{"id":12094,"date":"2019-10-13T11:10:20","date_gmt":"2019-10-13T11:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=12094"},"modified":"2019-10-15T12:10:10","modified_gmt":"2019-10-15T12:10:10","slug":"papa-canoniza-irma-dulce-a-primeira-santa-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/papa-canoniza-irma-dulce-a-primeira-santa-brasileira\/","title":{"rendered":"Papa canoniza Irm\u00e3 Dulce, a primeira santa brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>Irm\u00e3 Dulce \u00e9 santa. A celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica com o rito da canoniza\u00e7\u00e3o reuniu cerca de 50 mil pessoas na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro. Com o \u201cAnjo bom da Bahia\u201d, foram canonizados tamb\u00e9m Jo\u00e3o Henrique Newman, Josefina Vannini, Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, e Margarida Bays.<\/p>\n\n\n\n<p>A cerim\u00f4nica teve in\u00edcio com o rito da canoniza\u00e7\u00e3o: o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Becciu, acompanhado dos postuladores, vai at\u00e9 o Santo Padre e pede que se proceda \u00e0 canoniza\u00e7\u00e3o dos beatos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cardeal apresentou brevemente a biografia de cada um deles, que s\u00e3o ent\u00e3o declarados santos. Segue a ladainha dos santos e o Pont\u00edfice l\u00ea a f\u00f3rmula de canoniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o, sempre acompanhado dos postulares, agradece ao Santo Padre e o coral entoa o canto do Gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Invocar<\/h2>\n\n\n\n<p>Na homilia, o Papa Francisco comentou o Evangelho deste 28\u00ba Domingo do Tempo Comum, que narra a cura de 12 leprosos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A tua f\u00e9 te salvou&#8221; (Lc 17, 19). \u00c9 o ponto de chegada do Evangelho de hoje, que nos mostra o caminho da f\u00e9. Neste percurso de f\u00e9, afirmou o Papa, vemos tr\u00eas etapas cumpridas pelos leprosos curados, que invocam, caminham e agradecem.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, invocar. Assim como hoje, os leprosos sofrem, al\u00e9m pela doen\u00e7a em si, mas pela exclus\u00e3o social. No tempo de Jesus, eram considerados impuros e, como tais, deviam estar isolados, separados. Eles invocam Jesus &#8220;gritando&#8221; e o Senhor ouve o grito de quem est\u00e1 abandonado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>\u201c Tamb\u00e9m n\u00f3s \u2013 todos n\u00f3s \u2013 necessitamos de cura, como aqueles leprosos. Precisamos de ser curados da pouca confian\u00e7a em n\u00f3s mesmos, na vida, no futuro; curados de muitos medos; dos v\u00edcios de que somos escravos; de tantos fechamentos, depend\u00eancias e apegos: ao jogo, ao dinheiro, \u00e0 televis\u00e3o, ao celular, \u00e0 opini\u00e3o dos outros. O Senhor liberta e cura o cora\u00e7\u00e3o, se O invocarmos. \u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A f\u00e9 cresce assim, prosseguiu o Papa, com a invoca\u00e7\u00e3o confiante. \u201cInvoquemos diariamente, com confian\u00e7a, o nome de Jesus: Deus salva. Repitamo-lo: \u00e9 ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a porta da f\u00e9, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o rem\u00e9dio do cora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caminhar<\/h2>\n\n\n\n<p>Caminhar \u00e9 a segunda etapa. Os leprosos s\u00e3o curados n\u00e3o quando est\u00e3o diante de Jesus, mas depois enquanto caminham.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>\u201c \u00c9 no caminho da vida que a pessoa \u00e9 purificada, um caminho frequentemente a subir, porque leva para o alto. A f\u00e9 requer um caminho, uma sa\u00edda; faz milagres, se sairmos das nossas c\u00f3modas certezas, se deixarmos os nossos portos serenos, os nossos ninhos confort\u00e1veis. \u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outro aspecto ressaltado pelo Papa \u00e9 o plural dos verbos: \u201ca f\u00e9 \u00e9 caminhar juntos, jamais sozinhos\u201d. Mas, uma vez curados, nove continuam pela sua estrada e apenas um regressa para agradecer. E Jesus ent\u00e3o pergunta: &#8220;Onde est\u00e3o os outros nove?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConstitui nossa tarefa ocuparmo-nos de quem deixou de caminhar, de quem se extraviou: somos guardi\u00f5es dos irm\u00e3os distantes. Quer crescer na f\u00e9? Ocupa-se dum irm\u00e3o distante.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Agradecer<\/h2>\n\n\n\n<p>Agradecer \u00e9 a \u00faltima etapa. Ao leproso curado, Jesus diz: &#8220;A tua f\u00e9 te salvou&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>\u201c Isto diz-nos que o ponto de chegada n\u00e3o \u00e9 a sa\u00fade, n\u00e3o \u00e9 o estar bem, mas o encontro com Jesus. \u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O ponto culminante do caminho de f\u00e9 \u00e9 viver dando gra\u00e7as. O Papa ent\u00e3o questiona:<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, que temos f\u00e9, vivemos os dias como um peso a suportar ou como um louvor a oferecer? Ficamos centrados em n\u00f3s mesmos \u00e0 espera de pedir a pr\u00f3xima gra\u00e7a, ou encontramos a nossa alegria em dar gra\u00e7as? Agradecer n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de cortesia, de etiqueta, mas quest\u00e3o de f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizer &#8220;obrigado, Senhor&#8221;, ao acordar, durante o dia, antes de deitar, \u00e9 ant\u00eddoto ao envelhecimento do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo para agradecer hoje s\u00e3o os novos Santos, que caminharam na f\u00e9 e agora invocamos como intercessores. Tr\u00eas deles, disse o Papa, s\u00e3o freiras, como Irm\u00e3 Dulce, e mostram que a vida religiosa \u00e9 um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Veja o V\u00eddeo da  Cerim\u00f4nia de&nbsp;canoniza\u00e7\u00e3o&nbsp;de&nbsp;Irm\u00e3 Dulce:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8VhZNqpdbSM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption><br> <br> <br><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"472\" src=\"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irma-dulce-com-criancas-1-2280x1052_c-1024x472.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12099\" srcset=\"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irma-dulce-com-criancas-1-2280x1052_c-1024x472.jpg 1024w, https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irma-dulce-com-criancas-1-2280x1052_c-300x138.jpg 300w, https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irma-dulce-com-criancas-1-2280x1052_c-768x354.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Irm\u00e3 Dulce: confira um pouco da hist\u00f3ria do Anjo Bom da Bahia<\/h1>\n\n\n\n<p>Em 26 de maio de 1914 nasce, na cidade de Salvador, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, a menina que gostava de soltar pipa e jogar futebol manifesta o interesse pela vida religiosa no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, quando, aos 13 anos de idade, j\u00e1 atendia a doentes no port\u00e3o de casa, no bairro de Nazar\u00e9. \u00c9 nessa \u00e9poca que sua casa fica conhecida como A Portaria de S\u00e3o Francisco\u2019, tal a aglomera\u00e7\u00e3o de desassistidos. Em 1933, a jovem ingressa na Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o (Sergipe). No mesmo ano, recebe o h\u00e1bito e adota, em homenagem \u00e0 sua m\u00e3e, o nome de Irm\u00e3 Dulce.<\/p>\n\n\n\n<p>A religiosa inicia um trabalho assistencial nas comunidades carentes em 1935, sobretudo nos Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe. Nessa mesma \u00e9poca, come\u00e7a a atender tamb\u00e9m aos oper\u00e1rios \u2013 que eram numerosos naquele bairro \u2013 criando um posto m\u00e9dico e fundando, em 1936, a Uni\u00e3o Oper\u00e1ria S\u00e3o Francisco \u2013 primeira organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria cat\u00f3lica do estado, embri\u00e3o do C\u00edrculo Oper\u00e1rio da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1939, Irm\u00e3 Dulce invade cinco casas na Ilha dos Ratos, para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Expulsa do lugar, ela peregrina durante uma d\u00e9cada, levando os seus doentes por v\u00e1rios locais da cidade. Por fim, em 1949, Irm\u00e3 Dulce ocupa um galinheiro ao lado do Convento Santo Ant\u00f4nio, ap\u00f3s autoriza\u00e7\u00e3o da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. A iniciativa deu origem \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o propagada h\u00e1 d\u00e9cadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro. J\u00e1 em 1959, \u00e9 instalada oficialmente a Associa\u00e7\u00e3o Obras Sociais Irm\u00e3 Dulce.<\/p>\n\n\n\n<p>Irm\u00e3 Dulce morreu no dia 13 de mar\u00e7o de 1992, aos 77 anos, no Convento Santo Ant\u00f4nio, ao lado de seus doentes, por quem tanto lutou. T\u00famulo definitivo do \u201cAnjo Bom do Brasil\u201d, a Capela das Rel\u00edquias \u2013 local para onde seus restos mortais foram transferidos \u2013 est\u00e1 aberta \u00e0 visita\u00e7\u00e3o durante todos os dias, das 7h \u00e0s 18h. A capela fica no Santu\u00e1rio de Irm\u00e3 Dulce, na Avenida Dendezeiros do Bonfim (no bairro do Bonfim), em Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As Obras Sociais Irm\u00e3 Dulce<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As Obras Sociais Irm\u00e3 Dulce (OSID) nasceram no dia 26 de maio de 1959, tendo como sua fundadora a freira baiana Irm\u00e3 Dulce, conhecida como o Anjo Bom da Bahia. Atualmente, a entidade filantr\u00f3pica abriga um dos maiores complexos de sa\u00fade 100% SUS do Pa\u00eds, com cerca de 3,5&nbsp;milh\u00f5es de procedimentos ambulatoriais realizados por ano na Bahia a usu\u00e1rios do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS),&nbsp;idosos, pessoas com defici\u00eancia e com deformidades craniofaciais, pacientes sociais, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, usu\u00e1rios de subst\u00e2ncias psicoativas e crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de risco social. A organiza\u00e7\u00e3o conta com um perfil de servi\u00e7os \u00fanico no Brasil, distribu\u00eddos em 21 n\u00facleos que prestam assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de baixa renda nas \u00e1reas de Sa\u00fade, Assist\u00eancia Social, Pesquisa Cient\u00edfica, Ensino em Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e na preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da hist\u00f3ria de sua fundadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m conhecida como Complexo Roma, a sede das Obras em Salvador abriga, em seus mais de 40 mil metros quadrados de \u00e1rea constru\u00edda, 20 dos 21 n\u00facleos da entidade, incluindo 954&nbsp;leitos hospitalares para o atendimento de patologias cl\u00ednicas e cir\u00fargicas. Desses n\u00facleos, 19 apresentam atua\u00e7\u00e3o no campo da Sa\u00fade, a exemplo do Hospital Santo Ant\u00f4nio, Centro Geri\u00e1trico, Hospital da Crian\u00e7a, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, Centro de Acolhimento \u00e0 Pessoa com Defici\u00eancia e Centro Especializado em Reabilita\u00e7\u00e3o e do Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoolistas. Somente no Complexo Roma s\u00e3o contabilizados por ano cerca de 2,2 milh\u00f5es de procedimentos ambulatoriais \u2013 mais de 60% do volume alcan\u00e7ado por toda a organiza\u00e7\u00e3o no estado. Ainda na capital baiana, na sede das Obras Sociais, local que atende diariamente cerca de 2 mil pessoas, s\u00e3o realizadas por ano 12&nbsp;mil cirurgias, al\u00e9m de 18&nbsp;mil internamentos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: VaticanNews &#8211; OSID<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 Dulce \u00e9 santa. 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