{"id":1424,"date":"2015-12-26T00:00:00","date_gmt":"2015-12-26T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-familia-espaco-humanizador\/"},"modified":"2015-12-26T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-26T00:00:00","slug":"reflexao-dominical-familia-espaco-humanizador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-familia-espaco-humanizador\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Dominical &#8211; Fam\u00edlia,  espa\u00e7o humanizador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os la&ccedil;os de sangue e o ambiente amoroso e afetivo, pr&oacute;prios de uma fam&iacute;lia, deveriam ser pontos de apoio para aprender a sair de n&oacute;s mesmos e ir ao encontro dos outros, com nossa capacidade de comunh&atilde;o e de servi&ccedil;o. As <strong>rela&ccedil;&otilde;es familiares<\/strong> deveriam ser espa&ccedil;o de <strong><em>humaniza&ccedil;&atilde;o<\/em><\/strong> e nos motivar a n&atilde;o nos deixar determinar pelo nosso individualismo e ego&iacute;smo. Se na fam&iacute;lia superamos a tenta&ccedil;&atilde;o do ego&iacute;smo amplificado, aprenderemos a tratar a todos com a mesma humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o nos deve assustar o fato de que a <strong>fam&iacute;lia,<\/strong> hoje, esteja em crise. O ser humano est&aacute; sempre em constante evolu&ccedil;&atilde;o; se assim n&atilde;o fosse, j&aacute; teria desaparecido h&aacute; muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o Evangelho da Inf&acirc;ncia na m&atilde;o, devemos buscar dar resposta aos problemas que a fam&iacute;lia hoje apresenta. A Igreja n&atilde;o deve esconder a cabe&ccedil;a na areia e ignor&aacute;-los ou continuar acreditando que isso se deve &agrave; m&aacute; vontade das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crist&atilde;os, temos a obriga&ccedil;&atilde;o de fazer uma s&eacute;ria autocr&iacute;tica sobre o modelo de fam&iacute;lia que encontramos hoje. Jesus n&atilde;o sancionou nenhum modelo, como n&atilde;o determinou nenhum modelo de religi&atilde;o ou organiza&ccedil;&atilde;o social. O que Jesus revelou n&atilde;o faz refer&ecirc;ncia &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es, mas &agrave;s atitudes que os seres humanos deveriam ter em suas rela&ccedil;&otilde;es com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o basta defender de maneira abstrata o valor da fam&iacute;lia. Tampouco &eacute; suficiente imaginar a vida familiar segundo o modelo da fam&iacute;lia de Nazar&eacute;, idealizada a partir de nossa concep&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia tradicional. Seguir a Jesus, &agrave;s vezes, pode questionar e transformar esquemas e costumes muito enraizados em n&oacute;s. A fam&iacute;lia n&atilde;o &eacute; para Jesus algo absoluto e intoc&aacute;vel. Mais ainda. O decisivo n&atilde;o &eacute; a fam&iacute;lia de sangue, mas essa <strong>Grande Fam&iacute;lia<\/strong> que, n&oacute;s seus seguidores, devemos ir construindo, escutando o desejo do &uacute;nico Pai-M&atilde;e de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de hoje deixa claro que Maria e Jos&eacute; tiveram de aprender isso, n&atilde;o sem problemas e conflitos. Seus pais <em>&ldquo;n&atilde;o compreenderam as palavras que lhes dissera&rdquo;.<\/em> S&oacute; aprofundando em suas palavras e em seu comportamento diante de sua fam&iacute;lia, descobrir&atilde;o progressivamente que, para Jesus, o primeiro &eacute; a fam&iacute;lia humana: uma sociedade mais fraterna, justa e solid&aacute;ria, tal como o Pai deseja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iniciado no <strong>templo<\/strong> de Jerusal&eacute;m, o evangelho da Inf&acirc;ncia tamb&eacute;m se encerra neste ambiente, que &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o espacial da encarna&ccedil;&atilde;o. De fato, como dir&aacute; Jesus na sua &uacute;ltima entrada na cidade santa, as pedras de Jerusal&eacute;m gritam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; a primeira iniciativa independente e consciente do adolescente Jesus: Ele est&aacute; cortando muitos v&iacute;nculos com um s&oacute; gesto; n&atilde;o pede permiss&atilde;o aos seus pais, pois vive em sintonia profunda com o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Agrave; medida&nbsp; que Jesus vai crescendo em idade, cresce tamb&eacute;m nele a consci&ecirc;ncia da sua rela&ccedil;&atilde;o com o <strong>Pai <\/strong>celeste. E, a partir dela, toma decis&otilde;es por sua conta, sem consultar seus pais terrenos; decis&otilde;es que n&atilde;o os surpreendem, mas que os fazem sofrer. O filho &eacute; um <strong>mist&eacute;rio<\/strong> para a m&atilde;e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora feita com todo o carinho de um cora&ccedil;&atilde;o de m&atilde;e, a pergunta de Maria &ndash; <em>&ldquo;Meu filho, porque agiste<\/em> <em>assim conosco?&rdquo;-<\/em> &nbsp;mostra&nbsp; sua perplexidade diante do comportamento de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; a segunda estadia de Jesus no templo, depois da visita da circuncis&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se do seu ingresso oficial na comunidade hebraica, inaugurando sua <strong>maioridade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; nessa ocasi&atilde;o que Jesus pronuncia as primeiras palavras registradas pelos evangelhos. E a <strong>primeira<\/strong> palavra, na pr&aacute;tica &eacute; <strong><em>&ldquo;Pai&rdquo;,<\/em><\/strong> dirigida a Deus; <strong><em>&ldquo;Pai&rdquo;<\/em><\/strong> ser&aacute; tamb&eacute;m a <strong>&uacute;ltima<\/strong> palavra pronunciada por Jesus, ainda em Jerusal&eacute;m, mas no novo templo do Calv&aacute;rio: &ldquo;Pai, em tuas m&atilde;os entrego meu esp&iacute;rito&rdquo; (Lc. 23,46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus voltar&aacute; a <strong>Jerusal&eacute;m<\/strong> outras vezes; a&iacute; vai morrer e ressuscitar, porque Jerusal&eacute;m &eacute; o sinal da vida e da morte, das l&aacute;grimas e da beleza, do sangue e da luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <strong>Jerusal&eacute;m<\/strong>, Jesus encontrara alegria e dor, morte e vida, acolhimento e rejei&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jerusal&eacute;m<\/strong> &eacute; a cidade da <strong><em>hist&oacute;ria humana<\/em><\/strong> e da <strong><em>hist&oacute;ria salv&iacute;fica:<\/em><\/strong> l&aacute; est&aacute; a <strong><em>&ldquo;casa&rdquo;<\/em><\/strong> do templo, a <strong><em>&ldquo;casa&rdquo;<\/em><\/strong> do Senhor, e a <strong><em>&ldquo;casa&rdquo;<\/em><\/strong> da dinastia de Davi, da qual descende o Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas <strong>primeiras palavras<\/strong> de Jesus temos a afirma&ccedil;&atilde;o condensada do que ser&aacute; a sua vida, a revela&ccedil;&atilde;o do seu mist&eacute;rio mais profundo. A rela&ccedil;&atilde;o com o <strong>Pai<\/strong> &eacute;, com efeito, a que determina todas as suas atitudes e a&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Jesus &eacute; uma <strong><em>&ldquo;necessidade&rdquo;<\/em><\/strong> realizar na hist&oacute;ria concreta de sua vida o des&iacute;gnio salv&iacute;fico do Pai. Ela tem uma prioridade absoluta. Sobrep&otilde;e-se a todos os outros deveres, inclusive ao dever sagrado da piedade para com os pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque n&atilde;o se pertence a si mesmo, Jesus tamb&eacute;m n&atilde;o pertence a seus pais terrestres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele &ndash; sua pessoa, sua vida e sua miss&atilde;o &ndash; pertencem inteiramente ao Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas primeiras palavras de Jesus nos revelam onde est&aacute; o centro de sua identidade e de sua miss&atilde;o: na <strong>sintonia<\/strong> e na <strong>comunh&atilde;o<\/strong> com o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong><em>&ldquo;perda e encontro&rdquo; <\/em><\/strong>de Jesus no Templo se condensa toda sua vida, que &eacute; buscar a Vontade do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Jesus n&atilde;o &eacute; somente este jovem que decide &ldquo;perder-se&rdquo; no templo; &eacute; todo crist&atilde;o que busca a Vontade de Deus; somos todos n&oacute;s, convidados a <strong><em>&ldquo;perder-nos&rdquo; <\/em><\/strong>na busca de Deus, de seu Reino, da miss&atilde;o que Ele tem reservada para n&oacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje s&oacute; h&aacute; uma condi&ccedil;&atilde;o para poder entrar em sintonia com o cora&ccedil;&atilde;o do Pai: sentir-se <strong>&ldquo;perdido&rdquo;,<\/strong> como Jesus, buscando o bem dos demais, o servi&ccedil;o da Igreja, do Reino de Deus&#8230; Diferentes maneiras de expressar nosso chamado a <strong>servir.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, certamente Jesus n&atilde;o se <strong><em>&ldquo;perderia&rdquo;<\/em><\/strong> nos Templos (t&atilde;o vazios) mas nos grandes centros, nos grandes shoppings, onde est&atilde;o os novos sacerdotes, sem hist&oacute;ria e sem futuro, fazendo sacrif&iacute;cios nos grandes altares do consumo. Ali poder&iacute;amos encontr&aacute;-Lo arguindo sobre a humanidade, criticando-os por fazer destes lugares um templo fechado, um verdadeiro bunker, um mercado de privilegiados, que fecha as portas aos irm&atilde;os mais pobres e necessitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igualmente, Ele se <strong><em>&ldquo;perderia&rdquo;<\/em><\/strong> buscando os filhos do Pai abandonados &agrave; sua sorte, exclu&iacute;dos, perdidos nas ruas fedidas, explorados nos lugares de trabalho e sem nenhum tipo de seguran&ccedil;a social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje Jesus se <strong><em>&ldquo;perderia&rdquo;<\/em><\/strong> de novo em nossas peregrina&ccedil;&otilde;es, se perderia&nbsp; nos &ldquo;novos templos&rdquo;. E &eacute; ali onde podemos encontr&aacute;-Lo. &Eacute; a partir dali que Ele nos convida a encontrar a vontade de Deus nos imigrantes, nos exclu&iacute;dos, nos irm&atilde;os e irm&atilde;os que arriscam tudo para dar vida, uma vida, &agrave;s vezes m&iacute;nima, sem privil&eacute;gios, nem extras, para que suas fam&iacute;lias vivam com um m&iacute;nimo de oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Texto b&iacute;blico<\/u><\/strong><strong>:&nbsp; <\/strong><strong>Lc 2,41-52<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o: <\/strong>Para inverter a <strong><em>&ldquo;solid&atilde;o desumanizante&rdquo; <\/em><\/strong>na qual muitas&nbsp;fam&iacute;lias est&atilde;o mergulhadas, &eacute; fundamental <strong><em>&ldquo;re-tecer v&iacute;nculos&rdquo;.<\/em><\/strong> Para isso &eacute; preciso re-aprender a dizer e a ser <strong><em>&ldquo;n&oacute;s&rdquo;,<\/em><\/strong> sem que ningu&eacute;m fique sobrando. E, na fam&iacute;lia, h&aacute; espa&ccedil;os onde isto se pode viver, fazer vis&iacute;vel e vi&aacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente uma viv&ecirc;ncia familiar humanizada nos capacita para construir <strong><em>&ldquo;comunidades de solidariedade&rdquo;.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Usando a imagina&ccedil;&atilde;o, coloque sua fam&iacute;lia junto &agrave; Fam&iacute;lia de Nazar&eacute;: h&aacute; aspectos comuns? Discrepantes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O que &eacute; preciso ativar para que sua fam&iacute;lia seja o rosto vis&iacute;vel da Fam&iacute;lia de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro, sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] Os la&ccedil;os de sangue e o ambiente amoroso e afetivo, pr&oacute;prios de uma fam&iacute;lia, deveriam ser pontos de apoio para aprender a sair de n&oacute;s mesmos e ir ao encontro dos outros,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1527,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1424"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1424\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}