{"id":167,"date":"2017-12-23T00:00:00","date_gmt":"2017-12-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/anunciacao-uma-experiencia-universal\/"},"modified":"2017-12-23T00:00:00","modified_gmt":"2017-12-23T00:00:00","slug":"anunciacao-uma-experiencia-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/anunciacao-uma-experiencia-universal\/","title":{"rendered":"ANUNCIA\u00c7\u00c3O, UMA EXPERI\u00caNCIA UNIVERSAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b>[imagem1]<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b>&ldquo;N&atilde;o tenhas medo, Maria, porque encontraste gra&ccedil;a diante de Deus&rdquo; (Lc 1,30)<\/b><\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">No tempo do Advento, Maria &eacute; sempre uma presen&ccedil;a cheia de significados: a m&atilde;e que espera, a mulher que acolhe a Palavra, a jovem que arrisca, a amiga que ajuda, a mulher de f&eacute; que silencia e medita&#8230; Tudo isso encontramos nela. E nela, todos nos vemos; nela nos inspiramos. Porque tamb&eacute;m n&oacute;s precisamos acolher, arriscar, servir e deixar que a boa not&iacute;cia seja semente que se enra&iacute;za na terra de nossa interioridade.<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">O Advento tamb&eacute;m &eacute; tempo do &ldquo;sim&rdquo; e hoje fazemos mem&oacute;ria daquela que foi protagonista do &ldquo;sim&rdquo; que mudou a hist&oacute;ria. Aquele que &eacute; a Vida e por quem foram feitas todas as coisas pede o consentimento da virgem de Nazar&eacute; para assumir a vida humana no seu seio virginal. Para que sejam cumpridas, para que o Salvador entre na nossa hist&oacute;ria, s&oacute; falta o Sim de Maria.<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Deus nunca for&ccedil;a a liberdade humana, nem mesmo nos momentos em que est&aacute; em jogo o futuro da humanidade; dinamiza-a, a partir de dentro, em todos aqueles(as) que se abrem &agrave; sua gra&ccedil;a. O Deus que nos criou sem pedir o nosso consentimento, nunca nos imp&otilde;e miss&atilde;o alguma sem o nosso assentimento. Ele suscita nossos desejos, atrai, convida, mas respeita sempre nossa liberdade. Nossas decis&otilde;es ser&atilde;o tanto mais livres e fecundas, quanto mais unidos estivermos com Deus, quanto mais confiarmos na sua gra&ccedil;a; mas elas devem ser assumidas por n&oacute;s.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">A reden&ccedil;&atilde;o querida por Deus &eacute; universal, mas encarna-se no particular, no ponto de intersec&ccedil;&atilde;o de um tempo e de um espa&ccedil;o &uacute;nicos: na casa e no corpo de Maria de Nazar&eacute;, na Galileia. Esse ponto torna-se o centro da hist&oacute;ria, o ponto de apoio e de partida de um movimento pelo qual o Filho assume a condi&ccedil;&atilde;o humana para faz&ecirc;-la retornar consigo, pelo poder do Esp&iacute;rito, ao Pai.<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Maria &eacute; o primeiro e mais belo fruto do olhar de miseric&oacute;rdia da Trindade sobre a humanidade e de sua decis&atilde;o de salv&aacute;-la. &ldquo;Um anjo faz o an&uacute;ncio, uma virgem o escuta, cr&ecirc; e concebe. Na alma, a f&eacute;, e no ventre, Cristo&rdquo; (S. Agostinho). Essa gra&ccedil;a &eacute; t&atilde;o fundamental e t&atilde;o significativa, que a express&atilde;o &ldquo;cheia de gra&ccedil;a&rdquo; &eacute; usada no lugar do nome pr&oacute;prio. Maria &eacute; nomeada pelo modo como &eacute; vista por Deus. Ela &eacute; pessoalmente, de maneira singular e &uacute;nica, e de maneira permanente, a &ldquo;agraciada&rdquo;&nbsp; de Deus.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Para revelar e realizar a Encarna&ccedil;&atilde;o do seu Filho, Deus n&atilde;o escolheu o templo, nem uma fam&iacute;lia sacerdotal. Nazar&eacute;, lugarejo situado na Galileia dos gentios, uma terra considerada abandonada de Deus, da qual &ldquo;n&atilde;o havia sa&iacute;do nenhum profeta&rdquo; (Jo. 7,52), foi escolhida por Deus para a encarna&ccedil;&atilde;o do seu Filho. N&atilde;o menos estranho &eacute; o fato de Deus ter escolhido, como forma de entrada na nossa hist&oacute;ria, uma jovenzinha de Nazar&eacute;, alde&atilde; com um nome comum, totalmente desconhecida e insignificante aos olhos dos grandes do mundo, como tantas Marias do nosso povo.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Para realizar a salva&ccedil;&atilde;o dos homens, Deus escolhe o insignificante e desprezado pelos homens. Escolhe o caminho do &ldquo;esvaziamento&rdquo; e do &ldquo;amor louco&rdquo;. Verdadeiramente, os caminhos de Deus n&atilde;o s&atilde;o os nossos caminhos, e seus pensamentos n&atilde;o s&atilde;o os nossos pensamentos (Is. 55,8).&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Devemos compreender que a Anuncia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se refere somente a Maria, a Jos&eacute; e a Jesus, mas a cada um de n&oacute;s e &agrave; humanidade inteira. O amor com o qual Deus nos ama &eacute;, ao mesmo tempo, um amor voltado &agrave; humanidade inteira e um amor que se dirige a cada um em particular, pois foi Deus que nos concedeu a cada um o dom de existir. Podemos dizer que cada um de n&oacute;s &eacute; amado e buscado como se fosse o &uacute;nico no mundo. E este amor, no entanto, nos invade para nos atravessar e chegar at&eacute; os outros. &ldquo;Cheios de gra&ccedil;a&rdquo;, assim como Maria.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">N&atilde;o olhemos a Anuncia&ccedil;&atilde;o como se fosse um acontecimento exterior a n&oacute;s. Estamos todos inclu&iacute;dos nela. Mais ainda, devemos compreender que este relato n&atilde;o fala apenas de algo que se passou h&aacute; dois mil anos atr&aacute;s, mas refere-se tamb&eacute;m ao que nos acontece hoje: Jesus vem ao mundo e a cada um de n&oacute;s sem cessar, e vem de novo, sempre.<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">O mist&eacute;rio da Anuncia&ccedil;&atilde;o &eacute; como o nosso espelho: nele todos nos vemos; ou melhor, a Anuncia&ccedil;&atilde;o acontece com todos n&oacute;s, a todo momento e em todos os lugares e etapas da vida. Anuncia&ccedil;&atilde;o somos todos que, como Maria, dialogamos com Deus desde o mist&eacute;rio mais profundo de nossa vida, em gesto de disponibilidade radical. A Anuncia&ccedil;&atilde;o a Maria &eacute; uma experi&ecirc;ncia universal: todos recebemos visitas dos mensageiros de Deus.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Estamos rodeados de mensageiros divinos: pessoas (presen&ccedil;as angelicais), fatos, experi&ecirc;ncias interiores&#8230; que atrav&eacute;s de vozes e sinais movem nossa vida em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; miss&atilde;o. S&atilde;o an&uacute;ncios surpreendentes, inesperados&#8230; Deus &eacute; surpreendente, inesper&aacute;vel, revela-se na vida&#8230; &Eacute; preciso uma atitude contemplativa da vida para perceber os sinais divinos de sua presen&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Em primeiro lugar, os mensageiros fazem elogios a cada um de n&oacute;s: &ldquo;Deus est&aacute; encantado com voc&ecirc;; voc&ecirc; &eacute; agraciado(a), voc&ecirc; &eacute; &uacute;nico(a) e original; voc&ecirc; tem uma miss&atilde;o espec&iacute;fica&rdquo;. &Eacute; preciso estar em sintonia para captar a presen&ccedil;a dos mensageiros. Eles falam da vida e apontam para o futuro. Falam que Deus faz nascer a vida mesmo onde &eacute; imposs&iacute;vel aos olhos dos homens. O problema &eacute; que estamos distra&iacute;dos ou focados em muitas preocupa&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o captamos a mensagem que nos chega.<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&Eacute; natural que brotem medos, perturba&ccedil;&otilde;es, d&uacute;vidas&#8230; pois se trata de algo fora do normal, in&eacute;dito&#8230; que nos espanta. Mas o mensageiro nos pacifica, sustenta nosso &acirc;nimo, alimenta a coragem, vence o medo&#8230; E o que ele nos pede? Deixar-nos conduzir pelo Esp&iacute;rito, como &ldquo;Maria que respira ao ritmo do Esp&iacute;rito&rdquo;. Quem se deixa conduzir pelo Esp&iacute;rito torna-se fecundo, est&aacute; aberto &agrave; vida, gera a vida e luta em favor da vida.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Do encontro com os mensageiros de Deus brota um &ldquo;sim&rdquo; do mais profundo; sim, sem temor, sem d&uacute;vida; sim que nos expande em dire&ccedil;&atilde;o aos outros; sim que nos coloca em movimento; sim que desencadeia outros sins. Sim que muda a hist&oacute;ria pessoal e coletiva. Sim que destrava a vida, nos faz criativos, abertos ao novo. Sim que nos faz entrar em sintonia com o Sim de Deus, proferido desde todos os tempos.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Sim que &eacute; dado a Deus se amplia; sim que revela nossa identidade, nos humaniza. Sim que aponta para a vida. Deus &eacute; sempre fecundo; deixar Deus ser Deus em nossa vida: essa &eacute; a marca da Anuncia&ccedil;&atilde;o. O consentimento de Maria encerra o di&aacute;logo; o anjo retira-se em sil&ecirc;ncio. Com certeza, estava alegre, por poder contar com o sim resoluto de Maria. Que o anjo n&atilde;o se afaste triste de n&oacute;s, pela nossa resposta negativa.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 1,26-38<\/span>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b><\/span>&nbsp;Poucas vezes Maria fala nos evangelhos e, no entanto, suas palavras s&atilde;o rotundas, definitivas, inapel&aacute;veis: &ldquo;fa&ccedil;a-se&rdquo;, &ldquo;eles n&atilde;o tem mais vinho&rdquo;, &ldquo;fazei o que Ele vos disser&rdquo;. E, sobretudo, o &ldquo;Magnificat&rdquo;, que &eacute; um hino de liberdade, de justi&ccedil;a e de louvor.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Tamb&eacute;m n&oacute;s falamos: em fam&iacute;lia, no trabalho, entre amigos&#8230; Falamos de outras pessoas, da situa&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica&#8230; Falamos daquilo que nos preocupa ou dos nossos desejos e sonhos&#8230; Quem sabe, tamb&eacute;m falamos de Deus. H&aacute; muito poder nas palavras: poder para ferir e curar, para levantar e derrubar, para bem-dizer ou mal-dizer&#8230; Oxal&aacute;, aprendamos com Maria a proferir palavras carregadas de vida e de verdade.<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&#8211; Voc&ecirc; tem consci&ecirc;ncia do peso e do valor de suas palavras?<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&#8211; Fazer mem&oacute;ria dos &ldquo;sins de vida&rdquo;, pronunciados ao longo de sua exist&ecirc;ncia, e que foram o prolongamento do &ldquo;sim&rdquo; de Maria.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;N&atilde;o tenhas medo, Maria, porque encontraste gra&ccedil;a diante de Deus&rdquo; (Lc 1,30) No tempo do Advento, Maria &eacute; sempre uma presen&ccedil;a cheia de significados: a m&atilde;e que espera, a mulher que acolhe&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=167"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}