{"id":2378,"date":"2015-02-09T00:00:00","date_gmt":"2015-02-09T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/papa-francisco-fala-da-caridade-no-dia-mundial-dos-doentes\/"},"modified":"2015-02-09T00:00:00","modified_gmt":"2015-02-09T00:00:00","slug":"papa-francisco-fala-da-caridade-no-dia-mundial-dos-doentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/papa-francisco-fala-da-caridade-no-dia-mundial-dos-doentes\/","title":{"rendered":"Papa Francisco fala da caridade no Dia Mundial dos Doentes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">[imagem1] O 23&ordm; Dia Mundial do Doente ser&aacute; celebrado nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, festividade da Virgem de Lourdes. Por ocasi&atilde;o da data, o papa Francisco enviou mensagem, em que recorda ser preciso cuidar das pessoas doentes. &#8220;A caridade precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar. Tempo para estar junto deles&#8221;, disse Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">A celebra&ccedil;&atilde;o foi institu&iacute;da pelo papa Jo&atilde;o Paulo II em 1992. A mensagem oficial foi divulgada pelo Vaticano em&nbsp;30 de dezembro do ano passado.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">Leia, na &iacute;ntegra, o texto:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong>MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO<\/strong><br \/><strong>&nbsp;PARA O XXIII DIA MUNDIAL DO DOENTE&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(11 DE FEVEREIRO DE 2015)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&laquo;<\/em>Sapientia cordis<em>. &ldquo;Eu era os olhos do cego e servia de p&eacute;s para o coxo&rdquo; (J&oacute; 29, 15)<\/em><strong>&raquo;<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ocasi&atilde;o do XXIII Dia Mundial do Doente, institu&iacute;do por S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II, dirijo-me a todos v&oacute;s que carregais o peso da doen&ccedil;a, encontrando-vos de v&aacute;rias maneiras unidos &agrave; carne de Cristo sofredor, bem como a v&oacute;s, profissionais e volunt&aacute;rios no campo da sa&uacute;de.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de J&oacute;: &laquo;<em>Eu era os olhos do cego e servia de p&eacute;s para o coxo<\/em>&raquo; (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da &laquo;<em>sapientia cordis<\/em>&raquo;, da sabedoria do cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Esta sabedoria n&atilde;o &eacute; um conhecimento te&oacute;rico, abstrato, fruto de racioc&iacute;nios; antes, como a descreve S&atilde;o Tiago na sua Carta, &eacute; &laquo;pura (&hellip;), pac&iacute;fica, indulgente, d&oacute;cil, cheia de miseric&oacute;rdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia&raquo; (3, 17). Trata-se, por conseguinte, de uma&nbsp;<em>disposi&ccedil;&atilde;o infundida pelo Esp&iacute;rito Santo<\/em>&nbsp;na mente e no cora&ccedil;&atilde;o de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irm&atilde;os e neles reconhece a imagem de Deus. Por isso, fa&ccedil;amos nossa esta invoca&ccedil;&atilde;o do Salmo: &laquo;Ensina-nos a contar assim os nossos dias, \/ para podermos chegar &agrave; sabedoria do cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (<em>Sal<\/em>&nbsp;90\/89, 12). Nesta&nbsp;<em>sapientia<\/em><em>&nbsp;cordis<\/em>, que &eacute; dom de Deus, podemos resumir os frutos do Dia Mundial do Doente.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.&nbsp;<em>Sabedoria<\/em><em>&nbsp;do cora&ccedil;&atilde;o &eacute; servir o irm&atilde;o<\/em>. No discurso de J&oacute; que cont&eacute;m as palavras &laquo;eu era os olhos do cego e servia de p&eacute;s para o coxo&raquo;, evidencia-se a dimens&atilde;o de servi&ccedil;o aos necessitados por parte deste homem justo, que goza de uma certa autoridade e ocupa um lugar de destaque entre os anci&atilde;os da cidade. A sua estatura moral manifesta-se no servi&ccedil;o ao pobre que pede ajuda, bem como no cuidado do &oacute;rf&atilde;o e da vi&uacute;va (cf. 29, 12-13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb&eacute;m hoje quantos crist&atilde;os d&atilde;o testemunho &ndash; n&atilde;o com as palavras mas com a sua vida radicada numa f&eacute; genu&iacute;na &ndash; de ser &laquo;os olhos do cego&raquo; e &laquo;os p&eacute;s para o coxo&raquo;! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assist&ecirc;ncia cont&iacute;nua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este servi&ccedil;o, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; &eacute; relativamente f&aacute;cil servir alguns dias, mas torna-se dif&iacute;cil cuidar de uma pessoa durante meses ou at&eacute; anos, inclusive quando ela j&aacute; n&atilde;o &eacute; capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santifica&ccedil;&atilde;o &eacute; este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo tamb&eacute;m de especial apoio &agrave; miss&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.&nbsp;<em>Sabedoria<\/em><em>&nbsp;do cora&ccedil;&atilde;o &eacute; estar com o irm&atilde;o<\/em>. O tempo gasto junto do doente &eacute; um tempo santo. &Eacute; louvor a Deus, que nos configura &agrave; imagem do seu Filho, que &laquo;n&atilde;o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multid&atilde;o&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;20, 28). Foi o pr&oacute;prio Jesus que o disse: &laquo;Eu estou no meio de v&oacute;s como aquele que serve&raquo; (<em>Lc<\/em>&nbsp;22, 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com f&eacute; viva, pe&ccedil;amos ao Esp&iacute;rito Santo que nos conceda a gra&ccedil;a de compreender o valor do acompanhamento, muitas vezes silencioso, que nos leva a dedicar tempo a estas irm&atilde;s e a estes irm&atilde;os que, gra&ccedil;as &agrave; nossa proximidade e ao nosso afeto, se sentem mais amados e confortados. E, ao inv&eacute;s, que grande mentira se esconde por tr&aacute;s de certas express&otilde;es que insistem muito sobre a &laquo;qualidade da vida&raquo; para fazer crer que as vidas gravemente afetadas pela doen&ccedil;a n&atilde;o mereceriam ser vividas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.&nbsp;<em>Sabedoria<\/em><em>&nbsp;do cora&ccedil;&atilde;o &eacute; sair de si ao encontro do irm&atilde;o<\/em>. &Agrave;s vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto &agrave; cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesi do fazer e do produzir, esquece-se a dimens&atilde;o da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro. No fundo, por detr&aacute;s desta atitude, h&aacute; muitas vezes uma f&eacute; morna, que esqueceu a palavra do Senhor que diz: &laquo;a Mim mesmo o fizestes&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;25, 40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, gostaria de recordar uma vez mais a &laquo;absoluta prioridade da &ldquo;sa&iacute;da de si pr&oacute;prio para o irm&atilde;o&rdquo;, como um dos dois mandamentos principais que fundamentam toda a norma moral e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho de crescimento espiritual em resposta &agrave; doa&ccedil;&atilde;o absolutamente gratuita de Deus&raquo; (Exort. ap.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>, 179). &Eacute; da pr&oacute;pria natureza mission&aacute;ria da Igreja que brotam &laquo;a caridade efetiva para com o pr&oacute;ximo, a compaix&atilde;o que compreende, assiste e promove&raquo; (<em>Ibid<\/em>., 179).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.&nbsp;<em>Sabedoria<\/em><em>&nbsp;do cora&ccedil;&atilde;o &eacute; ser solid&aacute;rio com o irm&atilde;o, sem o julgar<\/em>. A caridade precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar. Tempo para estar junto deles, como fizeram os amigos de J&oacute;: &laquo;Ficaram sentados no ch&atilde;o, ao lado dele, sete dias e sete noites, sem lhe dizer palavra, pois viram que a sua dor era demasiado grande&raquo; (<em>Job<\/em>&nbsp;2, 13). Mas, dentro de si mesmos, os amigos de J&oacute; escondiam um ju&iacute;zo negativo acerca dele: pensavam que a sua infelicidade fosse o castigo de Deus por alguma culpa dele. Pelo contr&aacute;rio, a verdadeira caridade &eacute; partilha que n&atilde;o julga, que n&atilde;o tem a pretens&atilde;o de converter o outro; est&aacute; livre daquela falsa humildade que, fundamentalmente, busca aprova&ccedil;&atilde;o e se compraz com o bem realizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi&ecirc;ncia de J&oacute; s&oacute; encontra a sua resposta aut&ecirc;ntica na Cruz de Jesus, ato supremo de solidariedade de Deus para conosco, totalmente gratuito, totalmente misericordioso. E esta resposta de amor ao drama do sofrimento humano, especialmente do sofrimento inocente, permanece para sempre gravada no corpo de Cristo ressuscitado, naquelas suas chagas gloriosas que s&atilde;o esc&acirc;ndalo para a f&eacute;, mas tamb&eacute;m verifica&ccedil;&atilde;o da f&eacute; (cf.&nbsp;<em>Homilia na canoniza&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o XXIII e Jo&atilde;o Paulo II<\/em>, 27 de Abril de 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo quando a doen&ccedil;a, a solid&atilde;o e a incapacidade levam a melhor sobre a nossa vida de doa&ccedil;&atilde;o, a experi&ecirc;ncia do sofrimento pode tornar-se lugar privilegiado da transmiss&atilde;o da gra&ccedil;a e fonte para adquirir e fortalecer a&nbsp;<em>sapientia cordis<\/em>. Por isso se compreende como J&oacute;, no fim da sua experi&ecirc;ncia, p&ocirc;de afirmar dirigindo-se a Deus: &laquo;Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora v&ecirc;em-Te os meus pr&oacute;prios olhos&raquo; (42, 5). Tamb&eacute;m as pessoas imersas no mist&eacute;rio do sofrimento e da dor, se acolhido na f&eacute;, podem tornar-se testemunhas vivas duma f&eacute; que permite abra&ccedil;ar o pr&oacute;prio sofrimento, ainda que o homem n&atilde;o seja capaz, pela pr&oacute;pria intelig&ecirc;ncia, de o compreender at&eacute; ao fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Confio este Dia Mundial do Doente &agrave; prote&ccedil;&atilde;o materna de Maria, que acolheu no ventre e gerou a Sabedoria encarnada, Jesus Cristo, nosso Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Oacute; Maria, Sede da Sabedoria, intercedei como nossa M&atilde;e por todos os doentes e quantos cuidam deles. Fazei que possamos, no servi&ccedil;o ao pr&oacute;ximo sofredor e atrav&eacute;s da pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia do sofrimento, acolher e fazer crescer em n&oacute;s a verdadeira sabedoria do cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanho esta s&uacute;plica por todos v&oacute;s com a minha B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Vaticano, 3 de Dezembro &ndash; Mem&oacute;ria de S&atilde;o Francisco Xavier &ndash; do ano 2014.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] O 23&ordm; Dia Mundial do Doente ser&aacute; celebrado nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, festividade da Virgem de Lourdes. Por ocasi&atilde;o da data, o papa Francisco enviou mensagem, em que recorda ser preciso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2505,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2378"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2378"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2378\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}