{"id":178,"date":"2017-12-10T00:00:00","date_gmt":"2017-12-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/advento-as-vozes-que-fazem-a-diferenca\/"},"modified":"2017-12-10T00:00:00","modified_gmt":"2017-12-10T00:00:00","slug":"advento-as-vozes-que-fazem-a-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/advento-as-vozes-que-fazem-a-diferenca\/","title":{"rendered":"Advento: as vozes que fazem a diferen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b>&ldquo;Esta &eacute; a voz daquele que grita no deserto&rdquo; <\/b>(Mc 1,3)<b><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Advento &eacute; um tempo que se revelacomo uma esp&eacute;cie de respiro, um tempo para distanciar-nos do conflito deideias, interesses e especula&ccedil;&otilde;es que acabam por alterar a tranquilidade e apaz de nosso interior. Este &eacute; um tempo sagrado e um tempo de sil&ecirc;ncio, muitonecess&aacute;rios para o momento em que vivemos. Um sil&ecirc;ncio que n&atilde;o &eacute; isolamento,mas capacidade de escuta; algo assim como desconectar o auricular, no qualpermanentemente soam as m&uacute;sicas &ldquo;interesseiras&rdquo;, para escutar as m&uacute;sicasambientais; um sil&ecirc;ncio que n&atilde;o &eacute; s&oacute; aus&ecirc;ncia de palavras, mas ocasi&atilde;o para dara possibilidade a palavras diferentes e novas; um sil&ecirc;ncio que &eacute; supera&ccedil;&atilde;o dopalavreado cr&ocirc;nico que nos esvazia por dentro. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A &ldquo;voz que grita no deserto&rdquo; &eacute; ado profeta vestido pobremente, que nos prepara um cora&ccedil;&atilde;o compassivo ereconciliado. Aquele que saltou de alegria no ventre de sua m&atilde;e diante da vozda jovem de Nazar&eacute;, nos rompe, com sua voz, a surdez do cora&ccedil;&atilde;o e nos for&ccedil;a aabrir os olhos para ver, de maneira nova e diferente, Aquele que sempre seaproxima. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O Batista &eacute; s&oacute; uma voz; n&atilde;o &eacute; aPalavra. Mas n&atilde;o &eacute; uma voz qualquer, n&atilde;o &eacute; mais uma voz entre tantas outras; &eacute;a voz que faz a diferen&ccedil;a: ela des-vela e re-vela. Des-vela a dureza do cora&ccedil;&atilde;odaqueles que n&atilde;o se abrem &agrave; novidade do Deus que &ldquo;continuamente vem em suadire&ccedil;&atilde;o&rdquo;; revela a presen&ccedil;a d&rsquo;Aquele que com sua Palavra destrava a voz dos semvoz, ativando e despertando a dignidade escondida sob o peso das &ldquo;vozes quedesumanizam&rdquo;, sejam elas pol&iacute;ticas ou religiosas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O tempo lit&uacute;rgico do Advento nospossibilita renovar uma atitude t&atilde;o escassa e t&atilde;o necess&aacute;ria em nossa cultura:escuta das vozes fr&aacute;geis do nosso entorno; s&atilde;o as vozes dos tristes, dos deprimidos,dos cansados e tantas outras vozes que se encontram nas margens sociais ereligiosas. Essa escuta nos conduz &agrave; voz fr&aacute;gil d&rsquo;Aquele menino Deus que semprequer nascer onde h&aacute; necessidade de mudan&ccedil;a, de busca, de melhora, de um novocome&ccedil;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mas o Advento tamb&eacute;m nos faz maissens&iacute;veis para captar as vozes fr&aacute;geis de nossa interioridade; elas querem seexpressar, mas n&atilde;o encontram ambiente favor&aacute;vel, devido aos ru&iacute;dos e sonsestridentes que nos ensurdecem. Dentro de n&oacute;s h&aacute; muitos sentimentos reprimidos,experi&ecirc;ncias bloqueadas, viv&ecirc;ncias rejeitadas, pensamentos atrofiados&#8230;buscando uma oportunidade para se fazerem ouvir; s&atilde;o &ldquo;vozes caladas&rdquo;, &ldquo;vozesque gritam no deserto interior&rdquo;, procurando encontrar gretas de nossaexist&ecirc;ncia por onde respirar. &Eacute; preciso criar sil&ecirc;ncio para ouvi-las, dialogarcom elas e assim poder restabelecer um equil&iacute;brio ecobiol&oacute;gico interior. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">H&aacute; um rumor em nossainterioridade, e disso temos medo, pois desvelam nossa real identidade. Opensador Pascal dizia que &ldquo;a infelicidade do ser humano vem de uma s&oacute; coisa,que &eacute; n&atilde;o saber permanecer quieto em seu quarto&rdquo;. Verdadeiramente h&aacute; um rumorde vigor e de vida no cora&ccedil;&atilde;o, como a melodia da fonte na aridez do deserto,que &eacute; capaz de pacificar nosso espa&ccedil;o interior. H&aacute; um momento em que uma fr&aacute;gilvoz sem palavras nos alcan&ccedil;a no ponto mais vivo e original de nossa exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; o rumor que brota da provoca&ccedil;&atilde;ode uma palavra escutada como aquela de Jo&atilde;o Batista: &ldquo;preparai o caminho doSenhor, endireitai suas estradas!&rdquo; &Eacute; a estrada mesma da vida que passa pelosmeandros do cora&ccedil;&atilde;o. Por ali transita o Esp&iacute;rito de Deus, que ora grita, orasussurra, dependendo da nossa sintonia ou n&atilde;o com sua presen&ccedil;a. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sentados &agrave;s margens das estradasou de um riacho silencioso de nossas vidas, podemos atingir experi&ecirc;nciasimprevistas e surpreendentes, ou reconhecer, atrav&eacute;s do murm&uacute;rio das &aacute;guas,&ldquo;vozes novas&rdquo; que nos incitam a peregrinar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s regi&otilde;es desconhecidasdo nosso pr&oacute;prio interior. S&oacute; assim, poderemos vislumbrar o outro lado e tocaras ra&iacute;zes mais profundas que d&atilde;o sentido e consist&ecirc;ncia ao nosso viver.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Estamos mergulhados num mundo devozes; um &ldquo;vozerio&rdquo; nos cerca: vozes que nos levam &agrave; morte, vozes que noschamam &agrave; vida; vozes contaminadas pelo ego&iacute;smo, adulteradas pelo medo, deturpadaspela impureza, e vozes que s&atilde;o o eco do para&iacute;so convidando para a festa,comunicando paz, convocando &agrave; comunh&atilde;o&#8230; &Eacute; poss&iacute;vel que as vozes do ego&iacute;smo,do orgulho e da ambi&ccedil;&atilde;o tentem se disfar&ccedil;ar em voz do Batista, a fim dearrastar-nos para o vazio e a ru&iacute;na. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mas o Esp&iacute;rito n&atilde;o fala porru&iacute;dos, e sim pelo sil&ecirc;ncio; n&atilde;o fala pela for&ccedil;a dos pulm&otilde;es, e sim pelo ventosuave de sua voz inconfund&iacute;vel. Para escut&aacute;-la, requer-se interioridade eaten&ccedil;&atilde;o aos sinais de sua presen&ccedil;a: pode ser a voz de um irm&atilde;o pedindo socorro;pode ser a linguagem de um acontecimento alegre ou triste; pode ser uma palavralida ou proclamada; pode ser uma inspira&ccedil;&atilde;o misteriosa captada no sil&ecirc;ncio&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sentimos a resson&acirc;ncia da voz doEsp&iacute;rito na ora&ccedil;&atilde;o, na atividade, ao ver um notici&aacute;rio, ao dar um abra&ccedil;o, aoler um livro, ao ouvir uma can&ccedil;&atilde;o, ao contemplar um quadro, fazendo um passeio,escutando algu&eacute;m que nos fala de sua vida&#8230;; sua presen&ccedil;a ressoa na hist&oacute;ria ena imagina&ccedil;&atilde;o convidando-nos a sonhar um futuro melhor; sua atua&ccedil;&atilde;o ressoa nosencontros humanos, reconstruindo os la&ccedil;os rompidos; sob seu impulso ganhamconsist&ecirc;ncia, em cada um de n&oacute;s, as atitudes que nos levam a viver com maisplenitude: compaix&atilde;o, justi&ccedil;a, verdade, amor&#8230; No silencioso sussurro de Suavoz toda realidade interior fica aben&ccedil;oada: os sentimentos contradit&oacute;rios, osdinamismos opostos&#8230; Ele &ldquo;desce&rdquo; para encontrar-nos e despertar nossa vidaatrofiada. Com seu toque, uma identidade nova ressurge: n&atilde;o seremos maisestrangeiros, nem inimigos de n&oacute;s mesmos. Sua presen&ccedil;a d&aacute; calor e sabor &agrave; nossaexist&ecirc;ncia. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na arte do discernimento dasvozes, o importante &eacute;, atrav&eacute;s da escuta interior, perceber de onde vem e paraonde nos conduz cada voz que ressoa em n&oacute;s. Se ela nos conduz para o outro,para o servi&ccedil;o, para o Reino&#8230;&eacute; clara manifesta&ccedil;&atilde;o da voz do Mestre. Isto d&aacute;uma profundidade especial ao nosso caminhar, nos desvela uma riqueza humanaescondida em nosso interior, nos d&aacute; uma alma de poetas, capazes de dar nome aomist&eacute;rio. &ldquo;Endireitar as estradas interiores&rdquo; &eacute; apaixonante, pois no situa nocaminho de uma humaniza&ccedil;&atilde;o mais verdadeira e profunda e dilata nosso cora&ccedil;&atilde;o.Somos advento; cuidemos, pois, de nossa vida interior! <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Mc 1,1-8 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Espirituais somos todos, se deixarmos que, dentro den&oacute;s, o Esp&iacute;rito de Deus encontre espa&ccedil;o livre para mover-se, sussurrar esuscitar inquieta&ccedil;&otilde;es. Ao habitar-nos, o Esp&iacute;rito n&atilde;o nos invade, nem se imp&otilde;e.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Se abrirmos espa&ccedil;o &agrave; suapresen&ccedil;a, brota uma sadia conviv&ecirc;ncia que pot&ecirc;ncia o melhor em n&oacute;s mesmos,sensibiliza nosso cora&ccedil;&atilde;o e abre os sentidos para que fiquem mais alertas esintonizados com as surpresas que brotam da vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Recordar (lembrar com ocora&ccedil;&atilde;o) dimens&otilde;es da vida que precisam ser ampliadas a partir da viv&ecirc;ncia doAdvento. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Esta &eacute; a voz daquele que grita no deserto&rdquo; (Mc 1,3) Advento &eacute; um tempo que se revelacomo uma esp&eacute;cie de respiro, um tempo para distanciar-nos do conflito deideias, interesses e especula&ccedil;&otilde;es que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":286,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=178"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}