{"id":122,"date":"2018-02-11T00:00:00","date_gmt":"2018-02-11T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/contagios-que-salvam-6-domingo-do-tempo-comum\/"},"modified":"2018-02-11T00:00:00","modified_gmt":"2018-02-11T00:00:00","slug":"contagios-que-salvam-6-domingo-do-tempo-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/contagios-que-salvam-6-domingo-do-tempo-comum\/","title":{"rendered":"Cont\u00e1gios que salvam &#8211; 6\u00ba Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Jesus, cheio de compaix&atilde;o,estendeu a m&atilde;o, tocou no leproso&#8230;&rdquo;<\/i><\/b> (Mc 1,41)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como as narra&ccedil;&otilde;es anteriores doevangelista Marcos, tamb&eacute;m a deste domingo &eacute; concebida como um desvelamento dapersonalidade de Jesus. Autoridade e compaix&atilde;o: dois atributos de Deus queJesus deixa transparecer no encontro com as pessoas, sobretudo as enfermas eexclu&iacute;das; s&atilde;o as fei&ccedil;&otilde;es divinas que se visibilizam no agir de Jesus.&nbsp; Al&eacute;m disso, Marcos quer tamb&eacute;m revelar asuperioridade de Jesus em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Lei. Ele n&atilde;o depende da Lei para fazer obem &agrave;s pessoas ou para reintegrar o ser humano no conv&iacute;vio social e religioso.Pois, a Lei &eacute; (e deveria ser sempre) para o bem das pessoas; se Ele pode curaralgu&eacute;m pela &ldquo;autoridade&rdquo;, n&atilde;o &eacute; preciso primeiro consultar os guardi&otilde;es da Lei.Basta que, depois da cura, o leproso ofere&ccedil;a o sacrif&iacute;cio de agradecimento a Deus,conforme o rito religioso costumeiro. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus n&atilde;o duvida em transgredir alei quando a vida est&aacute; em perigo; mesmo sabendo que Ele se fazia &ldquo;impuro&rdquo; aotocar no leproso, atreve-se ao risco do cont&aacute;gio. O motivo de sua atua&ccedil;&atilde;o &eacute; s&oacute;uma: a compaix&atilde;o. Frente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de extrema exclus&atilde;o, Jesus experimentacompaix&atilde;o que faz brotar nele uma resposta amorosa; nascendo de suas entranhase vencendo as normas rituais, a compaix&atilde;o se transforma em uma palavra eficazque devolve a vida ao homem enfermo e marginalizado. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A compaix&atilde;o era j&aacute; um dosatributos de Deus no AT. Jesus a faz sua em toda sua trajet&oacute;ria humana. &Eacute; umademonstra&ccedil;&atilde;o de que para chegar ao divino n&atilde;o &eacute; preciso destruir o humano. Acompaix&atilde;o &eacute; a forma mais humana de manifestar amor. Quando algu&eacute;m sente comoseu o sofrimento do outro &eacute; quando, de verdade, se fez pr&oacute;ximo dele. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A compaix&atilde;o, que toma conta docora&ccedil;&atilde;o de Jesus, &eacute; fruto do corajoso deslocamento para a margem, para anecessidade do outro. Sua autoridade &eacute; sempre percebida como garantia esustento da vida, pois ela &eacute; carregada de compaix&atilde;o e n&atilde;o de poder. S&oacute; tem&#8221;autoridade&#8221; quem garante a vida e a recupera em todas ascircunst&acirc;ncias. A vida do outro &eacute; a raz&atilde;o &uacute;nica da autoridade compassiva. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O outro, sua necessidade esofrimento, ser&aacute; sempre a alavanca que gera no cora&ccedil;&atilde;o humano a compreens&atilde;o e oexerc&iacute;cio da autoridade como verdadeiro servi&ccedil;o. S&oacute; a compaix&atilde;o desloca cada umpara o lugar do outro. S&oacute; a compaix&atilde;o ilumina a realidade do sofrimento dooutro. S&oacute; a compaix&atilde;o move na dire&ccedil;&atilde;o da oferta do outro. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No relato do evangelho de hoje(6&ordm;Dom TC) pode-se descobrir uma cumplicidade entre o leproso e Jesus. Os dois v&atilde;omais al&eacute;m da Lei: um por necessidade imperiosa, o outro por convic&ccedil;&atilde;o profunda.O leproso, atrav&eacute;s de seu gesto ousado de se aproximar de Jesus, sabia tamb&eacute;mque sua vida &ndash; e sua liberta&ccedil;&atilde;o da marginalidade &ndash; n&atilde;o dependiam do Templo edos sacerdotes, pois estes s&oacute; constatavam a cura ou a perman&ecirc;ncia da doen&ccedil;a emseu corpo. Os sacerdotes eram impotentes: n&atilde;o podiam restabelecer a vida. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Diante disso, o leproso toma umaatitude radical: n&atilde;o vai ao sacerdote, e sim a Jesus. Ao inv&eacute;s de ficar &agrave;dist&acirc;ncia e gritar sua marginaliza&ccedil;&atilde;o, aproxima-se de Jesus, joelha-se diantedele e pede: &ldquo;se queres, tens o poder de curar-me&rdquo;. Reconhece que o poder dacura (que o tira da marginalidade) n&atilde;o vem da religi&atilde;o dos sacerdotes, e sim deJesus, fonte de liberta&ccedil;&atilde;o e vida. Viola a lei para ser curado. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O leproso, dentro de suanecessidade, reconheceu que o &#8220;querer&#8221; &eacute; de Deus. A s&uacute;plica que brotado seu cora&ccedil;&atilde;o, toca o centro do cora&ccedil;&atilde;o compassivo de Jesus. Esta escutadireciona a a&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica d&#8217;Ele. A li&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o de Jesus &eacute; &uacute;nica: oencontro de dois &ldquo;quereres&rdquo; que faz surgir nova vida. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus, terapeuta compassivo doEsp&iacute;rito, revela uma presen&ccedil;a que mobiliza o leproso a deixar emergir o Deusque habitava nele. E para isso necessita dar um passo a mais: atrav&eacute;s de suasm&atilde;os, estabelece com o enfermo um contato sanador, libera as fontes do amor quepermaneciam ocultas e obstru&iacute;das. Sua ferida se converter&aacute; para ele no lugar daexperi&ecirc;ncia de Deus. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O significado original do verbo&ldquo;tocar&rdquo; vai al&eacute;m de um simples e r&aacute;pido contato: expressa outros sentidos:atar, enla&ccedil;ar, envolver&#8230; muito mais coerente com a maneira de atuar de Jesus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quer dizer que Ele n&atilde;o s&oacute; tocou oenfermo por um instante, mas que manteve essa postura durante um certo tempo.Tendo em conta o perigo do cont&aacute;gio que a lepra representava, podemoscompreender o profundo significado do gesto, suficiente, por si mesmo, parafazer patente a atitude vital de Jesus. N&atilde;o s&oacute; demonstra que est&aacute; acima da Leiquando se trata do bem de um homem, sen&atilde;o que assume o risco de contrair alepra e tornar-se impuro tamb&eacute;m ele. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ao toc&aacute;-lo, Jesus destravou afonte originante da vida do leproso. N&atilde;o s&oacute; desapareceu a enfermidade, sen&atilde;oque &eacute; reconstru&iacute;do em sua plena condi&ccedil;&atilde;o humana e reintegrado em seu ambientesocial e religioso. De fato, o homem, at&eacute; ent&atilde;o marginalizado, encontrou areintegra&ccedil;&atilde;o e aproveitou-a para contar o que lhe acontecera. Mas Jesus foiocupar o lugar do leproso, exclu&iacute;do para os &ldquo;lugares desertos&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">De acordo com o sistema religiosovigente, ao tocar um leproso, Jesus torna-se impuro: torna-se leproso e fontede contamina&ccedil;&atilde;o; torna-se marginalizado e n&atilde;o poder&aacute; mais entrar publicamentenuma cidade: dever&aacute; permanecer fora, em lugares desertos, como osmarginalizados. O Filho de Deus foi morar com os exclu&iacute;dos. Aqui o evangelho deMarcos mostra quem &eacute; Jesus: &eacute; aquele que rompe os esquemas fechados de umareligi&atilde;o elitista e segregadora, indo habitar entre os banidos do conv&iacute;viosocial. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A cura do leproso nos revelatamb&eacute;m que h&aacute; outros cont&aacute;gios muito piores que desumanizam: preconceito,intoler&acirc;ncia, indiferen&ccedil;a, suspeita&#8230;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Continuamos presos &agrave; ideia de quea impureza contagia, mas o evangelho nos est&aacute; dizendo que a pureza, o amor, aliberdade, a sa&uacute;de, a alegria de viver&#8230;, tamb&eacute;m podem contagiar. Com suapresen&ccedil;a inspiradora Jesus contagia compaix&atilde;o, bondade, acolhida&#8230; Por isso,cont&aacute;gios que salvam e libertam.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este passo ter&iacute;amos que dar, sede verdade queremos ser seguidores(as) de Jesus. No entanto, continuamosjustificando muito casos de marginaliza&ccedil;&atilde;o sob o pretexto de nos permanecerpuros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quantas leis, civis e religiosas,dever&iacute;amos transgredir hoje para ajudar todos os marginalizados a sereintegrarem na sociedade e na Igreja, possibilitando-lhes se sentirem comoseres humanos! <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:<\/b>&nbsp; Mc 1,40-45<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> O Evangelho indica que Jesus &ldquo;estendeu a m&atilde;o, tocou noleproso&#8230;&rdquo;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O contato &eacute; sin&ocirc;nimo de calor,afeto, aten&ccedil;&atilde;o, presen&ccedil;a e ternura. Tamb&eacute;m expressa reconhecimento e seguran&ccedil;a.Precisamos tocar e ser tocados para viver, necessitamos uma espiritualidade quese enra&iacute;ze em nossas m&atilde;os. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O leproso se abre diante de Jesusque o toca. Qu&ecirc; poder tem nossas m&atilde;os quando as estendemos cheias de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os!Qu&ecirc; for&ccedil;a sanadora quando aprendemos a tocar com ternura, a tocar despertandoessa vida profunda debaixo da pele!&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Todos somos um pouco como oleproso e podemos nos reconhecer em seu desejo de cura e de abund&acirc;ncia de vida.E todos podemos tamb&eacute;m ser como Jesus para os outros, quando nosso olhar est&aacute;livre de preconceito, nossas m&atilde;os se estendem para quebrar dist&acirc;ncias e nossavoz &eacute; capaz de tocar com calor a vida profunda e escondida dos outros. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Jesus, cheio de compaix&atilde;o,estendeu a m&atilde;o, tocou no leproso&#8230;&rdquo; (Mc 1,41) Como as narra&ccedil;&otilde;es anteriores doevangelista Marcos, tamb&eacute;m a deste domingo &eacute; concebida como um desvelamento dapersonalidade de Jesus. 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