{"id":1580,"date":"2015-11-07T00:00:00","date_gmt":"2015-11-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-liturgia-do-32-do-domingo-do-tempo-comum-generosidade-sem-limites\/"},"modified":"2015-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2015-11-07T00:00:00","slug":"reflexao-liturgia-do-32-do-domingo-do-tempo-comum-generosidade-sem-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-liturgia-do-32-do-domingo-do-tempo-comum-generosidade-sem-limites\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Liturgia do 32\u00ba do Domingo do Tempo Comum &#8211; Generosidade sem limites"},"content":{"rendered":"<p>[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&ldquo;Ela ofereceu tudo aquilo que possu&iacute;a para viver&rdquo;<\/em><\/strong> (Mc 12,44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um longo percurso contemplativo, seguindo o evangelista Marcos, hoje nos encontramos com Jesus no templo de Jerusal&eacute;m, logo ap&oacute;s seu gesto escandaloso da purifica&ccedil;&atilde;o e expuls&atilde;o dos vendilh&otilde;es. Ele, mais uma vez nos ensina. O epis&oacute;dio de hoje &eacute; o melhor resumo que se pode fazer de todo o evange-lho de Marcos. Duas imagens, diametralmente opostas, emergem com intensidade. De fato, o contraste entre as duas cenas &eacute; total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong><em>primeira,<\/em><\/strong> Jesus p&otilde;e a descoberto a atitude dos doutores da lei no templo. Sua religi&atilde;o &eacute; falsa: utili-zam-na para buscar sua pr&oacute;pria gl&oacute;ria e projetar-se sobre os outros. Vivem o &ldquo;complexo do pav&atilde;o&rdquo;: s&oacute; se preocupam com o exterior, as vestimentas, a ostenta&ccedil;&atilde;o, a vaidade, as honras, as sauda&ccedil;&otilde;es&#8230;Buscam vestir-se de modo especial e ser saudados com rever&ecirc;ncia para sobressair sobre os outros, impor-se e dominar. A religi&atilde;o lhes serve para alimentar fantasias. Fazem &ldquo;longas ora&ccedil;&otilde;es&rdquo; para impressionar. N&atilde;o criam comunidade, pois se fazem o centro dela. No fundo, s&oacute; pensam em si mesmos. Vivem aproveitan-do-se das pessoas fr&aacute;geis &agrave;s quais deveriam servir. N&atilde;o se deve admir&aacute;-los nem seguir seu exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong><em>segunda cena,<\/em><\/strong> Jesus encontra-se junto ao cofre do templo e observa o gesto de uma pobre vi&uacute;va que deposita ali duas pequenas moedas. Impactado pelo gesto, Jesus desperta a aten&ccedil;&atilde;o de seus disc&iacute;pulos para que n&atilde;o esque&ccedil;am o gesto desta mulher. &Eacute; uma pobre mulher, maltratada pela vida, sozinha e sem recursos. Provavelmente vive mendigando junto ao Templo. Desta mulher eles podem aprender algo que os doutores da lei nunca lhes ensinar&atilde;o: uma f&eacute; total em Deus e uma generosidade sem limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus descobre o dom da generosidade em uma mulher, <strong>a vi&uacute;va pobre<\/strong>, que lan&ccedil;ou no cesto das oferendas tudo o que precisava para viver. Olhar como Jesus olha nos educa, nos faz ter grandes olhos. &Eacute; um gesto que passa desapercebido para muitos outros e que, no entanto, Ele recebe e elogia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os mestres da lei vivem aproveitando-se da religi&atilde;o, esta mulher despoja-se de tudo em favor dos outros, confiando totalmente em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para captar toda a for&ccedil;a da frase final do Evangelho de hoje (<em>&ldquo;na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possu&iacute;a&rdquo;<\/em>), temos que ter em conta que em grego &ldquo;bios&rdquo; significa n&atilde;o s&oacute; vida, sen&atilde;o tamb&eacute;m modo de vida, recursos, sustento; seria o conjunto de bens imprescind&iacute;veis para a subsist&ecirc;ncia. Isso quer dizer que ela deu todo seu sustento (vida), ou seja, tudo o que constitu&iacute;a sua possibilidade de viver. A atitude da vi&uacute;va equivalia a colocar sua subsist&ecirc;ncia (vida) nas m&atilde;os de Deus. Sua insignificante esmola demonstra uma atitude de total confian&ccedil;a em Deus e de total disponibilidade diante d&rsquo;Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu gesto nos faz descobrir o cora&ccedil;&atilde;o da verdadeira religi&atilde;o: confian&ccedil;a grande em Deus, gratuidade surpreendente, generosidade expansiva, amor solid&aacute;rio, simplicidade e verdade. N&atilde;o conhecemos o nome desta mulher nem seu rosto. S&oacute; sabemos que Jesus viu nela um modelo para os futuros dirigentes de sua Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma mulher an&ocirc;nima que pratica a miseric&oacute;rdia atrav&eacute;s de sua pobreza e de sua capacidade de partilha. Esta pobre mulher nos ensina a n&atilde;o acumular, a n&atilde;o apegar-nos &agrave;s coisas, &agrave;s pessoas, ao que fizemos ou fomos em outro tempo; ela nos ensina a estar abertos para nos deixar conduzir, ali onde a vida precisa de n&oacute;s, a atrever-nos a lan&ccedil;ar nossas duas moedas, apesar de senti-las de t&atilde;o pouco valor. Porque esse gesto &eacute; o que d&aacute; sentido &agrave; nossa vida e torna fecunda tamb&eacute;m a dos outros. Aprendemos dela a viver nossa pobreza oferecida, de m&atilde;os estendidas, de cora&ccedil;&atilde;o livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nossas rela&ccedil;&otilde;es com Deus n&atilde;o servem de nada as apar&ecirc;ncias e as indument&aacute;rias. A sinceridade &eacute; a &uacute;nica base para que a religiosidade seja efetiva. N&atilde;o enganamos a Deus com apar&ecirc;ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente a tanta hipocrisia, diante de tantos que gostam de usar longas vestiduras, ser saudados nas pra&ccedil;as e ocupar os primeiros lugares, diante da cultura da apar&ecirc;ncia nestes tempos midi&aacute;ticos&#8230;, quem se despoja de tudo e se descentra em favor dos outros, &eacute; libre para &ldquo;dan&ccedil;ar com o Esp&iacute;rito&rdquo;, na certeza de estar gestando a nova comunidade onde o p&atilde;o se multiplica e a fraternidade se faz vis&iacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No filme <strong><em>&ldquo;Advogado do diabo&rdquo;, <\/em><\/strong>o <strong><em>&ldquo;coisa-ruim&rdquo;<\/em><\/strong>&nbsp; ri ao dizer que era f&aacute;cil a disputa com Deus: bastava apenas agu&ccedil;ar a <strong>vaidade<\/strong> dos homens e das mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje estamos condenados, pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a alcan&ccedil;ar o sucesso custe o que custar, doa a quem doer, impedidos de realizar gestos de gratuidade e generosidade. Solidariedade e partilha s&atilde;o apenas conceitos idealistas que n&atilde;o correm mais nas nossas veias. A ideologia da <strong>vaidade<\/strong> &eacute; aquela que responde por essa &acirc;nsia de tudo ganhar, de comparar-se com os outros num ritmo fren&eacute;tico, de brilhar, de aparecer, enquanto seu interior est&aacute; carcomido pela ang&uacute;stia e pela falta de sentido na vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, tantas mulheres e homens de f&eacute; simples e cora&ccedil;&atilde;o grande e generoso, que sabem amar sem reservas, s&atilde;o o melhor que temos na igreja. N&atilde;o escrevem livros nem pronunciam serm&otilde;es, nem se fazem o centro na comunidade, mas s&atilde;o essas pessoas &nbsp;que mant&eacute;m vivo entre n&oacute;s o evangelho de Jesus; s&atilde;o elas que fazem o mundo mais humano, s&atilde;o elas que creem de verdade em Deus, s&atilde;o elas que se deixam condu-zir pelo Esp&iacute;rito de Jesus em meio a outras atitudes religiosas falsas e interesseiras. Vivem a simplicidade e o despojamento, sem chamar a aten&ccedil;&atilde;o sobre si mesmas. Na liturgia e nas celebra&ccedil;&otilde;es n&atilde;o gostam de se exibir com vestimentas vistosas, mendigando sauda&ccedil;&otilde;es vazias e rever&ecirc;ncias f&uacute;teis, nem buscam os assen-tos de honra e os primeiros lugares. Destas pessoas temos de aprender para seguir a Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S&atilde;o elas que mais se parecem com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>generosidade<\/strong> &eacute; a virtude do <strong>dom.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser mais afetiva, mais espont&acirc;nea, ligada ao cora&ccedil;&atilde;o&#8230; a <strong>generosidade<\/strong> revela-se na <strong><em>a&ccedil;&atilde;o,<\/em><\/strong> n&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o de um mandato, de uma lei, de um interesse&#8230;, mas unicamente de acordo com os impulsos do <strong>amor, <\/strong>da <strong>solidariedade&#8230;<\/strong> O <strong>amor<\/strong> &eacute; sempre <strong>generoso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>generosidade<\/strong> nos leva em dire&ccedil;&atilde;o aos <strong><em>outros<\/em><\/strong> e em dire&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s mesmos enquanto libertos de nosso pequeno <strong>eu.<\/strong> &Eacute; a generosidade que nos liberta da mesquinhez, da vaidade, do auto-centramento&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser generoso &eacute; ser <strong>livre,<\/strong> e &eacute; esta a &uacute;nica grandeza verdadeira (magnanimidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Texto b&iacute;blico<\/u><\/strong><strong>:&nbsp;&nbsp; <\/strong><strong>Mc 12,38-44<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o: <\/strong>Diante do olhar compassivo do Senhor, experimente a <strong>gene<\/strong><strong>rosidade<\/strong> como liberta&ccedil;&atilde;o, como um mergulho no cora&ccedil;&atilde;o da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinta o cora&ccedil;&atilde;o dilatar-se at&eacute; &agrave;s dimens&otilde;es do universo, livre para qual-quer desafio, para lan&ccedil;ar-se a uma intensa <strong>generosidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; a <strong>generosidade<\/strong> que alarga o seu cora&ccedil;&atilde;o, rompendo seus estreitos limites e lan&ccedil;ando-o a compromissos mais profundos. Sinta que cada nova doa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma liberta&ccedil;&atilde;o maior: s&atilde;o novas oportunidades de servi&ccedil;o, de maior aproxima&ccedil;&atilde;o d&rsquo;Aquele&nbsp; que veio, n&atilde;o para ser servido, mas para servir e para dar sua vida pelo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Por: Pe. Adroaldo Palaoro, sj<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Ela ofereceu tudo aquilo que possu&iacute;a para viver&rdquo; (Mc 12,44). 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