{"id":161,"date":"2018-01-01T00:00:00","date_gmt":"2018-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/ano-novo-onde-encontrar-a-novidade\/"},"modified":"2018-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2018-01-01T00:00:00","slug":"ano-novo-onde-encontrar-a-novidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/ano-novo-onde-encontrar-a-novidade\/","title":{"rendered":"ANO NOVO: onde encontrar a novidade?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: center; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&ldquo;Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido&rdquo; (Lc 2,20)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">A celebra&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Ano novo&rdquo;, pr&aacute;tica vivida em todas as culturas e religi&otilde;es, parece responder a um desejo humano de &ldquo;come&ccedil;ar de novo&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&ldquo;O homem foi criado para que no mundo houvesse um come&ccedil;o&rdquo;. Este pensamento de S. Agostinho deveria iluminar nossa vida ao longo deste novo ano que se inicia. Desde que o ser humano surgiu da terra e sobre a terra, o mundo criado ganhou um &ldquo;novo in&iacute;cio&rdquo;. N&oacute;s o estamos reconstruindo incessantemente. &ldquo;O ser humano &eacute; criado e &eacute; criativo&rdquo;; pois &eacute; exatamente o dom de re-come&ccedil;ar, sempre, que nos caracteriza como humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Caminhamos hoje para algo novo; somos convocados pelo futuro a realizar projetos diferentes, possibilidades novas, &ldquo;coisas&rdquo; que nos acenam l&aacute; de longe e nos fazem uma proposta: &ldquo;re-criem-nos&rdquo;;&nbsp; coisas que surgem sob a forma&nbsp; de um desejo, de uma esperan&ccedil;a&#8230; mas que sempre dependem de n&oacute;s para se tornarem concretas. Elas exigem empenho, dedica&ccedil;&atilde;o e criatividade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Habita em nosso interior uma nostalgia de alguma coisa mais original, de um novo in&iacute;cio e da tentativa de outros caminhos. Trata-se de uma aspira&ccedil;&atilde;o de algo mais humilde e simples, que nasce do &ldquo;h&uacute;mus&rdquo;, da terra que somos. &Eacute; o desejo de sermos n&oacute;s mesmos simplesmente, sinceramente, prazerosamente. &Eacute; a necessidade de viver re-come&ccedil;ando, sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">A atitude do &ldquo;recome&ccedil;ar cont&iacute;nuo&rdquo; revela-se como oportunidade para ativar outros recursos internos e colocar a vida em outro movimento, mais inspirado e criativo.&Eacute; inevit&aacute;vel que na exist&ecirc;ncia humana se fa&ccedil;am presentes a dor, o cansa&ccedil;o, a frustra&ccedil;&atilde;o, a repeti&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica&#8230;, que amea&ccedil;am afogar as melhores expectativas. Frente a essa constata&ccedil;&atilde;o, compreende-se a voz que brota das nossas entranhas e diz: &ldquo;comecemos de novo&rdquo;. A celebra&ccedil;&atilde;o do &ldquo;ano novo&rdquo;, neste sentido, significa a oferta de uma nova oportunidade &agrave; vida, para que ela tenha um novo sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Somos impulsionados, continuamente, a romper com o formalismo e o convencional, a vida marcada pela ordem, normas claras e recompensas seguras&#8230; e caminhar para uma vida mais audaz e incerta, de hori-zontes amplos, de exig&ecirc;ncias que nos convidam a &ldquo;come&ccedil;ar de novo&rdquo;, de significado mais universal. N&atilde;o caminhamos empurrados pelas costas, nem nossa vida &eacute; obra da in&eacute;rcia. Fomos feitos para o &ldquo;mais&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Ver a novidade em uma simples mudan&ccedil;a de datas do calend&aacute;rio n&atilde;o passa de uma mera conven&ccedil;&atilde;o. O 01 de janeiro n&atilde;o &eacute; mais &ldquo;novo&rdquo; que o 31 de dezembro. E, depois do rito de &ldquo;passagem de ano&rdquo;, tudo continuar&aacute; sendo como era ontem, ou inclusive pior, porque, a ressaca da celebra&ccedil;&atilde;o ser&aacute; acompanhada pela frustra&ccedil;&atilde;o de comprovar que nada mudou.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&Eacute; &oacute;bvio que a novidade n&atilde;o &eacute; &ldquo;algo&rdquo; que possamos encontrar &ldquo;fora&rdquo; para ser incorporada &agrave; nossa exist&ecirc;ncia cotidiana. O m&aacute;ximo que podemos encontrar nesse n&iacute;vel s&atilde;o apar&ecirc;ncias de novidade que, satisfazendo por um momento nossa curiosidade, rapidamente nos far&atilde;o voltar ao ritmo da rotina.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">O &ldquo;novo&rdquo; est&aacute; dentro de n&oacute;s. Estamos no tempo para crescer na consci&ecirc;ncia de nosso verdadeiro ser e descobrir que estamos j&aacute; na eternidade, que nosso verdadeiro ser n&atilde;o est&aacute; no &ldquo;kronos&rdquo; mas no &ldquo;kair&oacute;s&rdquo; (tempo de plenitude e de sentido). Nosso verdadeiro ser &eacute; constitu&iacute;do pelo divino que h&aacute; em n&oacute;s, e isso &eacute; eterno, &eacute; sempre novo. Somos j&aacute; a plenitude e estamos no eterno.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Nesse sentido, novidade &eacute; sin&ocirc;nimo de vi&ccedil;oso, abertura, presen&ccedil;a, vida; a vida sempre &eacute; nova, e vai acompanhada de atitudes e sentimentos de surpresa, admira&ccedil;&atilde;o, louvor, gratid&atilde;o, comunh&atilde;o e plenitude.&nbsp; &ldquo;E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam&rdquo; (Lc 2,18). Seria um crime transformar a vida num vel&oacute;dromo, dando voltas sempre em torno ao mesmo circuito de 365 dias, sem avan&ccedil;ar nada.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Vida expansiva, projetada para todas as dire&ccedil;&otilde;es e sintonizada com as surpresas, grandes e pequenas, que a plenificam e lhe d&atilde;o um sentido de eternidade. &ldquo;A vida &eacute; demasiado breve para ser mesquinha&rdquo; (Disraeli). Tudo isto &eacute; o que, saibamos ou n&atilde;o, nosso cora&ccedil;&atilde;o aspira. Mas, habitualmente, o buscamos onde n&atilde;o pode encontrar-se. Os pastores, movidos por uma sensibilidade especial, foram capazes de encontrar onde ningu&eacute;m pensaria encontrar:&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Este ano ser&aacute; novo se aprendermos a crer na vida de maneira nova e mais confiada, se encontrarmos gestos novos e mais am&aacute;veis para conviver com os outros, se despertarmos em nosso cora&ccedil;&atilde;o uma compaix&atilde;o nova para com aqueles que sofrem.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Quem sabe, o Evangelho de hoje nos possa inspirar para que, algum dia, aprendamos a viver cada mo-mento como se fosse o &uacute;ltimo, ou melhor, o mais completo, o mais ditoso: a melhor oportunidade para uma presen&ccedil;a inspiradora, para o abra&ccedil;o mais acolhedor, para a palavra melhor pronunciada ou o sil&ecirc;ncio mais criativo, para o gesto solid&aacute;rio mais espont&acirc;neo&#8230; &Eacute; como se cada momento fosse sagrado e eterno.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">O crist&atilde;o &eacute; aquele que, como os pastores de Bel&eacute;m, conserva l&iacute;mpido os seus olhos interiores, prontos para perceber a maravilha que est&aacute; sendo germinada em sua vida. Movido por um olhar novo, ele acolhe a surpresa de Deus, passa a ser surpresa para os outros, com seu gesto de amor imprevisto, com sua palavra que reanima, com sua visita que consola, com sua aten&ccedil;&atilde;o para com todos os que levam uma vida obscura e mon&oacute;tona.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&ldquo;Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido&rdquo;. Qual foi o novo e o surpreendente que encontraram: um rec&eacute;m-nascido deitado na manjedoura. Trata-se do &ldquo;no-vo&rdquo; despojado de ornamentos, de poder, de riquezas. Tiveram olhos e ouvidos abertos para se deixarem impactar pela imagem, humanamente simples; o encontro com o &ldquo;Deus que se humanizou&rdquo; possibilitou o retorno &agrave; eterna inf&acirc;ncia, escondida na pr&oacute;pria interi-oridade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">Porque descobriram facilmente o Infinito, passaram a viver humildemente sua condi&ccedil;&atilde;o humana na paz, na alegria e na gratid&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 2,16-21<\/span>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><b><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/span>&nbsp;<\/b>A partir do &ldquo;olhar&rdquo; admirado dos pastores, iniciar, ao longo deste ano, um processo minucioso de&nbsp; &nbsp;extirpa&ccedil;&atilde;o das &ldquo;cataratas&rdquo; do seu olhar interior: o olhar das lembran&ccedil;as negativas, das suspeitas, dos julgamentos, das compara&ccedil;&otilde;es&#8230; e reacender o olhar contemplativo capaz de expressar a benevol&ecirc;ncia, a delicadeza, a acolhida, a cortesia, a serenidade, a mod&eacute;stia, a afabilidade, a alegria simples de estar junto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&#8211; Re-cor-dar todos os &ldquo;olhares amorosos&rdquo; que Deus foi depositando sobre voc&ecirc; ao longo da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\">&#8211; Cora&ccedil;&atilde;o e olhos espreitam na mesma dire&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o os puros de cora&ccedil;&atilde;o os que ver&atilde;o a Deus (Mt. 5,8).&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; box-sizing: border-box; outline: none; margin-bottom: 10px;\"><span style=\"box-sizing: border-box; outline-color: initial; outline-width: initial;\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido&rdquo; (Lc 2,20) A celebra&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Ano novo&rdquo;, pr&aacute;tica vivida em todas as culturas e religi&otilde;es, parece&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":269,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}