{"id":2366,"date":"2015-02-15T00:00:00","date_gmt":"2015-02-15T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/francisco-aos-cardeais-eis-como-devemos-ser-incardinados-e-doceis\/"},"modified":"2015-02-15T00:00:00","modified_gmt":"2015-02-15T00:00:00","slug":"francisco-aos-cardeais-eis-como-devemos-ser-incardinados-e-doceis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/francisco-aos-cardeais-eis-como-devemos-ser-incardinados-e-doceis\/","title":{"rendered":"Francisco aos cardeais: eis como devemos ser, incardinados e d\u00f3ceis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Francisco presidiu, na manh&atilde; deste s&aacute;bado (14), na Bas&iacute;lica Vaticana, ao Consist&oacute;rio Ordin&aacute;rio P&uacute;blico de 2015, durante o qual foram criados 20 novos cardeais, 15 eleitores e 5 rm&eacute;ritos, provenientes de 14 pa&iacute;ses. Com a realiza&ccedil;&atilde;o deste Consist&oacute;rio, o segundo do pontificado do papa Francisco, o Col&eacute;gio Cardinal&iacute;cio fica agora composto de 227 cardeais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a cerim&ocirc;nia papa Francisco fez uma alocu&ccedil;&atilde;o aos presentes, refletindo sobre a &ldquo;dignidade cardinal&iacute;cia&rdquo;, que n&atilde;o &eacute; honor&iacute;fica, como indica o pr&oacute;prio nome &ldquo;cardeal&rdquo;, que quer dizer jun&ccedil;&atilde;o cardinal, principal. N&atilde;o se trata de algo acess&oacute;rio, decorativo que leva a pensar a uma honorific&ecirc;ncia, mas de um eixo, um ponto de apoio e movimento essencial para a vida da comunidade. Os cardeais s&atilde;o incardinados na Igreja de Roma, que &ldquo;preside &agrave; assembleia universal da caridade&rdquo;. A Igreja de Roma tem uma fun&ccedil;&atilde;o exemplar: presidir na caridade. Assim, toda Igreja particular &eacute; chamada a presidir na caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"float: right;\" src=\"http:\/\/www.pom.org.br\/images\/stories\/Noticias_11\/0%200%200%20c.jpg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"347\" border=\"0\" \/>Para isso o Papa referiu-se ao &ldquo;hino da caridade&rdquo;, da Primeira Carta de S&atilde;o Paulo aos Cor&iacute;ntios, que constitui a palavra-chave da celebra&ccedil;&atilde;o deste Consist&oacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&ldquo;Quanto mais se amplia a responsabilidade dos cardeais, a servi&ccedil;o da Igreja, tanto mais se deve ampliar seus cora&ccedil;&otilde;es, dilatar-se na medida do cora&ccedil;&atilde;o de Cristo. A &ldquo;magnanimidade&rdquo;, da qual fala o ap&oacute;stolo Paulo, &eacute;, em certo sentido, sin&ocirc;nimo de catolicidade: &eacute; amar sem limites, com gestos concretos. Saber amar com gestos ben&eacute;volos. A &ldquo;benevol&ecirc;ncia&rdquo; &eacute; a inten&ccedil;&atilde;o firme e constante de querer sempre o bem para todos&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Papa Francisco recordou as palavras de S&atilde;o Paulo: &ldquo;a caridade tudo desculpa, tudo cr&ecirc;, tudo espera, tudo suporta&rdquo;. Nestas quatro palavras, concluiu o papa, encontra-se um verdadeiro programa de vida espiritual e pastoral para os Pastores da Igreja:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&ldquo;O amor de Cristo, infundido em nossos cora&ccedil;&otilde;es pelo Esp&iacute;rito Santo, permite-nos viver assim, ser assim, como pessoas capazes de perdoar sempre; dar sempre confian&ccedil;a, pela sua f&eacute; em Deus; infundir sempre esperan&ccedil;a, pela esperan&ccedil;a que vem de Deus. Tais pessoas sabem suportar, com paci&ecirc;ncia, todas as situa&ccedil;&otilde;es, em uni&atilde;o com Jesus, que suportou com amor o peso de todos os nossos pecados&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ao t&eacute;rmino da sua reflex&atilde;o, o papa Francisco recordou que &ldquo;Deus &eacute; amor e realiza tudo, se formos d&oacute;ceis &agrave; a&ccedil;&atilde;o do Santo Esp&iacute;rito. Eis como devemos ser: &ldquo;incardinados e d&oacute;ceis&rdquo;. Depois lembrou aos presentes que Jesus &eacute; a caridade encarnada e convidou a todos a seguir o exemplo do Nazareno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>HOMILIA DO PAPA FRANCISCO<\/strong><br \/><strong>Bas&iacute;lica Vaticana<\/strong><br \/><strong>S&aacute;bado, 14 de fevereiro de 2015<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Amados Irm&atilde;os Cardeais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dignidade cardinal&iacute;cia &eacute; certamente uma dignidade, mas n&atilde;o &eacute; honor&iacute;fica. Assim no-lo indica o pr&oacute;prio nome &ndash; &laquo;cardeal&raquo; &ndash;, que evoca a &laquo;charneira&raquo;, a jun&ccedil;&atilde;o cardinal, principal; n&atilde;o se trata, portanto, de algo acess&oacute;rio, decorativo que fa&ccedil;a pensar a uma honorific&ecirc;ncia, mas de um eixo, um ponto de apoio e movimento essencial para a vida da comunidade. V&oacute;s sois &laquo;jun&ccedil;&otilde;es cardinais&raquo; e estais incardinados na Igreja de Roma, que &laquo;preside &agrave; universal assembleia da caridade&raquo; (CONC. ECUM. VAT. II, Const. dogm. Lumen gentium, 13; cf. SANTO IN&Aacute;CIO DE ANTIOQUIA, Carta aos Romanos, Pr&oacute;logo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Igreja, toda a presid&ecirc;ncia prov&eacute;m da caridade, deve ser exercida na caridade e tem como fim a caridade. Tamb&eacute;m nisto a Igreja que est&aacute; em Roma desempenha uma fun&ccedil;&atilde;o exemplar: assim como ela preside na caridade, assim tamb&eacute;m cada Igreja particular &eacute; chamada, no seu &acirc;mbito, a presidir &agrave; caridade e na caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, penso que o &laquo;hino &agrave; caridade&raquo; da Primeira Carta de S&atilde;o Paulo aos Cor&iacute;ntios (cap. 13) possa constituir a palavra-orientadora para esta celebra&ccedil;&atilde;o e para o vosso minist&eacute;rio, de modo particular para aqueles de v&oacute;s que hoje passam a fazer parte do Col&eacute;gio Cardinal&iacute;cio. E far-nos-&aacute; bem &ndash; a come&ccedil;ar por mim e v&oacute;s comigo &ndash; deixarmo-nos orientar pelas palavras inspiradas do ap&oacute;stolo Paulo, nomeadamente quando refere as caracter&iacute;sticas da caridade. Venha em nossa ajuda, nesta escuta, a Virgem Maria, nossa M&atilde;e. Deu ao mundo Aquele que &eacute; o &laquo;caminho que ultrapassa todos os outros&raquo; (cf. 1 Cor 12, 31): Jesus, Caridade encarnada. Que Ela nos ajude a acolher esta Palavra e a seguir sempre por este Caminho; nos ajude com a sua conduta humilde e terna de m&atilde;e, porque a caridade, dom de Deus, cresce onde h&aacute; humildade e ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S&atilde;o Paulo come&ccedil;a por nos dizer que a caridade &eacute; &laquo;magn&acirc;nima&raquo; e &laquo;ben&eacute;vola&raquo;. Quanto mais se amplia a responsabilidade no servi&ccedil;o &agrave; Igreja, tanto mais se deve ampliar o cora&ccedil;&atilde;o, dilatando-se de acordo com a medida do cora&ccedil;&atilde;o de Cristo. Amagnanimidade &eacute;, em certo sentido, sin&ocirc;nimo de catolicidade: &eacute; saber amar sem limites, mas ao mesmo tempo fi&eacute;is &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es particulares e com gestos concretos. Amar o que &eacute; grande, sem negligenciar o que &eacute; pequeno; amar as coisas pequenas no horizonte das grandes, porque &laquo;non coerceri a maximo, contineri tamen a minimo divinum est&raquo;. Saber amar com gestos ben&eacute;volos. A benevol&ecirc;ncia &eacute; a inten&ccedil;&atilde;o firme e constante de querer o bem sempre e para todos, incluindo aqueles que n&atilde;o nos amam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, o Ap&oacute;stolo diz que a caridade &laquo;n&atilde;o &eacute; invejosa, n&atilde;o &eacute; arrogante nem orgulhosa&raquo;. Isto &eacute; verdadeiramente um milagre da caridade, porque n&oacute;s, seres humanos (todos, e em todas as idades da vida), sentimo-nos inclinados &agrave; inveja e ao orgulho por causa da nossa natureza ferida pelo pecado. E as pr&oacute;prias dignidades eclesi&aacute;sticas n&atilde;o est&atilde;o imunes desta tenta&ccedil;&atilde;o. Mas por isso mesmo, amados Irm&atilde;os, pode sobressair ainda mais em n&oacute;s a for&ccedil;a divina da caridade, que transforma de tal modo o cora&ccedil;&atilde;o que j&aacute; n&atilde;o &eacute;s tu que vives, mas Cristo que vive em ti. E Jesus &eacute; todo amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m disso, a caridade &laquo;n&atilde;o falta ao respeito, n&atilde;o procura o seu pr&oacute;prio interesse&raquo;. Estes dois tra&ccedil;os revelam que, quem vive na caridade, se descentralizou de si mesmo. A pessoa que vive auto-centralizada, inevitavelmente falta ao respeito e, muitas vezes, nem se d&aacute; conta disso, porque o &laquo;respeito&raquo; &eacute; precisamente a capacidade de ter em conta o outro, a sua dignidade, a sua condi&ccedil;&atilde;o, as suas necessidades. Quem est&aacute; auto-centralizado, procura inevitavelmente o seu pr&oacute;prio interesse, parecendo-lhe isso normal, quase um dever. Tal &laquo;interesse&raquo; pode inclusivamente apresentar-se amantado com nobres revestimentos, mas por debaixo est&aacute; sempre o &laquo;pr&oacute;prio interesse&raquo;. Ao contr&aacute;rio, a caridade descentraliza-te, situando-te no &uacute;nico verdadeiro centro que &eacute; Cristo. Ent&atilde;o, sim, podes ser uma pessoa respeitadora e atenta ao bem dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caridade, diz Paulo, &laquo;n&atilde;o se irrita, n&atilde;o leva em conta o mal recebido&raquo;. Ao pastor que vive em contacto com as pessoas, n&atilde;o faltam ocasi&otilde;es para se irritar. E o risco de se irritar &eacute; talvez ainda maior nas rela&ccedil;&otilde;es entre n&oacute;s, irm&atilde;os, embora tenhamos efetivamente menos desculpa. Tamb&eacute;m disto &eacute; a caridade, e s&oacute; a caridade, que nos liberta. Liberta-nos do perigo de reagir impulsivamente, dizer e fazer coisas erradas; e sobretudo liberta-nos do risco mortal da ira retida, &laquo;aninhada&raquo; no interior, que te leva a ter em conta os malef&iacute;cios recebidos. N&atilde;o. Isto n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel no homem de Igreja. Entretanto se &eacute; poss&iacute;vel desculpar uma indigna&ccedil;&atilde;o moment&acirc;nea e imediatamente moderada, n&atilde;o se pode dizer o mesmo do rancor. Que Deus nos preserve e livre dele!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caridade &ndash; acrescenta o Ap&oacute;stolo &ndash; &laquo;n&atilde;o se alegra com a injusti&ccedil;a, mas rejubila com a verdade&raquo;. Quem &eacute; chamado na Igreja ao servi&ccedil;o da governan&ccedil;a deve ter um sentido t&atilde;o forte da justi&ccedil;a que veja toda e qualquer injusti&ccedil;a como inaceit&aacute;vel, incluindo aquela que possa ser vantajosa para si mesmo ou para a Igreja. E, ao mesmo tempo, &laquo;rejubila com a verdade&raquo;: &eacute; uma bela express&atilde;o! O homem de Deus &eacute; algu&eacute;m que vive fascinado pela verdade e que a encontra plenamente na Palavra e na Carne de Jesus Cristo. Ele &eacute; a fonte inesgot&aacute;vel da nossa alegria. Possa o povo de Deus encontrar sempre em n&oacute;s a den&uacute;ncia firme da injusti&ccedil;a e o servi&ccedil;o jubiloso da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a caridade &laquo;tudo desculpa, tudo cr&ecirc;, tudo espera, tudo suporta&raquo;. Temos aqui, em quatro palavras, um programa de vida espiritual e pastoral. O amor de Cristo, derramado em nossos cora&ccedil;&otilde;es pelo Esp&iacute;rito Santo, permite-nos viver assim, ser assim: pessoas capazes de perdoar sempre; de dar sempre confian&ccedil;a, porque cheias de f&eacute; em Deus; capazes de infundir sempre esperan&ccedil;a, porque cheias de esperan&ccedil;a em Deus; pessoas que sabem suportar com paci&ecirc;ncia todas as situa&ccedil;&otilde;es e cada irm&atilde;o e irm&atilde;, em uni&atilde;o com Jesus, que suportou com amor o peso de todos os nossos pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amados irm&atilde;os, nada disto prov&eacute;m de n&oacute;s, mas de Deus. Deus &eacute; amor e realiza tudo isto, se formos d&oacute;ceis &agrave; a&ccedil;&atilde;o do seu Santo Esp&iacute;rito. Eis ent&atilde;o como devemos ser: incardinados e d&oacute;ceis. Quanto mais estivermos incardinados na Igreja que est&aacute; em Roma, tanto mais nos devemos tornar d&oacute;ceis ao Esp&iacute;rito, para que a caridade possa dar forma e sentido a tudo o que somos e fazemos. Incardinados na Igreja que preside na caridade, d&oacute;ceis ao Esp&iacute;rito Santo, que derrama nos nossos cora&ccedil;&otilde;es o amor de Deus (cf.Rom 5, 5). Assim seja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] O papa Francisco presidiu, na manh&atilde; deste s&aacute;bado (14), na Bas&iacute;lica Vaticana, ao Consist&oacute;rio Ordin&aacute;rio P&uacute;blico de 2015, durante o qual foram criados 20 novos cardeais, 15 eleitores e 5 rm&eacute;ritos, provenientes&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2494,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2366"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2366\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2494"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}