{"id":1147,"date":"2016-03-12T00:00:00","date_gmt":"2016-03-12T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-onde-ha-misericordia-nao-ha-julgamentos\/"},"modified":"2016-03-12T00:00:00","modified_gmt":"2016-03-12T00:00:00","slug":"reflexao-dominical-onde-ha-misericordia-nao-ha-julgamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/reflexao-dominical-onde-ha-misericordia-nao-ha-julgamentos\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o Dominical: ONDE H\u00c1 MISERIC\u00d3RDIA N\u00c3O H\u00c1 JULGAMENTOS"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>[imagem1]<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>&ldquo;Mestre, esta mulher foi flagrada cometendo adult&eacute;rio. Mois&eacute;s, na Lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu, que dizes?&rdquo;<\/em><\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Jo 8,4-5)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Papa Francisco, <em>&ldquo;onde h&aacute; miseric&oacute;rdia, a&iacute; est&aacute; presente o Esp&iacute;rito de Deus; onde h&aacute; rigidez, a&iacute; est&atilde;o seus ministros&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus percebeu algo muito s&eacute;rio nesta inclina&ccedil;&atilde;o que temos de <strong>julgar <\/strong>as outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; escandalosa a capacidade do ser humano causar dano aos outros; e dentro desse dano infligido &agrave;s pessoas, ocupa um lugar de destaque o ju&iacute;zo gratuito, a desqualifica&ccedil;&atilde;o e a condena&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o podemos negar: todos temos voca&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zes; todos somos peritos em alimentar um tribunal interior. Onde a lei ocupa o centro, ali n&atilde;o h&aacute; possibilidade de nova oportunidade de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As boas rela&ccedil;&otilde;es entre pessoas s&oacute; s&atilde;o poss&iacute;veis quando os que se relacionam entre si n&atilde;o se julgam uns aos outros. Quando algu&eacute;m sabe ou suspeita que os outros lhe est&atilde;o julgando, e lhe est&atilde;o julgando mal, a rela&ccedil;&atilde;o humana se complica, possivelmente se envenena, e termina por fazer-se insuport&aacute;vel. &Eacute; muito duro ir pela vida sabendo que h&aacute; algu&eacute;m que pensa mal do outro, que o julga e o condena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos sabemos que, por detr&aacute;s de tanto ju&iacute;zo e condena&ccedil;&atilde;o &ndash; como no Evangelho que lemos hoje -, parece indicar uma inseguran&ccedil;a radical, que se disfar&ccedil;a justamente de seguran&ccedil;a absoluta, fundada na lei, onde a pessoa chega a pensar que possui a verdade e que os outros est&atilde;o no erro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade mesma de ter raz&atilde;o e de acreditar ser portador da verdade &eacute; ind&iacute;cio de uma inseguran&ccedil;a de base que se torna insuport&aacute;vel. Por isso, o fanatismo religioso revela inseguran&ccedil;a camuflada, do mesmo modo que o af&atilde; de superioridade esconde um doloroso complexo de inferioridade, &agrave;s vezes revestido de &ldquo;nobres&rdquo; justifica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando algu&eacute;m se eleva em juiz da vida dos outros e, al&eacute;m disso, se considera com conhecimentos e o suficiente crit&eacute;rio para conden&aacute;-los, o que realmente faz &eacute; usurpar o lugar que corresponde a Deus. Por isso &eacute; t&atilde;o frequente que as pessoas que se consideram mais pr&oacute;ximas a Deus e aos princ&iacute;pios da estrita observ&acirc;ncia moral s&atilde;o os ju&iacute;zes mais implac&aacute;veis. Sem dar-se conta, ocupam o lugar de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No evangelho de hoje, o pressuposto de Jesus &eacute; que ningu&eacute;m pode ser identificado com seus atos exteriores, ou com suas apar&ecirc;ncias. Dentro de cada um, existe um mist&eacute;rio profundo e impenetr&aacute;vel, cujo conhecimento &eacute; reservado unicamente a Deus. &Eacute; preciso respeit&aacute;-lo, sabendo que, por detr&aacute;s de cada ato humano, existe uma hist&oacute;ria que nos escapa. Deixemos que Deus seja Deus e que Ele tenha a &uacute;ltima palavra. Ele conhece cada pessoa, na sua intimidade. Por isso, n&atilde;o corre o risco de se enganar. &Eacute; com <strong>miseric&oacute;rdia <\/strong>que ele pesa as a&ccedil;&otilde;es humanas; por isso Ele salva sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato de Jo&atilde;o, indicado para a liturgia deste domingo, p&otilde;e em confronto duas maneiras diferentes de reagir perante a <strong><em>&ldquo;mulher pecadora&rdquo;:<\/em><\/strong> uma, de acolhida e proximidade; outra, de julgamento e dist&acirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, os olhares julgadores dos escribas e fariseus se voltam para a mulher, ao mesmo tempo que a aten&ccedil;&atilde;o repreensiva concentra-se sobre Jesus, buscando motivos para tamb&eacute;m julg&aacute;-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, entre o Mestre e a mulher se instaura uma surpreendente compreens&atilde;o e acolhida: nada de julgamento e condena&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sentindo-se julgada e condenada por aqueles que se apresentavam como os leg&iacute;timos int&eacute;rpretes da Lei de Mois&eacute;s, a mulher encontrou e descobriu, nas <strong>palavras<\/strong> e na <strong>pessoa<\/strong> de Jesus, de modo novo e fascinante, o <strong>rosto misericordioso<\/strong> de Deus, a ponto de sentir seu abra&ccedil;o paterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela sentiu-se seduzida por Jesus, o <strong>&ldquo;justo&rdquo;,<\/strong> o amigo dos publicanos e dos pecadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maneira misericordiosa de Jesus se fazer presente junto &agrave; pecadora, mobiliza esta mulher a fazer da sua vida de erros um trampolim para a sua <strong>humaniza&ccedil;&atilde;o. <\/strong>Jesus n&atilde;o contabiliza os pecados, n&atilde;o classifica as pessoas em <strong>puras<\/strong> e <strong>impuras.<\/strong> Ele abra&ccedil;a a realidade em sua totalidade, integrando-a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele acolhe e celebra a vida em sua totalidade. N&atilde;o foi o passado de erros da mulher que determinou a atitude de Jesus para com ela, pois Ele n&atilde;o se deixa determinar pelo passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tem um <strong>cora&ccedil;&atilde;o expansivo<\/strong>, voltado para todas as dire&ccedil;&otilde;es, onde quer que se encontre a realidade limitada e fr&aacute;gil. O encontro com Ele n&atilde;o desperta sentimentos de culpa; as pessoas podem retirar-se em paz. Jesus faz da <strong>miseric&oacute;rdia<\/strong> o verdadeiro evento divino. Nele, a <strong>miseric&oacute;rdia<\/strong> torna-se o dom constitutivo n&atilde;o s&oacute; do divino, mas tamb&eacute;m do humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os escribas e fariseus n&atilde;o entendem a <strong>ternura<\/strong> e a <strong>acolhida<\/strong> de Jesus para com a mulher, esta, ao contr&aacute;rio, conhece o mist&eacute;rio inef&aacute;vel da <strong>Miseric&oacute;rdia<\/strong> e abandona-se a Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Libertada de seu passado e amada, a mulher sente-se devolvida &agrave; vida, levando consigo no cora&ccedil;&atilde;o um dom inesperado: o <strong>perd&atilde;o<\/strong>, que a inunda de paz e alegria. A pecadora, atra&iacute;da pelo <strong>amor<\/strong> terno e misericordioso de Jesus, finalmente experimenta a gratuidade e a do&ccedil;ura da miseric&oacute;rdia para consigo mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela muda a sua vida quando percebe ser amada por um amor envolvente, gratuito, antecipado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, ela se torna uma nova par&aacute;bola da ternura e da miseric&oacute;rdia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher estava preparada para a morte, mas Jesus a despede viva, abrindo uma nova possibilidade de futuro. &Eacute; not&aacute;vel como Jesus encarna a atitude de rejei&ccedil;&atilde;o ao pecado e amor ao pecador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto foi magistralmente expresso por S. Agostinho, quando ficaram sozinhos Jesus e a mulher: <em>&ldquo;S&oacute; ficaram dois, a miser&aacute;vel e a miseric&oacute;rdia&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde impera a Lei, n&atilde;o h&aacute; futuro, s&oacute; julgamento; onde a <strong>Miseric&oacute;rdia<\/strong> encontra espa&ccedil;o ali a vida tem nova chance. Os acusadores acreditavam estar seguros, fundamentados na lei e na sua consci&ecirc;ncia. Mas Jesus, sem julg&aacute;-los, os conduz tamb&eacute;m a um n&iacute;vel mais profundo, apelando a que se olhassem a si mesmos, para que vissem que eles estavam condenando a mulher porque tinham medo, se sentiam inseguros e necessitavam descarregar sua agressividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, Jesus n&atilde;o se comportou como juiz, nem com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher, nem com rela&ccedil;&atilde;o aos c&uacute;mplices, nem com rela&ccedil;&atilde;o aos acusadores e aos curiosos, mas se situou em um plano mais alto: no n&iacute;vel da <strong>miseric&oacute;rdia<\/strong> de Deus, que envolve esta mulher e, por meio dela, a todos os que a acusavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uns e outros devem reconciliar-se e iniciar uma vida em gratuidade, criando condi&ccedil;&otilde;es distintas de conviv&ecirc;ncia, uma hist&oacute;ria de gratuidade n&atilde;o impositiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Texto b&iacute;blico<\/strong><strong>: <\/strong><strong>&nbsp;Jo 8,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;<\/strong><strong>Na ora&ccedil;&atilde;o: <\/strong>Ser <strong>misericordioso<\/strong> &eacute; n&atilde;o aprisionar o outro nas consequ&ecirc;ncias negativas de seus atos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miseric&oacute;rdia &eacute; a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o para que nossa vida seja vivida de uma maneira nova. Fora do fluxo da miseric&oacute;rdia a vida se torna imposs&iacute;vel de ser vivida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&nbsp;&#8211; <\/em><em>&ldquo;O que &eacute; que eu n&atilde;o perd&ocirc;o no outro? O que &eacute; que eu n&atilde;o consigo perdoar em mim mesmo?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; O que &eacute; que em mim pode perdoar? <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Que for&ccedil;a &eacute; esta que me atravessa e que, passando pela justi&ccedil;a, me conduz &agrave; miseric&oacute;rdia?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; Pedir<\/strong> maior consci&ecirc;ncia do Amor Misericordioso do Pai; que cada um possa deixar-se surpreender pelo Amor criativo do Pai&#8230; e participar em sua festa de reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, pedir um cora&ccedil;&atilde;o desarmado, pronto a <strong>re-criar<\/strong> (perdoar &eacute; re-criar, &eacute; dar oportunidade para algu&eacute;m viver de novo).<\/p>\n<p><strong>Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &nbsp; &ldquo;Mestre, esta mulher foi flagrada cometendo adult&eacute;rio. Mois&eacute;s, na Lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu, que dizes?&rdquo;&nbsp; (Jo 8,4-5) &nbsp; Segundo o Papa Francisco, &ldquo;onde h&aacute; miseric&oacute;rdia, a&iacute; est&aacute;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1733,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1147"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1147"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1147\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}