{"id":1178,"date":"2016-03-05T00:00:00","date_gmt":"2016-03-05T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-principio-misericordia-amor-em-excesso\/"},"modified":"2016-03-05T00:00:00","modified_gmt":"2016-03-05T00:00:00","slug":"reflexao-dominical-principio-misericordia-amor-em-excesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-principio-misericordia-amor-em-excesso\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Dominical &#8211; PRINC\u00cdPIO MISERIC\u00d3RDIA: Amor em excesso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">[imagem1]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&ldquo;Trazei depressa a melhor t&uacute;nica para vestir meu filho. Colocai-lhe um anel no dedo e sand&aacute;lias nos p&eacute;s. Trazei um novilho gordo e matai-o, para comermos e festejarmos&rdquo; (Lc 15,22-23 )&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornar presente o Pai como Amor e Miseric&oacute;rdia foi, para Jesus, o cerne de sua miss&atilde;o: toda a sua vida foi uma eloquente revela&ccedil;&atilde;o da miseric&oacute;rdia divina para com a humanidade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, presen&ccedil;a vis&iacute;vel da miseric&oacute;rdia, revela um Deus Pai-M&atilde;e, cheio de ternura e de miseric&oacute;rdia que vai ao encontro dos perdidos, libertando-os da exclus&atilde;o e do isolamento; um Deus que exulta de alegria quando os reencontra e que convida a todos para a festa da comunh&atilde;o e do perd&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o de Deus cuja bondade, generosidade, amor, alegria e compaix&atilde;o n&atilde;o tem limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um Deus novo,&nbsp; &ldquo;desconcertante&rdquo;, &ldquo;escandaloso&rdquo;, totalmente incompat&iacute;vel com o &ldquo;deus legalista&rdquo; dos escribas e fariseus. A Miseric&oacute;rdia de Deus por n&oacute;s faz-lhe perder sua soberania e compostura e sair correndo ao nosso encontro, para abra&ccedil;ar-nos na nossa humanidade ferida e profanada, para devolver-nos a filia&ccedil;&atilde;o e a dignidade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&ldquo;Onde h&aacute; miseric&oacute;rdia, a&iacute; est&aacute; presente o Esp&iacute;rito de Deus. Onde h&aacute; rigidez, a&iacute; est&atilde;o seus ministros&rdquo;<\/em> (Papa Francisco).&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que escandalizava os destinat&aacute;rios das par&aacute;bolas da Miseric&oacute;rdia (Lc 15) contadas por Jesus, que se consideravam justos e cumpridores exemplares da Lei, n&atilde;o era propriamente a conduta dos pecadores, mas a conduta do pr&oacute;prio Jesus com rela&ccedil;&atilde;o a eles; Ele, rosto vis&iacute;vel da miseric&oacute;rdia, permite que os pecadores se aproximem dele, recebe-os de cora&ccedil;&atilde;o aberto, toma a iniciativa de ir ao encontro deles e senta-se com eles &agrave; mesma mesa.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O comportamento de Jesus &eacute; uma &ldquo;par&aacute;bola viva&rdquo; do comportamento de Deus com os pecadores. Na par&aacute;bola de hoje, o pai aparece sempre como algu&eacute;m que contraria as expectativas dos ouvintes, que vai contra a vis&atilde;o de Deus daquele que est&aacute; habituado &agrave; lei do &ldquo;olho por olho, dente por dente&rdquo;. Os escribas e fariseus n&atilde;o podiam suportar que Jesus proclamasse que Deus acolhe e perdoa incondicionalmente a todos, que tem um carinho especial, um amor de predile&ccedil;&atilde;o pelos perdidos; um Deus que vai ao encontro dos perdidos e que transborda de alegria quando os encontra.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>par&aacute;bola do Pai Misericordioso<\/strong> condensa toda a hist&oacute;ria de nossa salva&ccedil;&atilde;o. Ela cont&eacute;m a quinta-ess&ecirc;ncia do Evangelho do Reino do Pai proclamado por Jesus, a hist&oacute;ria do amor de Deus para com a humanidade. O que Jesus quis proclamar ao cont&aacute;-la foi que o amor, a miseric&oacute;rdia, o perd&atilde;o e a comunh&atilde;o s&atilde;o oferecidas por Deus aos &ldquo;perdidos&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Justamente por ser o Evangelho condensado, esta par&aacute;bola deve ser incessantemente ouvida e contem-plada por todos n&oacute;s. E depois de contemplada e experimentada, devemos cont&aacute;-la, proclam&aacute;-la e testemunh&aacute;-la, sempre de novo, a todos os homens e mulheres que Deus ama. <strong>Ela &eacute; a par&aacute;bola da nossa vida, da nossa hist&oacute;ria, de cada um dos nossos caminhos. Ela &eacute;, enfim, a par&aacute;bola da nossa origem e do nosso destino.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de uma imagem de um Deus severo, com a lei na m&atilde;o, pronto para nos acusar, Jesus nos revela o rosto de Deus Pai-M&atilde;e de infinita ternura, que se alegra com o retorno de seus filhos &agrave; conviv&ecirc;ncia em sua casa. De fato, no Evangelho de hoje (4&ordm; dom Quaresma), a volta do filho perdido provoca uma &ldquo;explos&atilde;o de alegria&rdquo; no Pai. Sua alegria era t&atilde;o intensa que ele n&atilde;o poderia esperar para dar in&iacute;cio &agrave; comemora&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express&atilde;o &ldquo;depressa&rdquo; com a qual o pai exorta seus criados denota que o servi&ccedil;o deve ser executado sem demora, pois o filho n&atilde;o pode ficar por mais tempo privado de sua dignidade. As ordens aos empregados s&atilde;o dadas em voz alta para que todos fiquem sabendo da festa, para que a sua alegria seja conhecida e partilhada por todos. Ele convida todos a comer, beber e dan&ccedil;ar. Uma grande festa tem in&iacute;cio, mas n&atilde;o tem fim.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T&atilde;o fortemente o pai deseja dar vida a seu filho mais novo que parece quase impaciente. Nada &eacute; suficientemente bom. O melhor precisa lhe ser dado. Ele ordena que o filho seja imediatamente vestido com a t&uacute;nica luxuosa, como a que &eacute; usada nos dias de festa pelos h&oacute;spedes ilustres. O filho recupera sua identidade e sua dignidade de filho. O pai lhe d&aacute; o anel para honr&aacute;-lo como seu filho amado e novamente devolver-lhe a condi&ccedil;&atilde;o de herdeiro e a plenitude de seus direitos. Com as sand&aacute;lias, &eacute; devolvida ao filho a condi&ccedil;&atilde;o do homem livre e de senhor da casa. &nbsp;Mas o Pai n&atilde;o ama s&oacute; o filho perdido e reencontrado. Ele ama tamb&eacute;m aquele que ficou em casa, a seu lado, e que deixou seu cora&ccedil;&atilde;o endurecer. Ele vai ao seu encontro, vai para pedir que participe da alegria do reencontro e da festa. N&atilde;o o deixa na sua solid&atilde;o e na sua rejei&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o acusa seu pecado.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pai vai procurar tamb&eacute;m aqueles que tem um cora&ccedil;&atilde;o de pedra, invejosos e legalistas. O fato miraculoso n&atilde;o est&aacute; s&oacute; em que o pai n&atilde;o renegou o filho mais mo&ccedil;o, e sim que tenha sido compreensivo com um homem t&atilde;o duro, frio e r&iacute;gido como o filho mais velho, e que continua a cham&aacute;-lo de &ldquo;filho&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O &ldquo;princ&iacute;pio miseric&oacute;rdia&rdquo;, portanto, &eacute; o n&uacute;cleo do Evangelho.<\/strong> <strong>E a miseric&oacute;rdia &eacute; o &ldquo;amor em excesso&rdquo;.<\/strong> Na miseric&oacute;rdia, Deus sempre nos surpreende, sempre excede nossas estreitas expectativas, para abrir caminho a partir de nossas fragilidades. S&oacute; o amor misericordioso de Deus nos reconstr&oacute;i por dentro, destravando-nos, colocando-nos em movimento e abrindo-nos em dire&ccedil;&atilde;o a um horizonte de sentido, de responsabilidade e compromisso.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus n&atilde;o s&oacute; tem um cora&ccedil;&atilde;o que ama. Isso j&aacute; &eacute; extraordin&aacute;rio. Mas tamb&eacute;m tem entranhas, uma ternura que se comove. Isso &eacute; avassalador. A miseric&oacute;rdia constitui a resposta de Deus &agrave; indig&ecirc;ncia do ser humano: ela recria a vida, pois, a for&ccedil;a criativa da sua miseric&oacute;rdia p&otilde;e em movimento os grandes dinamismos de nossa vida; debaixo do modo paralisado e petrificado de viver, existe uma possibilidade de vida nova nunca ativada.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, em sua miseric&oacute;rdia reconstrutora, libera em n&oacute;s as melhores possibilidades, riquezas escondidas, capacidades, intui&ccedil;&otilde;es&#8230; e nos faz descobrir em n&oacute;s, nossa verdade mais profunda de pessoas amadas, &uacute;nicas, sagradas, respons&aacute;veis&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miseric&oacute;rdia &eacute; expansiva, ela abre um novo futuro e desata ricas possibilidades latentes em cada um. Ela n&atilde;o se limita ao &ecirc;rro, mas impulsiona cada um a ir al&eacute;m de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde n&atilde;o h&aacute; miseric&oacute;rdia, n&atilde;o h&aacute; sequer esperan&ccedil;a para o ser humano.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos concluir afirmando que a miseric&oacute;rdia n&atilde;o &eacute; s&oacute; a mais divina mas tamb&eacute;m a mais humana das virtudes. &Eacute; aquela que melhor revela a natureza do Deus Pai e M&atilde;e de infinita bondade. &Eacute; a que revela igualmente o lado mais luminoso da natureza humana; nesse sentido, a miseric&oacute;rdia &eacute; a que mais humaniza as rela&ccedil;&otilde;es entre as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, Jesus prop&otilde;e um modo de ser humano insepar&aacute;vel da miseric&oacute;rdia do Pai: &ldquo;Sede misericordiosos como o Pai &eacute; misericordioso&rdquo; (Lc. 6,36)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser misericordioso &ldquo;como&rdquo; Deus constitui o mais elevado convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a si mesmo e aos outros.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 15,1-3.11-32<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/strong> A experi&ecirc;ncia de miseric&oacute;rdia ativa em n&oacute;s um modo de viver misericordioso. O Deus de miseric&oacute;rdia cria em n&oacute;s um cora&ccedil;&atilde;o novo, feito de acordo com o Seu, capaz de miseric&oacute;rdia. Entrar no &ldquo;fluxo&rdquo; da miseric&oacute;rdia divina: ser canal por onde circula o amor misericordioso de Deus em favor dos outros.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Trazei depressa a melhor t&uacute;nica para vestir meu filho. Colocai-lhe um anel no dedo e sand&aacute;lias nos p&eacute;s. 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