{"id":199,"date":"2017-11-19T00:00:00","date_gmt":"2017-11-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/33-domingo-do-tempo-comum-quem-tem-medo-do-deus-de-jesus\/"},"modified":"2017-11-19T00:00:00","modified_gmt":"2017-11-19T00:00:00","slug":"33-domingo-do-tempo-comum-quem-tem-medo-do-deus-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/33-domingo-do-tempo-comum-quem-tem-medo-do-deus-de-jesus\/","title":{"rendered":"33\u00ba Domingo do Tempo Comum &#8211; Quem tem medo do Deus de Jesus?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.pxhere.com\/photos\/46\/b1\/cross_faith_wooden_cross_christianity_jesus_church_catholicism_symbol-529148.jpg!d\" alt=\"nuvem c&eacute;u vento linha s&iacute;mbolo m&aacute;quina azul Igreja turbina de vento ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica Cruz c&eacute;u azul Cruz de madeira nuvens f&eacute; Jesus cristandade crucifixo catolicismo Atmosfera da terra\"><\/p>\n<p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A liturgia deste domingo nosprop&otilde;e uma par&aacute;bola que pode ser facilmente mal interpretada; ou pior ainda,fomentar a auto-autocobran&ccedil;a e o perfeccionismo. E, como consequ&ecirc;ncia, ossentimentos de culpa, de impot&ecirc;ncia, de fracasso&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No campo espec&iacute;fico daespiritualidade crist&atilde;, uma leitura deturpada da par&aacute;bola dos &ldquo;talentos&rdquo; podeconduzir a uma religiosidade perigosa por v&aacute;rios motivos: sup&otilde;e a imagem de umDeus como um patr&atilde;o que exige um cumprimento das suas ordens at&eacute; os m&iacute;nimosdetalhes, sem admitir nenhum fracasso; fomenta a ideia do m&eacute;rito e, com isso,uma religi&atilde;o mercantilista; alimenta um perfeccionismo &ndash; busca de um &ldquo;ideal deperfei&ccedil;&atilde;o&rdquo; -, que gera muito sofrimento e farisa&iacute;smo; estimula acompetitividade para ver quem consegue um &ldquo;pr&ecirc;mio maior&rdquo;&#8230; Em definitiva, aquinos encontramos diante de uma par&aacute;bola potencialmente perigosa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Todos n&oacute;s temos uma tend&ecirc;ncia aalimentar o perfeccionismo e a leitura da par&aacute;bola dos talentos s&oacute; viriaconfirmar essa tend&ecirc;ncia. De fato, o conceito de perfei&ccedil;&atilde;o cristaliza-se em n&oacute;sdesde a inf&acirc;ncia, a partir de experi&ecirc;ncias n&atilde;o integradas, de sentimentos deculpabilidade, e que acabam nos identificando, no plano pessoal, como n&atilde;o terdefeitos, n&atilde;o ter fragilidades, n&atilde;o ter nenhuma falha ou pecado. Trata-se de ummodo fechado de viver dentro do pr&oacute;prio eu orgulhoso, que exige o m&aacute;ximoesfor&ccedil;o para n&atilde;o falhar em ponto algum, uma vez que o &ldquo;perfeccionista&rdquo; est&aacute;convencido de que somente ser&aacute; amado por Deus e pelos outros se for perfeito. Agrave consequ&ecirc;ncia disso &eacute; que estar&iacute;amos pervertendo a mensagem de Jesus,centrada radicalmente na gratuidade, na compaix&atilde;o e no amor. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Custa-nos reconhecer Jesus comoautor da &ldquo;par&aacute;bola dos talentos. Mas, em todo caso, n&atilde;o podemos perder de vistaque se trata de uma par&aacute;bola, e que a leitura tampouco pode ser literal. Comoler esta par&aacute;bola para poder recuperar sua mensagem genu&iacute;na e, ao mesmo tempo,evitar os riscos que o pr&oacute;prio relato deixa transparecer?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em primeiro lugar, coerente com apr&oacute;pria mensagem evang&eacute;lica, s&oacute; nos cabe ler a par&aacute;bola como palavra desabedoria e n&atilde;o como c&oacute;digo moral; deve ser entendida a partir da gratuidade en&atilde;o a partir da ideia do m&eacute;rito e da recompensa. Tudo &eacute; dom e somos felizes namedida em que permitimos que esse dom se manifeste em e atrav&eacute;s de n&oacute;s. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Tamb&eacute;m &eacute; importante que levemosem conta a situa&ccedil;&atilde;o concreta em que Jesus vivia quando falava em par&aacute;bolas. Eleviveu situa&ccedil;&otilde;es muito conflitivas e de enfrentamento com os fariseus, os sumossacerdotes, os mestres da lei. Mateus coloca esta par&aacute;bola dos talentos em ummomento de m&aacute;xima tens&atilde;o e enfrentamento de Jesus com os fariseus;concretamente, com o &ldquo;Deus&rdquo; dos fariseus, que era um Deus terr&iacute;vel, amea&ccedil;ante ejusticeiro. Aqui, nesta instigante par&aacute;bola, Jesus desmascara a falsa imagem deDeus dos fariseus, que torna a vida pesada e marcada pelo medo. &Eacute; como se Eledissesse: &ldquo;Meu Pai n&atilde;o &eacute; assim; Ele &eacute; fonte de amor, de miseric&oacute;rdia e s&oacute;deseja que as pessoas vivam felizes, sem medo&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nesse sentido, &eacute; sumamente &uacute;tilaprofundar e conhecer o verdadeiro sentido da par&aacute;bola dos talentos.Normalmente, costuma-se explicar esta par&aacute;bola dizendo que Deus d&aacute; a cadapessoa uma quantidade determinada de talentos, divinos e humanos, dos quaister&aacute; de prestar contas a Ele, at&eacute; o &uacute;ltimo centavo, no dia do Ju&iacute;zo Final.Quando se interpreta a par&aacute;bola dessa maneira, o Deus que a&iacute; aparece &eacute; umaamea&ccedil;a insuport&aacute;vel; ao considerar a par&aacute;bola como uma exorta&ccedil;&atilde;o &agrave; uma &ldquo;vidaperfeita&rdquo;, falsifica-se o sentido aut&ecirc;ntico da mesma. O que est&aacute; em quest&atilde;oaqui &eacute; a &ldquo;imagem&rdquo; de Deus que todos trazemos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O indiv&iacute;duo que recebeu um s&oacute;talento est&aacute; convencido de que o &ldquo;senhor&rdquo;, ou seja, Deus, &eacute; &ldquo;duro&rdquo;, pois &ldquo;colheonde n&atilde;o semeou e ajunta onde n&atilde;o espalhou&rdquo;. Esse indiv&iacute;duo tem uma ideiaterr&iacute;vel de Deus. E por isso, como &eacute; natural, &ldquo;tem medo&rdquo;; e o medo o leva a&ldquo;esconder o talento debaixo da terra&rdquo;. Isso, precisamente, foi sua perdi&ccedil;&atilde;o. Omedo paralisa, ou seja, torna as pessoas est&eacute;reis. No fundo, Jesus est&aacute; dizendoo seguinte: &ldquo;o Deus que amea&ccedil;a com a exig&ecirc;ncia da presta&ccedil;&atilde;o de contas at&eacute; o&uacute;ltimo centavo, &eacute; um Deus que bloqueia e anula as pessoas, os grupos, ascomunidades&rdquo;. Por isso, &eacute; urgente acabar com a imagem do Deus que amea&ccedil;a, quen&atilde;o liberta nem cura, que nos amarra e n&atilde;o nos deixa viver. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">De fato, a presen&ccedil;a de Deus navida e na hist&oacute;ria de muitas pessoas &eacute; vivida secretamente sob as vestes dotemor e do medo. Um &ldquo;Deus&rdquo; que a todos n&oacute;s pedir&aacute; contas no ju&iacute;zo, onde teremosde responder pelo mau uso de nossos dons; um &ldquo;Deus&rdquo; que nos castiga comdesgra&ccedil;as, por causa de nossos fracassos; um &ldquo;Deus&rdquo; interesseiro, um senhorsevero que imp&otilde;e obriga&ccedil;&otilde;es duras e dificulta nossa entrada no banquete; um&ldquo;deus-patr&atilde;o&rdquo; que nos prende com contratos e cobran&ccedil;as; um &ldquo;Deus&rdquo; que &eacute; umconstante perigo, causador do Grande Medo que nos paralisa. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Crer em um Deus que pede contaat&eacute; o &uacute;ltimo centavo &eacute; o mesmo que crer em um juiz justiceiro que torna a vidaamarga e pesada. Sem a supera&ccedil;&atilde;o cotidiana dos medos, nossa experi&ecirc;ncia de Deusestar&aacute; comprometida, perder&aacute; sua for&ccedil;a inovadora e nos far&aacute; menos humanos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Para relacionar-nos humanamentecom o Deus que Jesus nos revelou, o mais urgente que devemos fazer &eacute; quebrar as&ldquo;falsas imagens&rdquo; d&rsquo;Ele que carregamos em nossas consci&ecirc;ncias, em nossaintimidade mais secreta. E a primeira e principal imagem falsa &eacute; que Deus &eacute; umaamea&ccedil;a da qual devemos nos proteger. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Deus &eacute; fonte da Vida, ou melhor,o pr&oacute;prio Dom, o &ldquo;talento&rdquo; que se d&aacute; generosamente em tudo. Ao conectar comnossa verdadeira identidade, n&oacute;s nos descobrimos n&rsquo;Ele, n&atilde;o como uma presen&ccedil;aseparada, mas como nosso n&uacute;cleo mais &iacute;ntimo e profundo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Essa descoberta &eacute; a fonte denossa a&ccedil;&atilde;o; estamos permitindo que o &ldquo;talento&rdquo; &ndash; o Dom, a Gra&ccedil;a, Deus&#8230;, possaviver em n&oacute;s; deixar &ldquo;Deus ser Deus em nossa vida&rdquo;. Tal viv&ecirc;ncia sempre dar&aacute;fruto abundante. Mas o fruto n&atilde;o &eacute; algo conquistado, que antes nos faltara enos &eacute; dado agora em forma de pr&ecirc;mio ou recompensa &ndash; para engordar o ego -; o&ldquo;pr&ecirc;mio&rdquo; n&atilde;o &eacute; outro que a descoberta daquilo que somos e o prazer de viverisso. O &ldquo;talento&rdquo; que nos &eacute; presenteado &eacute; a descoberta da plenitude que semprefomos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Finalmente, aquele que n&atilde;o fazfrutificar o talento fala tamb&eacute;m de n&oacute;s mesmos, quando permanecemos naignor&acirc;ncia de quem somos e, desse modo, &ldquo;perdemos&rdquo; a vida, fechados &ndash; o talentoenterrado &ndash; em nossa pequena coura&ccedil;a narcisista. Isso significa n&atilde;o deixar otalento expandir e permaneceremos nas trevas de n&oacute;s mesmos, perdidos naconfus&atilde;o e no sofrimento. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mais uma vez, n&atilde;o se trata de umaamea&ccedil;a e, menos ainda, de um castigo: &eacute; um apelo que nos chama a despertar,para que saiamos das cren&ccedil;as t&oacute;xicas que envenenam a mente e o cora&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o nosdeixam amadurecer no n&iacute;vel humano e espiritual e nos privam do prazer de vivero Dom (Talento) que nos habita. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Mt 25,14-30 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> No interior de cada um, Deus est&aacute; chamando, est&aacute; convidandoa que ponha em movimento toda a capacidade de admira&ccedil;&atilde;o e quer ensinar a ler einterpretar Sua presen&ccedil;a em todas as coisas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; pedir para experimentar, desdej&aacute;, a presen&ccedil;a do Senhor tal como Ele &eacute;, evitando todas as suas falsas imagens;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;diante de sua presen&ccedil;a cada um deve sentir-se acolhido, desafiado e comuma nobre miss&atilde;o a realizar.&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liturgia deste domingo nosprop&otilde;e uma par&aacute;bola que pode ser facilmente mal interpretada; ou pior ainda,fomentar a auto-autocobran&ccedil;a e o perfeccionismo. 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