{"id":1201,"date":"2016-02-27T00:00:00","date_gmt":"2016-02-27T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-quaresma-tempo-de-nutrir-se-interiormente\/"},"modified":"2016-02-27T00:00:00","modified_gmt":"2016-02-27T00:00:00","slug":"reflexao-dominical-quaresma-tempo-de-nutrir-se-interiormente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-quaresma-tempo-de-nutrir-se-interiormente\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Dominical &#8211; QUARESMA: tempo de nutrir-se interiormente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&ldquo;Vou cavar em volta dela e colocar adubo; pode ser que venha a dar fruto&rdquo; (Lc&nbsp; 13,8-9)&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comprovamos hoje um &ldquo;d&eacute;ficit de interioridade&rdquo;. Vivemos num contexto social e cultural no qual o ritmo fren&eacute;tico que nos &eacute; imposto para conseguir mais bem-estar material n&atilde;o favorece o acesso &agrave; nossa pr&oacute;pria interioridade. Seduzidos por est&iacute;mulos ambientais, envolvidos por apelos vindos de fora, cativados pela m&iacute;dia, pelas inova&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas&hellip; vamos nos esvaziando, nos diluindo, perdendo a interioridade e&hellip; nos desumanizando. V&iacute;timas da chamada &ldquo;s&iacute;ndrome da exterioriza&ccedil;&atilde;o existencial&rdquo;, temos dificuldades de introspec&ccedil;&atilde;o, sil&ecirc;ncio, reflex&atilde;o, contempla&ccedil;&atilde;o&hellip;; j&aacute; n&atilde;o somos capazes de velejar nas &aacute;guas da interioridade, vivendo uma vida superficial e sem sentido. A perda da dire&ccedil;&atilde;o de nossa interioridade, que nos constitui como seres humanos, gera um vazio existencial e espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como a figueira da par&aacute;bola do evangelho deste domingo, a vida vai se atrofiando e se ressecando, porque n&atilde;o recebe seiva do seu interior. &Eacute; pura folhagem, pura apar&ecirc;ncia e sem frutos.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A originalidade do Tempo Quaresmal encontra-se na aventura da re-descoberta do &ldquo;mundo interior&rdquo;, esse mundo desconhecido e surpreendente, onde acontece o mais importante e decisivo de cada um. Conduzindo-nos a viver a experi&ecirc;ncia no deserto com Jesus, a liturgia quaresmal revela que toda pessoa possui dentro de si uma profundidade que &eacute; seu mist&eacute;rio &iacute;ntimo e pessoal. Por isso, &ldquo;viver em profundidade&rdquo; significa &ldquo;entrar&rdquo; no &acirc;mago da pr&oacute;pria vida, &ldquo;descer&rdquo; at&eacute; &agrave;s ra&iacute;zes da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia e chegar &agrave; fonte de &aacute;gua viva que ativa uma nova seiva, fazendo surgir novos brotos e novos frutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; no &ldquo;eu mais profundo&rdquo; que as for&ccedil;as vitais se acham dispon&iacute;veis para ajudar a pessoa a crescer dia-a-dia; &eacute; aqui que ela experimenta a unidade de seu ser; aqui &eacute; o lugar da transcend&ecirc;ncia, onde realmente acontece uma profunda transforma&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se da dimens&atilde;o mais verdadeira de si, a sede das decis&otilde;es vitais, o lugar das riquezas pessoais, onde a pessoa vive o melhor de si mesma, onde se encontram os dinamismos do seu crescimento, onde brotam as aspira&ccedil;&otilde;es e desejos fundamentais&hellip; Assim, a descoberta do pr&oacute;prio ser profundo aproxima cada um do autor da vida: Deus.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vida est&aacute; oculta nas profundezas<\/strong>. A pessoa superficial &eacute; aquela que se confunde com a apar&ecirc;ncia de sua folhagem, mas n&atilde;o d&aacute; frutos. <strong>A pessoa de interioridade, por sua vez, &eacute; aquela que vive a partir da raiz, da fonte mesma da vida, e deixa vir &agrave; tona todas as suas riquezas, dons, capacidades&hellip;<\/strong> &Eacute; no ch&atilde;o da vida que est&aacute; escondido nosso verdadeiro tesouro; &eacute; do ch&atilde;o da vida que existem, em abundancia, os aspectos positivos de nossa personalidade, os talentos naturais e as boas tend&ecirc;ncias. Ali se aninham imensas riquezas que se exprimem de maneira diferente, dando a cada um uma fisionomia pr&oacute;pria, um car&aacute;ter &uacute;nico. Esta regi&atilde;o profunda coincide com o mundo das certezas, dos valores, das ideias-for&ccedil;a&hellip; que formam o eixo de nossa exist&ecirc;ncia, o melhor de n&oacute;s, o lugar de nossa recupera&ccedil;&atilde;o e de nossa realiza&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem &ldquo;desce&rdquo; at&eacute; sua pr&oacute;pria interioridade, at&eacute; os abismos do inconsciente, at&eacute; a escurid&atilde;o de suas sombras, at&eacute; a impot&ecirc;ncia de seus pr&oacute;prios sonhos, quem mergulha em sua condi&ccedil;&atilde;o humana e terrena e se reconcilia com ela, este sim, est&aacute; &ldquo;subindo&rdquo; para Deus, faz a experi&ecirc;ncia do encontro com o Deus &ldquo;rico em miseric&oacute;rdia&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, em sua miseric&oacute;rdia reconstrutora, libera em n&oacute;s as melhores possibilidades, capacidades, intui&ccedil;&otilde;es&hellip; e nos faz descobrir em n&oacute;s nossa verdade mais verdadeira de pessoas amadas, &uacute;nicas, sagradas, respons&aacute;veis&hellip; <strong>&Eacute; Ele que &ldquo;cava&rdquo; no nosso cora&ccedil;&atilde;o o espa&ccedil;o amplo e profundo para nos comunicar a sua pr&oacute;pria interioridade.<\/strong> A for&ccedil;a criativa de sua miseric&oacute;rdia p&otilde;e em movimento os grandes dinamismos de nossa vida; debaixo do modo paralisado e petrificado de viver, existe uma possibilidade de vida nova nunca ativada.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, &eacute; decisivo alimentar as ra&iacute;zes com os valores do Evangelho (justi&ccedil;a, compaix&atilde;o, bondade..) para que uma seiva cristificada se espalhe pela &aacute;rvore, gerando novos rebentos e novos frutos. &ldquo;Descer&rdquo; &agrave;s ra&iacute;zes &eacute; uma oportunidade privilegiada para descobrir-nos e conhecer nosso reino interior, para encontrar nossa riqueza interior e assim experimentar a transforma&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O caminho para uma nova qualidade de vida passa pelo encontro com as pr&oacute;prias ra&iacute;zes<\/strong>. Mas essa descida nos possibilita descobrir um mundo diferente que n&atilde;o conhec&iacute;amos, ou que hav&iacute;amos perdido. Este &eacute; o caminho da espiritualidade que brota do h&uacute;mus; &ldquo;descer&rdquo; at&eacute; o fundo, mergulhar nas dimens&otilde;es mais profundas onde est&atilde;o escondidos os recursos que dar&atilde;o significado e sentido &agrave;s nossas vidas.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; preciso &ldquo;des-velar&rdquo; nosso &ldquo;eu profundo&rdquo;, o lugar onde se encontra os dinamismos da nossa personalidade, as boas tend&ecirc;ncias, os dons naturais, as riquezas do ser, as beatitudes originais, as grandes aspira&ccedil;&otilde;es. Dentro de n&oacute;s encontramos for&ccedil;as construtivas que podem mudar-nos eficazmente. &Eacute; preciso escavar, aliment&aacute;-las e deix&aacute;-las aflorar espontaneamente. Esse &eacute; o n&iacute;vel da gra&ccedil;a, da gratuidade, da abundancia, onde a pessoa mergulha no sil&ecirc;ncio do deserto interior, &agrave; escuta de todo o seu ser.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E das ra&iacute;zes profundas brotam as respostas mais criativas e duradouras; a interioridade desvelada ativa uma rela&ccedil;&atilde;o sadia com todos; com a nova seiva a figueira se expande em dire&ccedil;&atilde;o aos outros, fazendo-a viver numa conex&atilde;o livre com toda a realidade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem da figueira destaca tamb&eacute;m a paci&ecirc;ncia do agricultor. Lucas &eacute; o evangelista da miseric&oacute;rdia; e essa miseric&oacute;rdia se faz vis&iacute;vel na esperan&ccedil;a e no cuidado esmerado do agricultor para com a figueira; ele n&atilde;o desiste, quer dar tempo para cuid&aacute;-la de novo, tempo para a mudan&ccedil;a. A pesar de levar &ldquo;tr&ecirc;s anos&rdquo; sem dar fruto, o lavrador continua confiando nela: &ldquo;vou cavar em volta dela e colocar adubo&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus real&ccedil;a a paci&ecirc;ncia divina, porque compreende e respeita o momento e o ritmo de cada pessoa. Conhecedor do cora&ccedil;&atilde;o humano, Ele sabe dos condicionamentos de todo tipo que pesam sobre ele. Na viv&ecirc;ncia crist&atilde;, a terra interior tamb&eacute;m pode ser cavada, adubada para que seja despertada&nbsp; a verdade pessoal. Os mecanismos, que ainda impedem a transforma&ccedil;&atilde;o interior, algum dia deixar&atilde;o de funcionar, e o seguidor de Jesus quebrar&aacute; suas resist&ecirc;ncias&nbsp; e&nbsp; se abrir&aacute; para dar in&iacute;cio &agrave; a uma nova caminhada.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, revolver a terra &eacute; o primeiro requisito a ser cumprido para que a &aacute;rvore d&ecirc; fruto; o segundo &eacute; o adubo que alimenta e desperta um novo reflorescimento da nossa &aacute;rvore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente, o m&iacute;stico Johann Tauler estava pensando nessa par&aacute;bola quando disse: &ldquo;<strong><em>Dia ap&oacute;s dia, o agricultor leva o esterco ao campo, e, ap&oacute;s um ano, o campo d&aacute; seus frutos. &Eacute; uma imagem consoladora que, justamente, aquilo que consideramos o esterco da nossa vida &ndash; os fracassos, as coisas pouco vistosas e pouco louv&aacute;veis &ndash; prepara o campo para a nossa &aacute;rvore da vida e a faz florescer&rdquo;.<\/em><\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 13,1-9<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ora&ccedil;&atilde;o: H&aacute; uma for&ccedil;a de gravidade que nos atrai progressivamente para o mais profundo de n&oacute;s mesmos, onde Deus nos espera e nos acolhe, e onde encontraremos o nosso &ldquo;eu original&rdquo; e a verdadeira paz.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; preciso &ldquo;descer&rdquo; at&eacute; &agrave;s ra&iacute;zes de nossa exist&ecirc;ncia para descobrir uma nova &ldquo;seiva&rdquo; para nossa vida; &eacute; &ldquo;descendo&rdquo; que poderemos revitalizar a vida que se tornara vazia e ressequida.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de despertar, de escavar nosso ch&atilde;o interior, alargar nosso cora&ccedil;&atilde;o e garimpar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s energias que est&atilde;o dispon&iacute;veis no eu mais profundo.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O qu&ecirc; alimenta as ra&iacute;zes de sua exist&ecirc;ncia? Onde voc&ecirc; busca o adubo que se transformar&aacute; em seiva vital?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &nbsp; &ldquo;Vou cavar em volta dela e colocar adubo; pode ser que venha a dar fruto&rdquo; (Lc&nbsp; 13,8-9)&nbsp; Comprovamos hoje um &ldquo;d&eacute;ficit de interioridade&rdquo;. Vivemos num contexto social e cultural no qual&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1460,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1201"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1201\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}