{"id":11101,"date":"2019-06-20T01:55:06","date_gmt":"2019-06-20T01:55:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=11101"},"modified":"2019-06-19T18:59:49","modified_gmt":"2019-06-19T18:59:49","slug":"corpo-do-cristo-corpo-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/corpo-do-cristo-corpo-humano\/","title":{"rendered":"Corpo do Cristo: corpo humano"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cJesus acolheu as multid\u00f5es, falava-lhes do Reino de Deus e curava todos os que precisavam\u201d (v. 11)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O dia de \u201cCorpus Christi\u201d, tradicionalmente celebrado na quinta-feira depois da Trindade, \u00e9 festa do Deus feito carne e sangue humano, \u00e9 festa crist\u00e3 da humanidade de Deus, da divindade do ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta festa revela mil riquezas que deveriam ser real\u00e7adas no di\u00e1logo com a humanidade, afinal, o Corpo de Deus \u00e9, por Cristo, o ser humano inteiro, a humanidade completa; \u00e9 festa crist\u00e3, mas que quer ser universal, a festa de todos aqueles que desejam vincular-se entre si, de um modo concreto, partilhando o p\u00e3o, bebendo juntos o vinho da vida, em alegria e esperan\u00e7a, dispostos a colocar suas vidas a servi\u00e7o da vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Festa do Corpo de Jesus e de todos os corpos; festa do p\u00e3o e do vinho, frutos da terra e da comunh\u00e3o de todos os seres. A Terra \u00e9 um grande organismo vivento; o Universo, com suas estrelas e gal\u00e1xias, \u00e9 um corpo imenso. Corpo sagrado, porque habitado pela presen\u00e7a divina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Celebremos nosso corpo, t\u00e3o maravilhoso e vulner\u00e1vel! Cuidemos do corpo, sem tortur\u00e1-lo com nossas obsess\u00f5es, sem submet\u00ea-lo \u00e0 escravid\u00e3o de nossas modas e medos! Respeitemos como sagrado o corpo do outro, sem explor\u00e1-los! Sintamos como pr\u00f3prio o corpo do faminto, do violentado, do refugiado, da mulher violada, maltratada, assassinada&#8230; \u00c9 nosso corpo; \u00e9 o Corpo de Jesus; \u00e9 o Corpo de Deus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo humano est\u00e1, portanto, no centro da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3, pois se trata de algo assumido pelo mesmo Deus na Encarna\u00e7\u00e3o de seu Filho Jesus Cristo, que se faz corpo humano e habita entre n\u00f3s. Este gesto divino eleva e engrandece a corporeidade humana e a resgata para sempre, j\u00e1 que a divindade abra\u00e7a a carne, acolhendo sua fragilidade para dentro de Si mesmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deus se revela encarnando-se, assumindo um Corpo que sente, que vibra, que tem prazer e que sofre, uma carne que treme, vulner\u00e1vel ao frio e ao calor, \u00e0 fome e \u00e0 sede. Corpo que comunga com nossa mortalidade, padecendo dor, agonia e morte, sendo sepultado entre as trevas da terra como toda criatura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a um contexto social e pol\u00edtico que faz op\u00e7\u00e3o clara em favor da morte, os(as) seguidores(as) de Jesus proclamam em alta voz seu compromisso em favor da vida. \u00c9 uma incoer\u00eancia tremenda real\u00e7ar o esp\u00edrito da festa de Corpus Christi quando corpos s\u00e3o violentados, multid\u00f5es s\u00e3o expostas \u00e0 fome e mis\u00e9ria, pessoas e grupos s\u00e3o exclu\u00eddos por preconceito, intoler\u00e2ncia&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, \u201cCorpo de Deus\u201d! Deus \u00e9 como o pulsar \u00edntimo, a energia origin\u00e1ria, a criatividade inesgot\u00e1vel, a possibilidade infinita, a for\u00e7a do bem, a comunh\u00e3o universal, a Presen\u00e7a plena em cada ser humano, numa eterna evolu\u00e7\u00e3o; Deus \u00e9 infinitamente \u201cmais\u201d que a soma de todos os corpos que comp\u00f5em a humanidade. Somos n\u2019Ele. Ele \u00e9 em n\u00f3s, infinitamente mais que um Tu separado. Toma corpo no trigo que se transforma em p\u00e3o ou na vinha que floresce nos campos e se transforma em vinho; corpo que se faz alimento e alegra o cora\u00e7\u00e3o, na promessa de nos reconduzir \u00e0s entranhas do amor do mesmo Deus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus fez do universo seu corpo e se faz p\u00e3o e vinho para n\u00f3s. O p\u00e3o suscita e cria Corpo\u2026; Jesus n\u00e3o anuncia uma verdade abstrata, separada da vida, uma pura lei social, princ\u00edpio religioso&#8230; Ao contr\u00e1rio, Jesus, Messias de Deus, \u00e9 corpo, isto, \u00e9, vida expandida, sentida, compartilhada. O Evangelho nos situa desta forma no n\u00edvel da corporalidade pr\u00f3xima: Jesus \u00e9 corpo que quebra dist\u00e2ncias, acolhe o diferente e cria comunh\u00e3o. Podemos dizer que Jesus desencadeia um \u201cmovimento corporal humanizador\u201d; por isso, Ele se faz alimento que a todos sustenta, criando uma comunh\u00e3o corp\u00f3rea universal, pois ningu\u00e9m est\u00e1 exclu\u00eddo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o corpo \u00e9 identidade e comunh\u00e3o, individualidade e comunica\u00e7\u00e3o, a vida inteira alimentada pelo p\u00e3o.&nbsp; A antropologia de Jesus n\u00e3o \u00e9 dualista, que separa corpo e alma. A festa do P\u00e3o divino est\u00e1 nos revelando que corpo n\u00e3o \u00e9 aquilo que se op\u00f5e \u00e0 alma, exterioridade da pessoa, mas pessoa e vida inteira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Corpo \u00e9 o mesmo ser humano enquanto comunica\u00e7\u00e3o e crescimento, exig\u00eancia de alimento e possibilidade de morte: fragilidade e grandeza de algu\u00e9m que pode viver o encontro com o outro, partilhando sua vida e suas energias, criando assim um \u201ccorpo\u201d mais alto (comunh\u00e3o) com todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a Eucaristia se revela como centro da viv\u00eancia crist\u00e3. A transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es humanas se d\u00e1 atrav\u00e9s do partir o p\u00e3o e do passar o c\u00e1lice de vinho; como o p\u00e3o \u00e9 um, comer desse p\u00e3o nos faz todos um. A Eucaristia faz de todos n\u00f3s Corpo de Cristo. Da\u00ed o interesse da primitiva Igreja em que, na Eucaristia, todos comungassem do mesmo p\u00e3o partido, com a finalidade de fazer vis\u00edvel essa unidade de todos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao dizer \u201ctomai e comei, isto \u00e9 meu corpo\u201d, Jesus vem ao nosso encontro como alimento; n\u00e3o vive para impor-se sobre os outros ou explor\u00e1-los, mas, pelo contr\u00e1rio, para oferecer sua vida em forma de alimento, a fim de que todos se alimentem e cres\u00e7am com Sua vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isto se expressa e se oferece em contexto de refei\u00e7\u00e3o entre amigos(as): n\u00e3o exige obedi\u00eancia, n\u00e3o imp\u00f5e sua verdade, n\u00e3o se eleva acima dos outros, mas, em gesto de solidariedade suprema, se atreve a oferecer-lhes seu pr\u00f3prio corpo, convidando-os a partilhar o p\u00e3o. Este oferecimento de Jesus s\u00f3 tem sentido para aqueles que interpretam o corpo messi\u00e2nico, como fonte de humanidade dialogal, gratuita, expansiva&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim fizeram seus(suas) seguidores(as): ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus foi \u201creconhecido ao partir o p\u00e3o\u201d; foi reconhecido n\u00e3o porque estava no templo ou ensinava na sinagoga, mas porque partia o p\u00e3o nas casas. &nbsp;Por isso, no primeiro dia da semana, reuniam-se todos nas casas, oravam juntos, recordavam a mensagem de Jesus, comiam o p\u00e3o, bebiam o vinho e a Vida ressuscitava. A isso chamavam, \u2018ceia do Senhor\u201d ou \u201cfra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o\u201d.&nbsp; Tudo era muito simples e despojado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os relatos dos Evangelhos, durante sua vida p\u00fablica, Jesus transitou por muitas refei\u00e7\u00f5es, prop\u00f4s a grande mesa da inclus\u00e3o e, para culminar, organizou com seus amigos mais pr\u00f3ximos uma ceia de despedida e de esperan\u00e7a. Ali, ao partir o p\u00e3o e passar o c\u00e1lice, pediu que se recordasse dele toda vez que comessem ou bebessem juntos, reavivando a esperan\u00e7a de construir o mundo que todos esperavam. Eles se transfigurariam e o mundo se transformaria em Comunh\u00e3o toda vez que este gesto fosse repetido.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, \u00e9 preciso recuperar o lugar e o sentido da Eucaristia, para que n\u00e3o seja um rito puramente cultual. Para muitos crist\u00e3os, ela n\u00e3o \u00e9 mais que uma obriga\u00e7\u00e3o e um peso que, se pudessem, tirariam de cima deles. A Eucaristia acabou se convertendo em uma cerim\u00f4nia rotineira, que demonstra a falta absoluta de convic\u00e7\u00e3o e compromisso. A Eucaristia era, para as primeiras comunidades crist\u00e3s, o ato mais subversivo que podemos imaginar. Os crist\u00e3os que a celebravam se sentiam comprometidos a viver o que o sacramento significava. Eram conscientes de que recordavam o que Jesus tinha sido durante sua vida e se comprometiam a viver como Ele viveu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e9culos depois, a simples refei\u00e7\u00e3o foi se complicando. A casa se converteu em templo, a refei\u00e7\u00e3o em \u201csacrif\u00edcio\u201d, a mesa em altar, o convite em obriga\u00e7\u00e3o, o rito em pompa, a partilha em exclus\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A festa de \u201cCorpus Christi\u201d pode ser ocasi\u00e3o privilegiada para voltarmos ao mais simples e pleno, para al\u00e9m dos c\u00e2nones, rubricas e indument\u00e1rias que n\u00e3o tem nada a ver com Jesus. Basta nos reunir em um lugar qualquer, para recordar Jesus, compartilhar sua palavra, tomar o p\u00e3o e o vinho, ressuscitar a esperan\u00e7a e alimentar o sonho do Reino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a Missa verdadeira, a verdadeira miss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Texto b\u00edblico:&nbsp; Lc 9,11-17<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na ora\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Na sua comunidade, a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica gera maior amor e compromisso em favor dos mais pobres ou se limita a ser um simples rito religioso obrigat\u00f3rio?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Quais iniciativas concretas sua comunidade poderia fazer para que a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia seja mais ativa e din\u00e2mica?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sendo constitu\u00edda por seguidores(as) de Jesus, como sua comunidade poderia se comprometer mais para levar aos outros o p\u00e3o cotidiano, o p\u00e3o do amor e da esperan\u00e7a, o p\u00e3o do evangelho do Reino?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cJesus acolheu as multid\u00f5es, falava-lhes do Reino de Deus e curava todos os que precisavam\u201d (v. 11)&nbsp; O dia de \u201cCorpus Christi\u201d, tradicionalmente celebrado na quinta-feira depois da Trindade, \u00e9 festa do Deus&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11102,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11101"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11101"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11103,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11101\/revisions\/11103"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11102"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}