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Primeira vez de um papa no Golfo Pérsico: Francisco nos Emirados Árabes

Teve início neste domingo, 3 de janeiro, a viagem apostólica do papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos. O Papa Francisco viajou neste domingo, 3, aos Emirados Árabes. O primeiro dia do Santo Padre nos Emirados Árabes teve início com uma Missa em caráter privado no Palácio Al Mushrif, onde pernoitou em sua estada em Abu Dhabi. Em seguida, o Pontífice se dirigiu ao Palácio Presidencial para a cerimônia de boas-vindas.

Ali, foi acolhido pelo príncipe herdeiro, Xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan. Após a execução dos hinos e da apresentação das delegações, os dois líderes se reuniram para um encontro privado.

O príncipe herdeiro é filho do Xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, que é considerado o “pai da nação” e primeiro presidente dos Emirados Árabes Unidos, e irmão do Xeque Khalifa bin Zayed Al Nahyan, presidente do país.

Após deixar a residência presidencial, o Pontífice retornou para o Palácio Al Mushrif para o almoço.

Conselho dos Anciãos

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Na parte da tarde, está programado o encontro privado com os membros do Conselho Islâmico dos Anciãos na Grande Mesquita do Xeque Zayed. O Papa será recebido pelo Grande Imã de al-Azhar, Ahmad al-Tayeb, que já veio duas vezes visitar o Papa no Vaticano e acolheu Francisco durante sua viagem apostólica ao Egito.

O Conselho é uma organização internacional independente, com sede em Abu Dhabi, que promove a paz nas comunidades islâmicas. O Conselho reúne estudiosos, especialistas e dignitários muçulmanos estimados pelos princípios de justiça, independência e moderação.

Os membros dedicam uma atenção especial aos conflitos internos das comunidades muçulmanas e às causas que as originam, com a finalidade de defender os valores humanitários e os princípios de tolerância do Islã, em oposição ao sectarismo e à violência.

Histórico

Esta não é a primeira vez que o Papa Francisco se envolve em diálogo com o mundo muçulmano. Ele foi recebido pelo rei da Jordânia em Amã e visitou alguns dos locais mais sagrados do Islã, incluindo a mesquita Al-Aqsa, na Terra Santa, e a Mesquita Azul, na Turquia. Ele viajou como peregrino de paz à Albânia, ao Azerbaijão, ao Egito e à República Centro-Africana, onde inaugurou o Ano da Misericórdia.

Documento sobre a Fraternidade, Gisotti: sinal poderoso para o futuro da humanidade

Papa Francicso e o Imame Al-Tayyib: assinatura do Documento

“Um passo de grande importância no diálogo entre cristãos e muçulmanos e um poderoso sinal de paz e esperança para o futuro da humanidade”. Foi o que disse o diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, sobre o documento “Fraternidade Humana pela paz mundial e a convivência comum”, assinado nesta segunda-feira (04/02) pelo Papa Francisco e pelo Grande Imame de Al-Azhar na conclusão do Encontro Inter-religioso no Founder’s Memorial de Abu Dhabi, coração de toda a viagem do Pontifície.

“O Documento – lê-se na declaração de Gisotti -, é um apelo vibrante a responder o mal com o bem, a fortalecer o diálogo inter-religioso e a promover o respeito mútuo para bloquear o caminho daqueles que sopram no fogo do conflito de civilizações”.

Fraternidade Humana

Da Mesquita, o Papa se dirige para o grande evento do dia e motivo de sua viagem: o Encontro Inter-religioso no Founder’s Memorial. Trata-se de uma conferência global sobre a fraternidade humana, ocasião em que Francisco pronunciará o seu primeiro discurso.

“De ânimo reconhecido ao Senhor, aproveitei o ensejo do VIII centenário do encontro entre São Francisco de Assis e o sultão al-Malik al-Kamil para vir aqui como fiel sedento de paz, como irmão que procura a paz com os irmãos. Desejar a paz, promover a paz, ser instrumentos de paz: para isto, estamos aqui”.

“O ponto de partida é reconhecer que Deus está na origem da única família humana. Funda-se nas raízes da nossa humanidade comum, a fraternidade como «vocação contida no desígnio criador de Deus». Esta fraternidade nos diz que todos temos igual dignidade. Portanto, ninguém pode ser dono ou escravo dos outros”, frisou Francisco.

“Em nome de Deus Criador, é preciso condenar toda forma de violência, porque seria uma grave profanação do Nome de Deus utilizá-Lo para justificar o ódio e a violência contra o irmão. Religiosamente, não há violência que possa ser justificada.

“Que o nosso estar juntos hoje seja uma mensagem de confiança, um encorajamento a todos os homens de boa vontade para que não se rendam aos dilúvios da violência nem à desertificação do altruísmo. Deus está com o homem que procura a paz. E, do céu, abençoa cada passo sobre a terra que se realiza nesta direção”, concluiu o Papa.

Papa aos milhares de católicos em Abu Dhabi: sejam oásis de paz

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O estádio Zayed, em Abu Dhabi, recebeu nesta terça-feira (5) milhares de fiéis para a missa com o Papa Francisco num momento culminante para a comunidade católica na Península Arábica. O local, com capacidade para receber 45 mil pessoas, ficou pequeno para a presença de tantos fiéis: caldeus, coptas, greco-católicos, greco-melquitas, latinos, maronitas, sírio-católicos, siro-malabarenses e siro-malancareses, tanto que foram distribuídos cerca de 135 mil bilhetes para que a cerimônia fosse acompanhada do lado de fora, por telões. As autoridades locais informaram que no total estavam presentes à celebração (dentro e fora do estádio), cerca de 180 mil pessoas.

Na homilia, proferida em italiano pelo Pontífice, mas traduzida simultaneamente em língua árabe, o Papa Francisco começou dando um conselho fundamental para se viver como cristão: ser feliz, a mensagem basilar de Jesus, que não é prescrição para se cumprir, nem conjunto complexo de doutrinas para se conhecer. “Amados irmãos e irmãs, na alegria de encontrar vocês, esta é a palavra que vim lhes dizer: Felizes!”, disse o Pontífice, ao nos fazer refletir que, para Jesus, felizes são os pobres, mansos e que permanecem justos, e não os ricos e poderoso

“ Peçamos hoje, aqui juntos, a graça de voltar a descobrir o encanto de seguir Jesus, de O imitar, de nada mais procurar senão a Ele e seu amor humilde. Com efeito, é na comunhão com Ele e no amor pelos outros que está o sentido da vida na terra. Acreditam nisso? ”

O Papa, então, descreveu e agradeceu o modo como é vivida a “polifonia da fé” dos católicos nos Emirados Árabes, “que edifica a Igreja”. Lembrou que seguir o caminho de Jesus não significa estar sempre alegre e, por isso, reconhece que não é fácil “viver longe de casa e talvez sentir, além da falta das afeições mais queridas, a incerteza do futuro”. Enfrentando a provação, “pode acontecer de pensar que estamos sozinhos”, nesses momentos, porém, o Senhor “caminha ao nosso lado”, “é especialista em fazer coisas novas, sabe abrir caminhos mesmo no deserto (cf. Is 43, 19)”.

Papa Francisco despede-se dos Emirados Árabes

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O Papa despediu-se dos Emirados Árabes Unidos na manhã desta terça-feira (05). Após presidir a celebração da Santa Missa para os milhares de fiéis reunidos no Zayed Sports City, Francisco seguiu para o Aeroporto de Abu Dhabi onde foi recebido pelo Príncipe herdeiro xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan na entrada da Sala VIP, onde permaneceu alguns minutos.

Depois de ter saudado as delegações do Vaticano e dos Emirados Árabes Unidos, e passado em revista a Guarda de Honra, o Pontífice embarcou no avião B787 da Ethiad, que decolou às 10h23min com destino ao aeroporto Ciampino, em Roma, onde deverá chegar por volta das 17 horas (hora local), depois de sobrevoar Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Iraque, Turquia, Bulgária, Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Grécia e Itália.

 

Fonte: Vatican News

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