{"id":17824,"date":"2022-04-16T06:41:00","date_gmt":"2022-04-16T06:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=17824"},"modified":"2022-04-13T17:43:34","modified_gmt":"2022-04-13T17:43:34","slug":"o-que-o-sabado-santo-nos-ensina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/o-que-o-sabado-santo-nos-ensina\/","title":{"rendered":"O que o \u201cS\u00e1bado Santo\u201d nos ensina?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>\u201cNo lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um t\u00famulo novo&#8230;\u201d<\/em>&nbsp;(Jo 19,41)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A reflex\u00e3o b\u00edblica \u00e9 elaborada por&nbsp;<strong>Adroaldo Palaoro<\/strong>, padre jesu\u00edta, comentando o evangelho do&nbsp;<strong>S\u00e1bado Santo<\/strong>, ciclo C do Ano Lit\u00fargico, que corresponde ao texto de&nbsp;<strong>Jo\u00e3o 19,38-42 Mc 15,42-47<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Eis o texto.<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 S\u00e1bado e Jerusal\u00e9m voltou \u00e0 sua normalidade: nada mudou, ao menos aparentemente, na hist\u00f3ria. Sil\u00eancio g\u00e9lido, desconcerto, frustra\u00e7\u00e3o e indiferen\u00e7a cobrem a cidade santa como um manto de densa neblina.<\/p>\n\n\n\n<p>Como seguidores(as) de Jesus vivemos nossos adventos, natais, quaresmas, p\u00e1scoas e pentecostes; vivemos nossas sextas-feiras; \u00e9 preciso aprender a viver o inc\u00f4modo sil\u00eancio dos s\u00e1bados santos.<\/p>\n\n\n\n<p>No caminho do seguimento de Jesus h\u00e1 \u201cS\u00e1bados Santos\u201d, tanto no n\u00edvel pessoal como comunit\u00e1rio: passamos por cont\u00ednuas mortes, noites escuras, crises, sil\u00eancios carregados de tristeza, falta de esperan\u00e7a, d\u00favidas de f\u00e9, fracassos, traumas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A humanidade inteira vive um grande \u201cS\u00e1bado Santo\u201d; h\u00e1 uma espera angustiada dos povos. Envolve-nos a \u201cnoite sab\u00e1tica\u201d, que deve re-alimentar a paix\u00e3o pela vida.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e1bado Santo da dor, da tristeza, do fracasso&#8230;, mas tamb\u00e9m S\u00e1bado Santo da espera e da esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o S\u00e1bado Santo que nos abre \u00e0s surpresas de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde encontrar, ent\u00e3o, a raz\u00e3o, o segredo e o sentido deste dia que d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de um \u201cdia morto\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente est\u00e1 neste fato: se o Crucificado n\u00e3o tivesse descido at\u00e9 os \u201cinfernos\u201d da vida, em quem os homens e as mulheres que ali vivem poderiam se apoiar? A quem poderiam ter por companheiro, amigo e irm\u00e3o? De quem poderiam sentir uma presen\u00e7a consoladora?<\/p>\n\n\n\n<p>Somente porque Jesus desceu nos \u201cinfernos\u201d da vida \u00e9 que pode salvar-nos deles, transform\u00e1-los em caminho. \u201cPorque foi provado no sofrimento, pode ajudar os que s\u00e3o provados\u201d (Heb. 2,18).<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u201ccrucificados da hist\u00f3ria\u201d, os sofredores e as v\u00edtimas s\u00e3o lugar de encontro, sempre e para todos; eles s\u00e3o sacramento do mundo que Jesus veio transformar, porque n\u00e3o corresponde ao que o Pai sonhou a respeito deste mesmo mundo; s\u00e3o um compromisso obrigat\u00f3rio para encontrar Aquele que viveu a verdadeira Paix\u00e3o em favor da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez nem todos possamos estar ao lado das v\u00edtimas e dos \u00faltimos, pr\u00f3ximos deles, participando de sua vida. No entanto, todos devemos estar a favor deles, junto \u00c0quele que, na sua morte, faz-se solid\u00e1rio com todos e caminha ao lado de todos eles.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u201cmedia\u00e7\u00f5es\u201d que Deus utiliza em sua a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica s\u00e3o o amor humilde, a pobreza solid\u00e1ria e a participa\u00e7\u00e3o no sofrimento humano. Loucuras do amor de Deus. S\u00f3 o amor que se entrega, salva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 em sua morte na Cruz que Jesus desce at\u00e9 o extremo de sua condi\u00e7\u00e3o humana. Com estas duas palavras, \u201cdescer\u201d e \u201csubir\u201d, o evangelista Jo\u00e3o descreve o mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o realizada por Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNingu\u00e9m subiu ao c\u00e9u sen\u00e3o Aquele que desceu do c\u00e9u, o Filho do Homem\u201d (J\u00f4. 3,13)<\/p>\n\n\n\n<p>A Igreja primitiva viu a \u201cdescida entre os mortos\u201d como paradigma da Reden\u00e7\u00e3o. No S\u00e1bado de Aleluia, ela lembra este \u201cdescer\u201d \u00e0s profundezas da terra e da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u201cdescida aos infernos\u201d, l\u00e1 onde o ser humano chegou ao extremo, onde ele se encontra exclu\u00eddo de toda comunica\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o, onde n\u00e3o pode fazer mais coisa alguma, a\u00ed Jesus o toma pelas m\u00e3os e ressurge com ele para a vida. Jesus Cristo acolheu tudo quanto \u00e9 humano e desta maneira tudo redimiu. Ele \u201csubiu\u201d ao c\u00e9u porque \u201cdesceu\u201d \u00e0s profundezas da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A descida aos \u201cinfernos\u201d \u00e9 imagem da descida de Jesus \u00e0s regi\u00f5es sombrias de nossa exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Descobrimo-Lo presente nos nossos \u201cinfernos interiores. As profundezas de nosso ser se iluminam, e tudo quanto foi reprimido, recalcado, ferido&#8230; \u00e9 tocado e assumido por Jesus e nos desperta para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso descer, com Jesus, ao t\u00famulo de nossa interioridade, transitar pelos espa\u00e7os e dimens\u00f5es n\u00e3o integradas. S\u00f3 quem desce \u00e0s profundezas de si mesmo \u00e9 capaz de vislumbrar potencialidades de vida que n\u00e3o foram ativadas. \u00c9 preciso morrer ao \u201cego\u201d, \u201cdescer\u201d aos \u201cinfernos\u201d interiores e sociais para expandir a vida em novas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDescer\u201d e \u201csubir\u201d, portanto, s\u00e3o imagens para descrever o processo de transforma\u00e7\u00e3o realizado por Jesus morto, e tamb\u00e9m sepultado, no interior de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Se com Ele quisermos subir ao Pai, temos primeiro de descer com Ele \u00e0 terra, afundar os p\u00e9s na nossa pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o podemos subir ao c\u00e9u se n\u00e3o estivermos dispostos a descer com Jesus aos nossos \u201ch\u00famus\u201d, \u00e0s nossas sombras, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o terrena, ao inconsciente, \u00e0 nossa fraqueza humana.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s \u201csubimos\u201d a Deus quando \u201cdescemos\u201d \u00e0 nossa humanidade. Este \u00e9 o caminho da liberdade, este \u00e9 o caminho do amor e da humildade, da mansid\u00e3o e da miseric\u00f3rdia.<\/p>\n\n\n\n<p>O cora\u00e7\u00e3o, a quem nada do que \u00e9 \u201chumano\u201d lhe \u00e9 estranho, alarga-se, enche-se do amor de Deus, que transforma e ressuscita tudo o que \u00e9 humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fazer, junto com Jesus Cristo, o caminho da \u201cdescida\u201d, vamos ao encontro de nossa realidade e nos colocamos diante de Deus para que Ele transforme em amor tudo quanto em n\u00f3s existe, para que sejamos totalmente perpassados pelo Esp\u00edrito de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelista Jo\u00e3o nos diz que Jesus, ap\u00f3s sua crucifix\u00e3o, foi colocado em um \u201csepulcro novo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O sepulcro representa a \u201cpassagem\u201d entre o antigo e o novo. Ao ser fechado com uma pedra, no entardecer da Sexta-Feira Santa, encerrava-se um ciclo. Ao se abrir, na madrugada do domingo, inaugura-se um novo tempo, uma nova Cria\u00e7\u00e3o. Os sinais est\u00e3o ali, no ventre aberto da Terra. Sinais que podem ser mudos para n\u00f3s e fazendo-nos deter no passado, ou podem ser umbral de novas significa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste S\u00e1bado Santo, situemo-nos junto ao sepulcro, lugar onde tivemos os \u00faltimos sinais ou not\u00edcias d\u2019Aquele que foi fiel at\u00e9 o fim. Ali podemos permanecer com as velhas interpreta\u00e7\u00f5es ou podemos nos dispor a acolher a surpresa que irrompe, o novo que quebra o que \u00e9 caduco e sem sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO S\u00e1bado Santo \u00e9 o tempo de uma gravidez: podemos dizer de uma \u201csegunda gesta\u00e7\u00e3o\u201d de Jesus Cristo. Se a \u201cprimeira gesta\u00e7\u00e3o\u201d de Jesus foi a entrada de Deus na carne humana, no Sh\u00e1bbat se gesta a diviniza\u00e7\u00e3o do ser humano e da hist\u00f3ria na carne de Deus. O sepulcro \u00e9 o ventre da terra onde foi sepultado o cad\u00e1ver de Jesus. Nesse corpo inerte, torturado e deformado, acontecer\u00e1 uma metamorfose. Ali a mat\u00e9ria se divinizar\u00e1. Toda a cria\u00e7\u00e3o, contida na corporeidade de Jesus, \u00e9 chamada a ressuscitar. O Verbo se fez carne para que a Carne se divinize.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso acontecer\u00e1 secreta e simbolicamente entre o Sh\u00e1bbat e a alvorada de uma nova cria\u00e7\u00e3o. A terra est\u00e1 amea\u00e7ada e gr\u00e1vida de ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sepulcro era novo, dizem os relatos, como virgem era o ventre de Maria. Dispon\u00edvel, inocente, livre. O vazio como possibilidade, como fecundidade: \u201cFeliz tu, cheia de gra\u00e7a, porque est\u00e1 vazia de ti mesma. Teu espa\u00e7o interior te faz matriz do Verbo, da Palavra pela qual Deus se historiza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como as entranhas de Maria albergaram o primeiro nascimento de Jesus, as entranhas da Terra e da hist\u00f3ria albergam as sementes de seu segundo nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O sepulcro \u00e9 uma manjedoura de vida nova, de humanidade inaugurada por uma Presen\u00e7a nascente. Tudo est\u00e1 gr\u00e1vido de ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d. (Javier Melloni \u2013 El Cristo interior \u2013 Herder).<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e1bado Santo ajuda a dar sentido \u00e0 solid\u00e3o: h\u00e1 solid\u00e3o vazia, que deprime, mas h\u00e1 solid\u00e3o (solitude) que nos faz ter acesso \u00e0s dimens\u00f5es desconhecidas de nossa vida&#8230; As experi\u00eancias de fracasso, de crise, de desola\u00e7\u00e3o&#8230; ativam outros recursos e nos motivam a purificar nossa ades\u00e3o a Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>S. In\u00e1cio nos convida a passar este dia na casa de Maria, em comunh\u00e3o com seus sentimentos e sua esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a \u00fanica que tem certeza de que a Vida do seu Filho n\u00e3o permanece na morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua atitude revela-se antecipadora da Ressurrei\u00e7\u00e3o, assim como ela antecipou o primeiro \u201csinal\u201d de Jesus nas Bodas de Can\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNo lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um t\u00famulo novo&#8230;\u201d&nbsp;(Jo 19,41) A reflex\u00e3o b\u00edblica \u00e9 elaborada por&nbsp;Adroaldo Palaoro, padre jesu\u00edta, comentando o evangelho do&nbsp;S\u00e1bado Santo, ciclo C do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17825,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17824"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17824"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17824\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17826,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17824\/revisions\/17826"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17825"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17824"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17824"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}