{"id":118,"date":"2018-02-17T00:00:00","date_gmt":"2018-02-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/deserto-tempo-de-des-velamento-interior-1-domingo-da-quaresma\/"},"modified":"2018-02-17T00:00:00","modified_gmt":"2018-02-17T00:00:00","slug":"deserto-tempo-de-des-velamento-interior-1-domingo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/deserto-tempo-de-des-velamento-interior-1-domingo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"DESERTO: tempo de des-velamento interior &#8211; 1\u00ba Domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b>&ldquo;O Esp&iacute;rito levou Jesus para o deserto&rdquo;<\/b> (Mc 1,12)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ao iniciarmos a Quaresma, umlugar que continuamente ser&aacute; citado e que vai aparecer com frequ&ecirc;ncia nostextos, reflex&otilde;es e ora&ccedil;&otilde;es, &eacute; o &ldquo;deserto&rdquo;. Deserto que deve fazer parte denossas vidas em algum momento: espa&ccedil;o de escura e de sil&ecirc;ncio, de busca, de despojamento;lugar que nos faz tomar consci&ecirc;ncia das coisas essenciais que d&atilde;o sentido &agrave;nossa exist&ecirc;ncia; ambiente privilegiado para o encontro tu a tu com o Deus amorque nos habita, ou melhor, em Quem habitamos. Se nos abrirmos &agrave; Sua presen&ccedil;aamorosa, caminharemos livres dos falsos absolutos que cada dia nos tentam, enossos desertos existenciais se converter&atilde;o em um jardim onde florescer&aacute; denovo a esperan&ccedil;a. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como seres humanos, de tempos emtempos precisamos passar por experi&ecirc;ncias de despojamento, de esvaziamento, devulnerabilidade, de crise&#8230;, para poder suavizar nosso cora&ccedil;&atilde;o e, desse modo,fazer-nos mais receptivos e expansivos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O &ldquo;deserto&rdquo; &eacute; o lugar dasperguntas, do discernimento, da busca de profundidade, o ambiente favor&aacute;vel quenos oferece ferramentas com as quais poder romper as bolhas que nos aprisionam,impedindo-nos sair para a aventura da vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O &ldquo;deserto&rdquo; nos sacode e nosdesnuda, porque desmascara nossas falsas seguran&ccedil;as. Por isso, somos movidos abuscar nossas ra&iacute;zes mais profundas. Quando esse percurso &eacute; vividoadequadamente, &eacute; prov&aacute;vel que no final vamos poder dizer, como Kierkegaard, &ldquo;euteria me afundado se n&atilde;o tivesse ido ao Fundo&rdquo;. Com efeito, antes ou depois, odeserto nos conduzir&aacute; para o Fundo est&aacute;vel e sereno, nos conduzir&aacute; &agrave; &ldquo;casa&rdquo;, &agrave;nossa verdadeira identidade, &agrave; &ldquo;Terra prometida&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Num mundo em que a imagem e asredes sociais ocupam, com suas presen&ccedil;as, toda a nossa vida, todos os nossoslares, os espa&ccedil;os p&uacute;blicos, fazendo-nos viver a cultura da superficialidade,muitas pessoas de diferentes condi&ccedil;&otilde;es sociais e religiosas j&aacute; come&ccedil;am a sentira urgente necessidade de escapar de tanta solicita&ccedil;&atilde;o externa que as oprime ealimentam o desejo de se ocupar mais decididamente com o seu mundo interior.Mas, se somos sinceros, adentrar-nos em nosso &ldquo;eu profundo&rdquo; e viver a partir dedentro &eacute; algo que n&atilde;o sabemos e muitas vezes at&eacute; sentimos medo. &Eacute; cada vez maisdif&iacute;cil a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o interior, em sintonia e bem integrado com omundo exterior.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nesse sentido, a liturgia quaresmalrevela-se como uma media&ccedil;&atilde;o privilegiada para potencializar nossainterioridade, ou destrav&aacute;-la, para que a expans&atilde;o de nossa vida seja poss&iacute;vel.Tal experi&ecirc;ncia resgata-nos do entorpecimento e nos d&aacute; um choque de lucidez.Ela oxigena a nossa mente e implode nosso conformismo; revela-se instigadora eprovocativa, fonte inspiradora que nos liberta do c&aacute;rcere da rotina. Ela nosfaz lembrar que somos andarilhos, deslocando-nos no tra&ccedil;ado da exist&ecirc;ncia embusca de respostas que d&ecirc;em sentido &agrave; nossa exist&ecirc;ncia. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O caminho para Deus passa pelaexperi&ecirc;ncia mais profunda e aut&ecirc;ntica de si mesmo, convidando cada um arepensar como, em meio &agrave;s dificuldades de cada tempo, sempre &eacute; poss&iacute;vel opercurso em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria interioridade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Buscar o Deus que &ldquo;est&aacute; dentro demim, enquanto eu estou fora&rdquo; (S. Agostinho), significa entrar em rela&ccedil;&atilde;o diretacom nosso interior, com o que nos move, com o que sentimos e pensamos;significa dissolver bloqueios afetivos j&aacute; solidificados e conflitos n&atilde;oresolvidos; &eacute; fazer que se calem muitos ru&iacute;dos parasitas e que se escute, porfim, o sil&ecirc;ncio sonoro que brota do oculto; desentupir os condutos do cora&ccedil;&atilde;o eprocessar a lava ardente dos grandes desejos significa abrir os olhos para umapaisagem desconhecida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Foi no deserto onde Jesusdescobriu o que move verdadeiramente o cora&ccedil;&atilde;o do ser humano. Foi nessasitua&ccedil;&atilde;o &ndash; de solid&atilde;o &ndash; onde tamb&eacute;m descobriu o que Deus ama no cora&ccedil;&atilde;o humano.Nessa experi&ecirc;ncia de deserto Jesus tomou consci&ecirc;ncia de duas for&ccedil;as oudinamismos que atuam no cora&ccedil;&atilde;o humano: um de expans&atilde;o, de sa&iacute;da de si, de vidaaberta e em sintonia com o Pai e com os outros; outro, de retra&ccedil;&atilde;o, deauto-centra&ccedil;&atilde;o, de busca de poder, prest&iacute;gio, vaidade&#8230;&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus viveu impulsionado peloEsp&iacute;rito, mas sentiu em sua pr&oacute;pria carne as for&ccedil;as do mal: &ldquo;foi tentado porsatan&aacute;s&rdquo;; satan&aacute;s significa &ldquo;o advers&aacute;rio&rdquo;, a for&ccedil;a hostil a Deus e a quemtrabalha por seu reinado. Na tenta&ccedil;&atilde;o de Jesus se des-vela o que h&aacute; em n&oacute;s deverdade ou de mentira, de luz ou de trevas, de fidelidade a Deus ou decumplicidade com a injusti&ccedil;a. Qual dos dois dinamismos internos alimentamos?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O evangelista Marcos ressalta queo &ldquo;deserto&rdquo; n&atilde;o &eacute; s&oacute; um lugar geogr&aacute;fico; &eacute; tamb&eacute;m o lugar que buscamos paranos silenciar e nos oferecer a oportunidade para reconectar conscientemente comnosso centro. Em todo processo de crescimento, e mais ainda nos per&iacute;odoscr&iacute;ticos do mesmo, vamos nos deparar com a presen&ccedil;a dos &ldquo;animais selvagens&rdquo; edos &ldquo;anjos&rdquo; em nosso eu profundo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; assim que nomeamos asexperi&ecirc;ncias que acontecem quando nos adentramos em nosso mundo interior. Os&ldquo;animais selvagens&rdquo; s&atilde;o aquelas circunst&acirc;ncias internas e que nos frustram e,sobretudo, aquele material ps&iacute;quico que n&atilde;o reconhecemos ou aceitamos em nossointerior: nossas paix&otilde;es, nossos traumas, nossas feridas, nossos instintos,nossa impot&ecirc;ncia e fragilidade&#8230; &Eacute; a &ldquo;sombra&rdquo; que vamos arrastando, e quecontinua nos assustando enquanto n&atilde;o a reconhecemos e a abra&ccedil;amos abertamenteem sua totalidade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os &ldquo;anjos&rdquo; s&atilde;o os consolos &ndash;externos e internos &ndash; que aparecem em nosso caminho, em forma de paz, de luz,compreens&atilde;o, de fortaleza, de amor&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Animais selvagens e anjos&rdquo;cumprem seu papel, pois nos &ldquo;obrigam&rdquo; a avan&ccedil;ar para nossa verdade profunda,tirando-nos da superf&iacute;cie de n&oacute;s mesmos, ou talvez da &ldquo;zona de conforto&rdquo; naqual t&iacute;nhamos nos instalado, conformando-nos com uma vida &ldquo;norm&oacute;tica&rdquo; e semcriatividade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O amadurecimento humano implicaabra&ccedil;ar toda nossa verdade, tamb&eacute;m aquela que nos aparece sob disfarcestemerosos, como o medo, a solid&atilde;o, a tristeza, a ang&uacute;stia&#8230; Lidar com tais&ldquo;feras&rdquo; requer capacidade de olh&aacute;-las de frente, com compreens&atilde;o, paci&ecirc;ncia emuito afeto. A espiritualidade crist&atilde; nos mostra que exatamente em nossasferidas n&oacute;s descobrimos o tesouro do nosso verdadeiro &ldquo;eu&rdquo;, escondido no fundode nosso cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Tradicionalmente, fomos coagidosa viver uma espiritualidade que nos ensinou a prender os &ldquo;animais selvagens&rdquo; ea levantar junto deles um edif&iacute;cio de &ldquo;grandes ideais&rdquo;. E com isto, passamos aviver constantemente com medo de que as feras pudessem fugir e nos devorar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sabemos que tudo quanto n&oacute;sreprimimos nos faz falta &agrave; nossa vida. Os &ldquo;animais selvagens&rdquo; tem muita for&ccedil;a.Quando os prendemos, fica nos faltando a sua for&ccedil;a, de que temos necessidadepara o nosso caminho para Deus, para n&oacute;s mesmos e para os outros. Somosobrigados a fugir de n&oacute;s mesmos, ficamos com medo de olhar para dentro de n&oacute;s,pois poder&iacute;amos correr o risco de nos deparar com as feras perigosas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quando, gra&ccedil;as &agrave; presen&ccedil;a dos&ldquo;anjos&rdquo;, deixarmos de rejeitar e de resistir aos &ldquo;animais selvagens&rdquo;, iremostomando consci&ecirc;ncia como a luz e a fortaleza v&atilde;o se expandindo em nossointerior; n&oacute;s nos perceberemos mais unificados e harmoniosos. E assim,estaremos mais preparados para a &ldquo;travessia&rdquo; em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; P&aacute;scoa. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Mc 1,12-15<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Cuidamos da interioridade quando nos questionamos sobreo modo como olhamos a vida, como atuamos diante das situa&ccedil;&otilde;es, como nosrelacionamos com os outros, como vivemos nossas convic&ccedil;&otilde;es e cren&ccedil;as; e,sobretudo, quando nos exercitamos em determinadas &ldquo;atividades espirituais&rdquo; quepodem nos ajudar a des-velar o nosso &ldquo;eu original&rdquo;, como o sil&ecirc;ncio, osmomentos de ora&ccedil;&atilde;o, o encontro com a Palavra, a partilha em grupo&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Qu&ecirc; media&ccedil;&otilde;es voc&ecirc; vai ativardurante a Quaresma para ajudar a des-velar sua pr&oacute;pria interioridade? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;O Esp&iacute;rito levou Jesus para o deserto&rdquo; (Mc 1,12) Ao iniciarmos a Quaresma, umlugar que continuamente ser&aacute; citado e que vai aparecer com frequ&ecirc;ncia nostextos, reflex&otilde;es e ora&ccedil;&otilde;es, &eacute; o &ldquo;deserto&rdquo;. 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