{"id":12375,"date":"2019-11-16T11:34:22","date_gmt":"2019-11-16T11:34:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=12375"},"modified":"2019-11-16T11:34:24","modified_gmt":"2019-11-16T11:34:24","slug":"sinodo-da-amazonia-iv-novos-caminhos-de-conversao-pastoral-uma-igreja-em-saida-e-com-rosto-amazonico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/sinodo-da-amazonia-iv-novos-caminhos-de-conversao-pastoral-uma-igreja-em-saida-e-com-rosto-amazonico\/","title":{"rendered":"S\u00ednodo da Amaz\u00f4nia (IV) NOVOS CAMINHOS DE CONVERS\u00c3O PASTORAL. Uma Igreja em sa\u00edda e com rosto amaz\u00f4nico."},"content":{"rendered":"\n<p>O Cap\u00edtulo II do Documento Final do S\u00ednodo frisa que uma \u201cconvers\u00e3o pastoral\u201d \u00e9 necess\u00e1ria para \u201cuma Igreja em sa\u00edda mission\u00e1ria\u201d e \u201ccom rosto amaz\u00f4nico\u201d. A missionariedade \u00e9 da natureza da Igreja \u2013 \u201ca Igreja existe para evangelizar\u201d \u2013 (EN 14) e a uma evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada corresponde a uma Igreja culturalmente nova, com rosto pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cebsdobrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/1571753243807_P1290739.JPG-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20207\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sair ao encontro de diferentes em uma atitude de di\u00e1logo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 destinat\u00e1rios, mas interlocutores. O \u201coutro\u201d \u00e9 um \u201cdeferente\u201d, a ser acolhido e respeitado em sua autonomia. Na Amaz\u00f4nia, os \u201cdiferentes\u201d s\u00e3o \u201cpovos ind\u00edgenas, ribeirinhos, camponeses e afrodescendentes (quilombolas), as demais Igrejas crist\u00e3s e confiss\u00f5es religiosas, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, movimentos sociais populares, o Estado, enfim todas as pessoas de boa vontade que buscam a defesa da vida, a integridade da cria\u00e7\u00e3o, a paz e o bem comum\u201d (n. 23). A Amaz\u00f4nia \u00e9 pluri\u00e9tnica, pluricultural e plurirreligiosa. E como entre os \u201cdiferentes\u201d h\u00e1 diferen\u00e7as de Igrejas, de religi\u00f5es e culturas, a evangeliza\u00e7\u00e3o implica um di\u00e1logo ecum\u00eanico, inter-religioso e intercultural (n. 23). O di\u00e1logo \u00e9 o \u00fanico meio evang\u00e9lico para \u201cpropor\u201d e n\u00e3o \u201cimpor\u201d a Boa Nova do Reino de Deus. E para acolher o outro, no respeito \u00e0 sua diferen\u00e7a, s\u00f3 uma Igreja samaritana, misericordiosa, solid\u00e1ria ser\u00e1 capaz de escutar e aprender com os diferentes (n. 22).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Amaz\u00f4nia, diferentes s\u00e3o as Igrejas. Reconhece o Documento Final, citando o Papa Francisco, que \u201cas rela\u00e7\u00f5es entre cat\u00f3licos e pentecostais, carism\u00e1ticos e evang\u00e9licos n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis\u201d, sobretudo diante de propostas religiosas \u201cemocionalistas e tranquilizadoras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A ades\u00e3o de cat\u00f3licos a estas comunidades, para al\u00e9m das tens\u00f5es geradas, entretanto, \u201cpode ser ocasi\u00e3o para uma auto-reflex\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o pastoral\u201d. Jamais renunciar o di\u00e1logo ecum\u00eanico. O proselitismo n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o e nem m\u00e9todo de evangeliza\u00e7\u00e3o. Gestos concretos, que penetrem os esp\u00edritos e sacudam as consci\u00eancias, podem levar as partes a uma convers\u00e3o interior e a abrir reais caminhos de comunh\u00e3o (n. 24).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Amaz\u00f4nia, diferentes s\u00e3o tamb\u00e9m as religi\u00f5es, como as religi\u00f5es ind\u00edgenas e os cultos afrodescendentes. Diz o Documento Final que \u201cessas tradi\u00e7\u00f5es merecem ser conhecidas, compreendidas em suas pr\u00f3prias express\u00f5es e em sua rela\u00e7\u00e3o com a floresta e a m\u00e3e terra\u201d. Com seus adeptos, cabe aos crist\u00e3os, fundados em sua f\u00e9 e na Palavra de Deus, colocarem-se em atitude de di\u00e1logo, \u201cpartilhando suas vidas, suas preocupa\u00e7\u00f5es, suas lutas, suas experi\u00eancias de Deus, para aprofundar mutuamente sua f\u00e9 e atuar juntos em defesa da casa comum\u201d. O di\u00e1logo sincero e respeitoso \u00e9 a ponte para a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, que tem no \u201cbem viver\u201d dos povos ind\u00edgenas um horizonte convergente (n. 25).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cebsdobrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/20191114_153814.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma Igreja com rosto amaz\u00f4nico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma Igreja que acolhe e respeita as diferen\u00e7as \u00e9tnicas, culturais e religiosas e que, al\u00e9m disso, se encarna em diferentes povos, implica uma Igreja com diversidade de rostos. Da\u00ed a necessidade e a legitimidade de uma Igreja com rosto amaz\u00f4nico, o rosto de seus povos, em especial uma Igreja com rosto ind\u00edgena, ribeirinho e afrodescendente. Em rela\u00e7\u00e3o aos ind\u00edgenas, \u00e9 preciso acolher \u201csuas culturas, identidades e historias\u201d, para que haja uma \u201cIgreja ind\u00edgena, com os seus pr\u00f3prios presb\u00edteros e ministros\u201d, com \u201ca cria\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es pastorais ind\u00edgenas diocesanas\u201d (n. 28).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ind\u00edgena, a Igreja na Amaz\u00f4nia tem tamb\u00e9m um rosto migrante. Muitas comunidades eclesiais, especialmente nas periferias das cidades, \u201ct\u00eam recebido os migrantes com grande generosidade\u201d, oriundos do \u201cdeslocamento for\u00e7ado de fam\u00edlias ind\u00edgenas, camponesas, afrodescendentes e ribeirinhas, expulsas de seus territ\u00f3rios, por press\u00e3o ou asfixia por falta de oportunidades\u201d. Diante disso, faz-se necess\u00e1rio criar equipes mission\u00e1rias para acompanh\u00e1-los, coordenando com as par\u00f3quias e outras institui\u00e7\u00f5es eclesiais e extra-eclesiais as condi\u00e7\u00f5es de acolhida, oferecendo liturgias inculturadas e nas l\u00ednguas dos migrantes\u201d, assim como \u201cpromovendo espa\u00e7os de interc\u00e2mbio cultural, favorecendo a integra\u00e7\u00e3o na comunidade e na cidade\u201d (n. 29).<\/p>\n\n\n\n<p>Um rosto de destaque da Igreja na Amaz\u00f4nia \u00e9 o rosto de jovens \u201cind\u00edgenas, afrodescendentes, ribeirinhos, extrativistas, migrantes, refugiados, entre outros. Jovens moradores de \u00e1reas rurais e urbanas, que diariamente sonham e buscam melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, com o profundo desejo de ter uma vida plena\u201d. S\u00e3o \u201cjovens estudantes, trabalhadores e com forte presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o em diversos espa\u00e7os sociais e eclesiais\u201d. Frisa o Documento que \u201celes t\u00eam os mesmos sonhos e desejos de outros jovens deste mundo: serem considerados, respeitados, terem oportunidades para estudar, trabalhar, um futuro de esperan\u00e7a\u201d (n. 30). Atrav\u00e9s de uma renovada e audaciosa pastoral juvenil, a Igreja na Amaz\u00f4nia precisa ser para os jovens, espa\u00e7o de discernimento e acompanhamento vocacional, de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura e da identidade locais, de promo\u00e7\u00e3o dos direitos dos jovens e de fortalecimento de espa\u00e7os criativos, inovadores e diferenciados de evangeliza\u00e7\u00e3o (n. 32).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cebsdobrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/f8a5e5152a56b7390e83035856d02f41_L.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20707\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As comunidades eclesiais de base como rosto da Igreja na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 pela falta da Eucaristia e de presb\u00edteros, normalmente, a Igreja na Amaz\u00f4nia vive e celebra sua f\u00e9 em comunidades eclesiais, animadas e coordenadas por leigos, em especial por mulheres. Reconhece o Documento Final do S\u00ednodo que \u201cas comunidades eclesiais de base foram e s\u00e3o um dom de Deus \u00e0s Igrejas locais da Amaz\u00f4nia. Passado tanto tempo, a grande maioria permanece perseverante e \u00e9 o fundamento pastoral de muitas par\u00f3quias\u201d. Elas precisam \u201cestar presente nos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o nas pol\u00edticas p\u00fablicas, onde se articulam a\u00e7\u00f5es para revitalizar a cultura, a conviv\u00eancia, o lazer e a festa\u201d (n. 36). Al\u00e9m de se fazerem presentes no interior da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, elas est\u00e3o vivas tamb\u00e9m nas periferias das cidades. No seio destas, merecem especial aten\u00e7\u00e3o os ind\u00edgenas, pois, \u201cestilos de vida, formas de conviv\u00eancia, linguagens e valores moldados pelas metr\u00f3poles est\u00e3o sendo transmitidos e cada vez mais implantados, tanto nas comunidades ind\u00edgenas, quanto no resto do mundo rural\u201d (34).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste particular, \u00e9 importante a cria\u00e7\u00e3o de \u201cequipes mission\u00e1rias itinerantes\u201d, para irem \u201ctecendo e construindo comunidades ao longo do caminho\u201d e ajudando \u201ca fortalecer a sinodalidade eclesial. Estas equipes poderiam reunir v\u00e1rios carismas, institui\u00e7\u00f5es e congrega\u00e7\u00f5es, leigos, religiosos e religiosas, sacerdotes\u201d, constituindo uma \u201crede itinerante que re\u00fana os diversos esfor\u00e7os das equipes que acompanham e dinamizam a vida e a f\u00e9 das comunidades da Amaz\u00f4nia\u201d (n. 39). E para passar de uma \u201cpastoral de visita\u201d a uma \u201cpastoral de presen\u00e7a permanente\u201d, \u201cas congrega\u00e7\u00f5es e\/ou prov\u00edncias de religiosos e religiosas do mundo inteiro, que ainda n\u00e3o est\u00e3o envolvidos em miss\u00f5es, s\u00e3o convidadas a estabelecer pelo menos uma frente mission\u00e1ria em qualquer dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos\u201d (n. 40).<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Pe. Agenor Brighenti<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cap\u00edtulo II do Documento Final do S\u00ednodo frisa que uma \u201cconvers\u00e3o pastoral\u201d \u00e9 necess\u00e1ria para \u201cuma Igreja em sa\u00edda mission\u00e1ria\u201d e \u201ccom rosto amaz\u00f4nico\u201d. 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