{"id":1591,"date":"2015-11-02T00:00:00","date_gmt":"2015-11-02T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/finados-o-que-ha-de-eterno-no-mundo\/"},"modified":"2015-11-02T00:00:00","modified_gmt":"2015-11-02T00:00:00","slug":"finados-o-que-ha-de-eterno-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/finados-o-que-ha-de-eterno-no-mundo\/","title":{"rendered":"FINADOS: O QUE H\u00c1 DE ETERNO NO MUNDO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">[imagem1]&nbsp;<strong>&ldquo;Pois esta &eacute; a vontade do Pai: que toda pessoa que v&ecirc; o Filho e nele cr&ecirc; tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no &uacute;ltimo dia&rdquo; <\/strong>(Jo 6,40)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja, hoje, nos convida a entrar em comunh&atilde;o com o Deus da Vida e rezar com nossos falecidos e por n&oacute;s que &ldquo;vivemos esta vida com sabor de eternidade&rdquo;. A celebra&ccedil;&atilde;o deste dia deve alimentar em n&oacute;s a sabedoria de nos fazer presentes diante da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come&ccedil;amos nossa reflex&atilde;o fazendo mem&oacute;ria de uma cena encontrada nos relatos da Paix&atilde;o: junto a Jesus, aos p&eacute;s da cruz, h&aacute; um grupo de mulheres. Elas contemplam o absurdo, a morte do inocente; elas n&atilde;o tem medo de olhar a morte de frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas, porque olham a morte de frente, v&atilde;o mais al&eacute;m, v&atilde;o mais profundo e fazem a experi&ecirc;ncia da n&atilde;o-morte, da vida eterna.&nbsp; Elas v&ecirc;em o amor na morte; elas sabem que a vida de Jesus n&atilde;o lhe ser&aacute; tomada porque Ele a doou. Aos p&eacute;s da Cruz elas contemplam o Amor mais forte que a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E &eacute; assim que elas, porque olham a morte de frente, v&atilde;o ser as primeiras testemunhas da Ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso elas trazem algo novo &agrave; nossa experi&ecirc;ncia, porque se fugimos da morte n&atilde;o poderemos ir ao outro lado, ao al&eacute;m da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algum momento de nossas vidas &eacute; preciso nos deixar levar por esta atitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de aceitar o nosso ser mortal para irmos al&eacute;m do nosso ser mortal. Porque &eacute; no fundo desta experi&ecirc;ncia mortal que podemos entrar na contempla&ccedil;&atilde;o do que &eacute; imortal. Acompanhar a morte dos outros, sentir que caminhamos para a pr&oacute;pria morte, vai nos tornar capazes de olh&aacute;-la de frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que se chama de Vida Eterna n&atilde;o &eacute; a vida depois da morte, mas &eacute; a vida antes, durante e depois da morte. E que &eacute; eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H&aacute; um dado que nos afeta a todos nestes tempos p&oacute;s-modernos: a incapacidade cultural de abordar os limites, perdas, fracassos, mortes&#8230; Vivemos uma cultura na qual a dor e a morte foram expulsas da expe-ri&ecirc;ncia humana. &Eacute; algo feio, de mau gosto, algo a ser eliminado da vida cotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos uma das grandes mentiras de nossa cultura, ou seja, a morte j&aacute; n&atilde;o est&aacute; presente no cen&aacute;rio cotidiano, j&aacute; n&atilde;o existe. A morte &eacute; distante e virtual, que n&atilde;o afeta &agrave; nossa pr&oacute;pria sensibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos como se tiv&eacute;ssemos que ser imortais. Sempre &eacute; assunto dos outros, mas nunca pode ser assunto &ldquo;meu&rdquo;. Quando ela est&aacute; perto, as pessoas se afastam dela, ou ent&atilde;o, ela &eacute; afastada para locais espec&iacute;ficos. &Eacute; o fracasso radical de uma cultura fundada sobre o &ecirc;xito e o sucesso e, quando sente a presen&ccedil;a da morte, tudo fica desestabilizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nega&ccedil;&atilde;o da morte sempre cobra um pre&ccedil;o &ndash; o encolhimento da nossa vida interior, o emba&ccedil;amento da vis&atilde;o, o achatamento da racionalidade, a atrofia dos sonhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encarar a morte como plenitude n&atilde;o s&oacute; nos pacifica como tamb&eacute;m torna a exist&ecirc;ncia mais aguda, mais preciosa, mais vital. Essa abordagem da morte leva a um compromisso maior para com a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o confronto com a morte n&atilde;o precisa desembocar em um desespero que possa destituir a vida de todo sentido. Ao contr&aacute;rio, ela pode ser uma experi&ecirc;ncia que nos faz despertar para uma vida mais intensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela nos faz reingressar na vida de uma maneira mais rica e apaixonada; ela aumenta a consci&ecirc;ncia de que esta vida, nossa &uacute;nica vida, deve ser vivida intensa e plenamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi&ecirc;ncia da morte pode servir como uma experi&ecirc;ncia reveladora, um catalisador extremamente &uacute;til para grandes mudan&ccedil;as na vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&ldquo;A morte, menos temida, d&aacute; mais vida&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensadores mais antigos nos lembram da interdepend&ecirc;ncia entre vida &nbsp;e &nbsp;morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles nos ensinaram que aprender a viver bem &eacute; aprender a morrer bem, e que, reciprocamente, aprender a morrer bem &eacute; aprender a viver bem. Quanto mais mal vivida &eacute; a vida, maior &eacute; a ang&uacute;stia da morte; quanto mais se fracassa em viver plenamente, mais se teme a morte.&nbsp;Agostinho escreveu que <strong>&ldquo;&eacute; apenas perante a morte que o car&aacute;ter de um homem nasce&rdquo;.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos monges medievais mantinham uma caveira humana em suas celas para concentrar os pensamen-tos na mortalidade e para servir de li&ccedil;&atilde;o &agrave; condu&ccedil;&atilde;o da vida. Montaigne sugeriu que a mesa de trabalho de um escritor deve oferecer uma boa vis&atilde;o do cemit&eacute;rio para estimular o pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a morte n&atilde;o &eacute; o fim da vida, mas sua plenitude, quando esta &eacute; vivida com sentido.&nbsp;A vida n&atilde;o deve ser corro&iacute;da pela tirania do ego&iacute;smo mesquinho: vida &eacute; encontro, intera&ccedil;&atilde;o, comunh&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desperdi&ccedil;ar a vida &eacute; estragar a exist&ecirc;ncia. &Eacute; tr&aacute;gico que a pessoa jogue fora a vida. Quem conhece o valor da vida n&atilde;o pode degrad&aacute;-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a morte &eacute; processo permanente de esvaziamento do ego para viver de uma maneira mais oblativa, no compromisso e na doa&ccedil;&atilde;o aos outros. Este esvaziamento n&atilde;o significa a anula&ccedil;&atilde;o da &ldquo;pessoa&rdquo;, mas sua potencia&ccedil;&atilde;o. Na medida em que os aspectos que a limitam diminuem, aumenta o que h&aacute; de plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida aumenta quando compartilhada, e se debilita quando permanece no isolamento e na comodidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O essencial n&atilde;o &eacute; encontrar um caminho para alcan&ccedil;ar a imortalidade, mas aprender a &ldquo;morrer em Cristo&rdquo;. A partir deste momento vamos aprendendo a conviver com a morte, com a d&rsquo;Ele, com a nossa e com a dos outros. Vamos aprendendo, precisamente em meio &agrave; morte, a &ldquo;celebrar a vida&rdquo;, mesmo intuindo que uma lan&ccedil;a tamb&eacute;m nos atravessar&aacute;.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 150px; text-align: justify;\">&ldquo;Olhar a morte de frente e aceit&aacute;-la como parte da vida &eacute; como dilatar a vida&#8230; Pode parecer um paradoxo: excluindo a morte de nossa vida, n&atilde;o vivemos em plenitude, enquanto que acolhendo a morte no cora&ccedil;&atilde;o mesmo de nossa vida, dilatamos e enriquecemos esta&rdquo; (Etty Hillesum).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer mem&oacute;ria daqueles(as) que nos precederam e considerar nossa morte como travessia para a plenitude, nos levam a mergulhar na condi&ccedil;&atilde;o humana, a descobrir dimens&otilde;es de nossa pr&oacute;pria humanidade que, nesta cultura mentirosa, s&atilde;o mutiladas e reprimidas de tal maneira que nos tornam incapazes de ser porta-dores de Boa Not&iacute;cia. A vida come&ccedil;a a emergir ali onde o mundo s&oacute; v&ecirc; fracasso e morte, e que orar a partir de nossas precariedades e fragilidades nos p&otilde;e no caminho para experimentar o dom da P&aacute;scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S&oacute; a partir desta implica&ccedil;&atilde;o, a P&aacute;scoa nos abre ao futuro e nos faz perceber que &ldquo;a morte n&atilde;o multiplica a Vida por zero&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Jo 6,37-40<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong> Algu&eacute;m j&aacute; teve a ousadia de afirmar que a morte &eacute; mais universal que a vida; todos morrem, mas&nbsp;nem todos vivem, porque incapazes de re-inventar a vida no seu dia-a-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E viver significa esvaziar-se do ego para deixar transparecer o que h&aacute; de divino em seu interior. O gr&atilde;o de trigo que n&atilde;o morre, apodrece, e n&atilde;o multiplica as mil possibilidades latentes em seu interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &ldquo;depois da vida&rdquo; &eacute; um grande encontro onde seremos perguntados: &ldquo;o quanto voc&ecirc; viveu sua vida?&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; &ldquo;Fazer mem&oacute;ria&rdquo; das pessoas que viveram intensamente e deixaram &ldquo;marcas&rdquo; em sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;Por:&nbsp;Pe. Adroaldo Palaoro, sj<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1]&nbsp;&ldquo;Pois esta &eacute; a vontade do Pai: que toda pessoa que v&ecirc; o Filho e nele cr&ecirc; tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no &uacute;ltimo dia&rdquo; (Jo 6,40) A Igreja, hoje,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1994,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1591"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1591"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1591\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}