{"id":2336,"date":"2015-02-26T00:00:00","date_gmt":"2015-02-26T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/simposio-de-missiologia-avalia-a-recepcao-do-concilio-vaticano-ii-na-africa\/"},"modified":"2015-02-26T00:00:00","modified_gmt":"2015-02-26T00:00:00","slug":"simposio-de-missiologia-avalia-a-recepcao-do-concilio-vaticano-ii-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/simposio-de-missiologia-avalia-a-recepcao-do-concilio-vaticano-ii-na-africa\/","title":{"rendered":"Simp\u00f3sio de Missiologia avalia a recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os participantes do 4&ordm; Simp&oacute;sio de Missiologia que acontece esta semana em Bras&iacute;lia (DF), voltaram um olhar para a &Aacute;frica. O evento faz mem&oacute;ria dos 50 anos do Decreto conciliar Ad Gentes sobre a miss&atilde;o e sua recep&ccedil;&atilde;o na diversidade dos continentes. Para apresentar a caminhada p&oacute;s-conciliar na &Aacute;frica, o Simp&oacute;sio recebeu, na manh&atilde; desta quarta-feira, 25, dom Luiz Fernando Lisboa, bispo brasileiro da diocese de Pemba, Prov&iacute;ncia de Cabo Delgado, regi&atilde;o norte de Mo&ccedil;ambique.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &ldquo;&Aacute;frica n&atilde;o &eacute; s&oacute; pobreza. &Eacute; neste continente que se encontram os vest&iacute;gios da humanidade. O povo &eacute; forte e culturalmente rico e com uma hist&oacute;ria apreci&aacute;vel. A terra &eacute;&nbsp;riqu&iacute;ssima em recursos naturais e a Igreja tem grandes santos e doutores, al&eacute;m de milhares de m&aacute;rtires&rdquo;, afirmou dom Luiz Fernando, CP, mission&aacute;rio Passionista, em Mo&ccedil;ambique desde 2001. Natural de Valen&ccedil;a (RJ), ele voltou ao Brasil em 2009 e, em junho de 2013, foi nomeado bispo de Pemba, diocese de 82.000 Km2, com 22 par&oacute;quias e mais de 800 comunidades. L&aacute; atuam 115 mission&aacute;rios entre padres, religiosas, religiosos, leigos e leigas com forma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao apresentar a realidade africana o bispo observou que quando se fala da &Aacute;frica, normalmente o continente &eacute; visto como um &uacute;nico pa&iacute;s. No entanto, trata-se de 55 pa&iacute;ses com uma variedade de povos e culturas. &ldquo;A Europa simplesmente repartiu o vasto territ&oacute;rio entre alguns de seus pa&iacute;ses. A grande maioria dos pa&iacute;ses africanos alcan&ccedil;ou a sua independ&ecirc;ncia nas d&eacute;cadas de 1960, 1970 e 1980. S&atilde;o todos estados novos e cheios de riquezas naturais e, ao mesmo tempo, com os maiores &iacute;ndices de pobreza do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Em sua an&aacute;lise, o bispo de Pemba destacou os grandes desafios enfrentados pelas popula&ccedil;&otilde;es africanas, como a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de, a falta de &aacute;gua e saneamento, a desnutri&ccedil;&atilde;o e as doen&ccedil;as, entre as quais, a mal&aacute;ria, AIDS, dengue e ebola. Lembrou tamb&eacute;m, dos conflitos. &ldquo;As influ&ecirc;ncias do Estado Isl&acirc;mico e a onda de fundamentalismo s&atilde;o evidentes em muitos pa&iacute;ses do norte&rdquo;. Segundo dom Luiz Fernando, as condi&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento humano em &Aacute;frica est&atilde;o melhorando, mas h&aacute; muitos pa&iacute;ses atrasados. &ldquo;A pobreza est&aacute; gradualmente a diminuindo com melhoras na educa&ccedil;&atilde;o e na sa&uacute;de, mas a exclus&atilde;o persiste, resultando num acesso desigual &agrave;s oportunidades econ&ocirc;micas e sociais&rdquo;.<\/p>\n<p>O assessor recordou as migra&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas e citou o caso de Lampedusa, na It&aacute;lia, onde &ldquo;o papa Francisco disse ao mundo, que &eacute; urgente e necess&aacute;ria uma proximidade aos imigrantes que buscam uma vida melhor, que fogem de seus dramas. Ao acolher os habitantes da Ilha de Lampedusa d&atilde;o um exemplo ao mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Dom Luiz Fernando sublinhou o esfor&ccedil;o do Decreto conciliar Ad Gentes na valoriza&ccedil;&atilde;o das Igrejas locais nas diversas culturas. &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio que em cada grande espa&ccedil;o sociocultural, se estimule uma reflex&atilde;o teol&oacute;gica&#8230; As tradi&ccedil;&otilde;es particulares e qualidades pr&oacute;prias de cada na&ccedil;&atilde;o, esclarecidas pela luz do Evangelho, ser&atilde;o assumidas na unidade cat&oacute;lica&rdquo; (AG 22).<\/p>\n<p>Para mostrar que desde o in&iacute;cio do cristianismo a &Aacute;frica teve uma participa&ccedil;&atilde;o significativa nomeou doutores e escritores africanos dos primeiros s&eacute;culos: Or&iacute;genes, Santo Atan&aacute;sio, S&atilde;o Cirilo (Escola Alexandrina), Tertuliano, S&atilde;o Cipriano e Santo Agostinho que nasceu em Tagaste, hoje Arg&eacute;lia. &ldquo;A Igreja j&aacute; teve tr&ecirc;s papas africanos: Victor I, Melqu&iacute;ades e Gel&aacute;sio I&rdquo;, completou o bispo para, na sequ&ecirc;ncia constatar que a reflex&atilde;o teol&oacute;gica sobre a Igreja em &Aacute;frica se intensificou no per&iacute;odo p&oacute;s-independ&ecirc;ncia de seus pa&iacute;ses, a maioria a partir de 1960 e, sobretudo, com as novidades eclesiol&oacute;gicas geradas pelo Conc&iacute;lio Vaticano II.<\/p>\n<p>A Igreja na &Aacute;frica realizou dois s&iacute;nodos, ambos em Roma. O primeiro foi em 1994 como o tema, &ldquo;A Igreja em &Aacute;frica e a sua miss&atilde;o evangelizadora rumo ao ano 2000&rdquo;. O outro aconteceu em 2009 e versou sobre a reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz. A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal Africae Munus afirma que &ldquo;&eacute; preciso reservar uma aten&ccedil;&atilde;o preferencial ao pobre, ao faminto, ao doente, ao prisioneiro, ao migrante, ao refugiado, ao desalojado&rdquo; (AM 27). Prop&otilde;e tamb&eacute;m, &ldquo;que cada um se torne cada vez mais ap&oacute;stolo da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz&rdquo; e que a Igreja em &Aacute;frica seja &ldquo;um dos pulm&otilde;es espirituais da humanidade&rdquo;, sublinhou dom Luiz Fernando.<\/p>\n<p>Segundo ele, a Igreja na &Aacute;frica &eacute; ainda muito &ldquo;dependente, romanizada e estrangeira&rdquo;. A diocese de Pemba, por exemplo, tem 35 seminaristas e depende da ajuda que vem de fora para suas necessidades administrativas. &ldquo;Contudo, h&aacute; alguns passos de africanidade na reflex&atilde;o teol&oacute;gica, na liturgia e na incultura&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, apesar do longo caminho a percorrer&rdquo;, ressaltou.<\/p>\n<p>Para mostrar a recep&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio em Mo&ccedil;ambique, dom Luiz Fernando resgatou as decis&otilde;es das tr&ecirc;s assembleias nacionais de Pastoral realizadas no pa&iacute;s. A primeira, em 1977, prop&ocirc;s &ldquo;uma Igreja n&atilde;o mais triunfalista, mas despojada e pobre, em renova&ccedil;&atilde;o interior, de base e de comunh&atilde;o, inserida nas realidades humanas e fermento da sociedade; uma Igreja que opta pelas Pequenas Comunidades Crist&atilde;s; uma Igreja que se prop&otilde;e a desenvolver uma comunh&atilde;o eclesial em todos os n&iacute;veis e principalmente uma Igreja ministerial&rdquo;.<\/p>\n<p>A segunda Assembleia de Pastoral aconteceu em 1991 e reafirmou a ministerialidade. Pediu tamb&eacute;m, uma passagem do modelo colonial piramidal e clerical para um modelo circular e participativo. Por fim, em 2005, a terceira Assembleia escolheu como prioridades, &ldquo;a forma&ccedil;&atilde;o dos agentes de pastoral, a Pastoral Juvenil, a Pastoral Lit&uacute;rgica, a Pastoral da Fam&iacute;lia, as Pequenas Comunidades Crist&atilde;s, incultura&ccedil;&atilde;o do Evangelho e autonomia Econ&ocirc;mica&rdquo;.<\/p>\n<p>Dom Luiz Fernando louvou a presen&ccedil;a de mission&aacute;rios e mission&aacute;rias brasileiros na &Aacute;frica. Em Mo&ccedil;ambique, em particular, estes j&aacute; representam o maior n&uacute;mero de mission&aacute;rios estrangeiros. Contudo, h&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o para qualificar melhor essa presen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Como proposta, dom Luiz Fernando pede uma maior coopera&ccedil;&atilde;o entre pa&iacute;ses, Igrejas, universidades e n&atilde;o uma nova coloniza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Uma Igreja &lsquo;em sa&iacute;da&rsquo; que partilha e recebe, disposta tamb&eacute;m ao sacrif&iacute;cio. Uma Igreja com os p&eacute;s descal&ccedil;os para tocar a cultura, aprender a l&iacute;ngua, disposta a recome&ccedil;ar; que dialoga sem superioridade, mas como igual. Miss&atilde;o &eacute; sair e isso significa ter compaix&atilde;o, partilhar, aprender e crescer&rdquo;, completou o bispo.<\/p>\n<p>Promovido pelo Centro Cultural Mission&aacute;rio (CCM) e a Rede Ecum&ecirc;nica Latino-americana de Missi&oacute;logos e Missi&oacute;logas (RELAMI) o evento re&uacute;ne 55 pessoas entre, docentes, te&oacute;logos, pesquisadores, representantes de institui&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias e agentes de pastoral do Brasil e convidados de Mo&ccedil;ambique e do M&eacute;xico. A programa&ccedil;&atilde;o que come&ccedil;ou nesta ter&ccedil;a-feira, 23, se estende at&eacute; sexta-feira, 27.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: POM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &nbsp; Os participantes do 4&ordm; Simp&oacute;sio de Missiologia que acontece esta semana em Bras&iacute;lia (DF), voltaram um olhar para a &Aacute;frica. 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