{"id":1249,"date":"2016-02-13T00:00:00","date_gmt":"2016-02-13T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-nao-nos-deixeis-cair-em-tentacao\/"},"modified":"2016-02-13T00:00:00","modified_gmt":"2016-02-13T00:00:00","slug":"reflexao-dominical-nao-nos-deixeis-cair-em-tentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-nao-nos-deixeis-cair-em-tentacao\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Dominical &#8211; N\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Jesus, cheio do Esp&iacute;rito Santo, voltou do Jord&atilde;o e, no deserto, Ele era guiado pelo Esp&iacute;rito&rdquo;&nbsp; (Lc 4,1)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a tradi&ccedil;&atilde;o, a primeira imagem da tenta&ccedil;&atilde;o foi uma ma&ccedil;&atilde;: uma fruta vermelha, carnosa, saborosa&nbsp; e brilhante. Seu atrativo aroma penetrou at&eacute; os tutanos de nossos ancestrais e eles ca&iacute;ram na armadilha da superficialidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrai-nos a superf&iacute;cie das coisas, justamente aquela que brilha, ainda que de maneira fugaz e solucione nossa fome e nossa sede. Cremos que com apenas uma mordida podemos saciar nossa &acirc;nsia de sentir-nos diferentes, reconhecidos e valorizados. Tempos depois o superficial continua sendo superficial e o reconhecimento, o prestigio, o aplauso ou o ac&uacute;mulo de bens revelam seu rosto inconsistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tenta&ccedil;&atilde;o vai estar sempre ai, como ma&ccedil;&atilde; ou como pedras que se convertem em p&atilde;es, como aplauso buscado a partir dos crit&eacute;rios do mundo, ou como joelhos que se dobram frente &agrave;s promessas de um &iacute;dolo com p&eacute;s de barro. Sempre vai estar presente, buscando saciar nossa fome e nossa sede, conhecendo onde pisamos, oferecendo-nos novidades no jardim florido e consolo nas gretas de nossos desertos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livra-nos Senhor desses &ldquo;espelhismos&rdquo; que prometem vida e escondem o vazio!&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser tentado &eacute; pr&oacute;prio do humano, mas o que &eacute; divino pode ser encontrado em nosso interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem n&atilde;o se deixa conduzir pelo Esp&iacute;rito, n&atilde;o &eacute; capaz de acessar a pr&oacute;pria interioridade, permanece na superf&iacute;cie de si mesmo e se deixam enredar pelos est&iacute;mulos externos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos j&aacute; n&atilde;o conseguem mais recolher-se e voltar para &ldquo;dentro&rdquo; de si, para recuperar o centro gravitacional de sua vida, o ponto de equil&iacute;brio interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este &eacute; o desafio que nos inquieta: &eacute; preciso &ldquo;conhecer-nos a fundo&rdquo;, ou seja, ter a experi&ecirc;ncia de si mesmo, do pr&oacute;prio &iacute;ntimo, do centro do ser, da regi&atilde;o profunda da qual sem cessar tiramos, como de um po&ccedil;o, a &aacute;gua viva, a energia, as certezas para viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos um contexto social e cultural no qual se constata um modo de vida que n&atilde;o favorece o contato profundo consigo mesmo. Seduzido por est&iacute;mulos ambientais, envolvido por apelos vindos de fora, cativado pela m&iacute;dia, pelas inova&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas, magnetizado por ofertas alucinantes&#8230; o ser humano se esvazia, se dilui, perde a interioridade e&#8230; se desumaniza. Tudo se torna l&iacute;quido:&nbsp; o amor, as rela&ccedil;&otilde;es, os valores, a &eacute;tica, as grandes causas&#8230; (cf. Bauman).&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Evangelho de hoje(1&ordm; Dom. Quaresma) insiste que Jesus se deixa conduzir pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito; por isso, vive uma integra&ccedil;&atilde;o a partir de seu cora&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o se deixa levar pelas apar&ecirc;ncias enganosas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradicionalmente, as tenta&ccedil;&otilde;es de Jesus foram interpretadas num sentido moralizante; costumava-se dizer que Jesus nos queria dar o exemplo de como superar nossas tenta&ccedil;&otilde;es cotidianas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal interpreta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o capta em toda sua profundidade o sentido das &ldquo;tenta&ccedil;&otilde;es de Jesus&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas n&atilde;o s&atilde;o tanto uma prova a superar quanto um projeto que deve ser discernido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que parece claro &eacute; que Jesus, depois do batismo, buscou o deserto para um tempo de discernimento, em ora&ccedil;&atilde;o, em solid&atilde;o, diante do Pai que o proclamou seu Filho, sob o impulso do Esp&iacute;rito; de algum modo teve de refletir e discernir sobre que tipo de messianismo assumiria para sua miss&atilde;o em sua vida p&uacute;blica. &Eacute; um tempo de confronto interior, de crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A &ldquo;crise&rdquo; p&otilde;e &agrave; prova sua atitude frente ao Pai: como viver sua miss&atilde;o e a partir de qu&ecirc; lugar? Buscando seu pr&oacute;prio interesse ou escutando fielmente sua Palavra? Como dever&aacute; atuar? Dominando os outros ou pondo-se a seu servi&ccedil;o? Buscando sua pr&oacute;pria gl&oacute;ria ou a vontade de Deus? Centrando sua vida na busca de poder e riqueza ou assumindo uma vida pobre, como express&atilde;o de solidariedade aos mais exclu&iacute;dos?&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n&atilde;o quer um messianismo que reduza o ser humano a um consumidor de p&atilde;o; este precisa tamb&eacute;m do alimento da Palavra de Deus que ative sua dignidade de interlocutor de Deus, o coloque p&eacute; e o conduza a assumir ele mesmo o trabalho de fazer o p&atilde;o e reparti-lo entre todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vez de seduzir o povo com prod&iacute;gios e espet&aacute;culos, Jesus prefere uma proximidade do tu a tu, nas mesmas pra&ccedil;as e caminhos, na conviv&ecirc;ncia criativa e nos encontros humanizadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n&atilde;o buscar&aacute; o poder da domina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e da imposi&ccedil;&atilde;o pela for&ccedil;a. Preferir&aacute; o caminho do servi&ccedil;o. O caminho de Jesus &eacute; absolutamente novo. Nem impressionar, nem seduzir, nem dominar a liberdade do ser humano. S&oacute; servir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui&nbsp; tamb&eacute;m &eacute; preciso nos perguntar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>* Qual &eacute; a nossa prova&ccedil;&atilde;o? qual &eacute; a nossa tenta&ccedil;&atilde;o? O que &eacute; que nos seduz?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>* O que &eacute; que nos tenta? O que &eacute; que nos desvia de nosso eixo, do nosso caminho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>* O que &eacute; que nos desvia do ser essencial?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; preciso questionar certos acontecimentos, certas situa&ccedil;&otilde;es, certas viv&ecirc;ncias, que podem nos induzir a um caminho que nos afasta de n&oacute;s mesmos, que nos afasta do melhor de n&oacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde sempre, a humanidade inteira e cada um de n&oacute;s, estamos expostos &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o. Faz parte de nossa condi&ccedil;&atilde;o humana. Trata-se de um conflito que dilacera a exist&ecirc;ncia por dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um lado, o ser humano sente o apelo e o impulso para o alto, para a plena liberdade, para o compromisso e a fraternidade. Mas por outro, ele tamb&eacute;m sente a caducidade, a fragilidade, a fraqueza, toda sorte de limita&ccedil;&otilde;es&#8230; que o deixam prostrado no ch&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concretamente, em cada um de n&oacute;s n&atilde;o existe apenas o chamado para a fraternidade, para o entrega, para a comunh&atilde;o&#8230;. mas tamb&eacute;m a sedu&ccedil;&atilde;o&nbsp; e a tend&ecirc;ncia para o egocentrismo, o prest&iacute;gio e os instintos de poder e posse. Sentimo-nos simultaneamente santos e pecadores, oprimidos e libertados.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nossa liberdade sente-se movida e atra&iacute;da em duas dire&ccedil;&otilde;es. A cena das &ldquo;tenta&ccedil;&otilde;es de Jesus&rdquo; desvela (distingue, p&otilde;e &agrave;s claras&#8230;) os dois dinamismos, duas tend&ecirc;ncias, dois impulsos&#8230; que se fazem presentes em nosso interior (um de alargamento ou expans&atilde;o de si mesmo em dire&ccedil;&atilde;o aos outros e de Deus; e outro de fechamento, auto-centramento, resist&ecirc;ncia e medo).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest&atilde;o de fundo &eacute; saber qual dos dois dinamismos alimentamos; &eacute; aqui que entra a liberdade (ordenada) para deixar-nos conduzir pelo Esp&iacute;rito. O centro &eacute; o Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de sermos d&oacute;ceis para deixar-nos conduzir pelos impulsos do Esp&iacute;rito, por onde muitas vezes n&atilde;o entendemos e n&atilde;o sabemos. &Eacute; Ele que ativa o que h&aacute; de melhor em n&oacute;s, expandindo nossa vida em dire&ccedil;&atilde;o aos valores do Reino: desapego, servi&ccedil;o, esvaziamento do ego&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Agrave;s tenta&ccedil;&otilde;es do poder, do ter e do prest&iacute;gio, o seguidor de Jesus responde com a partilha, o servi&ccedil;o, a comunh&atilde;o, a solidariedade&#8230; O tempo quaresmal vem ativar esse dinamismo expansivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 4,1-13 &nbsp;<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong> A ora&ccedil;&atilde;o sobre as &ldquo;tenta&ccedil;&otilde;es de Jesus&rdquo; nos ajuda a tomar consci&ecirc;ncia das alian&ccedil;as e cumplicidades nas quais podemos cair em nossas rela&ccedil;&otilde;es com o mundo e com aqueles elementos que de modo mais decisivo p&otilde;e em perigo nossa liberdade: as riquezas, o poder, o&nbsp; prest&iacute;gio. &Eacute; uma esp&eacute;cie de &#8220;embriaguez existencial&#8221; na qual a alteridade desaparece, a abertura a Deus se atrofia e a gratid&atilde;o frente aos bens se esvazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Rezar minhas &ldquo;afei&ccedil;&otilde;es desordenadas&rdquo;. Onde est&aacute; o centro de minha vida? Na apar&ecirc;ncia ou no interior?&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Jesus, cheio do Esp&iacute;rito Santo, voltou do Jord&atilde;o e, no deserto, Ele era guiado pelo Esp&iacute;rito&rdquo;&nbsp; (Lc 4,1) Segundo a tradi&ccedil;&atilde;o, a primeira imagem da tenta&ccedil;&atilde;o foi uma ma&ccedil;&atilde;: uma fruta vermelha,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1491,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1249"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1249\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}