{"id":294,"date":"2017-09-09T00:00:00","date_gmt":"2017-09-09T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/23-domingo-do-tempo-comum-viver-relacoes-comunitarias-sadias-e-reconstrutoras\/"},"modified":"2017-09-09T00:00:00","modified_gmt":"2017-09-09T00:00:00","slug":"23-domingo-do-tempo-comum-viver-relacoes-comunitarias-sadias-e-reconstrutoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/23-domingo-do-tempo-comum-viver-relacoes-comunitarias-sadias-e-reconstrutoras\/","title":{"rendered":"23\u00ba Domingo do Tempo Comum &#8211; Viver rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias sadias e reconstrutoras"},"content":{"rendered":"<p><b><br \/><\/b><\/p>\n<p><p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><i><b>&ldquo;Onde dois ou tr&ecirc;s estiverem reunidos em meu nome, eu estou a&iacute;, no meiodeles&rdquo; (Mt 18,20)<\/b><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Tudo na vida gira em torno dasrela&ccedil;&otilde;es: com Deus, consigo mesmo, com os outros, com a natureza. Isso &eacute;especialmente verdadeiro numa comunidade crist&atilde;. Fam&iacute;lias saud&aacute;veis, grupossaud&aacute;veis, igrejas saud&aacute;veis, vidas saud&aacute;veis, ambientes saud&aacute;veis&#8230; falam derela&ccedil;&otilde;es saud&aacute;veis. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No cap&iacute;tulo 18, Mateus recolheuma s&eacute;rie de afirma&ccedil;&otilde;es de Jesus sobre a comunidade dos seus seguidores. &Eacute; aprimeira vez que se emprega o termo &ldquo;irm&atilde;o&rdquo; para designar os membros dacomunidade crist&atilde;. &Eacute; preciso notar que o texto de hoje &eacute; continua&ccedil;&atilde;o dapar&aacute;bola da ovelha perdida, que termina com a frase: &ldquo;Assim vosso Pai que est&aacute;nos c&eacute;us n&atilde;o deseja que se perca nenhum destes pequeninos&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No evangelho de hoje(23&ordm; Dom TC)&eacute; muito relevante a preocupa&ccedil;&atilde;o pela vida interna da comunidade; o texto nosadverte que n&atilde;o se pode partir de uma comunidade de perfeitos, mas de umacomunidade de irm&atilde;os, que reconhecem suas fragilidades e precisam do apoiom&uacute;tuo para superar seus limites e erros. As rupturas nas rela&ccedil;&otilde;es podem surgirem qualquer momento, mas o importante &eacute; estar preparado para super&aacute;-las. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus Cristo n&atilde;o s&oacute; revelou averdadeira identidade de Deus, cuja ess&ecirc;ncia &eacute; relacional (cerne da doutrinacrist&atilde; da Trindade), mas mostrou que o caminho para a transforma&ccedil;&atilde;o pessoalconsiste, tamb&eacute;m, numa correta e justa viv&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o com os outros. Defato, a pessoa humana n&atilde;o se pode realizar sem os outros. Realiza-se quando,livre e voluntariamente, conhece e &eacute; conhecida, ama e &eacute; amada, compreende e &eacute;compreendida. Precisamente, a reciprocidade das rela&ccedil;&otilde;es &eacute; a que permiteintegrar a igualdade e a diferen&ccedil;a, a identidade pessoal e a identidade dooutro, buscando chegar &agrave; comunh&atilde;o e &agrave; unidade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Humanamente falando, nem sempren&oacute;s nos damos conta, mas o foco em torno do qual gira toda a exist&ecirc;ncia humanaest&aacute; na capacidade de nos relacionar e de nos comunicar. As rela&ccedil;&otilde;es humanass&atilde;o o centro de tudo. A ess&ecirc;ncia &uacute;ltima de todas as ansiedades humanasmanifesta-se como um problema de rela&ccedil;&otilde;es: com os pais, com os filhos, com oscompanheiros de trabalho, com os amigos, com os vizinhos, com os irm&atilde;os decomunidade, com as diversas culturas, ra&ccedil;as, grupos &eacute;tnicos, etc&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Relacionar-se &eacute; a grande e &uacute;nicafinalidade da vida do ser humano: encontrar-se, viver em sociedade, colaborar,construir amizades, amores, conhecer gente&#8230;; tudo est&aacute; condicionado pelapotencialidade e pela capacidade de relacionar-se.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8220;No princ&iacute;pio era arela&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmava o fil&oacute;sofo Martin Buber. De fato, a pessoa existe gra&ccedil;as &agrave;rela&ccedil;&atilde;o e para a rela&ccedil;&atilde;o; cresce na rela&ccedil;&atilde;o e em vista da rela&ccedil;&atilde;o; amadurece ese humaniza na rela&ccedil;&atilde;o. Mas &eacute; na rela&ccedil;&atilde;o que emergem nossas riquezas e nossaspobrezas humanas. Todos temos limites, bloqueios que fragilizam os la&ccedil;oscomunit&aacute;rios. &Eacute; importante aceitar que existem tais limites, aprender areconhec&ecirc;-los, ajudando mutuamente a super&aacute;-los e acolhendo aquilo que nosconvida a ser mais criativos, audazes e valentes. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A gest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;esinterpessoais exige equil&iacute;brio e sabedoria. A partir das limita&ccedil;&otilde;es efragilidades tamb&eacute;m podemos nos encontrar com os outros. Precisamos desabedoria para aceitar a realidade, acolh&ecirc;-la e cuid&aacute;-la, para ir transformandopor dentro. N&atilde;o podemos nos conformar com a mediocridade da comunidade. Toda acomunidade &eacute; impelida a um &ldquo;mais&rdquo; que brota do modo de proceder e viver deJesus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O sentido da comunidade crist&atilde;,portanto, &eacute; de ajuda m&uacute;tua. &ldquo;Ajudar&rdquo; pede um cora&ccedil;&atilde;o magn&acirc;nimo, grandeza desonhos, de &acirc;nimo e de desejo; mas, ao mesmo tempo ela nos convida &agrave; humildade,ou seja, abrir-nos &agrave;s necessidades do outro, descer ao n&iacute;vel do outro,renunciando nossos pr&oacute;prios crit&eacute;rios, modos fechados de viver&#8230;&nbsp; &ldquo;Ajudar&rdquo; n&atilde;o vai na linha do impor, sen&atilde;o dopropor. Trata-se, isso sim, de propor com qualidade, com firmeza, comproximidade, com compromisso pessoal. Isso requer presen&ccedil;a gratuita, desinteressada,centrada no bem da outra pessoa, sem criar depend&ecirc;ncias, mas fazendo o outrocrescer em liberdade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A comunidade deve ser sacramento(sinal) de salva&ccedil;&atilde;o para todos. Atualmente n&atilde;o temos consci&ecirc;ncia dessaresponsabilidade. Passamos friamente pelos outros. Seguimos fechados em nossoego&iacute;smo, inclusive na viv&ecirc;ncia religiosa. A falha mais letal de nosso tempo &eacute; aindiferen&ccedil;a. Martin Descalzo a chamou &ldquo;a perfei&ccedil;&atilde;o do ego&iacute;smo&rdquo;. Outro a definecomo &ldquo;homic&iacute;dio virtual&rdquo;. Seguramente &eacute; hoje o pecado mais difundido em nossascomunidades crist&atilde;s. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O papa Francisco continuamentenos apela a passar da &ldquo;cultura da indiferen&ccedil;a&rdquo; &agrave; &ldquo;cultura do encontro&rdquo;; suainten&ccedil;&atilde;o &eacute; desmascarar a indiferen&ccedil;a que prevalece em todos n&oacute;s, asuperficialidade das rela&ccedil;&otilde;es, e buscar um encontro verdadeiro e profundo com ooutro. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nessa perspectiva, a comunidade &eacute;o lugar da &ldquo;corre&ccedil;&atilde;o fraterna&rdquo;; e o crit&eacute;rio para a corre&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a lei mas apresen&ccedil;a de Jesus que est&aacute; no meio da comunidade. Quando a corre&ccedil;&atilde;o &eacute; feita apartir da lei, assumimos a posi&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zes, rompemos a comunh&atilde;o, criamoscategorias de pessoas (perfeitas e imperfeitas) e ca&iacute;mos no legalismo emoralismo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Todos devem &ldquo;corrigir-se&rdquo;mutuamente, tendo os olhos fixos em Jesus; no seguimento de Jesus ningu&eacute;m chega&agrave; &ldquo;perfei&ccedil;&atilde;o&rdquo; a ponto de poder corrigir os outros. Por isso, a corre&ccedil;&atilde;ofraterna &eacute; um estilo de vida que n&atilde;o se limita aos erros e fracassos; elaimplica em ativar mutuamente os dons e capacidades que ainda n&atilde;o puderam seexpressar. A presen&ccedil;a de Jesus no meio da comunidade &eacute; sempre horizonteinspirador para que todos cres&ccedil;am na identifica&ccedil;&atilde;o com Ele. Nesse processo decrescimentos os ritmos s&atilde;o diferentes para cada pessoa; n&atilde;o se trata de nivelara todos mas de respeitar os processos, as circunst&acirc;ncias, as condi&ccedil;&otilde;es de cadaseguidor(a) de Jesus. A corre&ccedil;&atilde;o significa, ent&atilde;o, estima e confian&ccedil;a no outro,pois ele &eacute; muito maior que suas falhas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Educados pela miseric&oacute;rdia deDeus, todos somos chamados a exercer o of&iacute;cio da &ldquo;corre&ccedil;&atilde;o fraterna&rdquo;, para quea comunidade possa se revestir sempre mais do modo de ser e proceder de Jesus. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A corre&ccedil;&atilde;o fraterna, pois, n&atilde;o &eacute;tarefa f&aacute;cil; e isto por duas raz&otilde;es: em primeiro lugar, aquele que corrigepode humilhar &agrave;quele que &eacute; corrigido, querendo real&ccedil;ar sua superioridade moral.Aqui temos que recordar as palavras de Jesus: como pretendes tirar o cisco doolho do teu irm&atilde;o se tens uma trave no teu? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em segundo lugar, aquele que &eacute;corrigido pode rejeitar a corre&ccedil;&atilde;o por falta de humildade. Diante dessas duasraz&otilde;es necessita-se de um grau de maturidade humana que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil dealcan&ccedil;ar. No entanto, o importante n&atilde;o &eacute; a norma concreta, mas o esp&iacute;rito que ainspirou &eacute; que deve inspirar-nos na maneira de nos conduzir diante das rupturasdas rela&ccedil;&otilde;es, visando sempre a constru&ccedil;&atilde;o da comunidade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por isso, onde reina acompet&ecirc;ncia desleal, n&oacute;s anunciamos a lealdade; onde reina o empenho emcolocar-se acima dos outros, n&oacute;s anunciamos a igualdade; onde reina o af&atilde; davaidade e da apar&ecirc;ncia, n&oacute;s anunciamos o servi&ccedil;o; onde reina a dificuldade nasrela&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas, n&oacute;s queremos ser&nbsp;presen&ccedil;as de acolhida; onde custa solicitar favores, n&oacute;s queremos estardispon&iacute;veis &agrave;queles que clamam por&nbsp;ajuda; onde reina a explora&ccedil;&atilde;o, n&oacute;s anunciamos a solidariedade e a lutacontra a injusti&ccedil;a; onde reina a indol&ecirc;ncia, a inibi&ccedil;&atilde;o, n&oacute;s anunciamos evivemos iniciativas em favor da vida&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Mt 18,15-20<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o: <\/b>A comunidade crist&atilde;,onde voc&ecirc; participa, &eacute; espa&ccedil;o instigante e inspirador, lugar do novo e dasmudan&ccedil;as, ambiente facilitador da autonomia e da criatividade dos seus membros?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Sua presen&ccedil;a na comunidade:colaborativa, inspiradora, confian&ccedil;a no outro, esp&iacute;rito de servi&ccedil;o&#8230;? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Onde dois ou tr&ecirc;s estiverem reunidos em meu nome, eu estou a&iacute;, no meiodeles&rdquo; (Mt 18,20) Tudo na vida gira em torno dasrela&ccedil;&otilde;es: com Deus, consigo mesmo, com os outros, com a natureza&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":406,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}