{"id":1440,"date":"2015-12-19T00:00:00","date_gmt":"2015-12-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-do-4-domingo-do-advento-visitacao-gerar-a-vida-divina-em-nosso-interior\/"},"modified":"2015-12-19T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-19T00:00:00","slug":"reflexao-do-4-domingo-do-advento-visitacao-gerar-a-vida-divina-em-nosso-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-do-4-domingo-do-advento-visitacao-gerar-a-vida-divina-em-nosso-interior\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o do 4\u00ba  Domingo do Advento &#8211; VISITA\u00c7\u00c3O: gerar a vida divina em nosso interior"},"content":{"rendered":"<p>[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&ldquo;Quando Isabel ouviu a sauda&ccedil;&atilde;o de Maria, a crian&ccedil;a pulou no seu ventre&#8230;&rdquo;<\/em><\/strong> (Lc 1,41)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos relatos do Evangelho de Lucas h&aacute; duas mulheres, Maria e Isabel, que experimentaram profundamente o dom da gratuidade, e seu lugar de car&ecirc;ncia se converteu em lugar de abund&acirc;ncia. As duas descobriram o dinamismo curador das<strong> rela&ccedil;&otilde;es<\/strong> e a riqueza que os contatos pessoais cont&eacute;m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As rela&ccedil;&otilde;es que nos constituem s&atilde;o o tecido pelo qual circula nossa abertura a Deus e por onde crescemos em humanidade, acolhendo e sendo acolhidos pelos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos em um mundo hiperconectado, em contato permanente e presente, ao mesmo tempo, em todos os lugares. O mundo, nossa vida, se converteu num &ldquo;chat&rdquo; cont&iacute;nuo. No entanto, em meio a este &ldquo;chat&rdquo; universal, a conversa&ccedil;&atilde;o emudeceu; a maior parte de nossas &ldquo;conversa&ccedil;&otilde;es&rdquo; tornaram-se prisioneiras das telas (celulares, tablets, smartphones, internet). Corremos o risco de reduzir a comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; conex&atilde;o. Banalizam-se os conte&uacute;dos da conversa, mas tamb&eacute;m s&atilde;o amputadas dimens&otilde;es fundamentais da experi&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o, sobretudo a presen&ccedil;a f&iacute;sica. Sem essa presen&ccedil;a, sem o encontro pessoal, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel o di&aacute;logo e a verdadeira comunica&ccedil;&atilde;o. Este empobrecimento da comunica&ccedil;&atilde;o vivente com o outro, ou a atrofia e medo de um face-a-face, &eacute; sinal claro de uma profunda desumaniza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><em>&ldquo;mist&eacute;rio da visita&ccedil;&atilde;o&rdquo; <\/em><\/strong>nos possibilita recuperar o sentido e o dinamismo de um encontro interpessoal. O <strong>encontro <\/strong>&eacute; uma realidade inter-humana din&acirc;mica e, at&eacute; certo ponto, tem algo de arriscado e imprevis&iacute;vel, derrubando todas as nossas pr&eacute;vias tentativas de control&aacute;-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos planific&aacute;-lo preparando estrat&eacute;gias; podemos acolh&ecirc;-lo cheio de expectativas ou, pelo contr&aacute;rio, sem elas, esperando uma mera formalidade, repeti&ccedil;&atilde;o de outras situa&ccedil;&otilde;es semelhantes; podemos nos mos-trar desejosos ou desconfiados, seguros ou ansiosos&#8230; De repente, algo inesperado acontece, na outra pessoa, ou em n&oacute;s mesmos, ou no contexto, convertendo aquele encontro numa situa&ccedil;&atilde;o &uacute;nica e original, afetando nosso viver ou transformando nosso eu profundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelho de hoje nos apresenta uma visita inesperada: a visita daquela que n&atilde;o permanece fechada nem ensimesmada em seu mist&eacute;rio; a visita daquela que se sente impulsionada a sair de si mesma para colocar-se a servi&ccedil;o daquela que est&aacute; necessitada de ajuda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma visita alegre, espont&acirc;nea e gratuita, porque cheia da experi&ecirc;ncia de Deus; Maria que faz Isabel sentir a alegria de uma maternidade n&atilde;o esperada. Isabel que faz Maria sentir as maravilhas que Deus realizou nela. Uma visita que se expressa em dois cantos de louvor e a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as: <strong><em>&ldquo;Bendita &eacute;s tu que<\/em> <em>acre-ditaste&rdquo;<\/em> e <\/strong><em><strong>&ldquo;Minha alma engrandece o Senhor&rdquo;<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H&aacute; visitas que n&atilde;o significam muito: s&oacute; servem para matar o tempo e &ldquo;jogar conversa fora&rdquo;. E h&aacute; visitas que despertam vida, que faz saltar a vida que carregamos dentro de n&oacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, todos somos seres carentes de &ldquo;mais visita&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Visita&ccedil;&otilde;es que despertem nossas possibilidades e sonhos, visita&ccedil;&otilde;es que nos fa&ccedil;am saltar de alegria, visita&ccedil;&otilde;es que nos ajudem a reconhecer as maravilhas que Deus realiza em n&oacute;s e nos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Agrave; sombra do encontro entre <strong>Maria e Isabel<\/strong> e contemplando o modo de visitar e de ser visitado, agradecemos o tecido relacional que conforma nossas vidas. &Eacute; um tempo para orar as <strong><em>rela&ccedil;&otilde;es,<\/em><\/strong> para considerar aquelas que precisamos continuar alimentando e aquelas que se romperam e que queremos reparar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agradecer as rela&ccedil;&otilde;es que nutrem nossa vida. Trazer ao cora&ccedil;&atilde;o as pessoas significativas que nos fizeram provar o sabor do amor em n&oacute;s e seus bons efeitos. Recolher agradecidamente os pequenos gestos de amor, de carinho, de escuta, de confian&ccedil;a, de paci&ecirc;ncia&#8230; que tiveram conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas mulheres se encontram em diferentes momentos vitais: <strong>Isabel<\/strong> na terceira etapa de sua vida, <strong>Maria<\/strong> quase na primeira, entrando na segunda. Uma &eacute; est&eacute;ril e anci&atilde;, a outra, jovem e virgem, ambas portadoras de uma <strong>vida <\/strong>maior que elas mesmas, conhecedoras do mist&eacute;rio que crescia em seu interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido &agrave; sua gravidez, as duas se encontram fora da norma social, do estabelecido. Isabel &eacute; idosa para poder conceber, e Maria est&aacute; gr&aacute;vida sem estar casada.&nbsp; Ambas deviam sentir n&atilde;o s&oacute; alegria no abra&ccedil;o, mas tamb&eacute;m a como&ccedil;&atilde;o e as d&uacute;vidas: <em>&ldquo;qu&ecirc; vai acontecer?&rdquo;, &ldquo;como vamos ajeitar as coisas?&rdquo;&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas apoiam-se mutuamente no momento no qual est&atilde;o, na situa&ccedil;&atilde;o que atravessam; reconhecem-se e se confirmam; estabelecem um v&iacute;nculo entre elas, aceitam-se mutuamente; n&atilde;o se julgam nem valoram em fun&ccedil;&atilde;o do que a sociedade considera correto ou incorreto; compreendem o que significa para cada uma delas que algo novo est&aacute; crescendo em seu interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria n&atilde;o vai s&oacute; servir a Isabel; ela precisa de algu&eacute;m que a partir de sua experi&ecirc;ncia lhe diga: <em>&ldquo;vai em<\/em> <em>frente, que isso &eacute; de Deus&rdquo;.<\/em> Necessita que Isabel a confirme e a bendiga. E Isabel, por sua vez, necessita agradecer o sonho de Deus que as duas compartilham e que se tornou poss&iacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas mulheres s&atilde;o um &iacute;cone precios&iacute;ssimo para cultivar as dimens&otilde;es do di&aacute;logo intergeracional e a necessidade que temos de di&aacute;logo em todas as dimens&otilde;es da vida, entre as culturas, entre as diversas tradi&ccedil;&otilde;es religiosas&#8230; O di&aacute;logo como caminho para a comunh&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas nos conduzem a agradecer a capacidade feminina, que homens e mulheres tem, de deixar transparecer o Mist&eacute;rio que nos habita, de despertar-nos uns a outros para essa <strong>Vida<\/strong> que nos habita e cuja presen&ccedil;a reconhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isabel e Maria se convertem cada uma em comadre, em parteira da outra; a partir de seus diferentes momentos vitais, v&atilde;o se ajudar a esperar e a passar o processo do &ldquo;dar &agrave; luz&rdquo;. Na vida nova que est&aacute; se gestando nelas, no secreto, anseiam em un&iacute;ssono para trazer ao mundo algo de Deus que estava oculto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas sabem de espera e de dores de parto. O parto n&atilde;o &eacute; um fato isolado e acontece nele a contra&ccedil;&atilde;o e a relaxa&ccedil;&atilde;o, a dor e o prazer, a posse e o desprendimento, a tristeza e a alegria, o medo e a confian&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto que as parteiras mencionam como momentos do parto, do &ldquo;dar &agrave; luz&rdquo;, s&atilde;o momentos de nossa vida, de nossas rela&ccedil;&otilde;es. Todos nos reconhecemos a&iacute;. Somos parteiros uns dos outros, e necessitamos cuidar desses processos cotidianos onde a vida do Esp&iacute;rito se manifesta como luz da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os<strong> &iacute;cones<\/strong> que ao longo dos s&eacute;culos expressam esta visita, esta sauda&ccedil;&atilde;o, nos apresentam as duas mulheres vinculadas, unidas por um abra&ccedil;o, por um beijo, por uma mesma alegria. Em seu modo de entrar em rela&ccedil;&atilde;o, em sua maneira de dialogar, se apresentam na qualidade de mestras para n&oacute;s, para nossa humanidade fragmentada que aspira rela&ccedil;&otilde;es novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isabel e Maria se fazem valer mutuamente e despertam o melhor que h&aacute; em cada uma. Viveram uma hist&oacute;ria de agradecimento e de liberta&ccedil;&atilde;o, se encontraram a partir da alma, a partir do mais profundo de si mesmas e se ofereceram mutuamente palavras amigas, palavras de encorajamento e de sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas nos ajudam a nos perguntar: Qu&ecirc; tipo de hist&oacute;ria relacional queremos viver? Uma hist&oacute;ria a partir do ego ou a partir interioridade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[imagem2] &nbsp;[imagem3] &nbsp;[imagem4]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Texto b&iacute;blico<\/u><\/strong><strong>:&nbsp; <\/strong><strong>Lc 1,39-45<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong> sua casa, lugar de visita&ccedil;&atilde;o e encontro, espa&ccedil;o humano de partilha, conviv&ecirc;ncia, festa, ajuda&#8230;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou, casa cercada de parafern&aacute;lia eletr&ocirc;nica de seguran&ccedil;a, com entrada rigorosamente controlada&#8230;, impedindo o acesso at&eacute; mesmo dos mais pr&oacute;ximos (parentes, amigos)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Seja uma casa sempre aberta: &ldquo;entrada franca&rdquo;;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casa, lugar do lava-p&eacute;s, do mandamento novo, da amizade, da ora&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casa, lugar do discipulado: olhar, escutar e seguir<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casa, lugar de un&ccedil;&atilde;o-acolhida, servi&ccedil;o e cuidado&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casa, lugar do Nascimento, da experi&ecirc;ncia de um Natal permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro, sj<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Quando Isabel ouviu a sauda&ccedil;&atilde;o de Maria, a crian&ccedil;a pulou no seu ventre&#8230;&rdquo; (Lc 1,41) Nos relatos do Evangelho de Lucas h&aacute; duas mulheres, Maria e Isabel, que experimentaram profundamente o dom&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1908,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1440"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1440\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}