{"id":1320,"date":"2016-01-23T00:00:00","date_gmt":"2016-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-as-credenciais-de-jesus-e-seus-seguidores\/"},"modified":"2016-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-23T00:00:00","slug":"reflexao-dominical-as-credenciais-de-jesus-e-seus-seguidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-as-credenciais-de-jesus-e-seus-seguidores\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Dominical &#8211; As credenciais de Jesus e seus seguidores"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>[imagem1]<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&ldquo;Jesus voltou para a Galil&eacute;ia com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito&#8230;&rdquo;<\/em><\/strong> (Lc 4,14)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Depois do pr&oacute;logo, saltando os relatos da inf&acirc;ncia, do batismo e das tenta&ccedil;&otilde;es, o texto evang&eacute;lico que a liturgia nos prop&otilde;e para este domingo nos situa no come&ccedil;o da chamada &ldquo;atividade p&uacute;blica&rdquo; de Jesus, com a proclama&ccedil;&atilde;o daquilo que constitui seu &ldquo;discurso program&aacute;tico&rdquo;. Lucas quer apresentar&nbsp; Jesus como o <strong>&ldquo;Ungido&rdquo;<\/strong> de Deus, cuja miss&atilde;o consiste em ser <strong><em>&ldquo;boa not&iacute;cia&rdquo;<\/em><\/strong> para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de come&ccedil;ar a narrar o minist&eacute;rio p&uacute;blico de Jesus, Lucas quer deixar muito claro a seus leitores qual &eacute; a paix&atilde;o que impulsiona o Profeta da Galil&eacute;ia e qual &eacute; a meta de toda sua atua&ccedil;&atilde;o. Os crist&atilde;os dever&atilde;o &nbsp;saber em que dire&ccedil;&atilde;o o Esp&iacute;rito de Deus move a Jesus, pois segui-lo &eacute; precisamente caminhar com Ele&nbsp; na mesma dire&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Lc 4,14 come&ccedil;a propriamente a vida p&uacute;blica de Jesus com este relato da prega&ccedil;&atilde;o na sinagoga de seu povoado, depois de uma breve introdu&ccedil;&atilde;o geral na qual fala de seus ensinamentos nas sinagogas da Galil&eacute;ia. Ao aplicar-se a si mesmo o texto de Isa&iacute;as, Jesus est&aacute; declarando sua condi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;Ungido&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele voltou &agrave; Galil&eacute;ia conduzido pelo Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui est&aacute; a chave. S&oacute; o Esp&iacute;rito pode nos capacitar para cumprir a miss&atilde;o que temos como seres humanos. Tanto no AT como no NT, ungir era capacitar algu&eacute;m para uma miss&atilde;o. Paulo nos diz isso com uma claridade meridiana: se todos bebemos de um mesmo Esp&iacute;rito, seremos capazes de superar o individualismo, e entraremos na din&acirc;mica de perten&ccedil;a a um mesmo corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;A primeira coisa que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; a apresenta&ccedil;&atilde;o que Lucas faz de Jesus como algu&eacute;m que &eacute; movido <em>&ldquo;pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito&rdquo;.<\/em> Nem sempre somos conscientes das <strong>&ldquo;for&ccedil;as&rdquo;<\/strong> que nos movem em nosso viver cotidiano, tampouco das motiva&ccedil;&otilde;es reais que nos impulsionam a tomar certas decis&otilde;es. Dois dinamismos atuam em nosso interior: um, de impulso para algo maior, para o servi&ccedil;o, para ser presen&ccedil;a inspiradora; outro, de atrofia, de acomoda&ccedil;&atilde;o e medo. Qual das duas &ldquo;for&ccedil;as&rdquo; alimentamos em nosso interior?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus chamava a aten&ccedil;&atilde;o pela claridade de suas motiva&ccedil;&otilde;es e a coer&ecirc;ncia com as mesmas: &eacute; o homem &iacute;ntegro e fiel, l&uacute;cido e transparente. Deixa-se conduzir pelo Esp&iacute;rito no mais profundo de si mesmo; deixa que Deus viva nele; deixa Deus ser Deus nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Lucas descreve com todo detalhe o que faz Jesus na sinagoga de seu povo: p&otilde;e-se de p&eacute;, recebe o livro sagrado, busca uma passagem de Isa&iacute;as, l&ecirc; o texto, fecha o livro, o devolve e se senta. Todos h&atilde;o de escutar com aten&ccedil;&atilde;o as palavras escolhidas por Jesus pois elas explicitam a miss&atilde;o &agrave; qual Ele se sente enviado por Deus. Ele come&ccedil;a a gritar uma mensagem nova e diferente, surpreendente e provocativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas s&atilde;o as <strong>credenciais<\/strong> de Jesus, aquelas que identificam sua personalidade e sua miss&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ser&atilde;o tamb&eacute;m estas as credenciais que nos identificam como seus seguidores. Surpreendentemente, o texto n&atilde;o fala de organizar uma religi&atilde;o mais perfeita, de implantar um culto mais digno ou de apresentar novas leis, mas de comunicar liberta&ccedil;&atilde;o, esperan&ccedil;a, luz e gra&ccedil;a aos mais pobres e exclu&iacute;dos. &Eacute; curioso que os tra&ccedil;os distintivos de sua miss&atilde;o n&atilde;o fazem refer&ecirc;ncia &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o com Deus; todos fazem refer&ecirc;ncia &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com as pessoas mais necessitadas e marginalizadas: os pobres, os cativos, os cegos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua &uacute;nica preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; a miss&atilde;o de &ldquo;anunciar o Evangelho&rdquo;. Jesus n&atilde;o veio anunciar desgra&ccedil;as, castigos, nem impor medo atrav&eacute;s de uma religi&atilde;o moralista e legalista. Jesus veio anunciar &ldquo;boas not&iacute;cias&rdquo;: uma vida digna e de esperan&ccedil;a aos pobres; a liberdade &agrave;queles que carecem dela; a vista &agrave;queles que n&atilde;o podem ver. Jesus n&atilde;o faz proselitismo e nem nos convoca para seguir uma determinada religi&atilde;o, uma doutrina&#8230; mas para sermos presen&ccedil;as humanizadoras e libertadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;A <strong>miss&atilde;o<\/strong> de Jesus &eacute; a de aliviar o sofrimento humano; o sofrimento dos inocentes &eacute; a primeira preocupa&ccedil;&atilde;o d&rsquo;Ele: n&atilde;o suportava ver as pessoas sendo exploradas e marginalizadas; n&atilde;o aguentava a dor dos outros, porque sua sensibilidade n&atilde;o tolerava isso. Jesus <strong><em>&ldquo;desce&rdquo;<\/em><\/strong> em dire&ccedil;&atilde;o a tudo o que desumaniza as pessoas: os traumas, as experi&ecirc;ncias de rejei&ccedil;&atilde;o e exclus&atilde;o, as feridas existenciais, a falta de perspectiva frente ao futuro, o peso do legalismo e moralismo, a for&ccedil;a de uma religi&atilde;o que oprime e refor&ccedil;a os sentimentos de culpa, as institui&ccedil;&otilde;es que atrofiam o desejo de viver&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, tudo aquilo que prejudica as pessoas, provoca mis&eacute;ria, tira a dignidade do homem&nbsp; e da mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas destaca que <em>&ldquo;todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos n&rsquo;Ele&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ao &ldquo;fixar os olhos n&rsquo;Ele&rdquo; os ouvintes s&atilde;o movidos a ampliar o olhar e voltar-se para aqueles que s&atilde;o v&iacute;timas do sistema social e religioso de seu tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas percebem n&rsquo;Ele um novo <strong>Mestre,<\/strong> cujo ensinamento desperta o assombro e a admira&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos, na ora&ccedil;&atilde;o, considerar algumas express&otilde;es do Evangelho de Lucas e que revelam a ess&ecirc;ncia de uma vida que se deixa impactar pelo modo de ser e viver de Jesus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&#8211; &ldquo;Ungidos pelo Esp&iacute;rito&rdquo;: <\/em><\/strong>&nbsp;todos somos marcados, assinalados pela un&ccedil;&atilde;o no Esp&iacute;rito. Carregamos a &ldquo;marca&rdquo; do Esp&iacute;rito: Esp&iacute;rito que n&atilde;o est&aacute; sobre n&oacute;s, mas dentro de cada um de n&oacute;s; Esp&iacute;rito que nos habita e que nos conduz para fora de n&oacute;s mesmos, em dire&ccedil;&atilde;o ao compromisso com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&#8211; &ldquo;Enviados para anunciar o Evangelho&rdquo;,<\/em><\/strong> ou seja, ser boa not&iacute;cia para os outros atrav&eacute;s de nossa presen&ccedil;a alegre e solid&aacute;ria. N&atilde;o somos enviados para anunciar m&aacute;s not&iacute;cias e desgra&ccedil;as, nem para alimentar culpabilidades nos outros, impondo falsos moralismos e legalismos que bloqueiam a vida das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos enviados a anunciar aos tristes a alegria de Deus, aos pobres a esperan&ccedil;a de um mundo mais humano, justo e fraterno, aos exclu&iacute;dos o amor de Deus, aos que nada contam aos olhos dos homens que eles s&atilde;o importantes para Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&#8211; &ldquo;Enviados a anunciar a liberdade aos oprimidos&rdquo;:<\/em><\/strong> anunciar que Deus nos quer a todos livres; ser presen&ccedil;a libertadora de tudo o que desumaniza o ser humano: pobreza e mis&eacute;ria, ignor&acirc;ncia e viol&ecirc;ncia, opress&atilde;o religiosa, preconceitos, explora&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&#8211; &ldquo;Enviados a ativar a vis&atilde;o aos cegos&rdquo; <\/em><\/strong>para que vejam as maravilhas que acontecem ao seu redor, para ver o rosto de Deus no rosto de cada irm&atilde;o, para encantar-se com a beleza e grandeza da Cria&ccedil;&atilde;o, para contemplar a presen&ccedil;a do Criador em tudo e em todos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&#8211; &ldquo;Enviados a proclamar o ano da Gra&ccedil;a do Senhor<\/em><\/strong><strong>&rdquo;:<\/strong> a plenitude humana que Jesus come&ccedil;ou a realizar se expressa como festa jubilar: ano de gra&ccedil;a, tempo de j&uacute;bilo que, conforme &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o de Israel, se torna celebra&ccedil;&atilde;o de fraternidade, perd&atilde;o das d&iacute;vidas, liberta&ccedil;&atilde;o dos escravos, partilha das terras&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste <strong>&ldquo;Ano jubilar da Miseric&oacute;rdia&rdquo; <\/strong>somos convocados a ser presen&ccedil;a reconciliadora em meio aos conflitos, a indicar para os desanimados a esperan&ccedil;a da salva&ccedil;&atilde;o, a viver como filhos de Deus e como irm&atilde;os, a viver a presen&ccedil;a de Deus neles&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Texto b&iacute;blico<\/u><\/strong><strong>:&nbsp; <\/strong><strong>Lc 1,1-4; 4,14-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o: &ldquo;<\/strong>Hoje se cumpre essa escritura em ti&rdquo;. Esse mesmo Esp&iacute;rito que atuou em Jesus, est&aacute; atuando&nbsp;sempre em ti. Deus d&aacute; o Esp&iacute;rito sem medida. Se n&atilde;o descobres e n&atilde;o experimentas isto, nenhuma vida espiritual ser&aacute; poss&iacute;vel. O Esp&iacute;rito te levar&aacute; ao amor. O amor se manifestar&aacute; em atitudes, que sempre beneficiar&atilde;o os outros. A for&ccedil;a do ego nos separa. A for&ccedil;a do Esp&iacute;rito nos identifica.&nbsp;Conecta com essa energia divina que j&aacute; est&aacute; em ti, e a espiritualidade ser&aacute; o que h&aacute; de mais espont&acirc;neo e natural de tua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &nbsp; &ldquo;Jesus voltou para a Galil&eacute;ia com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito&#8230;&rdquo; (Lc 4,14) &nbsp;Depois do pr&oacute;logo, saltando os relatos da inf&acirc;ncia, do batismo e das tenta&ccedil;&otilde;es, o texto evang&eacute;lico que a liturgia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1671,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1320"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1320"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1320\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}