{"id":1536,"date":"2015-11-21T00:00:00","date_gmt":"2015-11-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/festa-de-cristo-rei\/"},"modified":"2015-11-21T00:00:00","modified_gmt":"2015-11-21T00:00:00","slug":"festa-de-cristo-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/festa-de-cristo-rei\/","title":{"rendered":"Festa de Cristo Rei"},"content":{"rendered":"<p>[imagem1]<\/p>\n<p><strong>VERDADE DES-VELADA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&rdquo;Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade&rdquo;<\/strong> (Jo 18,37)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia encerra o &ldquo;ano lit&uacute;rgico&rdquo; celebrando &ldquo;Cristo rei&rdquo;, festividade promulgada em 1925 pelo Papa Pio XI. Mas, no atual contexto s&oacute;cio-cultural, como soa em nossos ouvidos o t&iacute;tulo de &ldquo;Cristo Rei&rdquo;? Este t&iacute;tulo nos permite fazer uma id&eacute;ia justa de quem &eacute; Jesus de Nazar&eacute;? Tem sentido falar de &ldquo;Cristo rei&rdquo;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come&ccedil;ar, &eacute; preciso reconhecer que se trata de um &ldquo;rei&rdquo; pouco convencional: seu trono &eacute; uma cruz e sua coroa &eacute; de espinhos. Um rei bem estranho, pois afirmou: &ldquo;N&atilde;o vim para ser servido, mas para servir&rdquo;.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente a isto, o evangelho de hoje revela-se surpreendente e at&eacute; escandaloso, porque nos apresenta esse t&iacute;tulo numa situa&ccedil;&atilde;o de humilha&ccedil;&atilde;o e impot&ecirc;ncia extrema: na Paix&atilde;o, com insultos, esc&aacute;rnios e zombarias dos chefes judeus, de Pilatos, dos soldados romanos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dos donos do poder e das autoridades religiosas que se julgavam em posse da verdade e que tinham um Deus feito &agrave; medida de seus interesses, Jesus afirma que &ldquo;veio para dar testemunho da verdade&rdquo;. De acordo com o evangelista Jo&atilde;o &ldquo;ser rei&rdquo; equivale a ser &ldquo;testemunha da verdade&rdquo;; e isso a tal ponto que com essas palavras se define a miss&atilde;o de Jesus: &ldquo;Eu nasci e vim ao mundo para isto&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta afirma&ccedil;&atilde;o desvela e define a trajet&oacute;ria prof&eacute;tica de Jesus: sua vontade de viver na verdade de Deus. Jesus n&atilde;o s&oacute; diz a verdade, sen&atilde;o que busca a verdade e s&oacute; a verdade de um Deus que quer um mundo mais humano para todos os seus filhos e filhas. Diante dessa verdade Jesus se revela verdadeiro, pura transpar&ecirc;ncia. &ldquo;Por isso Jesus fala com autoridade, mas sem falsos autoritarismos. Fala com sinceridade, mas sem dogmatismos. N&atilde;o fala como os fan&aacute;ticos que procuram impor sua verdade. Tampouco fala como os funcion&aacute;rios que a defendem por obriga&ccedil;&atilde;o embora n&atilde;o creiam nela. N&atilde;o se sente nunca guardi&atilde;o da verdade mas testemunha&rdquo; (Pagola).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n&atilde;o transforma a verdade de Deus em propaganda. N&atilde;o a utiliza em proveito pr&oacute;prio mas em defesa dos pobres e exclu&iacute;dos. N&atilde;o tolera a mentira ou o encobrimento das injusti&ccedil;as. N&atilde;o suporta as manipula&ccedil;&otilde;es. Jesus se converte assim em &ldquo;voz dos sem voz, e voz contra os que tem demasiada voz&rdquo; (Jon Sobrino).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem &eacute; verdadeiro se move com muita liberdade em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade presente nos outros; n&atilde;o usa m&aacute;scaras, n&atilde;o se imp&otilde;e&#8230; Sua verdade vibra e se encanta com a verdade presente no outro. Verdades que se encontram, que entram em comunh&atilde;o, que humanizam&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda pessoa verdadeira, transparente&#8230; incomoda, &eacute; provocativa&#8230; porque desmascara as nossas mentiras, nossas falsidades ocultas&#8230; Por isso &eacute; rejeitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; dif&iacute;cil at&eacute; definir e discernir o que seja a verdade, sobre o que &eacute; verdadeiro ou falso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilatos, no evangelho de Jo&atilde;o, pergunta a Jesus: &ldquo;O que &eacute; a verdade?&rdquo; (18,38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maior dificuldade ainda reside na imposi&ccedil;&atilde;o da verdade, em querer fazer o outro aceitar como verdadeiro aquilo em que eu acredito. Tentar convencer os outros gera conflito. Mas nem sempre nos contentamos com os argumentos. Especialmente quando o assunto &eacute; religi&atilde;o, existe a tend&ecirc;ncia de querer impor, pela for&ccedil;a, pelo medo, aquilo que acreditamos ser verdadeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto fanatismo! Quanto dogmatismo! Quanto fundamentalismo! E tudo isso em nome de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;A verdade tamb&eacute;m pode ter suas v&iacute;timas&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade n&atilde;o &eacute; um dogma e sim um caminho. Quanto mais verdades absolutas, mais estreito vai ficando o nosso mundo. Nunca podemos abrir m&atilde;o de uma busca por uma verdade que subverta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verdade n&atilde;o &eacute; apenas um princ&iacute;pio abstrato. Verdade &eacute; a realidade existente, o fato concreto, o conheci-mento comprovado. A verdade des-vela o desconhecido, salienta a dignidade da pessoa, reivindica liberdade e igualdade, sustenta o significado essencial do ser humano, preserva os valores consistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Conhecer a verdade&rdquo; &eacute; aspira&ccedil;&atilde;o humana inata. O ser humano tem sede de verdade. Vai busc&aacute;-la nas encostas do mundo e nos rec&ocirc;ncavos de seu esp&iacute;rito. Descobrir a verdade &eacute; conquista alvissareira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compensa atravessar vig&iacute;lias e trilhar veredas para chegar &agrave; verdade. Uma das ang&uacute;stias humanas &eacute; n&atilde;o alcan&ccedil;ar o manancial da verdade. Enquanto existir verdade encoberta, o ser humano vive inquieto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade clareia a vida. Sem a verdade, a exist&ecirc;ncia &eacute; sombria. A verdade gera autenticidade. Onde falta a verdade, instala-se uma lacuna na exist&ecirc;ncia. Quem n&atilde;o vive a verdade, est&aacute; carunchado por dentro. Impregnar-se da verdade &eacute; humanizar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde h&aacute; verdade h&aacute; humanidade transparente. H&aacute; rosto fascinante. Quando a verdade se des-vela e se faz vis&iacute;vel, o ser humano se ilumina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A humanidade busca a verdade, mas tamb&eacute;m pode asfixi&aacute;-la. Costuma-se reprimir a verdade que incomo-da. E aqu&iacute; tocamos um ponto t&atilde;o nuclear como habitualmente mal entendido e pior vivido. A verdade n&atilde;o &eacute; uma cren&ccedil;a (um conjunto de cren&ccedil;as), nem uma formula&ccedil;&atilde;o ou uma doutrina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando um crist&atilde;o diz: &ldquo;Eu tenho a verdade, porque Jesus disse que Ele era a Verdade, e eu creio nele&rdquo;, caiu numa armadilha e, com frequ&ecirc;ncia, numa danosa confus&atilde;o. Ter uma cren&ccedil;a n&atilde;o nos garante estar na verdade. Como se explica que algu&eacute;m, em nome da &ldquo;verdade&rdquo;, cometa viol&ecirc;ncia aos outros ou simplesmente os desqualifica? Quem faz isso &eacute; claro que n&atilde;o est&aacute; na verdade. Quando a verdade se iden-tifica com &ldquo;cren&ccedil;as&rdquo;, &ldquo;formula&ccedil;&otilde;es&rdquo; ou &ldquo;doutrinas&rdquo;, acontecem efeitos estranhos, como o de confessar verbalmente uma coisa e estar vivendo a contr&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, assim como a cren&ccedil;a for&ccedil;osamente tende a separar (os que creem e os que n&atilde;o creem), a Verdade sempre integra. Seguir a Jesus n&atilde;o significa ter determinadas cren&ccedil;as, mas estar dispostos a realizar a Verdade, o que Ele viu e viveu. Por isso, frente ao fanatismo que revela fechamento e estreiteza, a verdade requer abertura humilde, questionamento e flexibilidade. E &eacute; precisamente a pessoa que vive isto aquela que &ldquo;&eacute; da verdade&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser &ldquo;testemunha da verdade&rdquo; requer &ldquo;viver na verdade&rdquo;, n&atilde;o em algumas cren&ccedil;as. E viver na verdade inclui o reconhecimento e a aceita&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria verdade, e da verdade presente no outro. N&atilde;o pode estar na verdade quem n&atilde;o se aceita com toda sua verdade, com suas luzes e suas sombras; n&atilde;o pode estar na verdade quem vive identificado com seu ego ou com sua imagem idealizada. Pelo contr&aacute;rio, quando algu&eacute;m se aceita assim, come&ccedil;a a viver na humildade e isso &eacute; j&aacute; &ldquo;caminhar em verdade&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirmando de um modo mais claro: s&oacute; conhece a verdade quem &eacute; verdadeiro, sem m&aacute;scara ou disfarces. Quando se &eacute; verdade, conhece-se a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; significativo que os antigos gregos entenderam a verdade como &ldquo;a-l&eacute;theia&rdquo; (&ldquo;sem v&eacute;u&rdquo;): quando &ldquo;tiramos o v&eacute;u&rdquo; &eacute; quando emerge a Verdade do que somos. Aqui, cabe o termo &ldquo;inventar&rdquo;, que significa &ldquo;descobrir o que est&aacute; oculto&rdquo;, e tamb&eacute;m significa &ldquo;criar, fazer surgir o novo&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa &ldquo;inventar&rdquo; a verdade, ir &agrave; morada da verdade, encontrar a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso &eacute; o que Jesus viveu. Porque chegou a experimentar a verdade profunda de si mesmo, pode dizer: &ldquo;Eu sou a verdade&rdquo;. Essa n&atilde;o era uma afirma&ccedil;&atilde;o eg&oacute;ica, nem tampouco se referia a nenhuma cren&ccedil;a ou id&eacute;ia em particular. Era a proclama&ccedil;&atilde;o-constata&ccedil;&atilde;o humilde e jubilosa de quem des-velou e viu o &ldquo;segredo&rdquo; &uacute;ltimo de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Jo 18,33-37<\/strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong> Revele-se diante de Deus e deixe transparecer a verdade de sua vida: na&nbsp;confian&ccedil;a filial, des-cubra o que est&aacute; recoberto, <strong>des-vele<\/strong> o que est&aacute; velado, <strong>des-oculte<\/strong> o que est&aacute; escondido, <strong>des-lumbre<\/strong> o que est&aacute; ensombreado, <strong>&nbsp;des-mascare<\/strong> o que est&aacute; camuflado, <strong>des-emude&ccedil;a<\/strong> o que est&aacute; calado, <strong>des-cative<\/strong> o que est&aacute; algemado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A verdade que somos nunca pode ser algo que algu&eacute;m tem e possa transmitir ou impor aos outros, mas a Presen&ccedil;a que a todos sustenta e a todos abra&ccedil;a. S&oacute; a presen&ccedil;a d&rsquo;Aquele que &eacute; a Verdade ativa a verdade&nbsp;escondida em nosso interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por: Padre Adroaldo Palaoro, sj<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja tamb&eacute;m o a&uacute;dio da <strong><a href=\"http:\/\/media02.radiovaticana.va\/audio\/audio2\/mp3\/00504191.mp3\">Reflex&atilde;o do Padre Cesar Augusto dos Santos<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: br.radiovaticana.va<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] VERDADE DES-VELADA &rdquo;Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade&rdquo; (Jo 18,37) A liturgia encerra o &ldquo;ano lit&uacute;rgico&rdquo; celebrando &ldquo;Cristo rei&rdquo;, festividade promulgada em 1925 pelo Papa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1880,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1536"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1536"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1536\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}