{"id":165,"date":"2017-12-24T00:00:00","date_gmt":"2017-12-24T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/no-interior-de-uma-gruta-deus-se-veste-de-mundo\/"},"modified":"2017-12-24T00:00:00","modified_gmt":"2017-12-24T00:00:00","slug":"no-interior-de-uma-gruta-deus-se-veste-de-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/no-interior-de-uma-gruta-deus-se-veste-de-mundo\/","title":{"rendered":"No interior de uma gruta Deus se veste de mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b>[imagem1]<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b><br \/><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b>&ldquo;&#8230;pois n&atilde;o havia lugar para eles na hospedaria&rdquo; (Lc 2,7)&nbsp;<\/b><\/p>\n<p style=\"box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px; text-align: justify;\">Na noite de Natal, Deus &ldquo;desce&rdquo; aos rinc&otilde;es da humanidade; uma intensa Luz brilha no interior de uma gruta e se expande em dire&ccedil;&atilde;o a todo o universo. &ldquo;Deus se veste de mundo&rdquo;. As grutas sempre despertaram fasc&iacute;nio nos seres humanos; elas possuem uma for&ccedil;a atrativa e guardam segredos em seu interior. Ao mesmo tempo simbolizam o desejo permanente de retornar ao ventre materno, lugar de seguran&ccedil;a, de aquecimento&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">A contempla&ccedil;&atilde;o do Nascimento de Jesus nos impulsiona a fazer a travessia para o interior de uma Gruta: ali o Grande Mist&eacute;rio se faz vis&iacute;vel e revelador do sentido da exist&ecirc;ncia humana. Trata-se de &ldquo;entrar&rdquo; nela com suavidade, de perceb&ecirc;-la e faz&ecirc;-la descer at&eacute; o cora&ccedil;&atilde;o, de convert&ecirc;-la em mat&eacute;ria de considera&ccedil;&atilde;o, ora&ccedil;&atilde;o silenciosa e surpreendida. &Eacute; que nada &eacute; digno de Deus, nada est&aacute; &agrave; sua altura para poder acolh&ecirc;-Lo: nenhum tipo de ornamento, nenhum pal&aacute;cio, nenhuma forma de sabedoria humana. Por isso, Deus decidiu escolher um lugar despojado de tudo, onde n&atilde;o h&aacute; concorr&ecirc;ncias rid&iacute;culas: gruta, manjedoura, pobreza&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Acolhido pela natureza, presente na Gruta, Deus se deixou impactar por tudo aquilo que o rodeava. Tudo isso &eacute; Deus na nossa carne quente e mortal. Um Deus que &ldquo;adentrou&rdquo; na humanidade e de onde nunca mais saiu; um Deus que agora pode ser buscado em nossa interioridade e em tudo o que &eacute; humano.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Na pobreza, na humildade da pr&oacute;pria gruta pessoal, inserida na grande quantidade de grutas de refugiados e exclu&iacute;dos, torna-se poss&iacute;vel acolher o dom do amor de Deus, vis&iacute;vel na Crian&ccedil;a de Bel&eacute;m.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">O Nascimento de Jesus inspira a nos deter para escutar-sentir o significado da gruta, para nossa vida e para a comunidade crist&atilde;. A gruta n&atilde;o &eacute; um fim em si mesma, n&atilde;o &eacute; um fim de trajeto; ela &eacute; uma etapa imprescind&iacute;vel para compreender a Encarna&ccedil;&atilde;o. Ou seja, o cristianismo n&atilde;o passa de uma boa ideologia se n&atilde;o desce da cabe&ccedil;a &agrave;s entranhas da viv&ecirc;ncia. A gruta &eacute; algo assim como as entranhas da humanidade, onde se sente a vida, porque &eacute; um espa&ccedil;o natural, sem cimento nem tijolos, sem paredes divis&oacute;rias, aberto.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">A gruta &eacute; essa abertura da natureza que acolhe e abriga: ela &eacute; espa&ccedil;o para ref&uacute;gio, prote&ccedil;&atilde;o do frio, &uacute;ltimo recurso diante do despejo. Francisco de Assis, em sua viv&ecirc;ncia de Natal, no-la encheu de natureza: animais, vegeta&ccedil;&atilde;o, riachos&hellip;, tudo em expectativa, tudo em seu estado puro: a nova cria&ccedil;&atilde;o com a chegada do menino que nela encontramos. Temos medo da gruta, das entranhas da vida, da hist&oacute;ria e de Deus, porque a gruta cont&eacute;m o Deus que se veste de mundo, como o seio materno cont&eacute;m a crian&ccedil;a que vir&aacute;.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">A gruta est&aacute; dentro e fora de n&oacute;s. Dentro, ou seja, esse lugar marginal de nosso ser que n&atilde;o nos atrai, porque &eacute; escuro, frio, n&atilde;o visitado, nos d&aacute; medo entrar&#8230;; e, fora de n&oacute;s, a gruta &eacute; esse lugar da noite, sem luz artificial, que intimida aproximar-nos porque n&atilde;o sabemos qu&ecirc; ou quem podemos encontrar. Talvez pessoas que nos olham com suspeita ou com carinho, nos acolhem ou nos rejeitam&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">De qualquer forma, s&oacute; uma coisa importa fazer agora: diante da fragilidade de uma crian&ccedil;a, ampliar o olhar, afastar o medo, tirar o p&oacute; das lembran&ccedil;as n&atilde;o integradas&hellip; A gruta interior &eacute; uma abertura natural na rocha dura da vida. Nela, se supero os medos e acesso &agrave;s suas profundezas, descubro-me habitado pelo Amor; entrar na gruta de Bel&eacute;m torna-se uma privilegiada ocasi&atilde;o para soltar as amarras internas, tirar as paredes que separam ou dividem, abrir espa&ccedil;os acolhedores&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">E, para entrar, &eacute; preciso agachar-se, descer de nosso ego inflado, das vaidades&hellip; S&oacute; quem se inclina pode acolher uma crian&ccedil;a nos bra&ccedil;os. Para encontrar Deus &eacute; preciso empreender o caminho de &ldquo;descida&rdquo;, dirigir o olhar e o cora&ccedil;&atilde;o para o pr&oacute;prio interior e para o mundo da exclus&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">O mundo &eacute; uma pousada, lugar de passagem onde homens e mulheres, maiores e menores, devemos ir construindo lugares de encontro. Mas Deus quis vir &agrave; pousada dos homens e n&atilde;o encontrou lugar nem na cidade, nem em nenhuma estalagem. N&atilde;o tinha o que era preciso ter: dinheiro, poder, influ&ecirc;ncias&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Portas e cora&ccedil;&otilde;es se fecharam ao pedido de ajuda de uma fam&iacute;lia, apesar da evidente necessidade urgente que eles tinham de alojamento. &ldquo;Para eles n&atilde;o havia lugar na hospedaria&rdquo; (Lc. 2,7). Uma cocheira de animais funcionou como &ldquo;centro de acolhimento&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Assim, a vida de Jesus, desde o in&iacute;cio, foi muito semelhante &agrave;quela de um &ldquo;clandestino&rdquo;: indesejado e inc&ocirc;modo. E Ele continua vindo a n&oacute;s sob o semblante do clandestino.&nbsp;<span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">&ldquo;&Eacute; in&uacute;til procur&aacute;-lo nos prestigiosos pal&aacute;cios do poder onde se decide a sorte da humanidade: n&atilde;o est&aacute; ali. &Eacute; vizinho de tenda dos sem casa, dos sem p&aacute;tria, de todos aqueles que a nossa dureza de cora&ccedil;&atilde;o classifica como intruso, estrangeiro, refugiado&rdquo;<\/span>&nbsp;(Tonino Bello)&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Mas era Deus e nasceu, ainda que fosse fora, no descampado, no que ent&atilde;o era uma gruta de pastores, um lugar para guardar animais. Jung dizia:&nbsp;<span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">&ldquo;somos t&atilde;o somente o est&aacute;bulo onde nasce Deus&rdquo;.<\/span>&nbsp;A gruta est&aacute; sem defesa, por isso, entram as chuvas e tamb&eacute;m o frio; mas &eacute; precisamente nas fendas de sua pobreza onde ocorre o nascimento da Vida, onde acontece, desde aquela noite, a manifesta&ccedil;&atilde;o da gl&oacute;ria de Deus, o perfume de sua compaix&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&Eacute; surpreendente que a pequenez e a vulnerabilidade sejam o cart&atilde;o de visitas de Deus. O Natal &eacute; o memorial desta verdade, sempre esquecida. Deus n&atilde;o nos estende a m&atilde;o a partir de cima, sen&atilde;o que se mostra necessitado, dentro de uma gruta. Ele nos ajuda a partir da fragilidade. Ele est&aacute; &ldquo;envolvido em faixas&rdquo;, deitado em cima de palhas, como se n&atilde;o houvesse outro modo de se revelar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Na presen&ccedil;a de uma Crian&ccedil;a tudo &eacute; aceito e acolhido, tudo encontra seu lugar. Nada &eacute; rejeitado: o sujo e o que n&atilde;o conta, o desprez&iacute;vel, o mal olhado, perdem seu aspecto desagrad&aacute;vel e se ungem de calor e suavidade. Tudo fica transformado pela irradia&ccedil;&atilde;o da luz que emerge a partir de dentro; h&aacute; muito mais dignidade e beleza onde sequer poder&iacute;amos imaginar.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Na Encarna&ccedil;&atilde;o e Nascimento de Jesus esvaziou-se o c&eacute;u; Deus, em sua miseric&oacute;rdia, abandonou o trono alt&iacute;ssimo, exilou-se nas entranhas profundas da humanidade e assumiu tudo o que &eacute; radicalmente humano.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Se a hist&oacute;ria da Encarna&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a l&aacute; &ldquo;embaixo&rdquo;, na periferia, quer dizer que a f&eacute; em Deus implica prestar aten&ccedil;&atilde;o na manifesta&ccedil;&atilde;o do amor materno e na fr&aacute;gil beleza do rec&eacute;m-nascido. &Eacute; por esse caminho que podemos chegar &agrave; descoberta e &agrave; experi&ecirc;ncia de Deus; &eacute; tamb&eacute;m por este caminho que podemos chegar ao conhecimento de n&oacute;s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">No momento em que o Verbo de Deus assume um rosto, todo ser humano chega &agrave; plenitude de sua realiza&ccedil;&atilde;o: entra em comunh&atilde;o com o Infinito e recebe uma dignidade infinita.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 2,1-14&nbsp;<\/span>&nbsp;<\/b>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/span>&nbsp;<\/b>Contemplar o rosto do rec&eacute;m-nascido&#8230; Contemplar nele os rostos desfigurados da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">A cena do Nascimento de Jesus pede tempo, presen&ccedil;a, assombro&#8230; para deixar-se afetar por ela; &ldquo;&#8230; como se estivesse ali presente, com todo acatamento e rever&ecirc;ncia poss&iacute;vel&rdquo; (S.In&aacute;cio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\"><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;&#8230;pois n&atilde;o havia lugar para eles na hospedaria&rdquo; (Lc 2,7)&nbsp; Na noite de Natal, Deus &ldquo;desce&rdquo; aos rinc&otilde;es da humanidade; uma intensa Luz brilha no interior de uma gruta e se expande&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":278,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/278"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}