{"id":1496,"date":"2015-11-28T00:00:00","date_gmt":"2015-11-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/advento-deixa-te-surpreender\/"},"modified":"2015-11-28T00:00:00","modified_gmt":"2015-11-28T00:00:00","slug":"advento-deixa-te-surpreender","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/advento-deixa-te-surpreender\/","title":{"rendered":"ADVENTO: deixa-te surpreender"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em>[imagem1]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>&nbsp;&ldquo;&#8230;levantai-vos e erguei a cabe&ccedil;a, porque a vossa liberta&ccedil;&atilde;o est&aacute; pr&oacute;xima&rdquo; (Lc 21,28)<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma vez o <strong>Advento <\/strong>vem ao nosso encontro, e com ele o convite para continuar ampliando espa&ccedil;os para Deus em nossas vidas. Uma oportunidade para escutar de novo sua promessa: promessa de nova vida, de um novo &acirc;nimo, uma nova esperan&ccedil;a.&nbsp;Podemos acolher este tempo com a marca da rotina (mais um ano, repetir as mesmas palavras, a espera, o &ldquo;vem, Senhor&rdquo;&#8230;); ou mobilizando-nos e abrindo-nos &agrave; surpresa de Deus, que vir&aacute; a n&oacute;s como chamado, como possibilidade, como grito para <strong><em>despertar-nos&#8230;<\/em><\/strong> Que nos abramos ao novo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O melhor do Deus que vem &eacute; que Ele se manifesta de maneiras inesperadas: desfaz certezas, rompe conven&ccedil;&otilde;es, renova sonhos, n&atilde;o busca brilhos ou ornamentos, aplausos ou ades&otilde;es for&ccedil;adas. Sua chegada n&atilde;o exige cobran&ccedil;as nem condiciona com exig&ecirc;ncias desmedidas. A esperan&ccedil;a abre passagem por onde menos esperamos. E Deus continua aparecendo onde e quando ningu&eacute;m espera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para <strong><em>&ldquo;conhecer&rdquo;<\/em><\/strong> a realidade e a verdade do Advento precisamos de <strong>olhos<\/strong> novos e de um <strong>cora&ccedil;&atilde;o<\/strong> novo.&nbsp;&Eacute; necess&aacute;rio despertar aquela <strong><em>&ldquo;sensibilidade&rdquo;<\/em><\/strong> escondida e abafada pelo ativismo e pelo ritmo estressante de nossa vida. No <strong>Advento,<\/strong> toda a humanidade &eacute; atingida como que por um raio, &eacute; tomada de <strong>surpresa.&nbsp;<\/strong>A sua noite, o seu sil&ecirc;ncio, o seu sono, a sua rotina di&aacute;ria&#8230; &eacute; quebrada por uma novidade absoluta.&nbsp;O <strong>Advento<\/strong> &eacute;, por sua pr&oacute;pria natureza, uma <strong><em>surpresa<\/em><\/strong> que quebra a solid&atilde;o das pessoas abandonadas a si mesmas, que irrompe no meio de uma vida sem sentido e sem dire&ccedil;&atilde;o, que traz luz para os ambientes fechados e frios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong><em>&ldquo;sensibilidade&rdquo;<\/em><\/strong> despertada pelo Advento recupera em n&oacute;s o sentido da <strong><em>surpresa, <\/em><\/strong>&nbsp;recobra a atitude da <strong><em>expectativa,<\/em><\/strong> da <strong><em>novidade,<\/em><\/strong> do <strong><em>assombro&#8230;<\/em><\/strong> diante da vida. Porque &eacute; no tra&ccedil;ado das horas e dos dias que Deus prepara sempre a sua <strong>novidade,<\/strong> a sua <strong>surpresa, <\/strong>o seu <strong>dom natal&iacute;cio. <\/strong>Tal <strong><em>surpresa<\/em><\/strong> faz brotar o entusiasmo para enfrentarmos os desafios da vida, despertando projetos arquivados, suscitando dinamis-mo novo no cotidiano pesado, fazendo-nos levantar de novo e retomar o caminho&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos conservar l&iacute;mpidos os <strong>olhos<\/strong> do esp&iacute;rito, prontos para perceber a maravilha que est&aacute; ger-minando na nossa vida. O <strong>Advento<\/strong> quer reafirmar a possibilidade de uma alternativa, da chegada de um h&oacute;spede inesperado, porque &eacute; <strong><em>&ldquo;boa nova&rdquo;, <\/em><\/strong>&eacute; evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, o crist&atilde;o n&atilde;o deve jamais cair na resigna&ccedil;&atilde;o, mas permanecer em vig&iacute;lia, na <strong>expectativa; <\/strong>ele deve ser tamb&eacute;m uma <strong>surpresa<\/strong> para os outros, com seu gesto de amor imprevisto, com sua palavra que reanima, com sua visita que consola, com sua aten&ccedil;&atilde;o para com todos os que levam uma vida obscura e mon&oacute;tona. Ele olha o mundo com intelig&ecirc;ncia, sim, mas tamb&eacute;m com a simplicidade das pombas; sabe intuir o bem secreto, tamb&eacute;m sabe apreciar a poesia da vida e da natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No evangelho de hoje, Jesus d&aacute; por suposto a exist&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es desastrosas que nos sacodem, enchendo-nos de ansiedade e preocupa&ccedil;&atilde;o; mas, onde n&oacute;s s&oacute; vemos cat&aacute;strofes, Jesus v&ecirc; &ldquo;sinais&rdquo;. E a condi&ccedil;&atilde;o para descobri-los &eacute; erguer a cabe&ccedil;a, levantar os olhos, ir mais al&eacute;m do imediato que nos cega e nos prende em redes de desejos insatisfeitos, em obsess&otilde;es por conservar modos de vida que consider&aacute;-vamos definitivos, em temores que embotam nosso cora&ccedil;&atilde;o impedindo o fluir da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curvados sobre n&oacute;s mesmos, sem horizonte, sem poder olhar de frente, nem entrar em rela&ccedil;&atilde;o de reciprocidade, carregando durante longo tempo um peso excessivamente grande (culpa, ressentimento, vergonha), bloqueados, privados de nosso pr&oacute;prio potencial: este &eacute; o drama que nos desumaniza. Nossos corpos encurvados se fazem texto, linguagem, grito, peti&ccedil;&atilde;o&#8230; para serem endireitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto ressoa com for&ccedil;a o apelo de Jesus: <em>&ldquo;levantai-vos e erguei a cabe&ccedil;a, porque a vossa liberta&ccedil;&atilde;o est&aacute; pr&oacute;xima&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso <strong>corpo<\/strong> fala mais e com mais veracidade que nossas palavras, o que irradiamos revela algo sobre n&oacute;s. E h&aacute; corpos que em sil&ecirc;ncio clamam por cura e cuidado. &Eacute; preciso interrogar nossos corpos para que eles nos contem suas hist&oacute;rias guardadas: seus segredos, suas dores, suas viv&ecirc;ncias. Devemos ser capazes de l&ecirc;-los e respeit&aacute;-los, para poder devolver-lhes sua harmonia e sua beleza originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; nosso pr&oacute;prio corpo posto de p&eacute;, &eacute; nossa pr&oacute;pria vida circulando sem&nbsp; ataduras, &eacute; a liberta&ccedil;&atilde;o de nossas for&ccedil;as afetivas, a possibilidade de olhar outros olhos sem temor e de entrar em comunica&ccedil;&atilde;o&#8230; que nos faz experimentar uma rela&ccedil;&atilde;o nova com a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aspira&ccedil;&atilde;o, sede, ansiedade, expectativa, estar de p&eacute;: isso &eacute; o que nos invade quando sentimos que se aproxima algo que desejamos de verdade. Pois isso &eacute; o <strong>Advento:<\/strong> tempo para os grandes sonhos.&nbsp;S&oacute; os med&iacute;ocres ou os desesperados renunciam a sonhar.&nbsp;Pois bem, se o des&acirc;nimo nos assalta, &eacute; tempo novo para levantar a cabe&ccedil;a, olhar ao longe, bem para fora, bem para dentro. Deixar que ressoe como uma promessa a Voz de um Deus que atravessa o tempo para dizer-nos: <em>&ldquo;aproxima-se vossa liberta&ccedil;&atilde;o&rdquo;.&nbsp;<\/em>Mergulhados naquilo que &eacute; margem, passageiro, na superf&iacute;cie das coisas, perdemos de vista o <strong>essencial <\/strong>e ca&iacute;mos na resigna&ccedil;&atilde;o. Perdida a capacidade de <strong><em>maravilhar-nos<\/em><\/strong>, o Advento esvazia-se e torna-se mais um tempo lit&uacute;rgico rotineiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder&iacute;amos dizer que o Advento nos apresenta uma <strong><em>&ldquo;espiritualidade do despertar&rdquo;. <\/em><\/strong>Se estamos ador-mecidos ou anestesiados, sem nos encantar com a maravilha e o desafio de estarmos vivos, precisamos despertar. Despertar para a gratuidade da vida, para o chamado &agrave; conviv&ecirc;ncia e comunh&atilde;o, despertar para uma presen&ccedil;a misericordiosa. Jesus vem despertar-nos e ativar nossa esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; preciso saber olhar, abrir os olhos, ler a vida e <strong><em>despertar-nos<\/em><\/strong> para aquilo que acontece &agrave; nossa volta.&nbsp;Se h&aacute; uma palavra que perpassa todas as tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, essa palavra &eacute; <strong>&ldquo;despertar&rdquo;,<\/strong> n&atilde;o no sentido individualista e moralizante, ou seja, manter um adequado comportamento moral para, desse modo, alcan&ccedil;ar a salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O chamado original a <strong><em>&ldquo;despertar&rdquo;<\/em><\/strong> reveste-se de uma profundidade muito maior, que conecta com aquela palavra com a qual Jesus inicia sua atividade p&uacute;blica: <strong><em>&ldquo;convertei-vos&rdquo;.<\/em><\/strong> Na realidade, trata-se de um novo modo de olhar ou de conhecer, de um <em>&ldquo;conhecer mais al&eacute;m da apar&ecirc;ncia&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qu&ecirc; significa &ldquo;despertar&rdquo;? Em qu&ecirc; sonhos estamos mergulhados? Como dar-nos conta de que estamos &ldquo;adormecidos&rdquo;? H&aacute; algo que possamos fazer?&#8230; Todas estas quest&otilde;es s&atilde;o evocadas pelo convite que aparece na boca da Jesus: <em>&ldquo;Estai sempre despertos&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pessoa desperta &eacute; aquela que experimentou intensamente a vida e, gra&ccedil;as a isso, vive ancorada, enraizada e conectada com a sua verdadeira identidade, ao seu eu original e universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Texto b&iacute;blico<\/u><\/strong><strong>:&nbsp; <\/strong><strong>Lc 21,25-28.34-36<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong> Quando foi Deus, para voc&ecirc;, o Deus inesperado?&nbsp;Em qu&ecirc; se concretiza para voc&ecirc; a promessa de Deus? Qu&ecirc; espera ou deseja de verdade? Qual &eacute; a boa not&iacute;cia na qual voc&ecirc; acredita? Como vive voc&ecirc; este Advento? Qu&ecirc; h&aacute;, em sua vida, de busca, sonho, aspira&ccedil;&atilde;o, desejo&#8230; em sintonia com Deus?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: Pe. Adroaldo Palaoro, sj<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &nbsp;&ldquo;&#8230;levantai-vos e erguei a cabe&ccedil;a, porque a vossa liberta&ccedil;&atilde;o est&aacute; pr&oacute;xima&rdquo; (Lc 21,28) Mais uma vez o Advento vem ao nosso encontro, e com ele o convite para continuar ampliando espa&ccedil;os para&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1964,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1496"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1496\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}