{"id":1545,"date":"2015-11-18T00:00:00","date_gmt":"2015-11-18T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/dia-18-11-dia-da-marcha-das-mulheres-negras\/"},"modified":"2015-11-18T00:00:00","modified_gmt":"2015-11-18T00:00:00","slug":"dia-18-11-dia-da-marcha-das-mulheres-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/dia-18-11-dia-da-marcha-das-mulheres-negras\/","title":{"rendered":"Dia 18\/11 &#8211; Dia da Marcha das Mulheres Negras"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/static.wixstatic.com\/media\/6a1031_988e462f467643acbf670f6122550793.png\/v1\/fill\/w_600,h_222,al_c,usm_0.50_1.20_0.00\/6a1031_988e462f467643acbf670f6122550793.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"222\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Marcha foi idealizada, no Tulip Inn Hotel, Salvador-BA, por ocasi&atilde;o do Encontro Paralelo da Sociedade Civil para o Afro XXI: Encontro Ibero Americano do Ano dos Afrodescendentes (16 a 20 de novembro de 2011) Trata-se de uma iniciativa de articular as mulheres negras brasileiras. A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; aglutinar o m&aacute;ximo de organiza&ccedil;&otilde;es de mulheres negras, assim como outras organiza&ccedil;&otilde;es do Movimento Negro, sem dispensar o apoio de organiza&ccedil;&otilde;es de mulheres e de todo tipo de organiza&ccedil;&atilde;o que apoiem a equidade sociorracial e de g&ecirc;nero. Sem d&uacute;vida,&nbsp;<strong>O PROTAGONISMO &Eacute; DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil tem a maior popula&ccedil;&atilde;o negra fora da &Aacute;frica (aproximadamente 100 milh&otilde;es de pessoas) e n&oacute;s, mulheres negras (pretas+ pardas), somos cerca de 49 MILH&Otilde;ES, Ent&atilde;o, a id&eacute;ia &eacute; viabilizar o deslocamento &agrave; Bras&iacute;lia de uma representa&ccedil;&atilde;o do m&aacute;ximo dos 5.565 munic&iacute;pios, com meninas-adolescentes-jovens-adultas-idosas negras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcharemos em homenagem &agrave;s nossas ancestrais e em defesa da cidadania plena das mulheres negras brasileiras, porque:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> &#8211; n&oacute;s mulheres negras (pretas + pardas) somos cerca de 49 milh&otilde;es espalhadas por todo o Brasil;<br \/> &#8211; o racismo, o machismo, a pobreza, com a desigualdade social e econ&ocirc;mica, tem prejudicado nossa vida, rebaixando a nossa auto-estima coletiva e nossa pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia;<br \/> &#8211; o fortalecimento da identidade negra tem sido prejudicado ao longo dos s&eacute;culos pela constru&ccedil;&atilde;o negativa da imagem da pessoa negra, especialmente da mulher negra, desde a est&eacute;tica (cabelo, corpo, etc.) at&eacute; ao papel social desenvolvido pelas mulheres negras;<br \/> &#8211; as mulheres negras continuam recebendo os menores sal&aacute;rios e s&atilde;o as que mais t&ecirc;m dificuldade para entrar no mundo do trabalho;<br \/> &#8211; a constru&ccedil;&atilde;o do papel social das mulheres negras &eacute; sempre pensada na perspectiva da depend&ecirc;ncia, da inferioridade e da subalterniza&ccedil;&atilde;o, dificultando que n&oacute;s possamos assumir espa&ccedil;os de poder, de ger&ecirc;ncia e de decis&atilde;o, quer seja no mercado de trabalho, quer seja no campo da representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social;<br \/> &#8211; as mulheres negras sustentam o grupo familiar desempenhando tarefas informais, que as levam a trabalhar em duplas e triplas jornadas de trabalho;<br \/> &#8211; ainda n&atilde;o temos os nossos direitos humanos (direitos civis, pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos, sociais, culturais e ambientais) plenamente respeitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MANIFESTO:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos 49 milh&otilde;es de mulheres negras, isto &eacute;, 25% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Vivenciamos a face mais perversa do racismo e do sexismo por sermos negras e mulheres. No decurso di&aacute;rio de nossas vidas, a forjada superioridade do componente racial branco, do patriarcado e do sexismo, que fundamenta e dinamiza um sistema de opress&otilde;es que imp&otilde;e, a cada mulher negra, a luta pela pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia e de sua comunidade. Enfrentamos todas as injusti&ccedil;as e nega&ccedil;&otilde;es de nossa exist&ecirc;ncia, enquanto reivindicamos inclus&atilde;o a cada momento em que a nossa exclus&atilde;o ganha novas formas.<br \/> Imp&otilde;e-se na luta pela terra e pelos territ&oacute;rios quilombolas, de onde tiramos o nosso sustento e mantemo-nos ligadas &agrave; ancestralidade.<br \/> A despeito da nossa contribui&ccedil;&atilde;o, somos alvo de discrimina&ccedil;&otilde;es de toda ordem, as quais n&atilde;o nos permitem, por gera&ccedil;&otilde;es e gera&ccedil;&otilde;es de mulheres negras, desfrutarmos daquilo que produzimos.<br \/> Fomos e continuamos sendo a base para o desenvolvimento econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico do Brasil sem que a distribui&ccedil;&atilde;o dos ativos do nosso trabalho seja revertida para o nosso pr&oacute;prio benef&iacute;cio.<br \/> Consideramos que, mesmo diante de um quadro de mobilidade social pela via do consumo, percebido nos &uacute;ltimos anos, as estruturas de desigualdade de ra&ccedil;a e de g&ecirc;nero mant&ecirc;m-se por meio da concentra&ccedil;&atilde;o de poder racial, patriarcal e sexista, alijando a n&oacute;s, mulheres negras, das possibilidades de desenvolvimento e disputa de espa&ccedil;os como deveria ser a m&aacute;xima de uma sociedade justa, democr&aacute;tica e solid&aacute;ria.<br \/> N&atilde;o aceitamos ser vistas como objeto de consumo e cobaias das ind&uacute;strias de cosm&eacute;ticos, moda ou farmac&ecirc;utica. Queremos o fim da ditadura da est&eacute;tica europeia branca e o respeito &agrave; diversidade cultural e est&eacute;tica negra. Nossa luta &eacute; por cidadania e a garantia de nossas vidas.<br \/> Estamos em Marcha para exigir o fim do racismo em todos os seus modos de incid&ecirc;ncia, a exemplo da sa&uacute;de, onde a mortalidade materna entre mulheres negras est&atilde;o relacionadas &agrave; dificuldade do acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, &agrave; baixa qualidade do atendimento recebido aliada &agrave; falta de a&ccedil;&otilde;es e de capacita&ccedil;&atilde;o de profissionais de sa&uacute;de voltadas especificamente para os riscos a que as mulheres negras est&atilde;o expostas; da seguran&ccedil;a p&uacute;blica cujos operadores e operadoras decidem quem deve viver e quem deve morrer mediante a omiss&atilde;o do Estado e da sociedade para com as nossas vidas negras.<br \/> Denunciamos as batalhas solit&aacute;rias contra a drogadi&ccedil;&atilde;o e a criminaliza&ccedil;&atilde;o do nosso povo e contra a elimina&ccedil;&atilde;o de nossas filhas e filhos pelas for&ccedil;as policiais e pelo tr&aacute;fico, h&aacute; muito tempo! Denunciamos o encarceramento desregrado de nossos corpos, vez que representamos mais de 60% das mulheres que ocupam celas de pris&otilde;es e penitenci&aacute;rias deste pa&iacute;s.<br \/> Ao travarmos batalhas solit&aacute;rias por justi&ccedil;a num quadro de extrema viol&ecirc;ncia racial, denunciamos a cruel viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica que vem levando aos maus tratos e homic&iacute;dios de mulheres negras, silenciados em dados oficiais. Lutamos pelo fim do racismo estrutural patriarcal que promove a inoper&acirc;ncia do poder p&uacute;blico e da sociedade sobre a extermina&ccedil;&atilde;o da nossa popula&ccedil;&atilde;o negra .<br \/> Estamos em marcha para reivindicamos o livre culto de nossas divindades de matriz africana sem persegui&ccedil;&otilde;es, nem profana&ccedil;&otilde;es e depreda&ccedil;&otilde;es de nossos templos sagrados.<br \/> Estamos em marcha contra a remo&ccedil;&atilde;o racista das popula&ccedil;&otilde;es das localidades onde habitam.Lutamos por moradia digna; por cidades que n&atilde;o limitem nosso direito de ir e vir e contra a segrega&ccedil;&atilde;o racial do espa&ccedil;o urbano e rural; por transporte coletivo de qualidade; por condi&ccedil;&otilde;es de trabalho decente nas diferentes profiss&otilde;es que exercemos. Valorizamos nosso patrim&ocirc;nio imaterial em terreiros, escolas de samba, blocos afros, carimb&oacute;, literatura e todas as demais manifesta&ccedil;&otilde;es culturais, definidoras da nossa identidade negra.<br \/> Estamos em marcha porque somos a imensa maioria das que criam nossos filhos e filhas sozinhas, as chefes de fam&iacute;lias, com parcos recursos e o suor de nosso &uacute;nico e exclusivo trabalho.<br \/> Estamos em Marcha:<br \/> pelo fim do femic&iacute;dio de mulheres negras e pela visibilidade e garantia de nossas vidas;<br \/> pela investiga&ccedil;&atilde;o de todos os casos de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e assassinatos de mulheres negras, com a penaliza&ccedil;&atilde;o dos culpados;<br \/> pelo fim do racismo e sexismo produzidos nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o promovendo a viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica e f&iacute;sica contra as mulheres negras;<br \/> pelo fim dos crit&eacute;rios e pr&aacute;ticas racistas e sexistas no ambiente de trabalho;<br \/> pelo fim das revistas vexat&oacute;rias em pres&iacute;dios e as agress&otilde;es sum&aacute;rias &agrave;s mulheres negras em casas de deten&ccedil;&otilde;es;<br \/> pela garantia de atendimento e acesso &agrave; sa&uacute;de de qualidade &agrave;s mulheres negras e pela penaliza&ccedil;&atilde;o de discrimina&ccedil;&atilde;o racial e sexual nos atendimentos dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos;<br \/> pela titula&ccedil;&atilde;o e garantia das terras quilombolas, especialmente em nome das mulheres negras, pois &eacute; de onde tiramos o nosso sustento e mantemo-nos ligadas &agrave; ancestralidade;<br \/> pelo fim do desrespeito religioso e pela garantia da reprodu&ccedil;&atilde;o cultural de nossas pr&aacute;ticas ancestrais de matriz africana;<br \/> pela nossa participa&ccedil;&atilde;o efetiva na vida p&uacute;blica.<br \/> Buscamos num processo de protagonismo pol&iacute;tico das mulheres negras, em que nossas pautas de reivindica&ccedil;&atilde;o tenham a centralidade neste pa&iacute;s. Nosso ponto de chegada e in&iacute;cio de uma nova caminhada &eacute; 18 de novembro de 2015 dentre as atividades do M&ecirc;s da Consci&ecirc;ncia Negra.<br \/> Conclamamos, a todas as mulheres negras, para que se juntem a esse processo organizativo, nos locais onde estiverem, e a se integrarem nessa Marcha pela nossa cidadania.<br \/> Imbu&iacute;das da nossa for&ccedil;a ancestral, da nossa liberdade de pensamento e a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, levantamo-nos &ndash; nas cinco regi&otilde;es deste pa&iacute;s &ndash; para construir a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Viol&ecirc;ncia e pelo Bem Viver, para que o direito de vivermos livres de discrimina&ccedil;&otilde;es seja assegurado em todas as etapas de nossas vidas.<\/p>\n<p> <strong>ESTAMOS EM MARCHA !<\/strong><br \/><strong> &ldquo;UMA SOBE E PUXA A OUTRA!&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p> Comit&ecirc; Impulsor Nacional da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Viol&ecirc;ncia e pelo Bem Viver 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:&nbsp;marchadasmulheresnegras.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Marcha foi idealizada, no Tulip Inn Hotel, Salvador-BA, por ocasi&atilde;o do Encontro Paralelo da Sociedade Civil para o Afro XXI: Encontro Ibero Americano do Ano dos Afrodescendentes (16 a 20 de novembro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1545"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1545"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1545\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}