{"id":1564,"date":"2015-11-14T00:00:00","date_gmt":"2015-11-14T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-esperanca-de-viver-o-presente-de-maneira-criativa\/"},"modified":"2015-11-14T00:00:00","modified_gmt":"2015-11-14T00:00:00","slug":"a-esperanca-de-viver-o-presente-de-maneira-criativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-esperanca-de-viver-o-presente-de-maneira-criativa\/","title":{"rendered":"A ESPERAN\u00c7A DE VIVER O PRESENTE DE MANEIRA CRIATIVA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>&ldquo;O c&eacute;u e a terra passar&atilde;o, mas as minhas palavras n&atilde;o passar&atilde;o&rdquo;<\/strong> <\/em>(Mc 13,31)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho do 33&ordm; Domingo do Tempo Comum &#8211;&nbsp;Mc 13,24-32.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos chegando ao final de mais um &ldquo;ano lit&uacute;rgico&rdquo; (este &eacute; pen&uacute;ltimo domingo), e a liturgia nos prop&otilde;e leituras que, fazendo refer&ecirc;ncia aos &ldquo;&uacute;ltimos tempos&rdquo;, querem nos convidar &agrave; &ldquo;vigil&acirc;ncia&rdquo; e a aten&ccedil;&atilde;o ao tempo presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de hoje &eacute; parte do cap. 13 do Evangelho de Marcos, que cont&eacute;m um breve &ldquo;apocalipse&rdquo;, ou seja uma revela&ccedil;&atilde;o, um des-velamento, um des-nudamento dos m&uacute;ltiplos v&eacute;us que revestem o palco, l&uacute;dico e tr&aacute;gico, da encena&ccedil;&atilde;o do drama humano, com suas contradi&ccedil;&otilde;es, incertezas, promessas e esperan&ccedil;as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido &agrave;s imagens que este g&ecirc;nero liter&aacute;rio utiliza, com frequ&ecirc;ncia atribui-se ao termo &ldquo;apocalipse&rdquo; um significado de &ldquo;cat&aacute;strofe&rdquo; ou &ldquo;destrui&ccedil;&atilde;o&rdquo;. A realidade, no entanto, &eacute; diferente. Etimologicamente &ldquo;apo-kalypsis&rdquo; significa &ldquo;destapar o que est&aacute; escondido&rdquo;, &ldquo;tirar o v&eacute;u&rdquo;, &ldquo;desvelar&rdquo;, ou seja, &ldquo;revela&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Agrave; mesma raiz pertence a palavra &ldquo;eucalipto&rdquo;, cujo significa etimol&oacute;gico &eacute;: &ldquo;eu-bem&rdquo;; &ldquo;kalypsis-escondido&rdquo;, fazendo refer&ecirc;ncia ao fato de que tem perfeitamente escondidas suas min&uacute;sculas sementes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim pois, etimologicamente, &ldquo;apocalipse&rdquo; equivale a &ldquo;verdade&rdquo; (&ldquo;aletheia&rdquo;=sem v&eacute;u). E, como consequ&ecirc;ncia, o escrito apocal&iacute;ptico pretende &ldquo;retirar o v&eacute;u&rdquo; que nos impede reconhecer as coisas como s&atilde;o, ou seja, revelar-nos o que se encontra por debaixo da superf&iacute;cie, em um n&iacute;vel mais profundo. &Eacute; como se o autor quisesse nos dizer: &ldquo;as coisas n&atilde;o s&atilde;o o que parecem ser&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em cada momento hist&oacute;rico o texto do Apocalipse &eacute; lido e interpretado em fun&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos. Este g&ecirc;nero liter&aacute;rio &eacute; uma luz que nos ajuda a &ldquo;ler&rdquo; a realidade (interior e exterior), desvelando tudo o que acontece nela e assim poder assumir uma atitude mais coerente com a proposta do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, pode-se &ldquo;ler&rdquo; esse texto como se escutasse um sonho revelador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Apocalipse, portanto, &eacute; um empenho da comunidade crist&atilde; em dar sentido a tudo o que est&aacute; acontecendo e assim reencontrar sua dignidade no cora&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es mais dif&iacute;ceis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela&ccedil;&atilde;o que ocorre no interior de cada um e na realidade que nos envolve &eacute; o des-velar (tirar o v&eacute;u) de uma Presen&ccedil;a. No centro de nossa solid&atilde;o e de nosso ex&iacute;lio&nbsp; n&atilde;o estamos sozinhos, mas temos a vis&atilde;o de Algu&eacute;m, que vem ao nosso encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto evang&eacute;lico de hoje nos &eacute; revelado, atrav&eacute;s de sinais (abalos celestes e terrestres, tribula&ccedil;&otilde;es&#8230;), que esta ordem das coisas (o &ldquo;mundo&rdquo;) vai ser renovado em profundidade. Tudo desmorona &agrave; nossa volta, tudo vai desaparecer; mas o que o texto parece resgatar &eacute; a contundente confian&ccedil;a na afirma&ccedil;&atilde;o e na promessa de Jesus: &ldquo;O c&eacute;u e a terra passar&atilde;o, mas minhas palavras n&atilde;o passar&atilde;o&rdquo;. As Palavras do Filho do Homem constituem o nosso rochedo, s&atilde;o a nossa for&ccedil;a. &Eacute; um convite a nos re-centrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando somos transtormados pelos acontecimentos e somos levados pelas nossas emo&ccedil;&otilde;es, pelas nossas rea&ccedil;&otilde;es, pelos nossos medos, &eacute; preciso voltar ao centro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ciclone tem uma viol&ecirc;ncia enorme e gira velozmente, mas seu centro &eacute; calmo, im&oacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; preciso voltar ao centro do ciclone onde est&aacute; o &ldquo;Filho do Homem&rdquo;, onde est&aacute; o cora&ccedil;&atilde;o, onde est&aacute; o Cordeiro. Esta vida nova est&aacute; no centro da situa&ccedil;&atilde;o que vivemos, no centro desse mundo que &eacute; o nosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; a partir do interior que algo pode mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o g&ecirc;nero &ldquo;apocal&iacute;ptico&rdquo; vem nos dizer que, para al&eacute;m daquilo que possa ocorrer na superf&iacute;cie da hist&oacute;ria pessoal e coletiva, h&aacute; uma Realidade est&aacute;vel que nos sustenta e que podemos experiment&aacute;-la como &ldquo;rocha firme&rdquo; sobre a qual firmar nossos p&eacute;s. A velha ordem vir&aacute; abaixo para ser substitu&iacute;da por um mundo novo que ser&aacute; inaugurado pela presen&ccedil;a do Filho do Homem, reunindo toda a humanidade (&ldquo;os quatro cantos&rdquo;) e estabelecendo o &ldquo;Reinado de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um an&uacute;ncio esperan&ccedil;ador e certo. Esperan&ccedil;a representada pela imagem da figueira que, carregando-se de brotos, anuncia a primavera. Esse &eacute; o nosso destino: caminhamos para uma Primavera que n&atilde;o conhecer&aacute; ocaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, os discursos apocal&iacute;pticos, a pesar de sua apar&ecirc;ncia, s&atilde;o sempre um chamado &agrave; esperan&ccedil;a,&nbsp;que n&atilde;o &eacute; uma proje&ccedil;&atilde;o para um determinado futuro, que serve para fugir do presente ou para poder &ldquo;suport&aacute;-lo&rdquo;; nem pode ser entendida como mera &ldquo;expectativa&rdquo; que nos afasta do presente, sen&atilde;o que nos faz ancorar nele, ou seja, viver na Plenitude do que &eacute;, no Presente pleno e com sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esperan&ccedil;a, talvez mais do que qualquer outra inclina&ccedil;&atilde;o ou disposi&ccedil;&atilde;o, est&aacute; bem no cerne do ser humano e de sua exist&ecirc;ncia, fazendo-o viver e dando sentido &agrave; aventura de sua exist&ecirc;ncia. Basta pensar no que significa o desespero, a aus&ecirc;ncia de horizonte, a falta ou a perda de todo projeto poss&iacute;vel, para compreender que a esperan&ccedil;a emerge das profundezas do ser humano. Sem esperan&ccedil;a , ele n&atilde;o pode viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano &eacute; ser &ldquo;esperante&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Rubem Alves, a esperan&ccedil;a &eacute; o oposto do otimismo. Otimismo &eacute; quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperan&ccedil;a &eacute; quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do cora&ccedil;&atilde;o. Otimismo &eacute; alegria &ldquo;por causa de&rdquo;: coisa humana, natural. Esperan&ccedil;a &eacute; alegria &ldquo;apesar de&rdquo;: coisa divina. O otimismo tem suas ra&iacute;zes no tempo. A esperan&ccedil;a tem suas ra&iacute;zes na eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esperan&ccedil;a carrega uma for&ccedil;a misteriosa, um sopro criador, um alento espiritual que nos leva a olhar tudo com f&eacute; e encantamento; &eacute; um princ&iacute;pio vital, expresso na s&aacute;bia e verdadeira constata&ccedil;&atilde;o de que &ldquo;enquanto h&aacute; vida h&aacute; esperan&ccedil;a&rdquo;. Mesmo diante de intranspon&iacute;veis situa&ccedil;&otilde;es, vislumbramos possibilidades de sa&iacute;da, achamos poss&iacute;vel ser de outro modo, inventamos e reinventamos alternativas, recusamos a possibilidade de as realidades nos dominarem e, sem cessar, sonhamos com o mais e o melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esperan&ccedil;a &eacute; gestora do futuro e rompedora da dureza do existir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Freire insistia que n&atilde;o se pode confundir esperan&ccedil;a do verbo &ldquo;esperan&ccedil;ar&rdquo; com esperan&ccedil;a do verbo &ldquo;esperar&rdquo;. Esperan&ccedil;ar &eacute; se levantar, &eacute; ir atr&aacute;s; esperan&ccedil;ar &eacute; construir e n&atilde;o desistir. Esperan&ccedil;ar &eacute; levar adiante, esperan&ccedil;ar &eacute; juntar-se com outros para fazer de outro modo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das coisa mais perniciosas que vivemos no atual momento &eacute; o esvaziamento da esperan&ccedil;a, que se expressa no desalento, des&acirc;nimo ou at&eacute; na covardia tolerante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Michel&acirc;ngelo dizia que &ldquo;Deus concedeu uma irm&atilde; &agrave; recorda&ccedil;&atilde;o, e chamou-se esperan&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esperan&ccedil;a, portanto, &eacute; como esse impulso que desafia o presente imediato, sempre curto e sem ra&iacute;zes no futuro; &eacute; ela que nos permite escrever nossa hist&oacute;ria com mais criatividade e ousadia, nos abre &agrave; inven&ccedil;&atilde;o de possibilidades que nos fazem viver, corrige o passado e nos faz recome&ccedil;ar, mant&eacute;m a coragem de ser, transforma em n&oacute;s o ser de puras exig&ecirc;ncias e de simples necessidades em seres capazes de dom e de desejo. Na esperan&ccedil;a, encontramos a abertura e a amplitude de nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o basta esperar, &eacute; preciso uma paix&atilde;o de esperan&ccedil;a, a qual somente &eacute; poss&iacute;vel se conduz para um horizonte plenificante, para um al&eacute;m da vida do dia-a-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Mc 13,24-32<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Como se situa diante dos desafios que &eacute;&nbsp;chamado a assumir? N&atilde;o se sente cansado por j&aacute; ter vivido tantas mudan&ccedil;as?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Voc&ecirc; se arriscaria por um novo come&ccedil;o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ou talvez desanimado porque as coisas n&atilde;o aconteceram como havia previsto? Ou, ao contr&aacute;rio, cheio de energia, entusiasmado por ser protagonista de uma &eacute;poca considerada de gra&ccedil;a e de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Qu&ecirc; esperan&ccedil;as voc&ecirc; carrega no cora&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por:<\/strong> Pe. Adroaldo Palaoro. sj<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;O c&eacute;u e a terra passar&atilde;o, mas as minhas palavras n&atilde;o passar&atilde;o&rdquo; (Mc 13,31) Evangelho do 33&ordm; Domingo do Tempo Comum &#8211;&nbsp;Mc 13,24-32. 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