{"id":10946,"date":"2019-06-02T07:50:14","date_gmt":"2019-06-02T07:50:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=10946"},"modified":"2019-06-02T12:02:38","modified_gmt":"2019-06-02T12:02:38","slug":"ascensao-bencao-que-se-expande-sobre-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/ascensao-bencao-que-se-expande-sobre-a-humanidade\/","title":{"rendered":"Ascens\u00e3o: ben\u00e7\u00e3o que se expande sobre a humanidade"},"content":{"rendered":"\n<p>Agora que estamos chegando ao <strong>final do tempo pasca<\/strong>l, vale a pena notar que a P\u00e1scoa, chave, centro e\u00a0 ponto de partida da f\u00e9 crist\u00e3, \u00e9 um acontecimento de uma riqueza tal que \u00e9 imposs\u00edvel descrev\u00ea-lo com uma s\u00f3 imagem. Por isso, celebramos o mist\u00e9rio pascal durante cinquenta dias, e logo prolongamos esta celebra\u00e7\u00e3o cada domingo. Trata-se de um acontecimento \u00fanico, embora n\u00f3s, para entend\u00ea-lo melhor, o celebremos por etapas. Dito de outra maneira: Paix\u00e3o, P\u00e1scoa, <strong>Ascens\u00e3o<\/strong> e Pentecostes s\u00e3o a mesma realidade. Pode-se falar de quatro momentos, mas, na realidade s\u00e3o distintas perspectivas do mesmo Mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Qu\u00ea estamos celebrando com a Ascens\u00e3o? A Ascens\u00e3o \u00e9 mais um aspecto da cristologia pascal.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Cristo alcan\u00e7ou, na Ascens\u00e3o, uma situa\u00e7\u00e3o e um estado de infinitude que lhe permite preencher tudo com sua presen\u00e7a definitiva, e para comunicar-nos sua presen\u00e7a divina. Portanto, n\u00e3o se trata de uma Ascens\u00e3o para um lugar f\u00edsico que o afastaria para longe da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A nuvem que o \u201coculta\u201d, enquanto subia ao c\u00e9u, n\u00e3o est\u00e1 nos indicando sua \u201caus\u00eancia\u201d, mas uma forma distinta de sua presen\u00e7a. <strong>Daqui em diante, Jesus estar\u00e1 presente entre n\u00f3s atrav\u00e9s de seu Esp\u00edrito<\/strong>, cuja miss\u00e3o \u00e9 ser mem\u00f3ria permanente e din\u00e2mica para que n\u00e3o nos esque\u00e7amos do que Ele disse e fez.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos recordar que, terminada a presen\u00e7a hist\u00f3rica de Jesus, vivemos o<strong> \u201ctempo do Esp\u00edrito\u201d<\/strong>, tempo de criatividade e de crescimento respons\u00e1vel. O Esp\u00edrito n\u00e3o nos proporciona a n\u00f3s, seguidores(as) de Jesus, \u201creceitas eternas\u201d. Mas nos d\u00e1 luz e \u00e2nimo para buscar caminhos sempre novos a fim de prolongar hoje o modo original de ser e de atuar de Jesus. Assim Ele nos conduz para a verdade completa de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lucas, o \u00fanico evangelista que fala de ascens\u00e3o<\/strong>, termina seu relato apresentando-nos os disc\u00edpulos como que pasmados, olhando para o alto e a alguns personagens vestidos de branco que lhes repreendem:<strong><em> \u201cHomens da Galileia, porque est\u00e1s a\u00ed olhando ao c\u00e9u?\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como Jesus, a \u00fanica maneira de alcan\u00e7ar a plenitude da vida n\u00e3o \u00e9 \u201csubir\u201d, mas \u00e9 \u201cdescer\u201d at\u00e9 o mais profundo de nosso ser. Aquele que mais desceu \u00e9 o que subiu mais alto.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus deixou suas pegadas cravadas na terra, mas os disc\u00edpulos ficaram assombrados com o olhar fixo nas alturas. Ao c\u00e9u s\u00f3 se chega caminhando para as profundezas de nosso ser, pois s\u00f3 no mais profundo de cada um (c\u00e9u interior), podemos encontrar o divino.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o causa estranheza que, ao narrar a despedida de Jesus deste mundo, Lucas descreva de forma surpreendente:<strong> Jesus ergue as m\u00e3os e \u201caben\u00e7oa\u201d seus disc\u00edpulos.<\/strong> \u00c9 seu \u00faltimo gesto. Jesus volta ao Pai levantando as suas m\u00e3os e aben\u00e7oando os seus seguidores. Ele entra no mist\u00e9rio insond\u00e1vel de Deus e sobre o mundo faz descer sua ben\u00e7\u00e3o. Jesus deixa atr\u00e1s de si sua ben\u00e7\u00e3o. Os disc\u00edpulos, envolvidos por sua ben\u00e7\u00e3o, respondem ao gesto de Jesus indo ao templo cheios de alegria. E estavam ali \u201cbendizendo\u201d a Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Saboreando com mais profundidade a narrativa da Ascens\u00e3o, ca\u00edmos na conta da insist\u00eancia de Lucas no tema do bendizer de Jesus: \u201clevantando as m\u00e3os os aben\u00e7oou e enquanto os aben\u00e7oava, se afastou deles&#8230;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fixar a aten\u00e7\u00e3o no seu <strong>\u201cbendizer\u201d<\/strong> e fazendo uma tradu\u00e7\u00e3o ao p\u00e9 da letra do verbo grego \u201ceu-logeo\u201d (\u201ceu\u201d= bem; \u201clogeo\u201d= dizer), ficamos surpresos de que Jesus sobe aos c\u00e9us dizendo coisas boas de seus disc\u00edpulos e deixando um \u201cinforme final\u201d sobre eles, claramente positivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se, antes de partir, Jesus tivesse redigido sua avalia\u00e7\u00e3o para prestar contas ao Pai e, para al\u00edvio nosso, revela-se satisfat\u00f3ria e elogiosa: somos boa gente, com pontos da vida a serem melhorados com certeza, mas, no conjunto, estamos bem. Ele leva anotadas muitas coisas boas de nossas vidas para cont\u00e1-las ao Pai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vamos agora contemplar o gesto das m\u00e3os de Jesus que aben\u00e7oam.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jesus sempre gostou de \u201caben\u00e7oar\u201d.<\/strong> Aben\u00e7oou as crian\u00e7as, os pobres, os doentes e desventurados. Seu gesto era carregado de f\u00e9 e de amor. Ele desejava envolver aqueles que mais sofriam, com a compaix\u00e3o, a prote\u00e7\u00e3o e a ben\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de ent\u00e3o, seus(suas) seguidores(as) come\u00e7am sua caminhada, animados por aquela ben\u00e7\u00e3o com a qual Jesus curava os doentes, perdoava os pecadores e acariciava os pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00f3s, seguidores(as) de Jesus, somos portadores(as) e testemunhas de sua ben\u00e7\u00e3o no mundo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como crist\u00e3os, esquecemo-nos que somos canais da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Jesus. A nossa primeira tarefa \u00e9 ser testemunha da Bondade de Deus. Manter viva a esperan\u00e7a, n\u00e3o nos rendermos diante de tanto \u201cmaldizer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Deus olha a humanidade com ternura e compaix\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 faz muito tempo que esquecemos isso, mas a Igreja deve ser, no meio do mundo, uma fonte de ben\u00e7\u00e3o. Num mundo onde \u00e9 t\u00e3o frequente \u201cmaldizer\u201d, condenar, prejudicar e difamar, \u00e9 mais necess\u00e1ria do que nunca a presen\u00e7a de seguidores(as) de Jesus que saibam \u201caben\u00e7oar\u201d, buscar o bem, dizer bem, fazer o bem, atrair para o bem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ben\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica enraizada em quase todas as culturas como o melhor desejo que podemos despertar para com os outros.<\/strong> O juda\u00edsmo, o islamismo e o cristianismo lhe deram sempre grande import\u00e2ncia. E, embora em nossos dias tenha sido reduzida a um ritual quase em desuso, n\u00e3o s\u00e3o poucos os que ainda destacam seu conte\u00fado profundo e a necessidade de recuper\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aben\u00e7oar \u00e9, antes de mais nada, desejar o bem \u00e0s pessoa<\/strong>s que encontramos em nosso caminho. Querer o bem de maneira incondicional e sem reservas. Querer a sa\u00fade, o bem-estar, a alegria&#8230;, tudo o que pode ajud\u00e1-las a viver com dignidade. Quanto mais desejamos o bem para todos, mais poss\u00edvel \u00e9 sua manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aben\u00e7oar \u00e9 aprender a viver a partir de uma atitude b\u00e1sica de amor \u00e0 vida e \u00e0s pessoas. Aquele que aben\u00e7oa esvazia seu cora\u00e7\u00e3o de outras atitudes pouco sadias, como a agressividade, o medo, a hostilidade ou a indiferen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aben\u00e7oar e ao mesmo tempo viver condenando, rejeitando, odiando.<\/p>\n\n\n\n<p>Aben\u00e7oar \u00e9 desejar a algu\u00e9m o bem do mais profundo de nosso ser, mesmo que n\u00f3s n\u00e3o sejamos a fonte da ben\u00e7\u00e3o, mas apenas suas testemunhas e portadores. Aquele que aben\u00e7oa n\u00e3o faz sen\u00e3o evocar, desejar e pedir a presen\u00e7a bondosa do Criador, fonte de todo bem. Por isso, s\u00f3 se pode aben\u00e7oar numa atitude de agradecimento a Deus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ben\u00e7\u00e3o faz bem a quem a recebe e a quem a pratica.<\/strong> Quem aben\u00e7oa os outros aben\u00e7oa-se a si mesmo. A ben\u00e7\u00e3o fica ressoando em seu interior, como prece silenciosa que vai transformando seu cora\u00e7\u00e3o, tornando-o melhor e mais nobre. Ningu\u00e9m pode sentir-se bem consigo mesmo enquanto continua maldizendo o outro no fundo do seu ser. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser canal de ben\u00e7\u00e3o do Criador se do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o brotam palavras de intoler\u00e2ncia, de preconceito e julgamento. \u201cMaldizer\u201d o outro \u00e9 maldizer-se a si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Texto b\u00edblico:&nbsp; Lc 24,46-53<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na ora\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Fazer mem\u00f3ria dos momentos em que voc\u00ea foi canal de ben\u00e7\u00e3o para muitas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea usa as redes sociais para \u201cbendizer\u201d ou \u201cmal-dizer\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agora que estamos chegando ao final do tempo pascal, vale a pena notar que a P\u00e1scoa, chave, centro e\u00a0 ponto de partida da f\u00e9 crist\u00e3, \u00e9 um acontecimento de uma riqueza tal que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10947,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10946"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10946"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10946\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10950,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10946\/revisions\/10950"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10946"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}