{"id":1381,"date":"2016-01-11T00:00:00","date_gmt":"2016-01-11T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-catastrofe-ambiental-de-belo-monte\/"},"modified":"2016-01-11T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-11T00:00:00","slug":"a-catastrofe-ambiental-de-belo-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-catastrofe-ambiental-de-belo-monte\/","title":{"rendered":"A cat\u00e1strofe ambiental de Belo Monte"},"content":{"rendered":"<p class=\"corpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase 500 barragens projetadas nas bacias de tr&ecirc;s dos principais rios do planeta colocam um ter&ccedil;o dos peixes de rio em risco, segundo den&uacute;ncia feita na &uacute;ltima&nbsp;sexta-feira (8) por 40 especialistas na revista cient&iacute;fica Science. Apenas no Brasil, a represa da hidrel&eacute;trica de Belomonte coloca em risco 50 esp&eacute;cies que s&oacute; existem no pa&iacute;s. Enquanto nas na&ccedil;&otilde;es industrializadas emerge um movimento para destruir as represas mais nocivas, existem projetos para construir 450 novas barragens nas bacias dos rios Amazonas (Am&eacute;rica do Sul), Congo (&Aacute;frica) e Mekong (&Aacute;sia). Os signat&aacute;rios do artigo denunciam a &ldquo;falta de transpar&ecirc;ncia&rdquo; durante os processos de autoriza&ccedil;&atilde;o das represas e a &ldquo;falta de protocolos&rdquo; para avaliar seu impacto ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Esses projetos abordam importantes necessidades energ&eacute;ticas, mas seus defensores costumam superestimar os benef&iacute;cios econ&ocirc;micos e subestimar os efeitos de longo prazo sobre a biodiversidade e recursos pesqueiros cruciais&rdquo;, alertam os autores, liderados pelo ecologista Kirk Winemiller, professor da Universidade Texas A&amp;M (EUA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas bacias dos rios Amazonas, Congo e Mekong vivem 4.000 esp&eacute;cies de peixes de rio, uma ter&ccedil;a parte de todas as conhecidas no planeta. A maioria n&atilde;o &eacute; encontrada em nenhum outro lugar. Os 40 especialistas salientam que &ldquo;as grandes represas invariavelmente reduzem a diversidade pesqueira&rdquo;, al&eacute;m de impedir a conex&atilde;o entre diferentes popula&ccedil;&otilde;es fluviais e bloquear o ciclo de vida normal de esp&eacute;cies migrat&oacute;rias. &ldquo;Isso pode ser especialmente devastador para os estoques pesqueiros tropicais, nos quais muitas esp&eacute;cies de grande valor migram centenas de quil&ocirc;metros&rdquo;, argumentam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os signat&aacute;rios h&aacute; dezenas de professores de universidades dos EUA, Brasil, Reino Unido, Camboja e Alemanha, al&eacute;m de especialistas do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente e da Uni&atilde;o Internacional para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza.<br \/>&nbsp;&ldquo;Mesmo quando as avalia&ccedil;&otilde;es de impacto ambiental s&atilde;o obrigat&oacute;rias, milh&otilde;es de d&oacute;lares podem ser gastos em estudos que n&atilde;o t&ecirc;m nenhuma influ&ecirc;ncia real para os projetos, &agrave;s vezes porque eles s&atilde;o finalizados quando a constru&ccedil;&atilde;o j&aacute; est&aacute; em andamento&rdquo;, denunciam os autores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Winemiller recorda o caso do rio Xingu, um importante afluente do Amazonas. Seu trecho inferior &eacute; um complexo de corredeiras que serve de h&aacute;bitat a quase meia centena de esp&eacute;cies pesqueiras que n&atilde;o s&atilde;o encontradas em nenhum outro ponto da Terra. &ldquo;Essas esp&eacute;cies, que alimentam os pescadores locais que abastecem o com&eacute;rcio internacional de peixes ornamentais, est&atilde;o agora amea&ccedil;adas pelo gigantesco projeto hidrel&eacute;trico de Belo Monte&rdquo;, observa Winemiller. Esse complexo de represas no Estado do Par&aacute;, com conclus&atilde;o prevista para este ano, foi projetado para ser a terceira maior usina hidrel&eacute;trica do mundo, atr&aacute;s apenas das de Tr&ecirc;s Gargantas (China) e Itaipu (Brasil\/Paraguai).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 75% dos casos, a constru&ccedil;&atilde;o das grandes represas no mundo teve estouros or&ccedil;ament&aacute;rios de quase 100% em rela&ccedil;&atilde;o ao valor estimado previamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Esse pol&ecirc;mico projeto est&aacute; quase terminado e vai alterar radicalmente o rio, sua ecologia e a vida da popula&ccedil;&atilde;o local, especialmente das comunidades ind&iacute;genas que dependiam dos servi&ccedil;os que o ecossistema do rio proporciona&rdquo;, acrescenta Winemiller. A constru&ccedil;&atilde;o &eacute; parte do Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento do Governo brasileiro, que busca impulsionar o desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s. A organiza&ccedil;&atilde;o Survival, que defende os direitos dos povos ind&iacute;genas em todo o mundo, denunciou que &ldquo;a represa destruiria os meios de subsist&ecirc;ncia de milhares de ind&iacute;genas que dependem da selva e do rio para obter &aacute;gua e alimentos&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Somos c&eacute;ticos quanto &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o de que as comunidades rurais no Amazonas, no Congo e no Mekong estariam se beneficiando mais pelo fornecimento de energia e a gera&ccedil;&atilde;o de emprego do que sofrendo preju&iacute;zos pela perda da pesca, da sua agricultura e das suas propriedades&rdquo;, dizem os autores na Science. Os cientistas pedem que as autoridades utilizem os m&eacute;todos anal&iacute;ticos mais modernos para levar em conta todos os impactos acumulativos das represas sobre o meio ambiente e as popula&ccedil;&otilde;es locais, com o objetivo de descartar projetos muito prejudiciais ou realoc&aacute;-los para trechos fluviais menos fr&aacute;geis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas calculam que em 75% dos casos a constru&ccedil;&atilde;o das grandes represas no mundo teve estouros or&ccedil;ament&aacute;rios de quase 100% dos valores estimados previamente. A equipe recorda o caso da represa de Tr&ecirc;s Gargantas, em que o Governo chin&ecirc;s precisou destinar 26 bilh&otilde;es de d&oacute;lares (105,3 bilh&otilde;es de reais, pelo c&acirc;mbio atual) adicionais para atenuar o impacto ecol&oacute;gico.<br \/>&ldquo;As ag&ecirc;ncias governamentais respons&aacute;veis pelas autoriza&ccedil;&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o de represas devem exigir avalia&ccedil;&otilde;es de impacto ambiental rigorosas e amparadas na ci&ecirc;ncia, em escala regional&rdquo;, pleiteia Winemiller. Al&eacute;m disso, afirma ele, as institui&ccedil;&otilde;es financeiras, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, &ldquo;devem exigir garantias de que esse tipo de avalia&ccedil;&atilde;o ocorra antes da aprova&ccedil;&atilde;o dos financiamentos&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Emmanuel Boulet, especialista-chefe em quest&otilde;es ambientais do Banco Interamericano de Desenvolvimento, recorda que h&aacute; protocolos internacionais de boas pr&aacute;ticas para a constru&ccedil;&atilde;o de barragens fluviais. &ldquo;Quando aplicados, podemos ter resultados ben&eacute;ficos para todos, como na usina hidrel&eacute;trica de Reventaz&oacute;n, na Costa Rica, ou na central hidrel&eacute;trica de Chaglla, no Peru&rdquo;, opina. O banco concedeu cr&eacute;ditos de 200 milh&otilde;es e 150 milh&otilde;es de d&oacute;lares, respectivamente, para esses dois projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boulet, no entanto, aceita as cr&iacute;ticas. &ldquo;Reconhecemos que os pa&iacute;ses podem melhorar seu planejamento da energia hidrel&eacute;trica. Em outras palavras, temos de realizar os projetos adequados e faz&ecirc;-los adequadamente.&rdquo;<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"assRodape\" style=\"text-align: justify;\">Por Manuel Ansede &nbsp;para o El Pa&iacute;s, onde esta reportagem foi publicada originalmente.<\/p>\n<p class=\"assRodape\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"assRodape\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &nbsp; Quase 500 barragens projetadas nas bacias de tr&ecirc;s dos principais rios do planeta colocam um ter&ccedil;o dos peixes de rio em risco, segundo den&uacute;ncia feita na &uacute;ltima&nbsp;sexta-feira (8) por 40 especialistas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1381"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1381"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1381\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}