{"id":12915,"date":"2020-02-04T13:57:35","date_gmt":"2020-02-04T13:57:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=12915"},"modified":"2020-02-04T13:57:37","modified_gmt":"2020-02-04T13:57:37","slug":"a-sinodalidade-e-o-que-fara-acontecer-a-igreja-em-saida-mas-o-laicato-precisa-mudar-de-atitude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-sinodalidade-e-o-que-fara-acontecer-a-igreja-em-saida-mas-o-laicato-precisa-mudar-de-atitude\/","title":{"rendered":"A Sinodalidade \u00e9 o que far\u00e1 acontecer a Igreja em Sa\u00edda, mas o laicato precisa mudar de atitude"},"content":{"rendered":"\n<p> Tenho dito repetidas vezes nos \u00faltimos anos, sobretudo a partir de reflex\u00f5es e estudos do CEBI, que a Igreja Cat\u00f3lica e o cristianismo como um todo, precisam aprender com as Comunidades e com os Povos Tradicionais, algumas li\u00e7\u00f5es importantes. Aprender sobre a vida em comunidade; sobre a rela\u00e7\u00e3o com a M\u00e3e Terra; sobre Ecologia; sobre Bem Viver e sobre Escuta e Di\u00e1logo e sobre Espiritualidade. Lendo o Documento Final (58) da CNBB, sobre o S\u00ednodo da Amaz\u00f4nia, senti uma incr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de estar no caminho certo.\u00a0<em>\u201cA sinodalidade \u00e9 o modo de ser da Igreja Primitiva (At 15) e deve ser o nosso<\/em>\u201d (CNBB, doc. 58, N\u00ba 87).\u00a0<strong>E o que \u00e9 S\u00ednodo e o que \u00e9 a Sinodalidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para uma Igreja fortemente hierarquizada, em que se naturalizou uma rela\u00e7\u00e3o verticalizada e autorit\u00e1ria e de depend\u00eancia, primeiro \u00e9 preciso convencer as pessoas de que isso \u00e9 poss\u00edvel. Depois, todos teremos que nos esfor\u00e7ar para tornar isso poss\u00edvel. A mudan\u00e7a de mentalidade do laicato, no entanto, \u00e9 decisiva para, alcan\u00e7ando a maturidade crist\u00e3, conduzir a Igreja \u00e0 Convers\u00e3o Pastoral. Seria uma ingenuidade acreditar que, o clero por si s\u00f3, mudaria um comportamento confort\u00e1vel e enraizado por s\u00e9culos. Seria ignorar tudo o que descobrimos e aprendemos sobre n\u00f3s mesmos, como seres humanos nesta nossa passagem pelo planeta azul. \u00c9 sempre bom lembrar o Mestre Paulo Freire e sua frase pastoralmente esperan\u00e7osa e revolucion\u00e1ria.&nbsp;<em><strong>\u201cMudar \u00e9 dif\u00edcil, mas \u00e9 poss\u00edvel\u201d.&nbsp;<\/strong><\/em>Respondendo a nossa pergunta,&nbsp;<em>\u201cser s\u00ednodo \u00e9 seguir juntos o \u201ccaminho do Senhor (At 18,25)\u201d.&nbsp;<\/em>Este, no entanto, \u00e9 um sonho antigo cantado na Igreja.&nbsp;<em>\u201cAgora \u00e9 tempo de ser Igreja, caminhar juntos, participar\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para caminharmos juntos existem algumas exig\u00eancias b\u00e1sicas: em primeiro lugar, \u00e9 preciso que quem estiver no comando saiba desapegar-se do controle de tudo! Abrir m\u00e3o de dizer sempre a \u00faltima palavra. De condicionar as atividades \u00e0 sua presen\u00e7a. A m\u00e3e e o pai s\u00e3o os mestres que ensinam o filho a caminhar. Seguram-no pela m\u00e3o, at\u00e9 forram o entorno por onde ele vai se mover, mas chega um momento em que \u00e9 preciso acreditar, confiar. \u00c9 preciso deix\u00e1-lo cair algumas vezes. Cair faz parte do aprender a caminhar. A gente s\u00f3 aprende a caminhar direito, depois que aprende a cair. \u00c9 como andar de bicicleta. \u00c9 como praticar qualquer arte marcial. \u00c9 caindo que a gente aprende, primeiro a equilibrar-se e a se levantar, e depois a se manter em p\u00e9 e a derrubar o oponente. Em segundo lugar, \u00e9 preciso acreditar que a outra pessoa \u00e9 capaz. Isso significa deix\u00e1-la errar do jeito dela, cometer seus pr\u00f3prios erros, ao inv\u00e9s de repetir os erros da gente. A sinodalidade, como objetivo da Igreja, vista como \u201cfiel a Cristo e guiada pelo Esp\u00edrito Santo (CNBB, Doc. 100, N\u00ba 105), \u201cDe m\u00e3os unidas para cuidar\u201d (CF2020, N\u00ba 96), \u201cInstitu\u00edda por Cristo com v\u00e1rios minist\u00e9rios\u201d (LG N\u00ba 18), carece de um novo paradigma, onde a Par\u00f3quia seja efetivamente, \u201cUma comunidade de comunidades\u201d (Doc. 100, N\u00ba 134; DAp N\u00ba 170), \u201cCentros de irradia\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios\u201d (DAp N\u00ba 306).<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho repetido igualmente a express\u00e3o, \u201cIgreja que escreve e Igreja que faz\u201d, porque, a Igreja que escreve, \u00e9 o clero. \u00c9 certo que n\u00e3o significa que seja a Igreja clericalizada. N\u00e3o! Inclusive, o projeto escrito \u00e9 muito bom! \u00c9 impressionante que o que escreve a CNBB e, sobretudo o Papa Francisco, n\u00e3o seja o fruto de uma exig\u00eancia do laicato ou mesmo de sua participa\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o escrito por ele. Acontece que a Igreja que faz, sobretudo atrav\u00e9s das pastorais e das Comunidades Eclesiais de Base, age como se n\u00e3o existisse o que est\u00e1 escrito. Simplesmente porque o desconhece. Aqui, quem escreve \u00e9 quem pensa, \u00e9 quem decide e \u00e9 quem manda. Somos uma religi\u00e3o do Livro vivida numa Igreja que se alimenta mais da palavra do clero do que Palavra de Deus. Muitas vezes estas s\u00e3o diferentes, contradit\u00f3rias, inconcili\u00e1veis at\u00e9. O nosso processo de aprendizado \u00e9 predominantemente oral, carente de testemunhos, por mais que eles existam e sejam eloquentes! Apesar de an\u00f4nimos ou acontecerem frequentemente \u00e0 revelia do clero. Distantes dos templos e altares. Como se fossem uma rebeldia do Esp\u00edrito Santo. Sen\u00e3o, vejamos: onde foi o assassinato de Irm\u00e3 Dorothy? De Chico Mendes? De Marielle? De Padre Josimo? De Santo Dias? De Frei Tito?<\/p>\n\n\n\n<p>Para que aconte\u00e7a a Sinodalidade \u00e9 preciso reduzirem-se os abismos relacionais entre o clero e o laicato. E para isto, \u00e9 o laicato que tem que se mexer. Come\u00e7ar a escrever, a registrar e a partilhar experi\u00eancias, tornando-as p\u00fablicas, para que sejam vistas e conhecidas. Isso come\u00e7a estudando. Fazendo teologia. A vis\u00e3o de mundo, de ser humano, de Igreja e de Deus, do laicato enriquecer\u00e1 o clero, a Igreja e o pr\u00f3prio conceito de Reino de Deus. Para isto, \u00e9 preciso estudar teologia, conhecer a Doutrina Social da Igreja, assumir o protagonismo pastoral. Por vezes \u00e9 dif\u00edcil acreditar que as reuni\u00f5es das pastorais s\u00e3o frequentemente adiadas ou canceladas por que o Padre ou o Di\u00e1cono n\u00e3o podem ir. Ou isto n\u00e3o acontece? E nem sempre isso acontece por vontade deles.<\/p>\n\n\n\n<p>As Comunidades Eclesiais de Base \u2013 CEBs t\u00eam dado um exemplo de engajamento nas causas sociais, nas quest\u00f5es pol\u00edticas e mantido acesa a chama prof\u00e9tica na Igreja. Isso \u00e9 fato. \u00c0s vezes ao menos a cinza quente. Mas precisam se fazerem alguns questionamentos, ouvirem mais os passarinhos, os sapos, ou silenciados e as ruas. Por exemplo, a metodologia utilizada pelas CEBs est\u00e1 contribuindo mais para uma Igreja em Sa\u00edda ou est\u00e1 legitimando a perman\u00eancia do povo sob o conforto dos templos? Est\u00e1 gerando uma Igreja itinerante, caminheira, n\u00f4made em certa medida, ou est\u00e1 fortalecendo a paroquializa\u00e7\u00e3o em que o que existe \u00e9 o que acontece sob o comando do Padre ou do Di\u00e1cono? Sem uma mudan\u00e7a de mentalidade, sem uma teologia leiga, sem mudar o paradigma de Igreja, quaisquer tentativas de mudan\u00e7a, como o pr\u00f3prio diaconato ou a ordena\u00e7\u00e3o de mulheres, significar\u00e1 apenas um pouco mais do mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os eventos, as atividades, inclusive os Encontros Intereclesiais, est\u00e3o sendo um meio, uma ponte entre um aqui e um acol\u00e1, ou t\u00eam um fim em si mesmos? Em que medida as CEBs s\u00e3o leitoras, estudantes, meditantes e seguidoras da Palavra de Deus? O an\u00fancio e o testemunho costumam andar juntos. Ali\u00e1s, as Diretrizes Gerais da A\u00e7\u00e3o Evangelizadora da CNBB 2019-2023, dizem,&nbsp;<em>\u201cO testemunho e o an\u00fancio rejuvenescem a Igreja\u201d<\/em>&nbsp;(DGAE, N\u00ba 11). Queremos uma Igreja jovem? Que sabe a linguagem de nosso tempo? Ou sentimos saudades do s\u00e9culo XX? Qual tem sido, por exemplo, a contribui\u00e7\u00e3o das juventudes \u2013 J\u00e1 que o Oitavo Intereclesial do Regional Sul2 tem como tema,&nbsp;<em><strong>\u201cCEBs: Igreja em Sa\u00edda, na defesa da vida das Juventudes?\u201d<\/strong><\/em>&nbsp;Em que medida o encontro ser\u00e1 feito com a Juventude e n\u00e3o para ela? O que n\u00f3s estamos fazendo de todo o acervo de testemunho de an\u00fancio, de den\u00fancias e viv\u00eancias prof\u00e9ticas das gera\u00e7\u00f5es passadas? J\u00e1 temos o como fazer, basta tomarmos a decis\u00e3o de agir. Apenas um exemplo,&nbsp;<em>\u201cA teologia do laicato come\u00e7ou a ser resgatada gra\u00e7as \u00e0 atua\u00e7\u00e3o dos leigos, em modo particular no seio da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Especializada\u201d<\/em>&nbsp;(BRIGHENTI, 2016, p 32). Cad\u00ea essa teologia?<\/p>\n\n\n\n<p>O di\u00e1logo, de certa forma, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre um falante e um ouvinte que alternam as fun\u00e7\u00f5es a cada instante. O falante fala e se torna ouvinte e este, ouve e se torna falante. Ao final, ambos devem sair diferentes, enriquecidos. O que n\u00e3o pode ocorrer \u00e9 que um destes saia convencido pelo outro que este \u00e9 que est\u00e1 certo. O que falamos? Para quem falamos? Falamos o que a \u201cplateia\u201d quer ouvir, para afagar os seus ouvidos e para ganhar aplausos e outras vantagens? Trocar mensagens entres os egos, de modo que n\u00e3o haja conflito? E n\u00e3o havendo conflito, n\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m mudan\u00e7a de mentalidade. E sem mudan\u00e7a de mentalidade n\u00e3o poder\u00e1 haver convers\u00e3o. E sem convers\u00e3o, tornamo-nos papagaios, tagarelas fazendo tagarelices e confundimos a profecia com a propaganda de alguma coisa ou de algu\u00e9m. Ignoramos frequentemente a comunica\u00e7\u00e3o interpessoal. Falamos para n\u00f3s mesmos e ouvimos a n\u00f3s mesmos, com linguagens, vocabul\u00e1rios e paradigmas do s\u00e9culo passado. Por que ser\u00e1 que as juventudes n\u00e3o nos entendem e nem mesmo nos ouvem? Ser\u00e1 problema com elas?<\/p>\n\n\n\n<p>A metodologia e a did\u00e1tica das CEBs, assim como das pastorais, s\u00e3o, grosso modo, um subproduto da metodologia e da did\u00e1tica do clero: algu\u00e9m que faz comunicados para algu\u00e9m. \u00c9 preciso investir nas pessoas, na atualiza\u00e7\u00e3o teol\u00f3gico-pastoral. \u00c9 preciso come\u00e7ar a perguntar: qual \u00e9 o investimento que Igreja faz (a partir das par\u00f3quias, das dioceses e das faculdades cat\u00f3licas), na forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as leigas? A resposta a esta pergunta, se sincera, al\u00e9m demostrar qual \u00e9 o real lugar do laicato na vida da Igreja, comparado com o que dizem os Documentos e o que deseja o Papa Francisco, tamb\u00e9m nos mostrar\u00e1 o qu\u00e3o distante ou pr\u00f3ximo estar\u00e1 a sonhada e necess\u00e1ria mudan\u00e7a de mentalidade. Um dos organizadores da bel\u00edssima obra \u201cDicion\u00e1rio Paulo Freire\u201d, o professor da UNISINOS, Danilo R Streck, professor convidado para a minha banca de defesa de mestrado, ao falar sobre a identidade de Freire, com a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, diz:\u00a0<em>\u201c(\u2026) Nesse sentido, diz Freire, as Igrejas n\u00e3o podem refugiar-se numa pretensa neutralidade, mas assumir o seu papel prof\u00e9tico de den\u00fancia e de an\u00fancio. A P\u00e1scoa \u2013 a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 precisa ser existenciada na concretude da vida e da hist\u00f3ria\u201d\u00a0<\/em>(Aut\u00eantica, 2010, p 180). Qual \u00e9 a teologia das CEBs? Qual \u00e9 a teologia das pastorais? \u00c9 poss\u00edvel responder a esta pergunta, ou ela \u00e9 desnecess\u00e1ria? Qual seria a nossa resposta, caso, a exemplo de Filipe ao et\u00edope, algu\u00e9m nos perguntasse, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Palavra de Deus ou aos Documentos da Igreja: \u201cVoc\u00ea entende o que est\u00e1 lendo?\u201d (Ver At 8, 26-40).<\/p>\n\n\n\n<p>Por Jo\u00e3o Santiago, Te\u00f3logo, Poeta e Militante.<br>Autor do livro \u201cTeologia Pastoral \u2013 A Arte do Seguimento e do Discipulado de Leigos e Leigas\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho dito repetidas vezes nos \u00faltimos anos, sobretudo a partir de reflex\u00f5es e estudos do CEBI, que a Igreja Cat\u00f3lica e o cristianismo como um todo, precisam aprender com as Comunidades e com&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12916,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12915"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12915"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12917,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12915\/revisions\/12917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}