{"id":1402,"date":"2016-01-02T00:00:00","date_gmt":"2016-01-02T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/epifania-o-deus-das-portas-abertas\/"},"modified":"2016-01-02T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-02T00:00:00","slug":"epifania-o-deus-das-portas-abertas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/epifania-o-deus-das-portas-abertas\/","title":{"rendered":"EPIFANIA: o Deus das portas abertas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua <strong>miseric&oacute;rdia, <\/strong>Deus sempre nos surpreende, sempre excede nossas estreitas expectativas, para abrir caminho a partir de nossas fragilidades. S&oacute; o <strong>amor misericordioso<\/strong> de Deus nos reconstr&oacute;i por dentro, destrava nosso cora&ccedil;&atilde;o e nos move em dire&ccedil;&atilde;o a horizontes maiores de busca, responsabilidade e compromisso.&nbsp;A for&ccedil;a criativa da sua miseric&oacute;rdia p&otilde;e em movimento os grandes <strong>dinamismos<\/strong> de nossa vida; debaixo do modo paralisado e petrificado de viver, existe uma possibilidade de <strong>vida<\/strong> <strong>nova <\/strong>nunca ativada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi nas <strong><em>&ldquo;fendas da humanidade&rdquo;<\/em><\/strong> que o menino Jesus revelou o novo rosto misericordioso do Pai. A fragilidade de uma crian&ccedil;a aponta o Deus presente e atuante nos meandros de nossa hist&oacute;ria, de nossas feridas, de nossos fracassos&#8230;, Aquele que n&atilde;o tem vergonha de se aproximar e de se misturar com a pobreza e a fragilidade dos seus filhos; o Deus misericordioso mergulha e santifica toda nossa exist&ecirc;ncia. Ele se revela como um <strong><em>&ldquo;Deus errante&rdquo;,<\/em><\/strong> que <strong><em>corre ao encontro <\/em><\/strong>daqueles que est&atilde;o em busca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta festa da <strong>Epifania, <\/strong>a imagem de Deus que nos transparece &eacute; a d&rsquo;Aquele das <strong><em>portas sempre abertas.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta imagem se fez vis&iacute;vel na Gruta de Bel&eacute;m, simples est&aacute;bulo sem portas ou port&otilde;es, que s&oacute; servia para guardar as ovelhas e proteg&ecirc;-las da chuva e dos perigos. Por isso, carecia de portas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus nasceu em um espa&ccedil;o sem portas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, quando os <strong>Magos <\/strong>chegaram, n&atilde;o precisaram tocar a campainha, nem abrir a ma&ccedil;aneta e esperar que algu&eacute;m, pela abertura da porta, lhes perguntasse: quem s&atilde;o? de onde vem? qu&ecirc; buscam?&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simplesmente chegaram e entraram, porque tudo estava aberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; impressionante a descri&ccedil;&atilde;o que Edith Stein faz, quando um dia, ainda antes de se converter ao cristianismo, entrou na catedral de Francfurt.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&ldquo;Entramos por alguns minutos na catedral e, enquanto permanec&iacute;amos ali dentro num sil&ecirc;ncio respeitoso, entrou uma mulher com a sacola de compras. Ajoelhou-se em um dos bancos. Permaneceu nessa postura o tempo suficiente para rezar uma breve ora&ccedil;&atilde;o. Aquilo era algo completamente novo para mim. Nas sinagogas e nas igrejas protestantes que eu havia visitado s&oacute; se entra para os atos lit&uacute;rgicos da comunidade. Mas aqui algu&eacute;m pode entrar numa igreja vazia, durante as horas de trabalho de um dia qualquer da semana para manter uma conversa&ccedil;&atilde;o familiar. Jamais pude esquecer isto&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen&ccedil;a dos Magos em Bel&eacute;m foi um pouco como a visita de Edith Stein &agrave; catedral de Franckfurt. O mais maravilhoso de Deus &eacute; que as <strong>portas<\/strong> lhe causam repugn&acirc;ncia. Ele as quer sempre abertas para que todo aquele que queira &ldquo;v&ecirc;-lo&rdquo;, falar-lhe e ador&aacute;-lo, n&atilde;o precisa nem chamar, nem tocar a campainha, nem marcar visita com hora fixa. Deus est&aacute; aberto sempre e a todos. N&atilde;o faz distin&ccedil;&atilde;o de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Menino Jesus n&atilde;o se fixou se um Mago era negro, o outro branco e o outro amarelo. Nem se assustou vendo o qu&atilde;o grande eram os camelos. Simplesmente os recebeu com um sorriso. Por isso, esse encontro &eacute; conhecido como festa da <strong>Epifania, <\/strong>da manifesta&ccedil;&atilde;o, da revela&ccedil;&atilde;o do Deus de &ldquo;portas abertas&rdquo; ao mundo. Revelou-se como o Deus de todos e para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher que entrou na Catedral de Franckfurt, seguramente que vinha ou ia &agrave;s compras, porque entrou com sua sacola; n&atilde;o a deixou &agrave; porta da catedral, por respeito. Tamb&eacute;m com a sacola se pode falar com Deus. N&atilde;o sabemos de que falaram, ela e Deus. Possivelmente de qu&atilde;o caras est&atilde;o as coisas e que com certeza o dinheiro n&atilde;o ia dar para encher a sacola de compras. E Deus se sentiu lisonjeado com aquela visita. Os outros tinham entrado por simples curiosidade tur&iacute;stica. E mesmo assim, alguns deles sa&iacute;ram diferentes, como a Edith, que ficou impressionada e tocada em sua alma por esta disponibilidade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deus da Epifania n&atilde;o &eacute; o Deus das portas fechadas; tampouco o Deus a quem &eacute; preciso marcar visita previamente. &Eacute; o Deus das portas sempre abertas a todos; &eacute; o Deus que sempre est&aacute; dispon&iacute;vel a receber-nos; &eacute; o Deus que nunca est&aacute; ocupado para atender-nos; &eacute; o Deus sempre acolhedor de todos n&oacute;s, levemos ouro, incenso e mirra, ou simplesmente levemos uma sacola de compras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, todos os dias deveriam ser <strong>&ldquo;Epifania&rdquo;,<\/strong> Deus com as portas abertas de seu cora&ccedil;&atilde;o misericordioso, pronto a nos receber a todos e a nos aceitar como somos. Deus que a cada dia nos diz: &ldquo;Passai por aqui, a porta est&aacute; sempre aberta&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; altamente significativo e simb&oacute;lico que a abertura do <strong>Jubileu da Miseric&oacute;rdia<\/strong> tenha come&ccedil;ado com o destravamento das portas das igrejas em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais significativo ainda foi o gesto do papa Francisco de abrir a Porta Santa do Ano da Miseric&oacute;rdia em Bangui, na &Aacute;frica, antes mesmo de faz&ecirc;-lo em Roma, sede central do Cristianismo.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Santo Padre declarou Bangui a capital espiritual do mundo no dia 29 de novembro, dando&nbsp; in&iacute;cio ao Jubileu da Miseric&oacute;rdia a partir daquela cidade, marcada pela mis&eacute;ria e pela viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como os <strong>Magos, <\/strong>tamb&eacute;m n&oacute;s nos dirigimos primeiramente aos pal&aacute;cios de nossa sociedade do bem-estar e aos Herodes contempor&acirc;neos, at&eacute; que nos damos conta de que ali n&atilde;o encontramos o que estamos buscando, que ali se anula e se anestesia a vida, essa vida de Deus que quer crescer em n&oacute;s. Somente quando nossos olhos se abrirem, descobriremos assombrados que n&atilde;o h&aacute; nada que n&atilde;o seja sua epifania, que n&atilde;o &eacute; que Deus n&atilde;o se manifeste, sen&atilde;o que nos faltam olhos para descobri-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp&iacute;rito que sopra desde a &Aacute;frica, com a abertura da Porta Santa, nos abre ent&atilde;o a porta para palmilhar a estrada deste Novo Ano rumo a um mundo marcado pela luz da Miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os <strong>Magos<\/strong> do Oriente s&atilde;o o s&iacute;mbolo de tantos homens e mulheres que, em qualquer parte do mundo, a partir de outras sendas e tradi&ccedil;&otilde;es espirituais, se perguntam, buscam e caminham. Uma lenda os apresenta como um rei jovem, outro anci&atilde;o e outro negro, querendo significar que todos os &acirc;mbitos do ser humano se fazem patentes ao longo do caminho, at&eacute; poder encontrar o Menino e ador&aacute;-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo esta lenda, os magos perdem a estrela justamente antes de chegar, e foram os pastores, as pot&ecirc;ncias do cora&ccedil;&atilde;o, aqueles que lhes ensinaram o caminho. O ouro do amor, o incenso de nossos desejos e a mirra de nossas dores e daquilo que cura as feridas s&atilde;o entregues &Agrave;quele que nos deu tudo primeiro.&nbsp;<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong><u>Texto b&iacute;blico<\/u><\/strong><strong>:&nbsp; <\/strong><strong>Mt 2,1-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong>&nbsp; A obscuridade e as d&uacute;vidas&nbsp;pairam sobre nosso presente e nosso futuro. A situa&ccedil;&atilde;o social que vivemos &eacute; certamente muito confusa. Por isso buscamos uma luz, uma estrela para orientar-nos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos de uma luz que d&ecirc; sentido e orienta&ccedil;&atilde;o &agrave; nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez que a <strong>Luz<\/strong> do Menino nos toca, j&aacute; n&atilde;o podemos seguir pelo mesmo caminho; o caminho da epifania &eacute; agora o nosso caminho: descobrir o amor e manifest&aacute;-lo. Descobri-lo onde n&atilde;o esper&aacute;vamos e lev&aacute;-lo a outros por onde ainda n&atilde;o sabemos. Como cegos tocados por uma luz que nos indica os modos: em vulnerabilidade, em pobreza, em humildade, em alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao celebrar a Epifania ou manifesta&ccedil;&atilde;o do Senhor devemos nos perguntar se vamos caminhando para onde essa luz nos leva, ou se permanecemos instalados no caminho. Somos portadores desta nova luz para que ela tamb&eacute;m chegue aos rinc&otilde;es do mundo e a todos os seres humanos. Quando todos se abrirem a ela, certamente se envolver&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade fraterna onde a justi&ccedil;a e a paz se abra&ccedil;ar&atilde;o e permanecer&aacute; vivo o mist&eacute;rio do Natal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: Pe. Adroaldo Palaoro, sj<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] Em sua miseric&oacute;rdia, Deus sempre nos surpreende, sempre excede nossas estreitas expectativas, para abrir caminho a partir de nossas fragilidades. 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