{"id":1262,"date":"2016-02-06T00:00:00","date_gmt":"2016-02-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-alargar-espacos-sair-as-margens\/"},"modified":"2016-02-06T00:00:00","modified_gmt":"2016-02-06T00:00:00","slug":"reflexao-dominical-alargar-espacos-sair-as-margens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-alargar-espacos-sair-as-margens\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Dominical &#8211; alargar espa\u00e7os, sair \u00e0s margens"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>[imagem1]<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>&ldquo;Subiu num dos barcos e pediu que se afastasse um pouco da terra&rdquo; (Lc 5,3)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">Jesus entrou em conflito com o mundo religioso da sinagoga. A Lei, que se expressava em inumer&aacute;veis preceitos minuciosos, fragmentava a exist&ecirc;ncia, atrofiava a criatividade e n&atilde;o representava vida nova para o povo. A novidade de Jesus n&atilde;o cabia nos moldes da sinagoga, e come&ccedil;ou a buscar outros espa&ccedil;os onde criar a vida expansiva do Reino, elaborar novos sinais e cunhar novas palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;O &ldquo;outro lado&rdquo;, para Ele, passa a ser terra privilegiada, onde nasce o &ldquo;novo&rdquo; por obra do Esp&iacute;rito. Ali aparece o broto germinal do &ldquo;nunca visto&rdquo;, que em sua pequenez de fermento prof&eacute;tico torna-se uma den&uacute;ncia ao imobilismo petrificado e um questionamento &agrave; ordem estabelecida. Isso vai gerar uma maneira nova de viver, um estilo de vida, um compromisso diferente, uma a&ccedil;&atilde;o carregada de ousadia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Uma multid&atilde;o vinda de todas as partes o seguiu at&eacute; &agrave; beira do lago de Genesar&eacute;, e Jesus pediu a seus disc&iacute;pulos que tivessem uma barca preparada, pois o povo o apertava, porque tinha curado a muitos. O povo acorre onde h&aacute; vida nova que estreme&ccedil;a sua letargia. Jesus se afasta do centro, da sinagoga e busca as margens do lago. E ali desencadeia um &ldquo;movimento humanizador&rdquo;: vida destravada e abundante, horizonte de sentido, rela&ccedil;&otilde;es de comunh&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Encontrando-se em meio a um mundo em efervesc&ecirc;ncia, Jesus lan&ccedil;ou por terra as paredes e os muros dos templos e sinagogas e mergulhou no mar espa&ccedil;oso da vida cotidiana. Ele alcan&ccedil;ou sua plenitude humana precisamente porque foi capaz de &ldquo;transgredir&rdquo; o que estava estabelecido e abrir-se &agrave; universalidade de todas as terras, de todos os povos, sem distin&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;as, condi&ccedil;&atilde;o social&#8230; Seu itiner&aacute;rio n&atilde;o foi unicamente geogr&aacute;fico. Mais que um simples deslocar-se, trata-se de um &ldquo;modo de viver&rdquo; e de situar-se no mundo. Ele se fez presente nos lugares socialmente rejeitados, lugares de exclus&atilde;o e da marginalidade, e ali revelou a presen&ccedil;a d&rsquo;Aquele que se faz presente e santifica todos os lugares: o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Jesus, na Galil&eacute;ia, encontrou os seus lugares: junto ao mar, nas estradas poeirentas, nas margens&#8230; Ele se fez presente nos lugares onde se encontravam aqueles que n&atilde;o tinham &ldquo;lugar&rdquo;, os &ldquo;deslocados&rdquo; e que foram a raz&atilde;o de seu amor e do seu cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Na Galil&eacute;ia, Jesus tem suas prefer&ecirc;ncias e escolhe o seu &ldquo;lugar&rdquo;, o lugar entre os mais pobres, v&iacute;timas daqueles que se fazem donos dos lugares ou os excluem dos &ldquo;lugares sagrados&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Jesus transitou livremente por diferentes espa&ccedil;os; o deserto foi para ele um espa&ccedil;o necess&aacute;rio de solid&atilde;o e de ora&ccedil;&atilde;o, onde, na intimidade com o Pai, alimentava a originalidade de sua pessoa e de sua miss&atilde;o. As margens do lago constitu&iacute;am a trama da vida cotidiana, lugar de trabalho, de mercado, de encontros. As margens das cidades situavam-no frente &agrave; vida descartada, exclu&iacute;da, enferma ou fracassada. A montanha foi um lugar de perspectiva em momentos especiais de mudan&ccedil;a, como a elei&ccedil;&atilde;o dos Doze, a apresenta&ccedil;&atilde;o das Bem-aventuran&ccedil;as ou a Transfigura&ccedil;&atilde;o no caminho para a P&aacute;scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Jesus n&atilde;o se move preso aos espa&ccedil;os do Templo, mas vive aberto &agrave; surpresa e ao dinamismo do Reino, que irrompe como gra&ccedil;a no centro da vida cotidiana. Em seus deslocamentos descobre, nas margens do lago e nas aldeias dos camponeses, que os homens e mulheres considerados os exclu&iacute;dos e os sem lugares s&atilde;o os verdadeiros criadores de uma nova realidade, os reais protagonistas, construtores de um mundo novo, sal nos paladares desanimados e luz nas noites escuras da humanidade e da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Com sua presen&ccedil;a inspiradora e provocativa, Jesus alarga os espa&ccedil;os e os cora&ccedil;&otilde;es das pessoas: ao entrar no barco, este deixa de ser simples instrumento de pesca para ser lugar do an&uacute;ncio; Ele amplia o rotineiro modo de pescar (&ldquo;lan&ccedil;ai as redes em &aacute;guas mais profundas&rdquo;); por fim, desafia aqueles rudes pescadores a deixarem aquele atrofiado mar e entrar no vasto oceano da vida (&ldquo;sereis pescadores do humano&rdquo;). Do mar da Galileia ao mar da vida: este &eacute; o movimento que Jesus desperta nas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<strong>Ele continua desafiando a que cada um mergulhe mais fundo no oceano do cora&ccedil;&atilde;o e ali ative os recursos ainda escondidos: novos sonhos, novas possibilidades, nova inspira&ccedil;&atilde;o, novo sentido para a exist&ecirc;ncia&#8230; Para isso, &eacute; preciso vencer o medo que atrofia tudo o que &eacute; humano em n&oacute;s e entrar no movimento expansivo de Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;<\/strong>Onde est&atilde;o os espa&ccedil;os de nossa miss&atilde;o e de nossa presen&ccedil;a? Em qu&ecirc; margens da sociedade, da economia, da cultura, &nbsp;devemos nos situar para a&iacute; descobrir a novidade de Deus que nos desinstala e nos abre um futuro iluminador? Onde est&atilde;o os espa&ccedil;os de solid&atilde;o e de sil&ecirc;ncio, de desintoxica&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, de encontro com o mais profundo de n&oacute;s mesmos, por onde surge a palavra &uacute;nica que Deus nos dirige, integrando-nos como pessoas e expandindo-nos a uma presen&ccedil;a mais criativa na realidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;O profeta Isa&iacute;as nos recomenda ampliar este &ldquo;espa&ccedil;o interior&rdquo;: <strong>&ldquo;Alarga o espa&ccedil;o de tua tenda, estende sem medo tuas lonas, alonga tuas cordas, finca bem tuas estacas&rdquo; (Is. 54,2). <\/strong>Ampliar os espa&ccedil;os do cora&ccedil;&atilde;o implica agilidade, flexibilidade, criatividade e abertura &agrave;s novas ideias e &agrave;s novas descobertas. Algumas fortalezas e seguran&ccedil;as pessoais caem quando os &ldquo;espa&ccedil;os interiores&rdquo;, abrasados e iluminados pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito, come&ccedil;am a romper as paredes e se encarnam em &ldquo;espa&ccedil;os exteriores&rdquo;, marcados pela beleza e encantamento: espa&ccedil;o familiar, espa&ccedil;o celebrativo, espa&ccedil;o esportivo, espa&ccedil;o de conviv&ecirc;ncia&#8230; um espa&ccedil;o nobre que s&oacute; tem sentido quando carregado de presen&ccedil;as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;N&atilde;o tem sentido ampliar os espa&ccedil;os externos se nossa mente permanece estreita, se nosso cora&ccedil;&atilde;o continua insens&iacute;vel, se nossas m&atilde;os est&atilde;o atrofiadas, se nossa criatividade sente-se bloqueada&#8230; Espa&ccedil;o amplo &eacute; convite a sonhar alto, a pensar grande&#8230; ousar ir al&eacute;m, lan&ccedil;ar por terra nosso modo arcaico de proceder, romper com os espa&ccedil;os rotineiros e cansativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Deus nos chama cada dia, nos tira de nosso estreito mar, nos faz sair do que &eacute; nosso, da seguran&ccedil;a, da comodidade&#8230; e nos faz entrar numa &ldquo;terra nova&rdquo;. A &ldquo;travessia&rdquo; ativa e revela o que h&aacute; de melhor em cada um de n&oacute;s. Igualmente, com nossa presen&ccedil;a expansiva e inspiradora seremos tamb&eacute;m capazes de &ldquo;pescar o humano&rdquo; que est&aacute; escondido no outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Somos desafiados a &ldquo;viver uma vida no mundo e no cora&ccedil;&atilde;o da humanidade&rdquo; (Pe. Kolvenbach). Precisamos levantar-nos cotidianamente de nossos &ldquo;lugares&rdquo; estreitos e seguros: h&aacute; sempre um &ldquo;lugar ferido&rdquo; que nos espera, um &ldquo;ambiente atrofiado&rdquo; a ser curado, um &ldquo;espa&ccedil;o limitado&rdquo; a ser ampliado&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<strong>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 5,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong> Para S. In&aacute;cio, os lugares nascem na imagina&ccedil;&atilde;o; nos Exerc&iacute;cios Espirituais, ele nos convida, atrav&eacute;s do pre&acirc;mbulo &ldquo;composi&ccedil;&atilde;o vendo o lugar&rdquo;, a imaginar lugares em movimento, lugares de encontro, de desafio, lugares provocativos e criativos&#8230;, enfim, lugares carregados de presen&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;A &ldquo;composi&ccedil;&atilde;o vendo o lugar&rdquo; desperta em n&oacute;s um novo &ldquo;olhar&rdquo; para perceber, com mais nitidez e intensidade, os lugares por onde transitamos, uma nova disposi&ccedil;&atilde;o para dar sentido e valor aos lugares cotidianos, um olhar solid&aacute;rio para perceber o lugar do outro, uma nova sensibilidade para &ldquo;ver&rdquo; a Presen&ccedil;a d&rsquo;Aquele que ocupa todos os lugares e que nos conduz para o &ldquo;lugar&rdquo; da plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Da imagina&ccedil;&atilde;o para a realidade, da ora&ccedil;&atilde;o para a a&ccedil;&atilde;o&#8230;, uma travessia dos &ldquo;nossos mares estreitos&rdquo; para os &ldquo;amplos lugares cristificados&rdquo;. Um &ldquo;lugar sagrado&rdquo; que nasce do cora&ccedil;&atilde;o, carregado de afeto, de inspira&ccedil;&atilde;o, de vitalidade&#8230; O &ldquo;lugar externo&rdquo; &eacute; o prolongamento do lugar saboreado internamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Subiu num dos barcos e pediu que se afastasse um pouco da terra&rdquo; (Lc 5,3) Jesus entrou em conflito com o mundo religioso da sinagoga. 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