{"id":274,"date":"2017-09-23T00:00:00","date_gmt":"2017-09-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/25-domingo-do-tempo-comum-o-amor-e-sempre-surpreendente\/"},"modified":"2017-09-23T00:00:00","modified_gmt":"2017-09-23T00:00:00","slug":"25-domingo-do-tempo-comum-o-amor-e-sempre-surpreendente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/25-domingo-do-tempo-comum-o-amor-e-sempre-surpreendente\/","title":{"rendered":"25\u00ba Domingo do Tempo Comum &#8211; O amor \u00e9 sempre surpreendente"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>[imagem1]<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Ou est&aacute; com inveja, porque estousendo bom?&rdquo;<\/i><\/b> (Mt 20,15)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sabemos que toda par&aacute;bola &eacute; umrelato provocativo, instigante, que envolve o ouvinte&#8230; A partir de conceitossimples, tomados da vida cotidiana e que todo mundo conhece, a par&aacute;bola projetanossa consci&ecirc;ncia para um horizonte maior; por estar profundamente conectada &agrave;vida, toda par&aacute;bola mant&eacute;m sua atualidade atrav&eacute;s do tempo e das culturas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O objetivo das par&aacute;bolas &eacute;substituir uma maneira m&iacute;ope de ver o mundo por outra, aberta a uma novarealidade cheia de sentido; igualmente, elas ativam a olhar o mais profundo den&oacute;s mesmos e a descobrir possibilidades ainda n&atilde;o conhecidas. A par&aacute;bola revelauma pedagogia que permite n&atilde;o dizer nada a quem n&atilde;o est&aacute; disposto a mudar, e adizer mais do que se pode dizer com palavras a quem est&aacute; disposto a escutar.Quem a escuta, deve deixar transparecer em sua presen&ccedil;a a mensagem do relato ecome&ccedil;ar a viver de acordo com o que foi narrado. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A par&aacute;bola, em si mesma, d&aacute; o quepensar, pois questiona nossa maneira de ser, nos diz que outro mundo &eacute; poss&iacute;vele espera de n&oacute;s uma resposta vital.&nbsp;Nesse sentido, as par&aacute;bolas de Jesus n&atilde;o foram dadas por conclu&iacute;das;elas est&atilde;o sempre abertas &agrave;s novas realidades dos ouvintes; por isso, n&atilde;o podemser entendidas em atitude passiva, pois elas abrem espa&ccedil;o para que cada umentre nelas de maneira criativa. A par&aacute;bola n&atilde;o &eacute; verdade fechada, mas verdadedialogada, onde todo ouvinte deve interpret&aacute;-la com sua vida. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em toda par&aacute;bola existe um pontode inflex&atilde;o que rompe a l&oacute;gica do relato. Nessa quebra se encontra a verdadeiramensagem. Na par&aacute;bola do evangelho de hoje, a ruptura se produz no final dorelato. &Eacute; evidente que, em chave de l&oacute;gica econ&ocirc;mica, esta par&aacute;bola &eacute; estranha,fora do normal. Mas Jesus, semeador de par&aacute;bolas do Reino, sabe que h&aacute; umal&oacute;gica mais alta, a do poeta criador. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Esta &eacute; a l&oacute;gica da gratuidade eda bondade do dono da vinha que se expressam no gesto generoso de pagar a mesmaquantia para os trabalhadores que foram chamados em diferentes hor&aacute;rios do dia.O contexto da par&aacute;bola &eacute; a controv&eacute;rsia de Jesus com as autoridades judaicaspor sua cont&iacute;nua rela&ccedil;&atilde;o com pessoas de duvidosa reputa&ccedil;&atilde;o como os publicanos,pecadores, enfermos, crian&ccedil;as, pag&atilde;os e mulheres. Precisamente aqueles que eramconsiderados impuros e, portanto, exclu&iacute;dos do c&iacute;rculo de santidade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Com a par&aacute;bola do dono da vinhaque contrata trabalhadores, Jesus n&atilde;o pretende dar uma li&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;estrabalhistas. Qualquer refer&ecirc;ncia a esse campo n&atilde;o tem sentido. Jesus fala damaneira de comportar-se de Deus para conosco, que est&aacute; para al&eacute;m de todajusti&ccedil;a humana. Ele nos desafia a entrar em sintonia com esse modo de agiroriginal e gratuito de Deus, contr&aacute;rio &agrave; nossa mentalidade utilitarista. Apartir dos valores de justi&ccedil;a que manejamos em nossa sociedade, ser&aacute; imposs&iacute;velentender a par&aacute;bola. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O propriet&aacute;rio daquela vinhatinha uma estranha forma de organizar sua empresa agr&iacute;cola; n&atilde;o parecia seimportar muito com o dinheiro que investia na m&atilde;o de obra. A rela&ccedil;&atilde;o entredi&aacute;ria e tempo trabalhado n&atilde;o se ajusta aos c&acirc;nones empresariais do nosso mundocapitalista: n&atilde;o havia feito nenhum MBA em &ldquo;racionaliza&ccedil;&atilde;o de recursoshumanos&rdquo;, &ldquo;&iacute;ndices de produtividade&rdquo; ou &ldquo;sal&aacute;rios m&iacute;nimos, m&aacute;ximos benef&iacute;cios&rdquo;&#8230;Incompreens&iacute;vel sua atitude: pagou a todos igualmente sem valorar tempo etrabalho realizado. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A partir da l&oacute;gica humana, n&atilde;o h&aacute;nenhuma raz&atilde;o para que o dono da vinha trate com essa defer&ecirc;ncia ao trabalhadorde &uacute;ltima hora. Por outra parte, o propriet&aacute;rio da vinha atua a partir do amorabsoluto, coisa que s&oacute; Deus pode fazer. O que a par&aacute;bola nos quer dizer &eacute; queuma rela&ccedil;&atilde;o de &ldquo;toma l&aacute; e d&aacute; c&aacute;&rdquo; com Deus n&atilde;o tem sentido. O trabalho nacomunidade dos seguidores de Jesus deve fundamentar-se no modo de agir de Deuse ser totalmente desinteressado. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O sistema religioso do tempo deJesus centrava a pr&aacute;tica religiosa no m&eacute;rito e no pagamento. A salva&ccedil;&atilde;o sehavia convertido num mercado de compra e venda. Jesus questiona a fundo estamentalidade que tanto mal fez ao povo. <b>Asalva&ccedil;&atilde;o &eacute; dom gratuito de Deus. E a gra&ccedil;a, que &eacute; sempre surpreendente, tem aver com o amor misericordioso. Deus n&atilde;o maneja nossos esquemas cont&aacute;beis derendimento e lucros. Para Deus, tanto os primeiros como os &uacute;ltimos s&atilde;o objeto deseu imenso amor e miseric&oacute;rdia. <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na realidade, o que est&aacute; em jogona par&aacute;bola &eacute; uma maneira de entender a Deus, completamente original. T&atilde;odesconcertante &eacute; esse Deus de Jesus que, depois de vinte s&eacute;culos, ainda n&atilde;o otemos compreendido. Continuamos pensando em um Deus que retribui a cada umsegundo suas obras. Uma das travas mais fortes que impedem nossa vidaespiritual &eacute; crer que podemos e temos que merecer a salva&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O dom total de Deus &eacute; sempre oponto de partida, n&atilde;o algo a conseguir gra&ccedil;as ao nosso esfor&ccedil;o. O caminho decada pessoa &eacute; saber-se filho(a) de Deus e comprometer-se na constru&ccedil;&atilde;o doReino, sendo este um caminho de conhecimento que dura toda a vida. Uns tem oprivil&eacute;gio de compreend&ecirc;-lo ao amanhecer; outros, no meio da manh&atilde;, d&atilde;o-se contade que est&atilde;o sendo chamados; e ainda ao cair da tarde, uns quantos maisentendem que s&atilde;o enviados; por fim, ao anoitecer, todos receber&atilde;o o pagamentopela sua entrega, seu esfor&ccedil;o e sua confian&ccedil;a em Deus. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Considerando o den&aacute;rio dapar&aacute;bola como o amor total de Deus, que n&atilde;o pode ser fragmentado, que n&atilde;o fazdistin&ccedil;&otilde;es e que n&atilde;o considera ningu&eacute;m como forasteiro ou exclu&iacute;do, &eacute; preciso eurgente coloc&aacute;-lo em circula&ccedil;&atilde;o como &ldquo;moeda &uacute;nica mundial&rdquo;. O amor de Deus n&atilde;ose fraciona como o dinheiro. Ele &eacute; total; paga sem importar-lhe quando aspessoas se deram conta de sua presen&ccedil;a. No amor misericordioso de Deus est&atilde;oimpl&iacute;citas a justi&ccedil;a e a alegria. E a justi&ccedil;a aqui significa &ldquo;ajustar-se aomodo de agir de Deus&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Se sairmos de nossos esquemas eentrarmos em sintonia com o modo de agir de Deus, n&atilde;o teremos dificuldades ementender a estranha maneira d&rsquo;Ele realizar os pagamentos; tamb&eacute;m n&oacute;s passaremosa desejar aos nossos irm&atilde;os aquilo que Deus sempre desejou: que todoscompartilhem igualmente do seu amor surpreendente, superando a estreita vis&atilde;odo m&eacute;rito e da recompensa; tamb&eacute;m vibraremos de alegria quando aqueles que, aocair da tarde, vierem se integrar &agrave; nobre miss&atilde;o de construtores do Reino ereceberem o &uacute;nico pagamento poss&iacute;vel: o den&aacute;rio do Amor de Deus. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&atilde;o percamos tempo pensando eesperando ingenuamente que o FMI ou qualquer outro organismo financeiro v&aacute;interessar-se por esta mudan&ccedil;a de moeda, j&aacute; que ela nem &eacute; cotada nas bolsas,nem &eacute; protegida em para&iacute;sos fiscais, nem flutua seu valor conforme convenha aquem move os fios financeiros. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O den&aacute;rio da par&aacute;bola &eacute; cotado nocora&ccedil;&atilde;o humano e quem compreende seu valor querer&aacute; compartilh&aacute;-lo com cadapessoa que habita este mundo, come&ccedil;ando pelos que &ldquo;ao cair da tarde&rdquo; est&atilde;oparados: refugiados, enfermos, exclu&iacute;dos, crian&ccedil;as sem acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o nematen&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria, anci&atilde;os que n&atilde;o podem ter uma velhice digna e feliz junto &agrave;ssuas fam&iacute;lias, imigrantes, jovens sem futuro enredados pela viol&ecirc;ncia,profissionais que n&atilde;o podem exercer o que sabem&#8230; S&atilde;o tantos os que aguardam!<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quando conseguirmos a &ldquo;mudan&ccedil;a demoeda&rdquo; em nosso cora&ccedil;&atilde;o, estar&atilde;o em alta valores como a paz, a toler&acirc;ncia, afraternidade, o equil&iacute;brio entre a natureza, a justa satisfa&ccedil;&atilde;o dasnecessidades&#8230; O amor ser&aacute; a &uacute;nica &ldquo;moeda&rdquo; aceita por todos; o amor ser&aacute; o&uacute;nico meio para fazer que as diferen&ccedil;as caiam, as dist&acirc;ncias desapare&ccedil;am, oserros se emendem e a viol&ecirc;ncia se extinga, o perd&atilde;o sane e o abra&ccedil;oreconforte&#8230; Est&aacute; em nossas m&atilde;os a possibilidade e a esperan&ccedil;a de concretizartudo isso. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Mt 20,1-16&nbsp; <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> &ldquo;Por que afligir-se em compara&ccedil;&otilde;es? N&atilde;o queira ser omelhor, se certamente n&atilde;o &eacute; o pior.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Contente-se por ser diferente namiss&atilde;o que recebe para que algo em voc&ecirc; passe a enriquecer os outros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Deixe-se acompanhar pela eternasurpresa e, encantado, exercite a divina criatividade&rdquo; (Frei Cl&aacute;udio) <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Ou est&aacute; com inveja, porque estousendo bom?&rdquo; (Mt 20,15) Sabemos que toda par&aacute;bola &eacute; umrelato provocativo, instigante, que envolve o ouvinte&#8230; A partir de conceitossimples, tomados da vida cotidiana e que todo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":443,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}