{"id":17831,"date":"2022-04-17T13:27:00","date_gmt":"2022-04-17T13:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=17831"},"modified":"2022-04-18T13:31:45","modified_gmt":"2022-04-18T13:31:45","slug":"mensagem-urbi-et-orbi-2022-do-papa-francisco-no-domingo-da-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/mensagem-urbi-et-orbi-2022-do-papa-francisco-no-domingo-da-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Mensagem Urbi et Orbi 2022 do papa Francisco no Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>O papa Francisco dirigiu sua mensagem pascal aos fi\u00e9is da cidade de Roma e do mundo e deu a b\u00ean\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Urbi et Orbi<\/em>\u00a0neste Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o, 17 de abril, da sacada central da fachada da bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, feliz P\u00e1scoa!<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus, o Crucificado, ressuscitou! Veio ter com aqueles que choram por Ele, fechados em casa, cheios de medo e ang\u00fastia. Veio a eles e disse: \u00abA paz esteja convosco!\u00bb (Jo 20, 19). Mostra as chagas nas m\u00e3os e nos p\u00e9s, a ferida no lado: n\u00e3o \u00e9 um fantasma, \u00e9 mesmo Ele, o mesmo Jesus que morreu na cruz e esteve no sepulcro. Diante dos olhos incr\u00e9dulos dos disc\u00edpulos, repete: \u00abA paz esteja convosco!\u00bb (20, 21).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m os nossos olhos est\u00e3o incr\u00e9dulos, nesta P\u00e1scoa de guerra. Demasiado sangue, vimos; demasiada viol\u00eancia. Tamb\u00e9m os nossos cora\u00e7\u00f5es se encheram de medo e ang\u00fastia, enquanto muitos dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s tiveram de se fechar nos subterr\u00e2neos para se defender das bombas. Sentimos dificuldade em acreditar que Jesus tenha verdadeiramente ressuscitado, que tenha verdadeiramente vencido a morte. Ter\u00e1 porventura sido uma ilus\u00e3o? Um fruto da nossa imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o; n\u00e3o \u00e9 uma ilus\u00e3o! Hoje, mais do que nunca, ressoa o an\u00fancio pascal t\u00e3o caro ao Oriente crist\u00e3o: \u00abCristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou!\u00bb Hoje mais do que nunca precisamos d\u2019Ele, no termo duma\u00a0Quaresma\u00a0que parece n\u00e3o querer acabar. Temos atr\u00e1s de n\u00f3s dois anos de pandemia, que deixaram marcas pesadas. Era o momento de sairmos do t\u00fanel juntos, de m\u00e3os dadas, juntando as for\u00e7as e os recursos&#8230; Em vez disso, estamos demostrando que ainda n\u00e3o existe em n\u00f3s o Esp\u00edrito de Jesus, mas existe ainda em n\u00f3s o esp\u00edrito de Caim, que v\u00ea Abel n\u00e3o como um irm\u00e3o, mas como um rival, e pensa como h\u00e1 de elimin\u00e1-lo. Temos necessidade do Crucificado ressuscitado para acreditar na vit\u00f3ria do amor, para esperar na reconcilia\u00e7\u00e3o. Hoje mais do que nunca precisamos d\u2019Ele, precisamos que venha colocar-Se no meio de n\u00f3s e nos diga mais uma vez: \u00abA paz esteja convosco!\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 Ele o pode fazer. S\u00f3 Ele tem hoje o direito de anunciar-nos a paz. S\u00f3 Jesus, porque traz as chagas, as nossas chagas. Aquelas chagas d\u2019Ele s\u00e3o nossas duas vezes: s\u00e3o nossas, porque Lh\u2019as provocamos n\u00f3s com os nossos pecados, a nossa dureza de cora\u00e7\u00e3o, o \u00f3dio fratricida; e s\u00e3o nossas, porque Ele as traz por n\u00f3s, n\u00e3o as cancelou do seu Corpo glorioso, quis conserv\u00e1-las, traz\u00ea-las consigo para sempre. S\u00e3o um timbre indel\u00e9vel do seu amor por n\u00f3s, uma perene intercess\u00e3o ao Pai celeste para que as veja e tenha miseric\u00f3rdia de n\u00f3s e do mundo inteiro. As chagas no Corpo de Jesus ressuscitado s\u00e3o o sinal da luta que Ele travou e venceu por n\u00f3s, com as armas do amor, para podermos ter paz, estar em paz, viver em paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Contemplando aquelas chagas gloriosas, os nossos olhos incr\u00e9dulos escancaram-se, os nossos cora\u00e7\u00f5es endurecidos abrem-se e deixam entrar o an\u00fancio pascal: \u00abA paz esteja convosco!\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, deixemos entrar a paz de Cristo nas nossas vidas, nas nossas casas, nos nossos pa\u00edses!<\/p>\n\n\n\n<p>Haja paz para a martirizada Ucr\u00e2nia, t\u00e3o duramente provada pela viol\u00eancia e a destrui\u00e7\u00e3o da guerra cruel e insensata para a qual foi arrastada. Sobre esta noite terr\u00edvel de sofrimento e morte, surja depressa uma nova aurora de esperan\u00e7a. Escolha-se a paz! Deixe-se de exibir os m\u00fasculos, enquanto as pessoas sofrem. Por favor, por favor: n\u00e3o nos habituemos \u00e0 guerra, empenhemo-nos todos a pedir a paz, em alta voz, das varandas e pelas ruas! Paz! Quem tem a responsabilidade das na\u00e7\u00f5es, ou\u00e7a o clamor do povo pela paz. Lembre-se daquela inquietadora pergunta feita pelos cientistas, h\u00e1 quase setenta anos: \u00abPoremos fim ao g\u00e9nero humano, ou a humanidade saber\u00e1 renunciar \u00e0 guerra?\u00bb (Manifesto Russell-Einstein, 09\/VII\/1955).<\/p>\n\n\n\n<p>Trago no cora\u00e7\u00e3o todas e cada uma das numerosas v\u00edtimas ucranianas, os milh\u00f5es de refugiados e deslocados internos, as fam\u00edlias divididas, os idosos abandonados, as vidas destro\u00e7adas e as cidades arrasadas. N\u00e3o me sai da mente o olhar das crian\u00e7as que ficaram \u00f3rf\u00e3s e fogem da guerra. Vendo-as, n\u00e3o podemos deixar de nos dar conta do seu grito de sofrimento, juntamente com o de tantas outras crian\u00e7as que sofrem em todo o mundo: as que morrem de fome ou por falta de cuidados m\u00e9dicos, as que s\u00e3o v\u00edtimas de abusos e viol\u00eancias e aquelas a quem foi negado o direito de nascer.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio da ang\u00fastia da guerra, n\u00e3o faltam tamb\u00e9m sinais encorajadores, como as portas abertas de tantas fam\u00edlias e comunidades que acolhem migrantes e refugiados em toda a Europa. Que estes numerosos atos de caridade se tornem uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para as nossas sociedades, por vezes degradadas por tanto ego\u00edsmo e individualismo, e contribuam para torn\u00e1-las acolhedoras com todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Que o conflito na Europa nos torne mais sol\u00edcitos tamb\u00e9m perante outras situa\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o, sofrimento e ang\u00fastia, que tocam demasiadas regi\u00f5es do mundo e que n\u00e3o podemos nem queremos esquecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Haja paz no M\u00e9dio Oriente, dilacerado por anos de divis\u00f5es e conflitos. Neste dia glorioso, pe\u00e7amos paz para Jerusal\u00e9m e paz para aqueles que a amam (cf. Sal 121\/122): crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos. Possam israelitas, palestinenses e todos os habitantes da Cidade Santa, juntamente com os peregrinos, experimentar a beleza da paz, viver em fraternidade e gozar de livre acesso aos Lugares Santos no m\u00fatuo respeito pelos direitos de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>Haja paz e reconcilia\u00e7\u00e3o para os povos do L\u00edbano, da S\u00edria e do Iraque, e, de modo particular, para todas as comunidades crist\u00e3s que vivem no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n\n\n\n<p>Haja paz tamb\u00e9m para a L\u00edbia, a fim de encontrar estabilidade depois das tens\u00f5es destes anos, e para o I\u00e9men, que sofre com um conflito esquecido por todos mas com v\u00edtimas cont\u00ednuas: a tr\u00e9gua assinada nos \u00faltimos dias possa devolver esperan\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao Senhor ressuscitado, pedimos o dom da reconcilia\u00e7\u00e3o para Myanmar, onde perdura um cen\u00e1rio dram\u00e1tico de \u00f3dio e viol\u00eancia, e para o Afeganist\u00e3o, onde n\u00e3o diminuem as perigosas tens\u00f5es sociais e onde uma dram\u00e1tica crise humanit\u00e1ria atormenta a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Haja paz para todo o continente africano, a fim de que cessem a explora\u00e7\u00e3o de que \u00e9 v\u00edtima e a hemorragia causada pelos ataques terroristas \u2013 particularmente na regi\u00e3o do Sahel \u2013 e encontre apoio concreto na fraternidade dos povos. Que a Eti\u00f3pia, atribulada por uma grave crise humanit\u00e1ria, reencontre o caminho do di\u00e1logo e da reconcilia\u00e7\u00e3o e cessem as viol\u00eancias na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. N\u00e3o falte a ora\u00e7\u00e3o e a solidariedade pelas popula\u00e7\u00f5es do leste da \u00c1frica do Sul, atingidas por enchentes devastadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristo ressuscitado acompanhe e assista as popula\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, que, em alguns casos, viram piorar as suas condi\u00e7\u00f5es sociais nestes tempos dif\u00edceis de pandemia, agravadas tamb\u00e9m por casos de criminalidade, viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pe\u00e7amos ao Senhor ressuscitado que acompanhe o caminho de reconcilia\u00e7\u00e3o que a\u00a0Igreja\u00a0Cat\u00f3lica no Canad\u00e1 est\u00e1 percorrendo com os povos aut\u00f3ctones. Que o Esp\u00edrito de Cristo ressuscitado cure as feridas do passado e disponha os cora\u00e7\u00f5es na busca da verdade e da fraternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, cada guerra traz consigo consequ\u00eancias que envolvem toda a humanidade: do luto ao drama dos refugiados, at\u00e9 \u00e0 crise econ\u00f3mica e alimentar de que j\u00e1 se veem os primeiros sintomas. Perante os sinais perdurantes da guerra, bem como diante das muitas e dolorosas derrotas da vida, Cristo, vencedor do pecado, do medo e da morte, exorta-nos a n\u00e3o nos rendermos ao mal e \u00e0 viol\u00eancia. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, deixemo-nos vencer pela paz de Cristo! A paz \u00e9 poss\u00edvel, a paz \u00e9 um dever, a paz \u00e9 responsabilidade prim\u00e1ria de todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papa Francisco dirigiu sua mensagem pascal aos fi\u00e9is da cidade de Roma e do mundo e deu a b\u00ean\u00e7\u00e3o\u00a0Urbi et Orbi\u00a0neste Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o, 17 de abril, da sacada central da fachada&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17832,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17831"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17831"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17831\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17833,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17831\/revisions\/17833"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}