{"id":1356,"date":"2016-01-16T00:00:00","date_gmt":"2016-01-16T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-um-convidado-que-da-o-que-falar\/"},"modified":"2016-01-16T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-16T00:00:00","slug":"reflexao-dominical-um-convidado-que-da-o-que-falar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-um-convidado-que-da-o-que-falar\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Dominical &#8211; Um convidado que d\u00e1 o que falar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&ldquo;Tamb&eacute;m Jesus e seus disc&iacute;pulos tinham sido convidados para o casamento&rdquo;<\/em><\/strong> (Jo 2,2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>festa<\/strong> est&aacute; profundamente enraizada no cora&ccedil;&atilde;o do ser humano; ela proporciona o diferente, o novo, o exuberante, o ut&oacute;pico; revela o &ldquo;homo ludicus&rdquo; que brinca, canta, dan&ccedil;a, transborda emo&ccedil;&otilde;es, re&uacute;ne companheiros em comunidade e celebra a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>festa<\/strong> &eacute; ruptura com a monotonia e com a rotina da vida; &eacute; um momento no qual se deixa levar pela vida em vez de &ldquo;carreg&aacute;-la&rdquo; nas costas como um fardo. &Eacute; a pr&oacute;pria <strong>vida<\/strong>, despojada do peso do cotidiano e vivida em plenitude;&nbsp; a festa &eacute; um &ldquo;sim &agrave; vida&rdquo; porque significa mergulhar na profundidade da exist&ecirc;ncia, assumindo o que h&aacute; de prazeroso, de positivo e de belo, para express&aacute;-lo com alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>festa<\/strong> &eacute; celebra&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria de experi&ecirc;ncias e acontecimentos da vida. As circunst&acirc;ncias podem ser variadas (casamentos, nascimentos, padroeiros, conquistas, colheitas, anivers&aacute;rios, datas importantes&#8230;), mas o essencial permanece: uma afirma&ccedil;&atilde;o da <strong>vida,<\/strong> da amizade, da comunh&atilde;o, e uma esp&eacute;cie de ju&iacute;zo de valor sobre nosso mundo e sobre nossa exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao valorizar determinados acontecimentos, a <strong>festa<\/strong> constr&oacute;i a comunidade a partir de suas ra&iacute;zes e de sua hist&oacute;ria em vista do futuro; ela torna p&uacute;blico o horizonte social dos participantes. Fazendo a <strong>festa,<\/strong> a comunidade descobre que foi a <strong>festa<\/strong> que a fez. Ela sim, <strong>re-cria <\/strong>a comunidade, <strong>re-criando<\/strong> os participantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Festejar n&atilde;o &eacute; ocultar as tens&otilde;es, os conflitos&#8230; mas, ao contr&aacute;rio, &eacute; um meio de assumi-los e super&aacute;-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas <strong>bodas de Can&aacute;,<\/strong> a novidade est&aacute; numa nova forma de <strong><em>presen&ccedil;a<\/em><\/strong> de Jesus, que n&atilde;o se encontra interessado, em princ&iacute;pio, por fazer coisas, por resolver problemas, sen&atilde;o para tra&ccedil;ar uma presen&ccedil;a como <strong>convidado.<\/strong> Ele n&atilde;o est&aacute; a&iacute; para &ldquo;arrumar&rdquo; as coisas, mas para escutar e compartilhar um momento festivo. Ele se encontra presente de maneira gratuita, num gesto de solidariedade que transcende e supera toda atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o evangelista Jo&atilde;o, a primeira interven&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de Jesus, o Enviado de Deus, n&atilde;o tem nada de &ldquo;religioso&rdquo;. N&atilde;o acontece num lugar sagrado (sinagoga ou templo). Jesus inaugura a Sua atividade prof&eacute;tica &#8220;salvando&#8221; uma festa de casamento que podia ter terminado muito mal. Trata-se do &#8220;primeiro sinal&#8221;, onde nos &eacute; oferecida a chave para entender toda a Sua atua&ccedil;&atilde;o e o sentido profundo da Sua miss&atilde;o salvadora. Convida-nos a que descubramos o Seu significado mais profundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Havia um casamento na Galileia&#8221;.<\/em> Assim come&ccedil;a este relato em que nos &eacute; dito algo inesperado e surpreendente. Este gesto de Jesus ajuda-nos a captar a orienta&ccedil;&atilde;o de toda a Sua vida e o conte&uacute;do fundamental do Seu projeto do Reino de Deus. Enquanto os dirigentes religiosos e os mestres da lei se preocupam com a religi&atilde;o, Jesus dedica-se a fazer mais humana e leve a vida das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os evangelhos apresentam Jesus concentrado, n&atilde;o na religi&atilde;o mas na <strong>vida.<\/strong> Viver o &ldquo;estilo de vida&rdquo; de Jesus n&atilde;o &eacute; s&oacute; para pessoas religiosas e piedosas. &Eacute; tamb&eacute;m para quem ficou decepcionado com a religi&atilde;o, mas sente necessidade de viver de forma mais digna e ditosa. Porqu&ecirc;? Porque Jesus contagia a f&eacute; num Deus festeiro, que n&atilde;o complica nossa vida, mas nos move a confiar n&rsquo;Ele, que com Ele podemos viver com alegria pois Ele nos atrai para uma vida mais generosa, movida por um amor solid&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A espiritualidade de Jesus n&atilde;o &eacute; a espiritualidade do sacrif&iacute;cio, do pecado e da culpa, da busca da perfei&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; a espiritualidade da felicidade e da alegria para as pessoas. Com sua presen&ccedil;a, participando das bodas, das refei&ccedil;&otilde;es festivas e dos banquetes, Jesus anunciava e indicava um outro mundo diferente, onde partilha-se a vida, a conviv&ecirc;ncia, a alegria, abrindo espa&ccedil;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de todos, sobretudo daqueles que eram exclu&iacute;dos da religi&atilde;o. &Eacute; a alegria contagiante do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Jesus, Deus se manifesta em todos os acontecimentos que nos impulsionam a viver mais plenamente. Deus n&atilde;o quer que renunciemos nada do que &eacute; verdadeiramente humano. Ele quer que vivamos o divino no que &eacute; cotidiano e normal. A id&eacute;ia do sofrimento e da ren&uacute;ncia como exig&ecirc;ncia divina &eacute; antievang&eacute;lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena das <strong>bodas de Can&aacute;<\/strong> da Galileia n&atilde;o se limita simplesmente &agrave; aus&ecirc;ncia de vinho. O assunto &eacute; outro: o relato tem que ser entendido na perspectiva do Reino, na din&acirc;mica do tempo messi&acirc;nico. O texto indica que havia a&iacute;, em um lugar da casa, seis talhas de pedra vazias. O texto enfatiza que estavam vazias. S&atilde;o vasos destinados a conter a &aacute;gua da purifica&ccedil;&atilde;o, ritual dos crentes judeus. Por&eacute;m est&atilde;o vazias, secas. Este s&iacute;mbolo indica que o modelo religioso que Jesus encontrou est&aacute; ressecado, vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem para n&oacute;s hoje &eacute; muito simples, mas demolidor. Nem ritos, nem ablu&ccedil;&otilde;es, podem nos purificar. S&oacute; quando saborearmos o vinho-amor da festa e da partilha, ficaremos todos limpos e purificados. S&oacute; quando descobrirmos o Deus presente dentro de n&oacute;s e nas nossas realidades mais cotidianas, seremos capazes de viver a imensa alegria que nasce da profunda unidade com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Geralmente nos contentamos com as seis <strong><em>talhas de pedra<\/em><\/strong> para as purifica&ccedil;&otilde;es, preocupados com os ritos e as normas religiosas; esquecemos que o melhor vinho ainda n&atilde;o foi servido, pois est&aacute; escondido no mais profundo de n&oacute;s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis&atilde;o dos primeiros crist&atilde;os, que acabavam de se separar do juda&iacute;smo, a lei judaica, antes de ajudar, acabou dificultando a rela&ccedil;&atilde;o de Deus com seu povo. Por isso para eles era uma lei vazia, sem sentido, que somente gerava carga e n&atilde;o possibilidade de liberdade e de alegria. As talhas de pedra, destinadas &agrave; purifica&ccedil;&atilde;o, eram um s&iacute;mbolo que dominava a lei antiga. Esse modelo de lei criava com Deus uma rela&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil e fr&aacute;gil, mediada por ritos frios e carentes de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a presen&ccedil;a de Jesus, a ritualidade, o legalismo, a norma fria e vazia, se transformam em vinho, s&iacute;mbolo da alegria, do j&uacute;bilo messi&acirc;nico, da festa da chegada do tempo novo do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atitude de Jesus, sem nenhum tipo de imposi&ccedil;&atilde;o, vai revelando uma nova imagem e um novo conceito de Deus. Deus deixou de ser esse ser estranho e distante, que atemoriza o ser humano com o peso da doutrina e das leis, mas que revela sua face misericordiosa, ou seja, o Deus que caminha com seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos de eliminar, em nossa vida pessoal comunit&aacute;ria, com os sistemas religiosos desumanizantes, para conseguir entrar na din&acirc;mica libertadora, inclusiva e festiva que Jesus inaugurou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Texto b&iacute;blico<\/u><\/strong><strong>:&nbsp; <\/strong><strong>Jo 2,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong> &ldquo;Festeje a <strong>f&eacute;<\/strong> que torna Deus luz e garantia para os nossos&nbsp;caminhos; festeje a <strong>esperan&ccedil;a<\/strong> que transporta os seres ao novo do amanh&atilde;; festeje o <strong>amor<\/strong>&nbsp; que os torna fonte de crescimento e uni&atilde;o.&nbsp;Ao festejar o <strong>mist&eacute;rio<\/strong> que o carrega e atrai, ser&aacute; capaz de transformar o dever em prazer, a dor em dinamismo de renova&ccedil;&atilde;o e a conviv&ecirc;ncia em promessa que se h&aacute; de revelar gra&ccedil;a onipresente.&nbsp;Enxergue em tudo a d&aacute;diva e repouse do cansa&ccedil;o; celebre a <strong>festa<\/strong> em clima de gratid&atilde;o e nunca deixar&aacute; de ser motivado para um novo entusiasmo, recompensado tamb&eacute;m em ritmo de morte-ressurrei&ccedil;&atilde;o&rdquo;. (F. Cl&aacute;udio V.B.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-nFZKsJIdcFo\/VLvVk7adkJI\/AAAAAAAAIV8\/tkLygsPEE6o\/s1600\/cana2.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"420\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Tamb&eacute;m Jesus e seus disc&iacute;pulos tinham sido convidados para o casamento&rdquo; (Jo 2,2) A festa est&aacute; profundamente enraizada no cora&ccedil;&atilde;o do ser humano; ela proporciona o diferente, o novo, o exuberante, o ut&oacute;pico;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1706,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1356"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1356\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1706"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}