamosconforme nosso &ldquo;self&rdquo;, isto &eacute;, mostramos aquilo que acreditamos ser o nosso&#8221;eu&#8221;. A imagem precisa ser perfeita, pouco importa a maneira como elafoi feita, tampouco, as circunst&acirc;ncias da constru&ccedil;&atilde;o dela. Por isso, &ldquo;tomar aCruz&rdquo; &eacute; uma imagem que quebra e esvazia toda pretens&atilde;o de autoafirma&ccedil;&atilde;o do eu. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; um momento doloroso pois apessoa resiste e pode encher-se de ang&uacute;stias e medos ao perder o falso ponto deapoio sobre eu aut&ocirc;nomo, impass&iacute;vel centrado em si mesmo. E teme o pior:perder-se, diluir-se. Somos continuamente bombardeados de afirma&ccedil;&otilde;es sobre anecessidade de um Eu forte e integrado. O encontro com Cruz elimina onarcisismo, desmascara a prepot&ecirc;ncia e nos devolve &agrave; vida cotidiana (tempo,casa, profiss&atilde;o, conversa&ccedil;&atilde;o) como o &uacute;nico lugar no qual podemos nos encontrarcom a nossa pr&oacute;pria verdade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Do eu des-centrado ao euenraizado no seguimento de Jesus&rdquo;: este &eacute; o movimento de vida plena. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Textos b&iacute;blicos:&nbsp; Mt 16,21-27<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Aprenda a morrer aos pr&oacute;prios interesses mesquinhos paraque os outros vivam. H&aacute; na vida muitas coisas &ndash; pequenas ou imensas &ndash; que v&atilde;omorrendo e nascendo de novo, diferentes, melhores, reconciliadas&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&atilde;o permane&ccedil;as nasuperficialidade do ego; desce mais ao fundo de ti mesmo e descobrir&aacute;s aharmonia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Teu verdadeiro ser &eacute; paz, &eacute;mansid&atilde;o, &eacute; bondade. V&aacute; mais al&eacute;m de teu falso ser! <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem2] &ldquo;Quem quiser vir comigo, renunciea si mesmo, tome sua cruz e me siga&rdquo;. (Mt 16,24) O seguimento de Jesus implica umdescentramento, um esvaziamento do &ldquo;nosso pr&oacute;prio amor, querer e interesse&rdquo; (S.In&aacute;cio). 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