{"id":17776,"date":"2022-04-10T17:47:24","date_gmt":"2022-04-10T17:47:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=17776"},"modified":"2022-04-10T17:47:26","modified_gmt":"2022-04-10T17:47:26","slug":"jerusalem-uma-praca-uma-mesa-um-espaco-educativo-domingo-de-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/jerusalem-uma-praca-uma-mesa-um-espaco-educativo-domingo-de-ramos\/","title":{"rendered":"Jerusal\u00e9m, uma pra\u00e7a, uma mesa, um espa\u00e7o educativo (Domingo de Ramos)"},"content":{"rendered":"\n<p>A reflex\u00e3o b\u00edblica \u00e9 elaborada por\u00a0Adroaldo Palaoro, padre jesu\u00edta, comentando o evangelho do\u00a0<strong>Domingo de Ramos<\/strong>, ciclo C do Ano Lit\u00fargico, que corresponde ao texto de\u00a0<strong>Lucas 19,28-40<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Eis o texto.<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u201c&#8230; Alguns dos fariseus disseram a Jesus: \u2018Mestre, repreende teus disc\u00edpulos!\u2019<\/strong><br><strong>Jesus respondeu: \u2018Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritar\u00e3o\u201d (Lc 19,39-40)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Entre em seu \u201csantu\u00e1rio interior\u201d<\/strong>, espa\u00e7o sagrado, tenda de encontro consigo mesmo(a) e com Deus; prepare a \u201cterra do cora\u00e7\u00e3o\u201d para receber a Palavra e que ela possa fecund\u00e1-lo(a).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Comece sua ora\u00e7\u00e3o<\/strong>, mobilizando todo o seu ser (corpo-mente-afetividade) para o encontro com Jesus que vive a fidelidade ao Reino at\u00e9 sua entrega radical.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Fa\u00e7a uso dos pre\u00e2mbulos:<\/strong>&nbsp;ora\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria, a composi\u00e7\u00e3o vendo o lugar, peti\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Antes de fazer uma contempla\u00e7\u00e3o, aque\u00e7a o seu cora\u00e7\u00e3o com as \u201cconsidera\u00e7\u00f5es\u201d abaixo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jesus participava do sonho de todo o povo de\u00a0<strong>Israel<\/strong>\u00a0que via em\u00a0<strong>Jerusal\u00e9m<\/strong>\u00a0a cidade da promessa de paz e plenitude futura, lugar onde deviam vir em prociss\u00e3o todos os povos da terra. A\u00a0<strong>tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica<\/strong>\u00a0havia anunciado uma \u201csubida\u201d dos povos, que viriam a Jerusal\u00e9m para iniciar um\u00a0<strong>caminho de comunh\u00e3o e justi\u00e7a<\/strong>\u00a0e adorar a Deus no Templo, que estaria aberto para todos. Toda a cidade se converteria num grande Templo, lugar onde se cumpririam as\u00a0<strong>esperan\u00e7as dos povos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com sua entrada em\u00a0<strong>Jerusal\u00e9m<\/strong>, Jesus quis recuperar a cidade como\u00a0lugar do encontro e da comunh\u00e3o, como espa\u00e7o da paz e da solidariedade&#8230;, desalojando aqueles que se fechavam a qualquer tentativa de mudan\u00e7a. Por isso, seu gesto provocativo e escandaloso de\u00a0entrar na cidade montado num jumentinho, s\u00edmbolo da simplicidade e do despojamento de qualquer pretens\u00e3o de poder e for\u00e7a, causou violenta rea\u00e7\u00e3o naqueles que se beneficiavam da estrutura pol\u00edtica e religiosa da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus entra em\u00a0<strong>Jerusal\u00e9m<\/strong>\u00a0rodeado pelo povo simples. Este povo,\u00a0<strong>escravo<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>oprimido<\/strong>, o aclama porque v\u00ea n\u2019Ele uma luz de esperan\u00e7a, de vida, de liberta\u00e7\u00e3o; escutou seus ensinamentos e viu seus feitos durante alguns anos; sentiu-se tocado pelas palavras de vida, de justi\u00e7a, de amor, de miseric\u00f3rdia, de paz&#8230; Tamb\u00e9m viu seus gestos de cura dos enfermos, de defesa dos fracos, de oferta de alimento aos famintos, de reabilita\u00e7\u00e3o dos desprezados, de acolhimento dos marginalizados, de den\u00fancia dos opressores&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus quis continuar anunciando e realizando na cidade de&nbsp;<strong>Jerusal\u00e9m<\/strong>&nbsp;aquilo que fizera na regi\u00e3o exclu\u00edda da&nbsp;<strong>Galil\u00e9ia<\/strong>; quis tamb\u00e9m humanizar esta cidade para que ela fosse&nbsp;<strong>sol de justi\u00e7a e paz<\/strong>&nbsp;para todos os povos.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00f3s, se queremos continuar\u00a0percorrendo o caminho que Jesus abriu, temos de ser tamb\u00e9m buscadores de alternativas em nossos espa\u00e7os urbanos. Vivemos em uma sociedade na qual parece que\u00a0j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel outra economia, outra educa\u00e7\u00e3o, outra pol\u00edtica, outra justi\u00e7a&#8230;; a impress\u00e3o que temos \u00e9 a de que \u00e9 preciso nos resignar com o que nos \u00e9 imposto, que n\u00e3o h\u00e1 alternativas, que s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis pequenos retoques no\u00a0<strong>sistema s\u00f3cio-econ\u00f4mico-pol\u00edtico<\/strong>\u00a0que nos rodeia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Deus, presente nas cidades, \u00e9 um Deus que nos chama e nos interpela a partir do reverso da hist\u00f3ria, a partir dos \u00faltimos e dos exclu\u00eddos, a partir dos lugares ocultos, dos&nbsp;<strong>\u201coutros-espa\u00e7os\u201d mais inspiradores<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a cidade que Deus deseja: uma pra\u00e7a de encontro, uma mesa celebrativa para todos, um\u00a0<strong>espa\u00e7o educativo<\/strong>\u00a0que inspira. A pra\u00e7a \u00e9 de todos e todos podem ter acesso a ela, todos podem circular livremente, criar rela\u00e7\u00f5es e conviv\u00eancia, fazendo a experi\u00eancia de serem\u00a0aceitos e reconhecidos como humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesa, no centro da pra\u00e7a, \u00e9 lugar de\u00a0hospitalidade, de festa e de mem\u00f3ria, lugar de chegada e de\u00a0<strong>inclus\u00e3o da pluralidade e da diversidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o educativo, aberto e inclusivo, ativa a criatividade, a constru\u00e7\u00e3o do saber alternativo e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos recursos e dos dons de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEntrar na nossa Jerusal\u00e9m\u201d \u00e9 comprometer-nos com uma&nbsp;<strong>cidade mais humana e humanizadora<\/strong>; a cidade que sonhamos e que queremos: a Cidade Nova. E o(a) seguidor(a) de Jesus tem em quem se inspirar.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade \u00e9 o lugar por excel\u00eancia do\u00a0discernimento, porque \u00e9 o espa\u00e7o de decis\u00e3o onde se constr\u00f3i o futuro comum. Lugar da pol\u00edtica, da cultura, da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade&#8230; onde se forjam as mudan\u00e7as, a capacidade de criar novos modos de existir, de\u00a0<strong>romper com as estruturas caducas<\/strong>\u00a0que desumanizam e buscar o diferente, o novo, o desconhecido&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Nossas cidades devem ser o espa\u00e7o das&nbsp;<strong>inova\u00e7\u00f5es<\/strong>, dos&nbsp;<strong>riscos<\/strong>, dos&nbsp;<strong>experimentos<\/strong>&nbsp;e da&nbsp;<strong>criatividade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nelas se encontra o lugar dos&nbsp;<strong>sonhos<\/strong>, dos&nbsp;<strong>desejos<\/strong>, da&nbsp;<strong>liberdade<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>autonomia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCristificar\u201d o espa\u00e7o urbano \u00e9 ter como meta a&nbsp;<strong>forma\u00e7\u00e3o integral das pessoas<\/strong>; o ser humano deve ser considerado como ser em movimento, protagonista da mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos, em\u00a0nosso contexto urbano, o deserto assolado pelos ventos da pobreza, da\u00a0<strong>exclus\u00e3o<\/strong>, da\u00a0<strong>viol\u00eancia<\/strong>\u00a0<strong>cotidiana<\/strong>, da corrup\u00e7\u00e3o, da falta de educa\u00e7\u00e3o&#8230; Ou seja, o deserto da perda do horizonte de sentido, da fragmenta\u00e7\u00e3o cultural, com sua carga de rupturas de v\u00ednculos de perten\u00e7a, onde custa reconhecer-nos uns aos outros, onde as identidades se confundem e as responsabilidades se esvaziam&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O\u00a0mundo urbano\u00a0\u00e9, certamente, \u00e1rea de miss\u00e3o da Igreja e dos crist\u00e3os. Sua principal preocupa\u00e7\u00e3o deve ser a\u00a0<strong>defesa integral da vida<\/strong>\u00a0e de seu sentido \u00faltimo, o mundo dos valores \u00e9ticos que iluminam o homem e a mulher na sua a\u00e7\u00e3o no mundo. Para concretizar essa miss\u00e3o, os crist\u00e3os devem assumir uma atitude testemunhal, tendo como proposta uma \u00e9tica comunit\u00e1ria, fundada no\u00a0<strong>valor sagrado da pessoa humana<\/strong>\u00a0e de suas rela\u00e7\u00f5es, sobretudo com o mais fraco e pobre como interpela\u00e7\u00e3o do Deus vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Inspirados no \u201cDivino Mestre\u201d, \u201ctodos somos educadores e exercemos esse minist\u00e9rio o tempo todo\u201d; todos somos chamados a ser guias e respons\u00e1veis uns dos outros nos desertos das grandes cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>E guias para orientar, animar, motivar; testemunhas e garantidores de sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Guiar no\u00a0<strong>deserto da educa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 desafiante e requer fortes doses de ousadia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, acima de tudo, assumir o deserto \u00e9 ativar, pessoal e comunitariamente, a esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso&nbsp;<strong>recuperar o sentido de educar<\/strong>&nbsp;como um ato vital de entrega para ajudar a construir ou resgatar vidas. Com a educa\u00e7\u00e3o se trata de abrir possibilidades para que todos, desenvolvendo suas pr\u00f3prias riquezas, sejam capazes de viver em plenitude e com dignidade, de assumir com responsabilidade sua condi\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, de desejar humanizar e transformar sua realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O(a) educador(a) na cidade, para tornar eficaz sua a\u00e7\u00e3o, deve estar sempre na porta de entrada, com o olhar voltado para as&nbsp;<strong>necessidades do interior das cidades<\/strong>. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 ser \u201cfermento na massa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aquele(a) que ultrapassa todas as fronteiras, com uma alternativa sempre nova: a Boa Not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Evangelho ilumina a vida das cidades e exige dos evangelizadores atitudes novas, propostas ousadas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Leia atentamente o Evangelho indicado para este dia (Lc 19,28-40);<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Prepare-se para fazer uma contempla\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Com a imagina\u00e7\u00e3o recrie a cena evang\u00e9lica: a cidade de&nbsp;<strong>Jerusal\u00e9m<\/strong>, o grande Templo, a diversidade de pessoas&#8230; Com a chegada de Jesus, montado em um burrinho e uma grande multid\u00e3o, fa\u00e7a-se presente, procurando olhar as pessoas, escutar o que elas dizem, observar o que elas fazem&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Em qu\u00ea lugar da multid\u00e3o voc\u00ea se encontra? Como reage diante do gesto de Jesus? Como voc\u00ea participa? Ou voc\u00ea fica olhando de longe, sem se comprometer&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Deixe-se conduzir pelo movimento dram\u00e1tico da cena&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fa\u00e7a um col\u00f3quio com Jesus, expressando sua admira\u00e7\u00e3o pela atitude ousada e corajosa dele. Fale com Ele sobre sua presen\u00e7a na cidade onde mora: desejo de ser presen\u00e7a inspiradora, prof\u00e9tica, de compromisso com a constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es humanizadoras&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fa\u00e7a \u201cmem\u00f3ria\u201d daquilo que \u00e9 mais desumano na sua cidade: como voc\u00ea reage diante disso? passivo? suporta? denuncia? atua?&#8230; Relate a Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea participa de alguma institui\u00e7\u00e3o, organismo, ONG&#8230; que ajuda a humanizar mais a sua cidade?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fa\u00e7a uma \u201cleitura orante\u201d deste tempo de ora\u00e7\u00e3o e registre os principais sentimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"MPVM - Domingo de Ramos - Ano C - Seguir Jesus no caminho de Cruz\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tNPCa-lTwx8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reflex\u00e3o b\u00edblica \u00e9 elaborada por\u00a0Adroaldo Palaoro, padre jesu\u00edta, comentando o evangelho do\u00a0Domingo de Ramos, ciclo C do Ano Lit\u00fargico, que corresponde ao texto de\u00a0Lucas 19,28-40. 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