{"id":1837,"date":"2015-09-04T00:00:00","date_gmt":"2015-09-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/estes-nao-sao-seres-humanos-nossos-irmaos-e-irmas\/"},"modified":"2015-09-04T00:00:00","modified_gmt":"2015-09-04T00:00:00","slug":"estes-nao-sao-seres-humanos-nossos-irmaos-e-irmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/estes-nao-sao-seres-humanos-nossos-irmaos-e-irmas\/","title":{"rendered":"Estes n\u00e3o s\u00e3o seres humanos, nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grau de civiliza&ccedil;&atilde;o e de esp&iacute;rito humanit&aacute;rio de uma sociedade se mede pela forma como ela acolhe e convive com os diferentes. Sob este aspecto a Europa nos oferece um exemplo lastim&aacute;vel que beira &agrave; barb&aacute;rie. O menino s&iacute;rio de 3-4 anos afogado na praia da Turquia simboliza o naufr&aacute;gio da pr&oacute;pria Europa. Ela sempre teve dificuldades de aceitar e de conviover com os &ldquo;outros&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Geralmente a estrat&eacute;gia era e continua sendo esta: ou marginaliza o outro, ou o submete ou o incorpora ou o destr&oacute;i. Assim ocorreu no processo de expans&atilde;o colonial na Africa, na Asia e principalmnete na Am&eacute;rica Latina. Chegou a destruir etnias inteiras como aquela do Haiti e no M&eacute;xico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O limite maior da cultura europ&eacute;ia ocidental &eacute; sua arrog&acirc;ncia que se revela na pretens&atilde;o de ser a mais elevada do mundo, de ter a melhor forma de governo (a democracia), a melhor consci&ecirc;ncia dos direitos, a criadora da filosofia e da tecnoci&ecirc;ncia e, como se isso n&atilde;o bastasse, ser a portadora da &uacute;nica religi&atilde;o verdadeira: o cristianismo. Resqu&iacute;cios desta soberba aparece ainda no Pre&acirc;mbulo da Constitui&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. A&iacute; se afirma singelamente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;O continente europeu &eacute; portador de civiliza&ccedil;&atilde;o, que seus habitantes a habitaram desde o in&iacute;cio da humanidade em suecessivas etapas e que no decorrer dos s&eacute;culos desenvolveram valores, base para o humanismo: igualdade dos seres humanos, liberdade e o valor da raz&atilde;o&hellip;&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta vis&atilde;o &eacute; somente em parte verdadeira. Ela esquece as frequentes viola&ccedil;&otilde;es destes direitos, as cat&aacute;strofes que criou com ideologias totalit&aacute;rias, guerras devastadoras, colonialismo impiedoso e imperialismo feroz que subjudaram e inviabilizaram inteiras culturas na Africa e na Am&eacute;rica Latina em contraste frontal com os valores que proclama. A situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica do mundo atual e as levas de refugiados vindos dos pa&iacute;ses mediterr&acirc;neos se deve, em grande parte, ao tipo de globaliza&ccedil;&atilde;o que ela apoia, pois configura, em termos concretos, uma esp&eacute;cie de ocidentaliza&ccedil;&atilde;o tardia do mundo, muito mais que uma verdadeira planetiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este &eacute; o pano de fundo que nos permite entender as ambiguidades e as resist&ecirc;ncias da maioria dos pa&iacute;ses europeus em acolher os refugiados e imigrantes que v&ecirc;m dos pa&iacute;ses do norte da Africa e do Oriente M&eacute;dio, fugindo do terror da guerra, em grande parte, provocada pelas interven&ccedil;&otilde;es dos ocidentais (NATO) e especialmente pela pol&iacute;tica imperial norteamericana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo dados o Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (ACNUR) somente neste ano 60 milh&otilde;es de pessoas se viram for&ccedil;adas a abandonar seus lares. S&oacute; o conflito s&iacute;rio provocou 4 milh&otilde;es de desalojados. Os pa&iacute;ses que mais acolhem estas v&iacute;timas s&atilde;o o L&iacute;bano com mais de um milh&atilde;o de pessoas (1,1 milh&atilde;o) e a Turquia (1,8 milh&otilde;es).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora esses milhares buscam um pouco de paz na Europa. Somente neste ano cruzaram o Mediterr&acirc;neo cerca de 300.000 pessoas entre imigrantes e refugiados. E o n&uacute;mero cresce dia a dia. A recep&ccedil;&atilde;o &eacute; carregada de m&aacute; vontade, despertando na popula&ccedil;&atilde;o de ideologias fascist&oacute;ides e xen&oacute;fobas, manifesta&ccedil;&otilde;es que revelam grande insensibilidade e at&eacute; inumanidade. Foi somente depois da trag&eacute;dia da ilha de Lampedusa, ao sul da It&aacute;lia, quando se afogaram 700 pesoas em abril de 2014 que se colocou em marcha uma opera&ccedil;&atilde;o Mare Nostrum com a miss&atilde;o de rastrear poss&iacute;veis naufr&aacute;gios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A acolhida &eacute; cheia de percal&ccedil;os, especialmente, por parte da Espanha e da Inglaterra. A mais mais aberta e hospitaleira, apesar dos ataques que se fazem aos acampamentos dos refugiados, tem sido a Alemanha. O governo filo-fascista de Viktor Orb&aacute;n da Hungria declarou guerra aos refugiados. Tomou uma medida de grande barb&aacute;rie: mandou construir uma cerca de arame farpado de quatro metros altura ao longo de toda fronteira com a S&eacute;rbia, para impedir a chegada dos que v&ecirc;m do Oriente M&eacute;dio. Os governos da Eslov&aacute;quia e da Pol&ocirc;nia declararam que somente aceitariam refugiados crist&atilde;os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas s&atilde;o medidas criminosas. Todos estes sofredores n&atilde;o s&atilde;o humanos, n&atilde;o s&atilde;o nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s? &nbsp;Kant foi um dos primeiros a propor uma Rep&uacute;blica Mundial (Weltrepublik) em seu &uacute;ltimo livro A paz perp&eacute;tua. Dizia que a primeira virtude desta rep&uacute;blica deveria ser a hospitalidade como direito de todos e dever para todos, pois todos somos filhos da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, isso est&aacute; sendo negado vergonhosamente pelos membros da Comunidade Europ&eacute;ia. A tradi&ccedil;&atilde;o judeo-crist&atilde; sempre afirmou: quem acolhe o estrangeiro, est&aacute; hospedando anonimamente Deus. Valham as palavras da f&iacute;sica qu&acirc;ntica que melhor escreveu sobre a intelig&ecirc;ncia espiritual &ndash; Danah Zohar: &rdquo; A verdade &eacute; que n&oacute;s e os outros somos um s&oacute;, que n&atilde;o h&aacute; separatividade, que n&oacute;s e o &lsquo;estranho&rsquo; somos aspectos da &uacute;nica e mesma vida&rdquo;(QS:consci&ecirc;ncia espiritual, Record 2002, p. 219). Como seria diferente o tr&aacute;gico destino dos refugiados se estas palavras fossem vividas com paix&atilde;o e compaix&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Boff<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte:<\/strong> leonardo.BOFF.com<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/assets0.exame.abril.com.br\/assets\/images\/2015\/9\/546122\/size_810_16_9_refugiados-na-hungria.jpg\" alt=\"\" width=\"810\" height=\"455\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] O grau de civiliza&ccedil;&atilde;o e de esp&iacute;rito humanit&aacute;rio de uma sociedade se mede pela forma como ela acolhe e convive com os diferentes. 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